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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 Jogos Sul-Americanos, Seleção brasileira | 10:00

COB usará Jogos Sul-Americanos para fazer experiências

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Jogos Sul-AmericanosCompetição de segundo escalão entre os esportes olímpicos, os Jogos Sul-Americanos de 2014, que terão como sede a cidade de Santiago (CHI), a partir do próximo dia 7 de março, servirão como uma espécie de laboratório para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Em pleno ciclo olímpico para os Jogos do Rio 2016, a entidade usará o evento para dar mais rodagem a jovens atletas que nunca tiveram experiência em um competição de nível poliesportivo internacional. Ao mesmo tempo, levará algumas de suas estrelas, que poderão ajudar a ampliar o número de medalhas ao final da competição. Nas duas últimas edições (2006 e 2010), o Brasil ficou na segunda colocação no quadro geral de medalhas.

Segundo Jorge Bichara, gerente geral de performance esportiva do COB, para algumas modalidades os Jogos Sul-Americanos são uma competição interassante do ponto de vista esportivo. “Esportes que tenham a questão do tempo como parâmetro para avaliar a performance poderão aproveitar melhor sua participação nesta competição”, afirmou. Há até modalidades que terão os Sul-Americanos como seletiva para o Pan-Americano de Toronto 2015. É o caso do pentatlo moderno, que terá a presença da medalhista olímpica em Londres 2012, Yane Marques.

Também demonstraram a intenção de levar equipes completas o boxe e o taekwondo, segundo Bichara. Já o atletismo e a natação deverão enviar equipes mistas, alternando novatos com atletas consagrados. No caso do atletismo, várioas atletas da seleção principal irão a Santiago, como Mauro Vinícius da Silva, o Duda, Ana Cláudia Lemos e Fabiana Murer, campeã mundial do salto com vara. O handebol feminino, por exemplo, contará com a presença de várias atletas que foram campeãs mundiais em dezembro, na Sérvia.

Alguns esportes, contudo, disseram não aos Jogos. É o caso do basquete, que abriu mão de mandar equipes para disputar os torneios masculino e feminino, alegando que não teria como desfalcar os clubes participantes das respectivas ligas nacionais.

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 Isso é Brasil, Seleção brasileira | 22:32

Erros acumulados de 25 anos explicam a crise do basquete

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Carlos Nunes deverá anunciar mudanças na CBB nesta quarta

Nunes deverá anunciar mudanças na CBB nesta quarta

Acuada pelas duras cobranças  da Fiba (Federação Internacional de Basquete) e Ministério do Esporte, atolada em dívidas e sem perspectivas a curto prazo, a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) não teve outra alternativa a não ser capitular. Conforme relatou ao iG o secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, nesta quarta-feira o presidente da entidade que comanda o basquete brasileiro, Carlos Nunes, deverá anunciar profundas mudanças na gestão da modalidade. Um profissional de mercado para atuar na administração da CBB será apenas uma das novidades prometidas.

Porém, quem acompanhou o basquete brasileiro com um pouco mais de atenção nos últimos 25 anos, não deve ficar nada surpreso com tudo o que está acontecendo.

Em pouco mais de duas décadas, o que mais se viu foram gestões atrapalhadas na CBB, desde o períoodo em que Renato Brito Cunha foi o presidente, entre 1989 e 97, passando pelos 13 anos de mandato de Gerasime Boziks, o Grego, até desembocar no complicado período de Carlos Nunes, que está no poder desde 2009. Com raras exceções, marcadas por conquistas importantes e históricas – o título mundial de 1994, a medalha de prata em Atlanta 1996 da seleção feminina, além do bom quinto lugar da seleção masculina em Londres 2012 -, o basquete brasileiro vem sendo sinônimo de incompetência gerencial, dentro e fora das quadras.

Ou alguém já se esqueceu que a seleção masculina ficou 15 anos sem conseguir uma classificação olímpica? Ou sobre as inúmeras deserções em convocações no masculino, independentemente do técnico no comando? E a recusa de um jogador mediano, como o armador Nezinho, em entrar em quadra em pleno Pré-Olímpico de 2007, deixando o técnico Lula com cara de bobo? E ainda a recusa de uma jogadora talentosa, porém extremamente individualista como Iziane em voltar à quadra no Pré-Olímpico de 2008, peitando Paulo Bassul? E a máquina de moer técnicos na seleção que ocorreu na passagem de Hortência como diretora do basquete feminino?

