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Posts com a Tag Política esportiva

sexta-feira, 3 de outubro de 2014 Jogos de Inverno, Olimpíadas | 22:45

O bom senso da Noruega e a ira do COI

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Fogos de artifício enfeitam o céu de Sochi, durante a cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno deste ano

Fogos de artifício enfeitam o céu de Sochi, durante a abertura dos Jogos de Inverno deste ano

Não fosse a Suíça um país conhecido por sua famosa postura de neutralidade em conflitos internacionais, já se estaria  iniciando a partir de Lausanne, na sede do COI (Comitê Olímpico Internacional), um movimento para invadir a Noruega. O motivo que vem despertando tanta revolta nos corredores da entidade que comanda o esporte olímpico mundial foi a decisão da capital norueguesa Oslo em abrir mão da candidatura para receber os Jogos de Inverno de 2022.

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A desistência foi confirmada nesta última quarta-feira (1º), após o parlamento norueguês negar as garantias econômicas necessárias para prosseguir na corrida olímpica. Os políticos também contavam com uma pesquisa que apontava 55 % de contrariedade da população de Oslo para receber o mega-evento. Com isso, somente duas cidades seguem na briga pela sede olímpica: Almaty, no Cazaquistão, e Pequim, na China.

Só para refrescar a memória, Cracóvia (Polônia), Estocolmo (Suécia) e Lviv (Ucrânia) já tinha também pulado do barco olímpico para 2022 bem antes. Há muitos anos – mais precisamente desde 1974, quando Moscou e Los Angeles brigaram sozinhas pela condição de receber as Olimpíadas de verão de 1980 – que o COI não via tamanha falta de concorrência para escolher as sedes de seus Jogos.

O motivo é muito simples: a brincadeira ficou cara demais!

Os custos dos Jogos de Sochi 2014 foram assustadores, nada menos do que US$ 51 bilhões. Por mais que o COI argumente que a maior parte deste investimento tenha sido em infra-estrutura que a cidade teria que gastar de qualquer maneira, os números das planilhas de gastos olímpicos dos países-sedes nos últimos anos só aumentam. E para evitar que esse sonho olímpico se transformasse num pesadelo de dívidas, a Noruega decidiu abrir mão da candidatura.

O COI não perdoou a desistência. “Esta é uma oportunidade perdida para a cidade de Oslo e para todo o povo da Noruega que são conhecidos em todo o mundo por ser grandes fãs de esportes de inverno. E é sobretudo uma oportunidade perdida para os atletas noruegueses que não serão capaz de alcançar novos patamares olímpicos em seu país natal”, disse a entidade, em comunicado.

Mas é bem capaz que a decisão dos políticos noruegueses também tenha sido estimulada por uma “pequena” lista de exigências do COI, caso Oslo fosse a escolhida, em um documento de 7.000 páginas, revelado pelo jornal VG. Algumas são surreais:

1) Os principais dirigentes do COI deverão ser recebidos pelo rei da Noruega, em recepção paga pelo governo antes da cerimônia de abertura dos Jogos;

2) O presidente do COI, Thomaz Bach, deverá ser recebido em cerimônia na pista do aeroporto e que os principais membros do COI passem pela alfândega em um portão especial;

3) Uma pista especial nas estradas e ruas deverá ser reservada para que os membros do COI possam se deslocar de carro em Oslo durante os Jogos Olímpicos;

4) Todos os dirigentes do COI deverão receber um telefone celular da marca Samsung (patrocinadora do COI), com uma assinatura de uma companhia telefônica norueguesa;

5) Os organizadores deverão assumir as despesas de carros e motoristas para todos os integrantes do comitê executivo do COI durante o período dos Jogos.

Sorto do povo norueguês que o bom senso ainda prevalece entre algumas de suas lideranças políticas…

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014 Olimpíadas | 23:24

Novo laboratório antidoping recebe visita da Wada, mas liberação ainda está distante

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Ricardo Leyser confia que o novo laboratório brasileiro de controle de dopagem seja aprovado pela Wada

Ricardo Leyser confia que o novo laboratório antidoping  seja aprovado em breve pela Wada

Alvo de uma das grandes dores de cabeça na organização das Olimpíadas do Rio 2016, a perda do credenciamento do Ladetec, laboratório que seria o responsável pela realização dos exames de controle de dopagem, no ano passado, tornou-se prioridade dentro do governo brasileiro, que tem investido pesado para que não ocorra um vexame inédito do país-sede dos Jogos não ter um laboratório aprovado pela Wada (Agência Mundial Antidoping).

