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Posts com a Tag Política esportiva

quarta-feira, 14 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 23:48

O fiasco brasileiro no Mundial de atletismo e a miopia dos críticos

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Fabiana Murer falha em mais uma das tentativas no Mundial de Moscou

Um grande amigo meu, o jornalista Rodrigo Borges, companheiro de outras redações e atualmente no site da “ESPN” e um dos editores do ótimo “Esporte Fino” – listado entre os favoritos deste blog do lado direito da página – tem uma expressão que eu considero definitiva para analisar o comportamento de uma parcela razoável do torcedor que acompanha esportes por aqui: “Brasileiro não gosta de esporte, brasileiro gosta de quem vence”, diz o sábio Rodrigo, do alto de sua habitual ranhetice.

Concordo 100% com ele e vou mais além, desenvolvendo a tese no que diz respeito a esportes olímpicos: brasileiro acompanha as modalidades poliesportivas com a mentalidade de um torcedor de futebol. A maioria absoluta mal entende as regras de determinados esportes, coisa que fica evidente em grandes eventos, como Olimpíadas, Pan-Americanos e mundiais.

Nesta última terça-feira, Fabiana Murer, uma das principais esperanças de medalha do Brasil no Mundial de atletismo de Moscou, falhou em sua tentativa de manter o título no salto com vara. Até começou bem sua participação na final, passando sem problemas nos dois primeiros saltos, mas não conseguiu aproveitar as três chances em 4m75, comentou alguns erros na técnica do salto (admitidos por ela mesma) e acabou eliminada, terminando em quinto lugar.

Decepção? De certo modo sim, tendo como base o fato de que defendia seu título e que tinha como melhor resultado 4m85, o mesmo salto que lhe deu o ouro em Daegu, dois anos atrás. Mas vamos combinar que ela foi superada por atletas que hoje estão num patamar acima dela, como a americana Jennifer Suhr, a cubana Yarisley Silva e, principalmente, a russa Yelena Isinbayeva, a rainha do salto com vara e que voltou à velha forma justamente diante de sua torcida.

Mas o que deveria ser encarado como um resultado normal diante das limitações da brasileira – é provável que seu auge tenha sido a temporada de 2011 – serviu como combustível para que nas redes sociais as velhas piadinhas e comentários debochados voltassem à tona. Como se a conta pela vexatória eliminação nas Olimpíadas de Londres 2012 ainda não tivesse sido paga.

>>> Veja também: Fabiana Murer e a intolerância dos pachecos

O problema é que o brasileiro, em sua grande maioria, observa o esporte olímpico sob a ótica do futebol, ignorando que não é possível fazer analogias ludopédicas em provas de atletismo, natação ou handebol, por exemplo.

A miopia é tanta que não percebem que Fabiana Murer vinha de um ano complicado. Além de ter se contundido no início da temporada indoor (pista coberta), ela não voltou bem e esteve instável em diversas competições importantes. Sua melhor marca em 2013 foi 4m73, no Troféu Brasil, em São Paulo – menos, portanto, da altura necessária para que ela tivesse prosseguido na prova nesta terça-feira, no lindo Estádio Luzhniki.

Essa miopia dos corneteiros, citada acima, os impede de perceber que o problema é muito maior. O atletismo brasileiro passa por uma crise sem precedentes, a despeito de ter mais de R$ 30 milhões anuais entre patrocínio e verbas das loterias. É muito dinheiro. A nova administração, a cargo de José Antonio Fernandes, que assumiu este ano após quase três décadas do “reinado” de Roberto Gesta de Melo, avisou que tinha pouca expectativa neste Mundial de Moscou. O plano era o de “chegar ao maior número de finais possíveis”, o que é lamentável. E para 2016, o cenário não será muito diferente. Enquanto isso, jogam-se todas as fichas e esperanças em um punhado de atletas,  que diante de tanta pressão e expectativa, muitas vezes acabam sucumbindo.

>>> E ainda: Após fiasco em Londres, Brasil traça meta modesta para Mundial de Moscou

Ainda faltam quatro dias para o encerramento do Mundial. Espero queimar a língua, mas dificilmente o Brasil sairá de Moscou com medalhas. Só que a conta não pode ser colocada apenas nas costas de atletas. Quem comandou e quem comanda a CBAt, quem dirige o esporte brasileiro (COB) e  quem mandou transformar o Célio de Barros em estacionamento, todos esses têm sua parcela de culpa também.