Isso para falar apenas de ALGUNS dos problemas de quadra. Porque fora delas  vimos patrocinadores (de clubes e da seleção brasileira) fugirem para outras modalidades (vôlei e atletismo), dívidas se acumularem ao longo de anos e mesmo com uma quantidade de recursos públicos como nunca se viu, a CBB chegou a uma situação em que mal consegue se manter ativa. A Fiba deu o sinal de alerta – com um certo atraso, diga-se de passagem – no útimo final de semana, tendo o Ministério do Esporte como parceiro nas reclamações. O resultado disso foi o constrangedor encontro desta terça-feira, no qual até mesmo o ministro Aldo Rebelo participou.

Se quiser manter as chances de cumprir uma bela campanha e – porque não? – sonhar em subir ao pódio daqui a pouco mais de dois anos, nas Olimpíadas do Rio, é bom que Carlos Nunes tenha compreendido perfeitamente o que lhe foi passado em Brasília nesta terça-feira. Ou coloca sua entidade nos eixos ou entrará para a história da mesma forma que seus antecessores, como um dos responsáveis em manchar a história rica e vencedora do basquete brasileiro.

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 22:11

O final feliz de Adriana Araújo e a arte de engolir sapos

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Mauro José da Silva, Adriana Araújo e Ricardo Leyser, secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte: cachimbo da paz

Mauro José da Silva, Adriana Araújo e Ricardo Leyser, secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte: cachimbo da paz no boxe olímpico do Brasil

A definição do retorno à seleção brasileira de Adriana Araújo, medalhista de bronze na categoria até 60 kg no boxe feminino das Olimpíadas de Londres 2012, não poderia vir em melhor hora para o Brasil. Ainda sem ter assimilado a decisão dos irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão em optarem pelo profissionalismo, a CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe) finalmente recebeu um alento.

Ao lado de Everton Lopes e Robson Conceição, Adriana passa a se tornar, agora com seu retorno assegurado à seleção, em mais uma esperança real de medalha para o Brasil nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Classificada em terceiro lugar no ranking mundial da Aiba (Associação Internacional de Boxe Amador), Adriana Araújo tem enorme potencial para repetir o pódio de Londres ou até mesmo ir mais além.

E pensando no tal plano Brasil Medalhas (que inspirou a criação do Bolsa Pódio), o  Ministério do Esporte não queria de forma alguma ver de fora da equipe nacional nas Olimpíadas um talento como o da lutadora baiana. A meta brasileira, não se esqueçam, é ousada: deixar o país no top 10 do quadro de medalhas em 2016, o que sginificaria terminar os Jogos com cerca de 30 medalhas. Em Londres 2012 foram 17 o total de medalhas brasileiras.

Se do ponto de vista técnico o “acordo de paz” entre Adriana Araújo e Mauro José da Silva, presidente da CBBoxe, foi excelente, fico curioso para saber o saldo que a reunião desta quarta (antecipada aqui no blog) irá causar nas partes envolvidas.

Tanto o dirigente quanto a boxeador baiana são conhecidos pelo gênio forte. O próprio iG registrou, em sua cobertura nas Olimpíadas de Londres, as fortes palavras ditas por Adriana em relação a Silva. “Essa medalha é para calar a boca dele. Ele tentou me tirar da seleção, disse que eu não me classificaria e que não tinha condições de estar aqui. Mas vim e conquistei a medalha de bronze. Ele precisa aprender a valorizar os atletas do Brasil”, disse a boxeadora, logo após ganhar a medalha de bronze olímpica.

Em abril de 2013, quando a saída de Adriana da seleção foi definida, Mauro José da Silva deu o troco na atleta e já tinha a resposta na ponta da língua para justificar o corte: indisciplina. “Ela queria ficar na Bahia, com o técnico dela, mas em janeiro apresentou-se 14 kg mais gorda. Já tínhamos permitido isso outras duas vezes e os resultados foram terríveis”, afirmou na época ao blog.

Nesta quarta-feira, como demonstra a foto feita pela secretaria de alto rendimento do ministério do esporte, que intermediou o acordo, o clima era de paz e amor. “Nunca tive problemas com a CBBoxe. Sempre tive boa relação com as pessoas que trabalham lá. Em minha trajetória na seleção, consegui ser campeã em vários torneios e, com isso, alcancei uma boa pontuação”, disse Adriana, esquecendo-se do que havia declarado menos de dois anos atrás.