O novo LBCD (Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem),  como o Ladetec foi rebatizado, tem suas obras praticamente concluídas, na sede do Instituto de Química da UFRJ. O Ministério do Esporte investiu R$ 110 milhões na reforma do edifício, além de outros R$ 30 milhões para a compra de equipamentos, segundo informou o secretário de alto rendimento do ministério, Ricardo Leyser. A instalação inclusive recebeu a visita de técnicos da Wada no mês de agosto, como parte dos procedimentos para a recuperação das credenciais do laboratório para realização dos exames nas Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016.

Relembre: Na luta contra o doping no Brasil, uma boa e uma má notícia

Mas será um trajeto lento para que isso aconteça, admite o próprio Leyser. “É um processo crítico e sofisticado. Passamos por esta primeira visita da Wada, mas ainda assim não passa pela nossa cabeça não recebermos o credenciamento”, explicou. Após serem cumpridos todos os passos, o LBCD deverá receber as credenciais somente no segundo semestre de 2015.

A demora é necessária: vale lembrar que o Ladetec foi descredenciado pela Wada por falhar seguidamente em diagnósticos de exames e em testes criados pela própria agência mundial antidoping para avaliar a eficiência de um laboratório.

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quinta-feira, 11 de setembro de 2014 Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 18:45

Esporte brasileiro tem semana de feitos inéditos

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Não me recordo qual foi a última vez em que o esporte olímpico brasileiro viveu dias de conquistas inéditas tão relevantes como as dos últimos cinco dias. Do domingo (dia 7/9) até esta quinta-feira (11/9), três modalidades atingiram feitos até então inimagináveis em sua biografia olímpica.

A brasileira Aline Ferreira (de vermelho) encara a americana Adeline Gray na decisão da medalha de ouro do Mundial

A brasileira Aline Ferreira (de vermelho) encara a americana Adeline Gray na decisão da medalha de ouro do Campeonato Mundial de luta olímpica

O mais recente deles aconteceu justamente nesta quinta-feira, com a medalha de prata obtida pela lutadora Aline Ferreira, na categoria 75 kg, no Campeonato Mundial de luta olímpica, modalidade luta livre, que está sendo disputado em Taskkent, no Uzbequistão. Na decisão, Aline (que foi prata no Pan-Americano de Guadalajara 2011) acabou sendo derrotada pela americana Adeline Gray, por 2 a 1.

Sinceramente, o resultado na decisão é o menos importante. Em um esporte sem qualquer tradição no Brasil, Aline conseguiu simplesmente a primeira medalha para o País em Mundiais na luta olímpica, um resultado extraordinário, especialmente levando-ser em conta que a CBLA (Confederação Brasileira de Lutas Associadas) recebeu um dos menores repasses de recursos da lei Agnelo-Piva (R$ 2 milhões) em 2014.

Algo semelhante à conquista no domingo de Marcus Vinicius D”Almeida, na final da Copa do Mundo de tiro com arco, em Paris (FRA), ao levar a medalha de prata com apenas 16 anos, tornando-se o mais jovem arqueiro do mundo a alcançar este feito. Da mesma forma que Aline Ferreira, jamais um brasileiro havia obtido um resultado semelhante.

Mesmo sem medalha, também merece ser ressaltado o desempenho de Rodrigo Bastos na final da fossa olímpica do Mundial de tiro esportivo, que está sendo disputado em Granada (ESP). O quinto lugar também representou o melhor resultado de um atleta brasileiro nos Mundiais da modalidade.

O que vem na sequência destes resultados é um alento para o esporte brasileiro em sua preparação aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, daqui a dois anos. Com uma meta ousada de terminar entre os dez primeiros no quadro geral de medalhas, e impulsionadas por investimentos inéditos de verbas do Ministério do Esporte, estas modalidades menos badaladas começam a experimentar uma rotina de vitórias.

Ainda não é possível cravar que a diversificação de bons resultados em modalidades olímpicas irá representar um resultado positivo no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos. Mas é inegável que trará efeitos no DNA esportivo do Brasil num futuro próximo.

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terça-feira, 2 de setembro de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas | 23:36

Governo do RJ agora promete despoluir mais de 80% da Baia de Guanabara até os Jogos. Vai dar tempo?