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quarta-feira, 10 de abril de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 21:40

O Brasil olímpico que o ministro Aldo não conhece

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Na última segunda-feira, no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, deu exemplos claros sobre o quanto sua pasta desconhece os reais problemas do esporte brasileiro. Obviamente que o maior foco dos jornalistas que estavam na bancada para entrevistar o ministro era a organização da Copa do Mundo do ano que vem, cujos estádios ainda sofrem com inúmeros atrasos em suas obras.

Mas Aldo Rebelo também pouco saber sobre a realidade do esporte olímpico brasileiro. Ao ser indagado sobre a falta de uma política esportiva pública, voltada para o esporte de base, em contrapartida com a obsessão do governo sobre o desempenho nas Olimpíadas do Rio 2016, Aldo saiu em defesa do governo. Disse que está em andamento um investimento no esporte escolar, na qual há um programa para construir 5 mil quadras em escolas, além de aprovar a construção de 300 centros de iniciação do esporte, com espaço para a prática de judô, ginástica e esgrima.

Veja a partir da faixa dos 5min:

O negrito na palavra esgrima, no parágrafo acima, apenas reforça que o ministro Aldo Rebelo – a quem considero uma pessoa honesta e digna, porém totalmente fora de sintonia com o cargo que ocupa – não conhece totalmente a realidade do esporte olímpico do Brasil. Reportagem publicada nesta quarta-feira pelo iG Esporte mostrou as condições pelas quais a gaúcha Gabriela Cecchini, de somente 15 anos, conquistou um feito histórico, a segunda medalha brasileira em Mundiais de esgrima.

Sem nenhum apoio da CBE (Confederação Brasileira de Esgrima), Gabriela – além de outros 20 atletas da equipe brasileira que participa do Mundial da Croácia para cadetes e juvenis – precisou contar com a ajuda financeira dos pais ou de seus clubes (no caso de Gabriela, o Náutico União-RS) para disputar a competição.

Gabriela Cecchini comemora a vitória sobre a alemã Leandra Behr durante o Mundial 

O que é pior: trata-se de uma prática comum nas categorias de base da esgrima (e na maioria absoluta das modalidades olímpicas brasileiras), pois a CBE argumenta ter recursos, provenientes da Lei Agnelo/Piva e do próprio Ministério do Esporte, apenas para bancar os atletas de alto rendimento. Mesmo Gabriela sendo considerada pelo técnico da seleção, o ex-atleta olímpico Regis Trois, como um diamante bruto da esgrima brasileira. Para evoluir, segundo ele, ela precisa de mais experiência e, principalmente, apoio.

LEIA TAMBÉM: Revelação da esgrima tem resultado histórico sem ajuda da Confederação

Não serão as cinco mil quadras que o governo promete construir (se é que serão construídas de fato) que irão evitar que jovens talentos como Gabriela Cecchini precisem recorrer ao velho “paitrocínio” para tentar seguir uma carreira no esporte.

Enquanto não se criar uma política esportiva pública VERDADEIRA, jamais qualquer autoridade poderá chamar o Brasil de país olímpico.

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quarta-feira, 6 de março de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Olimpíadas | 11:40

A culpa pelos ginastas desempregados não é (só) do Flamengo

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Jade Barbosa, Diego e Daniele Hypólito falam sobre o fim da equipe de ginástica do Flamengo

Um drama recorrente no esporte brasileiro, a cena de ver atletas olímpicos de alto rendimento sem clube é sempre triste e revoltante. Quando isso ocorre em pleno ciclo olímpico para as Olimpíadas que serão organizadas no próprio país, no Rio de Janeiro, em 2016, o caso é ainda mais dramático. Não foi diferente, portanto, o sentimento que me tomou ao ver a revolta e perplexidade dos integrantes da equipe de ginástica do Flamengo, ao tomarem conhecimento da decisão do clube em acabar com o patrocínio da modalidade, ocorrido nesta terça-feira.

Além dos ginastas – entre eles algumas das estrelas da modalidade no Brasil, como os irmãos Diego e Daniele Hypólito, Jade Barbosa e Sérgio Sasaki – a equipe de judô também foi desativada. Seguiram o mesmo caminho da equipe de natação, cuja maior estrela era Cesar Cielo, fechada no final de 2012.