Neste ano haverá o Mundial feminino de boxe e certamente Adriana Araújo, se estiver em forma, é candidata à medalha. Vamos aguardar para ver se os sapos que a baiana e o dirigente engoliram na definição deste acordo valeram a pena.

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sábado, 18 de janeiro de 2014 Isso é Brasil, Jogos Sul-Americanos, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 22:04

Mesmo sem estrelas do Mundial, handebol acerta ao trazer seleção para o Brasil

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A central Mayara estará na fase de treinamentos no final do mês, em São Bernardo do Campo

A central Mayara, campeã mundial em dezembro, na Sérvia, estará na fase de treinamentos no final do mês, em São Bernardo do Campo

O handebol feminino do Brasil começa 2014 disposto a surfar na onda das glórias do inédito título mundial, obtido em dezembro do ano passado, na Sérvia, e acerta na mosca na iniciativa. Para não deixar a modalidade cair no esquecimento do torcedor, a CBHb (Confederação Brasileira de Handebol) decidiu fazer uma fase de treinamentos a partir do próximo dia 26, em São Bernardo do Campo (SP). O período de treinamentos irá se encerrar com um amistoso contra a República Dominicana, no dia 2 de fevereiro, na mesma cidade. Apenas quatro das 16 jogadoras campeãs do mundo estarão presentes e nem o técnico dinamarquês Morten Soudbak estará presente, mas este é o menor dos problemas, pode ter certeza.

Esporte que ainda está longe de ser considerado popular no país, o handebol precisa aproveitar todas as oportunidades para conseguir reforçar sua marca. E fará isso justamente na cidade onde será inaugurado um centro de treinamento de alto rendimento, provavelmente ainda este ano. Além disso, aproveitará o período de treinos para observar novas jogadoras e iniciar a preparação para os Jogos Sul-Americanos de Santiago (CHI), em março.

Lembrem-se que o time campeão do mundo tem uma média de quase 27 anos, mas as principais jogadoras, como Alexandra Nascimento, Deonise e Dani Piedade, já passaram dos 30 anos. O processo de renovação precisa começar logo, de olho não nos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, mas em 2020, em Tóquio.

Por isso, se você vibrou e comemorou o título da seleção feminina diante da Sérvia, naquele histórico 22 de dezembro de 2013, pode aproveitar a oportunidade para prestigiar a nova geração do handebol do Brasil. As campeãs mundiais que estarão nesta fase de treinamento são Mayara, Amanda, Deborah Hannah e Elaine. O time será comandado pelo assistente técnico Alex Aprile.

Confira abaixo as convocadas para o período de treinos em São Bernardo do Campo:

Goleiras: Ariadne Tomaz Moreira (Metodista/São Bernardo-SP), Flávia Vidal (Santo André-SP) e Jéssica Silva de Oliveira (Supergasbras/UNC/Concórdia-SC).

Armadoras: Amanda de Andrade (Supergasbras/UNC/Concórdia-SC), Juliana Malta Varela de Araújo (MKS Zaglebie Lubin – Polônia), Patricia Batista da Silva (Toulon Saint-Cyr Var Handball-França) e Patricia Diane de Jesus (FADENP/São José dos Campos-SP).

Centrais: Deborah Hannah Pontes Nunes (Metodista/São Bernardo-SP), Isabella Ansolin (Supergasbras/UNC/Concórdia-SC), Mayara Fier de Moura, Patricia Matieli Machado (Liga Itapeviense de Handebol-SP).

Pontas: Agda Gonçalves Pereira (Supergasbras/UNC/Concórdia-SC), Célia Costa Coppi (Metodista/São Bernardo-SP), Daise de Oliveira Souza (Associação de Handebol de Umuarama-PR), Dayane Pires da Rocha (Esporte Clube Pinheiros-SP) e Fernanda Barbosa Vaz (Santo André-SP).

Pivôs: Elaine Gomes Barbosa (Associação Cultural e Esportiva Força Atlética-GO), Fernanda Rigo Marques (Associação de Handebol de Umuarama-PR), Regiane dos Santos Silva (Metodista/São Bernardo-SP) e Tamires Morena Lima de Araújo (Supergasbras/UNC/Concórdia-SC).

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014 Isso é Brasil | 19:17

Com o Laureus, já são cinco os eventos esportivos que o Rio abriu mão nos últimos meses

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Michael Phelps foi um dos vencedores do Laureus 2013, realizado no Rio

Michael Phelps foi um dos vencedores do Laureus 2013, realizado no Rio

Pegou muito mal para a imagem do Rio de Janeiro a notícia de que a cidade abriu mão de organizar a edição 2014 do prêmio Laureus, considerado o “Oscar” do esporte mundial e que tinha sido realizado na capital fluminense em 2013 (saiba mais aqui). Pior ainda foi saber que a Fundação Laureus – que ajuda crianças carentes em todo o planeta através do esporte – cobra da cidade uma dívida de quase R$ 26 milhões pelo evento do ano passado. A confirmação da desistência foi feita pelo governo do estado do Rio, via Diário Oficial.

O Laureus não é um prêmio qualquer. Em 2013, por exemplo, o nadador Michael Phelps foi um dos premiados. Além do lamentável calote, o Rio trouxe ainda uma dor de cabeça extra à Fundação Laureus, que precisa correr para descolar um local para a edição deste ano, que inclusive corre o risco de ser cancelada. Que beleza!

Com a decisão de não organizar o prêmio Laureus, o Rio de Janeiro alcança a marca de cinco eventos esportivos internacionais que a cidade abriu mão. Antes, a “Cidade Olímpica” desistiu de abrigar as etapas das Copas do Mundo de tiro esportivo e pentatlo moderno, o Athina Onassis de hipismo e a Soccerex, uma feira internacional de futebol.

Trata-se de um “case de sucesso” de imagem, só que não!

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014 Histórias do esporte, Ídolos, Isso é Brasil, Listas, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 19:03

Uma breve reflexão sobre números e medalhas

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Seleção feminina de handebol comemora a conquista do inédito título mundial na Sérvia

Seleção feminina de handebol comemora o inédito título mundial na Sérvia

Neste primeiro post de 2014, creio ser ainda ser necessário comentar sobre um fato que acabou passando batido por aqui no final do ano recém-encerrado: a campanha dos esportes olímpicos do Brasil em 2013, que cravaram o melhor desempenho do país no primeiro ano pós-olímpico desde 2000. Graças aos diversos mundiais que estiveram em disputa na última temporada, o Brasil conseguiu um total de 27 medalhas em modalidades presentes no programa olímpico, feito nunca antes alcançado. Antes disso, a melhor marca havia sido alcançada em 2005, um ano após as Olimpíadas de Atenas 2004, com 11 medalhas.

Destas 27 medalhas, oito delas foram de ouro, a última delas conquistada de forma brilhante pela seleção feminina de handebol, campeã mundial diante da Sérvia, em dezembro. Os demais ouros de 2013 vieram com César Cielo (natação – 50 m livre); Arthur Zanetti (ginástica artística – argolas); Rafaela Silva (judô – 57 kg); Jorge Zarif (vela – classe Finn); Robert Scheidt (vela – classe Laser); Poliana Okimoto (maratonas aquáticas – 10 km); e vôlei feminino (Grand Prix).

Diante do ótimo resultado, tanto o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) quanto o Ministério do Esporte – um dos principais financiadores do esporte olímpico nacional, através do Bolsa Atleta e Bolsa Pódio, entre outros convênios – trataram de enaltecer o feito, lembrando em comunicados à imprensa que o Brasil terminou 2013 no oitavo lugar em um hipotético quadro de medalhas envolvendo as competições olímpicas no ano passado. Coincidentemente, o resultado está dentro da meta estabelecida, tanto pelo COB como pelo Ministério, para as Olimpíadas de 2016, no Rio, quando se espera que o país termine os Jogos entre os dez primeiros.

>>> Leia ainda: O dia em que o handebol deixou de ser ‘pé de página’ no Brasil

Mas por uma questão de padronização, esse 8º lugar deveria ser tratado como um 10º lugar. Antes da minha justificativa, uma rápida historinha olímpica…

A extinta União Soviética fez sua estreia em Olimpíadas nos Jogos de Helsinque, em 1952. Em plena Guerra Fria com os Estados Unidos, os soviéticos queriam aproveitar sua primeira participação olímpica para também fazer propaganda do regime comunista. E em sua Vila Olímpica particular (a delegação não quis se misturar com os demais atletas) os dirigentes da URSS instalaram na entrada um quadro onde computava as medalhas que eram conquistadas por seus atletas, em comparação às dos americanos. Era o primeiro quadro de medalhas da história das Olimpíadas. A partir de então, a imprensa passou a publicar listas com o total de medalhas conquistadas a cada edição dos Jogos. Mas essa é uma classificação extra-oficial.