Os culpados por mais este crime no esporte olímpico brasileiro são vários, não se pode apontar o dedo apenas para um deles.

O primeiro culpado é o clube. É claro que o Flamengo tomou esta decisão pensando apenas na planilha de custos. Ninguém em seu juízo perfeito sairia fechando equipes olímpicas, com atletas de ponta e ídolos em suas modalidades, cujo retorno de imagem é sempre o maior possível. A decisão foi estritamente do ponto de vista de dinheiro.

O Flamengo é um clube com problemas financeiros históricos, fruto de gestões pífias e incompetentes. Mas o maior pecado dos dirigentes rubro-negros foi anunciar esta decisão EM MARÇO, com o segundo trimestre do ano em pleno andamento. Quando a natação acabou, em dezembro de 2012, já estava na cara que os demais esportes olímpicos teriam o mesmo fim. Agora, no primeiro ano do ciclo olímpico, estes atletas terão inúmeras dificuldades para encontrar um novo clube.

O segundo culpado é o governo, na figura do Ministério do Esporte. A falta de uma política esportiva ampla, que não seja preocupada apenas com grandes eventos ou programas de incentivo que muitas vezes demoram para alcançar o atleta, também é responsável pelo drama dos ginastas, judocas e nadadores flamenguistas.

Só para lembrar: no ano passado, com toda pompa, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a criação do Bolsa Pódio, programa que promete repassar até R$ 1 bilhão até 2016 a atletas, treinadores, preparadores físicos etc. O valor individual pode chegar até a R$ 15 mil/mês, dependendo de cada atleta. Mas até agora, ficou só na promessa. Dizem que as inscrições serão abertas agora em março. Dizem…

Por fim, o terceiro culpado é o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Por mais que a entidade diga que não tem responsabilidade na gestão das modalidades  (tarefa que segundo ele pertence às confederações), o COB é quem comanda o esporte brasileiro. E desde 2003, passou a ter a chave do cofre, quando começou a receber os recursos da Lei Agnelo/Piva. Nunca o esporte do Brasil teve tanto dinheiro. Mas o COB falha ao não cobrar as entidades de uma forma mais contundente.

A única certeza é que entra tantos culpados, os atletas olímpicos desempregados do Flamengo são as grandes vítimas. Triste filme repetido tantas vezes.

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012 Ídolos, Isso é Brasil | 20:23

O fim da natação do Flamengo e a montanha-russa do esporte brasileiro

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Cielo e as medalhas conquistadas no Pan 2011: lua-de-mel com o Flamengo

Às vezes, chego a ter a impressão que o esporte olímpico brasileiro vive em um universo paralelo, como alguns que frequentemente aparecem em filmes de ficção. Se por um lado, como mostrou a ótima reportagem de Aretha Martins e Luís Araújo publicada no iG Esporte nesta sexta-feira, pode-se constatar que as empresas perceberam a importância em investir nas modalidades olímpicas – ainda mais tendo como principal motivador a realização das Olimpíadas do Rio, em 2016 -, por outro fica evidente que ainda há uma grande distância da nossa realidade, antes de cartolas baterem no peito e chamarem este Brasil de “país olímpico”.

O maior exemplo disso apareceu neste último dia útil de 2012. Em entrevista coletiva, Alexandre Póvoa, novo vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, anunciou em entrevista coletiva que o a diretoria recém-empossada do clube não iria renovar o contrato do campeão olímpico e mundial Cesar Cielo e também de outros seis nadadores. A extinção da equipe olímpica de natação foi justificada de duas formas: a modalidade não era auto-sustentável (ou seja, dava prejuízo aos anêmicos cofres do clube rubro-negro) e que por não treinar nas dependências do clube, não servia como exemplo para a base.

(Apenas para fazer um parênteses, esta última justificativa do senhor Póvoa é uma grande piada. Afinal, ele queria que um nadador do nível de Cesar Cielo treinasse em um local que nem possuí uma piscina em condições aceitáveis para um atleta de seu nível se preparar?)

E Cielo não foi o único nadador de alto nível do Brasil a ficar sem clube neste final de 2012. Há duas semanas, durante a entrega do Prêmio Brasil Olímpico, Thiago Pereira ficou sabendo que o Corinthians também não iria renovar o seu contrato de patrocínio.