Se você procurar no site do COI (Comitê Olímpico Internacional), não irá encontrar qualquer quadro de medalhas, pois a entidade considera apenas os campeões olímpicos de cada prova. Não sou hipocritamente purista como os nobres membros do COI e considero natural que a imprensa crie uma forma de classificar os ganhadores de medalhas nos Jogos Olímpicos. Porém, é bom deixar claro que oficialmente essa classificação não existe.

>>> Veja também: Mundial de Barcelona coinsagra Cielo, Thiago e Poliana, mas também merece uma reflexão

Os quadros de medalha olímpicos têm em geral sua classificação feita pelo tipo de medalha conquistada: primeiro, ouro, depois a prata, em seguida o bronze e por fim o total de medalhas. Mas é claro que os critérios mudam de acordo com o gosto do freguês. Assim ocorreu com vários veículos de comunicação dos EUA, que começaram a fazer a classificação de seus quadros pelo total de medalhas de Pequim 2008, justamente quando os ouros chineses deixaram as conquistas americanas para trás. No final, a China teve 51 ouros (100 no total) e os EUA faturaram 36 ouros (e 110 no total).

Volto a reforçar: para o COI, essa classificação não tem a menor importância!

No quadro de medalhas olímpicas de 2013 do COB, o critério usado é pelo total de medalhas obtidas. Assim, Japão (dez ouros), Coréia do Sul e Hungria (nove ouros cada um) aparecem atrás do Brasil, que levando em conta a classificação habitualmente adotada pela mídia, ficaria atrás destes três países, mas ainda assim estaria à frente da Austrália ( sete ouros no ano passado), que no quadro original ficou à frente do Brasil.

>>> E mais: O esporte do Brasil merece um campeão como Arthur Zanetti?

Como diz o título do post, o objetivo foi fazer com que uma pequena reflexão seja feita diante dos excelentes resultados obtidos pelos atletas brasileiros no ano que passou. Estamos no caminho certo, mas muito longe ainda de poder apontar o país como uma “potência olímpica”, como alguns mais fanáticos podem pensar.

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 20:23

Após a festa, o handebol precisa olhar para o futuro

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O técnico dinamarquês Morten Soubak está bem preocupado com o futuro do handebol brasileiro

O dinamarquês Morten Soubak (esq.) está bem preocupado com o futuro do handebol brasileiro

Passada a emoção da conquista histórica e a primeira leva de homenagens (mais do que merecidas, diga-se de passagem), é necessário que o handebol brasileiro tenha a tranquilidade necessária para avaliar o resultado efetivo da conquista do título mundial feminino neste domingo, na Sérvia. E nada melhor do que iniciar essa reflexão tomando como base uma declaração do competente e consciente dinamarquês Morten Soubak, treinador da equipe brasileira, publicada pelo portal AHE! nesta segunda-feira.

“Do jeito que está, não vai mudar nada. Estamos totalmente dependentes das meninas que estão na Europa. Não é por causa do que é feito no Brasil que estamos aqui. Nem um pouco. Se o Brasil daqui a três anos produzir cinco, oito jogadoras, beleza. Mas eu quero ver o Brasil produzir um time inteiro que vá para a seleção adulta”

Fala com muita propriedade o dinamarquês, que dirige a seleção feminina desde 2009, mas que chegou para trabalhar no Brasil em 2001. Ou seja, com 12 anos “de casa”, ele sabe muito bem como a banda toca por aqui. Se hoje exaltamos (com justiça) os feitos das heroínas do handebol, é bom não esquecer que boa parte deles devem-se ao importante intercâmbio que quase a totalidade das jogadoras (13 das 16 convocadas) adquiriram atuando na Europa. A própria presença de Soubak é fruto deste intercâmbio vitorioso.

Por aqui, os jogos das ligas nacionais (masculina e feminina) são vistos por uma minoria (familiares e amigos), com pouquíssima exposição nos canais de esporte e nos jornais e sites esportivos. Será que isso vai mudar com este título mundial?

A outra parte da declaração de Soubak também merece ser analisada com cuidado. A média de idade da seleção campeã mundial não é elevada demais, 26,3 anos. Mas as principais jogadoras da seleção estão longe de serem consideradas novatas: a capitã Fabiana, a Dara, tem 32 anos; Alexandra, a melhor do mundo em 2012, também tem 32; Dani Piedade está com 34 anos; a goleira Mayssa Pessoa está com 29; Deonise completou 30 anos. A melhor do Mundial, a armadora Duda Amorim, tem 27, mesma idade da central Mayara.