É perfeitamente compreensível que um clube cuja principal modalidade seja o futebol – e Flamengo e Corinthians são fundamentalmente times de futebol – reveja números e repense os investimentos em outros esportes. Questiono o motivo oportunista que faz com que estes times decidam apoiar em um determinado momento e depois retirar esse apoio quando os objetivos marqueteiros foram atingidos. Isso sim deplorável e precisa ser combatido!

Cielo, Thiago e os demais nadadores certamente seguirão sua vida em 2013, uns no mesmo nível de antes, outros possivelmente ganhando menos. Talvez um ou outro enfrente uma dificuldade maior em recomeçar o trabalho para o próximo ciclo olímpico. Mas um fato não se pode questionar: enquanto viver nesta gangorra, alternando momentos de euforia e dinheiro farto com fases de grana curta, o esporte do Brasil continuará sobrevivendo de estrelas solitárias como Cielo, Thiago e outros, que brilham apenas por mérito próprio.

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quinta-feira, 4 de outubro de 2012 Isso é Brasil | 22:13

COB realiza eleição inútil

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Carlos Arthur Nuzman será reeleito nesta sexta-feira como presidente do COB

Apenas uma obrigatoriedade estatutária justifica a realização, nesta sexta-feira, a partir das 11h30, da eleição para escolher o novo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro. Embora por definição seja um processo democrático, trata-se na verdade de uma eleição inútil.

Sim, inútil e de cartas marcadas,pois até as cadeiras da luxuosa sede do COB, localizada na Barra da Tijuca, no Rio (local do pleito) sabem há tempos que o vencedor será Carlos Arthur Nuzman, que assim partirá para o seu sexto mandato consecutivo, que terminará em 2016, quando então completará nada menos do que 21 anos no comando do esporte olímpico do Brasil.

E esta eleição de fachada, que acontecerá sob a benção de 29 das 30 confederações esportivas que compõe o colégio eleitoral do COB, só acontecerá desta forma porque os mesmos cartolas que votarão em Nuzman nesta sexta-feira não mostraram coragem ou competência (ou ambos) para formar uma chapa de oposição e criar, ao menos, um debate de ideias, dar uma nova opção de escolha. Algo que normalmente chamamos de democracia.

E se por conveniência ou incompetência os dirigentes esportivos brasileiros darão um novo mandato a Nuzman, é bom que se preparem para uma forte cobrança nos próximos quatro anos. A realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, colocará o esporte olímpico no olho do furacão cada vez mais.

E já aparecem com mais frequências vozes importantes questionando o longo tempo de permanência de dirigentes esportivos no comando de suas entidades. O maior exemplo tem sido dado pelo ex-jogador e deputado Romário, que vem batendo pesado no COB e na gestão de Nuzman. Nesta terça-feira, publicou em seu site o texto de seu discurso, que faria no plenário da Câmara dos Deputados (que não ocorreu por falta de quorum) lançando pesadas acusações envolvendo a organização dos Jogos de 2016.

Em maio, logo após  ser registrada a chapa única de Carlos Nuzman para a eleição desta sexta-feira, fiz um post onde questionava se havia alguma proibição para existir oposição no COB. Pelo visto, proibido não é, mas é muito mais cômodo deixar tudo do jeito que está.

Só como curiosidade: em seus 98 anos de existência (foi fundado em 1914), o COB teve apenas OITO presidentes ao longo de sua história. OITO, repito.

Alguma coisa está errada no esporte brasileiro, não acham?

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas | 13:38

Esporte brasileiro ficará mais rico para evitar mico nas Olimpíadas de 2016. Mas vai dar tempo?

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Aldo Rebelo já tinha cobrado antes uma melhor posição do Brasil no quadro de medalhas

E o governo brasileiro resolveu se coçar e botar a mão na massa, ou no bolso, para ser mais específico. Nesta quinta-feira, a presidenta Dilma Rousseff anunciará, em meio a uma homenagem aos medalhistas nas Olimpíadas e Paralimpíadas de Londres 2012 o Plano Brasil Medalha 2016. Através do Ministério do Esporte, serão feitos investimentos de R$ 1 bilhão até 2016, com o objetivo de colocar o país entre os dez primeiros do quadro de medalhas das Olimpíadas e entre os cinco primeiros das Paralimpíadas que ocorrerão no Rio de Janeiro, daqui a quatro anos.

Na teoria, sensacional. Nunca antes na história deste país (frase nova essa, hein?), o esporte brasileiro teve tanto dinheiro à disposição. Mas a dúvida que fica martelando em minha cabeça: vai resolver de fato todos os nossos problemas este dinheiro todo?

Para uma parte dos envolvidos, sim. Pelo plano que será lançado, estão previstas a criação de uma Bolsa Pódio, que poderá repassar até R$ 15 mil a atletas que ocupam os 20 primeiros lugares dos rankings mundiais em suas modalidades. Além disso, haverá investimento na equipe multidisciplinar dos atletas e até em compra de equipamentos. Esta é a parte boa da história.

O que para mim não parece fácil de atingir é a tal meta traçada pelo governo. Antes dos Jogos de Londres, o ministro Aldo Rebelo já tinha acenado com esta colocação do Brasil entre os dez primeiros do quadro de medalhas como uma meta a ser buscada. Acho justo, o problema é que o plano que o governo colocará em prática no próximo ciclo olímpico parece com algo desesperado para se evitar um grande vexame nos Jogos do Rio 2016.

No esporte, simplesmente despejar dinheiro em busca de resultados de expressão não funciona. No esporte olímpico então, a coisa é ainda mais complicada. Só para tomar um exemplo recente, a Grã-Bretanha, que cumpriu brilhante campanha em casa agora, começou a fazer um investimento pesado após fracassar em Atlanta 1996, ou seja, 16 anos depois.

Portanto, o segredo é trabalho a longo prazo. Não serão estes endinheirados quatro anos que vão tirar o Brasil do 22º lugar do ranking olímpico para se tornar Top 10. É bom que isso fique bem claro na hora de cobrarem resultados em 2016.

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domingo, 5 de fevereiro de 2012 Almanaque, Ídolos, Isso é Brasil, Olimpíadas | 17:01

Não é difícil fazer massificação esportiva. Difícil é encontrar quem faça isso

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Nélson Prudêncio em clínica neste sábado: iniciativa deveria ser frequente no Brasil

Sábado abafado, sol a pino, resolvi pegar a molecada e sair pra passear. Sabe como é, último final de semana de férias, o ano promete ser puxado, com as Olimpíadas de Londres 2012 cada vez mais próximas…Destino foi o Sesc Pompéia, aqui na Zona Oeste de São Paulo.

Eis que chegamos ao segundo andar do complexo esportivo e topamos com uma cena no mínimo diferente ao que se vê com frequência nas praças esportivas deste país: para uma plateia de pouco mais de uma dezenas de pessoas, a maior parte delas crianças, falava o ex-atleta olímpico Nélson Prudêncio, duas vezes medalhista olímpico no salto triplo – prata na Cidade do México 1968, e bronze em Munique 1972. Prudêncio também foi, durante alguns minutos, recordista mundial da prova, durante o duelo que travou nas Olimpíadas de 68 com o soviético Viktor Saneyev, que no final terminou com a medalha de ouro.

Veja também: A inoportuna virada de mesa da CBV no vôlei de praia

Prudêncio, que hoje é doutor em atletismo e leciona na Universidade Federal de São Carlos, foi convidado para dar uma clínica de atletismo, como parte do programa de verão criado nas várias unidades do Sesc, espalhadas pelo estado de São Paulo.

A maioria das pessoas que estava na quadra do segundo andar do Sesc Pompéia não fazia ideia que estava diante de uma lenda do esporte brasileiro, que passava às crianças, com simplicidade e muita paciência, um pouco de seu conhecimento. Nada voltado a descobrir talentos, longe disso. Apenas a oportunidade de dar a quem nunca viu uma modalidade esportiva diferente a chance de conhecê-la. E quem sabe, a partir daí, descobrindo um novo talento.

E refletindo sobre esta cena, enquanto acompanhava minha filha participar da clínica de Prudêncio, lamentava que iniciativas como essa são exceção neste Brasil que dirigentes do COB e políticos do Ministério do Esporte insistem em chamar de futura potência olímpica. Com a quantidade de dinheiro público investido atualmente, é inconcebível que clínicas como estas promovidas pelo Sesc não se repitam semanalmente, e em todo o país.