Ou seja, se não fizer um trabalho urgente de renovação, essa geração vitoriosa que emocionou o Brasil no último domingo certamente viverá seu canto do cisne nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Que as pessoas que comandam o handebol brasileiro estejam cientes de que a hora de olhar para o futuro da modalidade, é agora.

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domingo, 22 de dezembro de 2013 Mundiais, Seleção brasileira | 17:55

O dia em que o handebol deixou de ser ‘pé de página’ no Brasil

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Jogadoras do Brasil comemoram o momento em que a capitã Dara recebe a taça de campeão do mundo

Jogadoras do Brasil comemoram o momento em que a capitã Dara recebe a taça de campeão do mundo

Atualizado

22 de dezembro de 2013

Guarde bem esta data, pois foi neste dia que o handebol do Brasil deixou a condição de “primo pobre”, “recreação escolar” ou mesmo nota de pé de página, como se costuma falar no jargão jornalístico nas redações. Ao conquistar de maneira emocionante o Campeonato Mundial feminino, ao derrotar na decisão a Sérvia por 22 a 20, que jogava em casa e embalada por 20 mil torcedores, a seleção brasileira, literalmente, entrou para a história.

E não foi uma conquista ao acaso. O Brasil terminou o Mundial invicto, com nove vitórias ao longo da competição. Nesta caminhada vitoriosa, precisou superar um jogo emocionante contra a Hungria, nas quartas de final, com direito a duas prorrogações, e bateu a Dinamarca na semifinal, país com muito mais tradição neste esporte e que já foi tricampeão olímpico. Sem falar que derrotou duas vezes as sérvias, donas da casa.

Também não se pode falar que o handebol é um esporte sem apoio no Brasil. A maioria absoluta da seleção feminina atua no handebol europeu, em particular no clube Hypo, da Áustria, em parceria com a CBHb (Confederação Brasileira de Handebol), que banca parte dos salários das atletas. Há também diversos convênios firmados com o Ministério do Esporte, visando a preparação para as Olimpíadas do Rio, em 2016. Apenas para as preparações de Londres 2012 e Rio 2016, a seleção feminina teve R$ 5,4 milhões, além dos patrocínios do Banco do Brasil e Correios. Tudo somado, chega-se a R$ 9, 4 milhões.

Como não se faz campeão sem ídolos, neste Mundial o Brasil teve a melhor jogadora do torneio (a armadora Duda Amorim) e a segunda artilheira da competição, Alexandra Nascimento, com 54 gols, sem contar que a goleira Babi fez parte da seleção do Mundial, embora a reserva Mayssa Pessoa também tivesse uma atuação brilhante.

Um time que teve até uma jogadora que precisou superar a incerteza se voltaria a jogar, como foi o caso de Dani Piedade, que sofreu um AVC no ano passado mas que conseguiu se recuperar e ser um dos destaques do time.

Tudo isso sob o comando com competência por um dinamarquês “com alma de baiano”, como o próprio técnico Morten Soubak se define, ele que é casado com uma brasileira e que dirige a seleção desde 2009.

Uma medalha que veio com dois anos de atraso, depois de ficar em quinto lugar no Mundial de São Paulo, e ainda ficar no “quase” em Londres 2012, quando a seleção foi eliminada nas quartas de final das Olimpíadas pela Noruega, que seria medalha de ouro.

Depois deste 22/12/2013, o handebol no Brasil nunca mais será pé de página. Pode apostar.

 

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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013 Mundiais, Seleção brasileira | 20:50

Aviso aos navegantes: o Brasil não é zebra na final do Mundial de handebol

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Jogadoras da seleção feminina de handebol comemoram a histórica vitória sobre a Dinamarca

Jogadoras da seleção feminina de handebol comemoram a histórica vitória sobre a Dinamarca

Atualizado

Após alguns minutos da (mais uma) vitória épica da seleção brasileira feminina de handebol sobre a Dinamarca, por 27 a 21, garantindo a vaga para uma inédita final no Campeonato Mundial da Sérvia, é possível fazer algumas análises com um pouco mais de tranquilidade:

1) Exceto por alguns minutos no segundo tempo, quando as dinamarquesas chegaram a diminuir a diferença para apenas três gols, em nenhum momento o Brasil correu um risco real de perder a partida. As jogadoras comandadas pelo técnico Morten Soudbak tiveram domínio total do jogo;

2) Se a defesa foi o ponto fraco na dramática vitória sobre a Hungria nas quartas de final, desta vez a marcação brasileira soube anular com competência os ataques das rivais e sem apelar tanta para as faltas em que a jogadora precisava ficar dois minutos afastada de quadra;

3) Mais uma vez, a goleira Babi foi o ponto alto da seleção, realizando defesas sensacionais ao longo da partida. Aliás, goleira não é problema nesta seleção até agora, pois a reserva Mayssa também fechou o gol nas vezes em que foi utilizada;

4) O Brasil chega à decisão do Mundial com o a única equipe invicta da competição, com oito vitórias em oito jogos. A Sérvia, adversária das brasileiras na decisão, perdeu somente um jogo – justamente para o Brasil, na primeira fase do torneio, por 25 a 23;

5) A fanática torcida pode ser a grande arma da Sérvia na decisão. Nesta sexta-feira, com as arquibancadas lotadas, o time atropelou a Polônia por 24 a 18;

6) Para que ninguém fale em golpe de sorte, vale lembrar que o Brasil derrotou uma seleção que já foi três vezes campeã olímpica;

7) Nas 21 edições anteriores dos Mundiais femininos de handebol, apenas duas vezes um país não europeu esteve entre os três primeiros – Coreia do Sul, ouro em 1995 e bronze em 2003. O Brasil é o segundo a entrar neste seleto grupo.

8) Uma modalidade sem badalação da grande mídia no país, sem o mesmo apoio financeiro e a estrutura do vôlei, por exemplo, chega à decisão em igualdade de condições com seu oponente. A seleção feminina de handebol não será zebra na final deste domingo.

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013 Mundiais, Seleção brasileira | 19:15

O papel histórico que o handebol feminino terá no esporte brasileiro após o Mundial da Sérvia

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Jogadoras da seleção feminina do Brasil de handebol comemoram a vitória sobre a Hungria, após duas prorrogações

Jogadoras da seleção feminina do Brasil de handebol comemoram a vitória sobre a Hungria, após duas prorrogações, nas quartas de final do Mundial da Sérvia

A foto acima representa um dos momentos mais marcantes (e foram vários) do esporte brasileiro em 2013. No primeiro ano do ciclo olímpico para as Olimpíadas do Rio 2016, a seleção feminina de handebol pode ser responsável pela 27ª medalha obtida por atletas do país em campeonatos mundiais ou torneios equivalentes após a classificação da equipe para a semifinal do Mundial da Sérvia, após derrotar a Hungria em uma partida dramática, por 33 a 31, após duas prorrogações. Seu adversário será a Dinamarca, que eliminou a Alemanha por 31 a 28.

Para se ter uma ideia da dimensão do feito da equipe comandada pelo dinamarquês Morten Soubak (doce ironia), foi a primeira vez que uma equipe de esportes coletivos olímpicos alcança a condição de estar entre as quatro primeiras do mundo, fora vôlei e basquete. O futebol, apesar de fazer parte do programa olímpico, não entra nessa conta, afinal, as Copas do Mundo não tem absolutamente nada a ver com o universo olímpico, a começar pelos atletas que a disputam.

O estágio em que a seleção feminina de handebol se encopntra é de um país em franca evolução. Isso em uma modalidade que embora tenha tradicionalmente muitos adeptos na fase escolar, não consegue criar uma liga nacional forte e representativa. A maior prova disso é que praticamente a seleção inteira joga em clubes da Europa, divididas pela Áustria, Rússia, França, Dinamarca e Hungria. É inegável que a experiência internacional e o sério trabalho de Morten resultou em uma equipe que tem chances reais de sair da Sérvia com uma medalha (leia mais aqui). Sempre é oportuno lembrar que nas Olimpíadas de Londres esta mesma seleção ficou em um honroso sexto lugar, eliminada apenas pela Noruega, que seria a campeã olímpica

Como o time masculino não está no mesmo nível (a seleção sequer classificou-para as Olimpíadas de Londres 2012), esta seleção terá um papel fundamental na história do handebol brasileiro. Algo no nível do que o time feminino representou para o futebol dos Estados Unidos. Esta quinta-feira foi histórica para o esporte do Brasil.

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