Não posso acreditar que seja impossível fazer um trabalho de massificação esportiva DE FATO e não da boca pra fora, com eventos esporádicos aqui e ali, dificilmente atingindo os pontos mais distantes (e que não dão retorno de mídia) deste país.

Com a quantidade de grandes atletas que o Brasil já produziu, clínicas de massificação esportiva como essa poderiam ocorrer frequentemente. O que existe por aí em projetos de inclusão esportiva nem dá pra levar em conta, diante dos patéticos resultados alcançados.

Enquanto não houver esporte de inclusão, na base, o Brasil jamais poderá ser considerado uma potência esportiva.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 16:24

Como é bom ser dirigente esportivo no Brasil

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Nuzman deverá emplacar outro mandato na presidência do COB

Sabe, chega um determinado momento da sua vida em que todo mundo precisa fazer uma reflexão. E este momento surgiu para mim exatamente nesta quarta-feira, quando cheguei à conclusão que estou perdendo tempo nesta vida de jornalista especializado em esportes. Este negócio de plantões de final de semana, feriados, decisões de campeonatos, olimpíadas, tudo isso aí não está com nada. Eu deveria mesmo ter seguida a carreira de cartola esportivo. De preferência, presidente de alguma federação ou confederação.

Foram bastante prestativas na ajuda para eu chegar a esta conclusão duas notícias que repercutiram nesta quarta: uma, publicada no UOL, dando conta que Carlos Arthur Nuzman, em recente reunião com presidentes de confederações, garantiu o apoio necessário para permanecer no comando do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), pelo menos até 2016, quando serão realizados os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

A outra, que saiu na edição da Folha de S. Paulo, conta que o presidente da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), Jorge Lacerda – cuja gestão está sendo alvo de investigação da Polícia Federal para apurar desvio de recursos públicos em suas contas, segundo a “Folha” – tentará alterar o estatuto da entidade para ficar à frente da entidade até depois dos Jogos de 2016.

Chega a ser tocante tamanho desprendimento e dedicação destas pessoas para ocupar cargos não remunerados e deixar de lado suas atividades profissionais. Além disso, sacrificar anos de convívio com amigos e familiares, tudo em prol do desenvolvimento do esporte, não é mesmo?

Com este nova reeleição, Nuzman completará mais de duas décadas, 21 anos para ser mais preciso, no comando do COB. Lacerda, caso seu pleito seja acatado pela Assembleia Geral da CBT, irá superar os dez anos à frente da entidade. Até mesmo o competente e vitorioso vôlei não tem no processo democrático um exemplo a ser destacado, pois Ary Graça preside a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) desde 1995.

Claro que os dois não se comparam a outros campeões de longevidade no esporte brasileiro: Coaracy Nunes comanda a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) desde 1988, um ano a menos do que Roberto Gesta de Melo, que ocupa a presidência da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) desde 1987. Sem falar em Renato Pera, presidente da FPV (Federação Paulista de Vôlei) desde os tempos das corridas de biga de Ben-Hur.

Justiça seja feita, Gesta de Melo já anunciou publicamente que 2012 será seu último ano no comando da CBAt.

Para esta turma, coisas como democracia, alternância salutar no poder etc não passam de bobagens criadas por jornalistas que gostam de procurar chifre em cabeça de cavalo.

Como se vê nos exemplos acima, não tem profissão no Brasil que seja melhor do que cartola esportivo. Afinal, ninguém brigaria tanto para se manter no poder se a boquinha não fosse boa, não é mesmo?

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 15:00

E o Brasil, acredite, já é considerado uma “potência esportiva”

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Cesar Cielo exibe a medalha de ouro nos 50m livre do Mundial de Xangai

A notícia chega a ser surpreendente, dada à nossa habitual monocultura esportiva, onde só o futebol costuma ser lembrado como um exemplo de sucesso internacional: dados organizados pela agência de marketing esportivo HS&E (Havas Sports & Entertainment) apontam o Brasil como uma das 20 maiores potências esportivas do mundo.

O resultado causa surpresa porque historicamente o desempenho brasileiro nos esportes olímpicos ainda é modesto, embora esta situação esteja mudando nos últimos 16 anos, mas especificamente desde as Olimpíadas de Atlanta 1996. O estudo da HS&E, chamado “Nations os Sports”, é realizado desde 2005 e avalia anualmente o desempenho de 119 países que tenham conquistado ao menos uma medalha (ouro, prata ou bronze) em esportes olímpicos, automobilísticos ou modalidades reconhecidas pelo COI (Comitê Olímpico Internacional).

No levantamento que foi divulgado em janeiro, referente ao desempenho no ano de 2011, o Brasil aparece pela primeira vez entre as 20 principais nações esportivas do planeta, ocupando a 17ª posição, com 27 ouros, 19 pratas e 29 bronzes, em todas as competições internacionais realizadas na última temporada. Em 2010, o Brasil aparecia em 26º lugar, ganhando, portanto, nove posições no ranking. Levando-se em conta somente as competições olímpicas realizadas em 2011, com objetivo de preparação para as Olimpíadas de Londres 2012, o desempenho brasileiro foi ainda melhor: 13º lugar, com 15 ouros, oito pratas e 11 bronzes (total de 34). Ficou à frente, inclusive, de outros países com mais tradição olímpica, como Espanha (14º) e Canadá (17º).

“O fato de o Brasil ter sido escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016 é um dos motivos deste crescimento. Com a proximidade do evento, os esportes olímpicos ganham maior destaque e investimento. Além disso, os atletas apresentam motivação extra para ter um grande desempenho em casa”, afirma Eduardo Corch, diretor da HS&E.

E o grande responsável por este “salto de qualidade” do Brasil na pesquisa da HS&E foi o desempenho da natação, com 14 medalhas (oito de ouro, uma de prata e cinco de bronze), sendo que seis destas medalhas foram conquistadas somente por Cesar Cielo, grande favorito a conquistar ao menos uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Londres 2012.

Agora, tirando o fato de que é impossível discutir contra números, faço uma provocação ao título de meu próprio post, e convido todos a uma sincera reflexão: analisando mais profundamente a realidade do esporte brasileiro, que costuma viver de esporádicos exemplos de gênios esportivos (como é Cielo, como foi Guga, Juliana/Larissa, Rodrigo Pessoa etc), será que podemos mesmo chamar o Brasil de “potência esportiva”? Dá pra falar em potência esportiva vendo tantos exemplos de confederações mal administradas neste país e que mal realizam o básico na política de descobrimento de novos talentos?

Sinceramente, o caminho do Brasil para chegar até lá ainda é muito longo.

Confira abaixo os 20 primeiros colocados no estudo da HS&E, levando-se em conta apenas as competições olímpicas de 2011:

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011 Com a palavra, Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano | 20:58

Recado para os que adoram detonar o esporte de Cuba…

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O cubano Omar Cisneros, ouro nos 400 m com barreira nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara: o objetivo do esporte cubano não é ganhar medalhas

Sempre que termina um evento esportivo como Jogos Olímpicos ou Pan-Americanos, a “pachecada de direita” – uma sub-divisão da famosa turma que reúne os torcedores fanáticos pelo Brasil-sil-sil e que também não suportam uma visão progressista do mundo – adora detornar Cuba. “Ah, eles estão em decadência”, dizem uns. “De que adiante ter medalha se vivem debaixo de uma ditadura sangrenta”, gritam outros. “Quero ver em Londres como eles vão se sair”, provocam mais alguns.

Sem entrar no mérito da questão de como Fidel Castro e seus amigos controlam as coisas lá na ilha, não há como negar o sucesso da política esportiva de Cuba. E não se trata de algo que começou do dia pra noite e sim fruto de uma visão a longo prazo, e que começou a ser tratada assim que Fidel chegou ao poder, em 1959.

Para esta turma que adora detonar o regime de Cuba e torcem para seu fiasco olímpico, achando que o Brasil está pronto para ocupar seu lugar como segunda potência esportiva das Américas, deixo estas palavras de Alberto Juantorena, ex-campeão olímpico dos 400 e 800 m nas Olimpíadas de Montreal 1976, para reflexão da pachecada.

“O mais importante para nós não são as medalhas, mas o ser humano e o melhoramento da qualidade de vida e que o esporte possa ser algo importante na educação das novas gerações de cubanos”

*Trecho acima extraído de post do ótimo blog do jornalista José Cruz

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