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Barco do México navega pela Baia de Guanabara, local das provas de vela nos Jogos de 2016

Barco do México navega pela Baia de Guanabara, local das provas de vela nos Jogos de 2016

Alvo constante de fortes críticas de atletas, dirigentes e entidades ambientalistas, inclusive durante o evento-teste realizado no início de agosto, as poluídas águas da Baia de Guanabara, sede das provas de vela dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, poderão estar menos sujas do que se espera daqui a dois anos. Esssa pelo menos foi a ousada promessa feita por integrantes do governo do Rio de Janeiro nesta terça-feira, na sede do comitê organizador. E a meta é superar os 80% de águas limpas e esgoto tratado, que havia sido estabelecida antes.

Para que isso deixe de ser apenas uma promessa vazia, a CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) assegura que irá construir um cinturão de captação de esgoto nos arredores da Marina da Glória, impedindo assim que ocorra o desague de esgotos nas águas da instalação olímpica. A nova obra está orçada em R$ 14 milhões, que elevou para mais de R$ 2,5 bilhões o custo total de limpeza da área.

>>> Veja também: As primeiras impressões sobre a Baia de Guanabara para 2016

“Ao longo dos últimos três anos, as raias de competição já estavam no padrão internacional, devido às várias iniciativas que vem sendo desenvolvidas na Baía de Guanabara. O único ponto que faltava era justamente a área de saída dos barcos, na Marina da Glória. Com esse projeto, 100% dos compromissos firmados em relação ao site onde serão realizadas as competições de vela estarão concluídos a um ano dos Jogos Olímpicos”, disse o presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE), Wagner Victer.

Mas a pergunta que não quer calar: será que vai dar tempo?  Faltam menos de dois anos para as Olimpíadas e se o controle de poluição falhar na Baia de Guanabara durante os Jogos, o vexame será histórico. Vamos aguardar…

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terça-feira, 19 de agosto de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 23:10

Taekwondo segue criando talentos, apesar de seus cartolas

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Wander Roberto/Inovafoto/COB

Edival Marques comemora a medalha de ouro no taekwondo, categoria até 63 kg, durante os Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim (China)

O taekwondo é uma das modalidades esportivas do Brasil que mais se envolvem em polêmicas. Uma rápida busca no Google pode enfileirar diversos casos escabrosos – alguns que remetem ao ano 2000 -, com atletas reclamando de perseguição de dirigentes, federações desfiliadas por pura vingança e no final, tudo sempre acaba desembocando na CBTKD (Confederação Brasileira de Taekwondo). Não importa quem esteja no poder, há sempre uma confusão ou alguma acusação mais grave envolvendo a modalidade. Atualmente, a confederação é presidida por Carlos Fernandes.

No final de julho, a Polícia Federal apreendeu documentos em endereços ligados à entidade, em uma investigação sobre possíveis irregularidades com gastos de recursos provenientes do Ministério do Esporte. Segundo reportagem do jornal “O Globo” da última sexta-feira, uma empresa de distribuição de bebidas e alimentos teria fornecido material esportivo à confederação, importando, por exemplo, placas de tatame por um preço muito superior ao produto similar encontrado no Brasil.

Ainda assim, mesmo com toda essa cartolagem incapaz, o taekwondo do Brasil, ainda longe de ser considerado um esporte de massa no país, consegue descobrir talentos e mostrar resultado. Tem sido assim desde Diogo Silva, ouro (até 68 kg) no Pan do Rio, em 2007, e especialmente com Natalia Falavigna, bronze (acima de 67 kg) nas Olimpíadas de Pequim 2008.

E a tradição de superar a incompetência dos cartolas e brilhar no tatame chegou também nas Olimpíadas da Juventude, que estão sendo realizadas em Nanquim (China), onde o paraibano Edival Marques, de 17 anos, com um golpe no último segundo, derrotou o mexicano José Nava Rodrigues, na final da categoria até 63 kg, nesta terça-feira. As palavras de Edival, agradecendo a quem realmente o ajudou em sua conquista, são sintomáticas. Não são pelos seus dirigentes que o taekwondo do Brasil consegue formar atletas de tanto talento.

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quinta-feira, 14 de agosto de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano | 16:27

Hóquei feminino do Brasil vira o primeiro mico para 2016

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Atualizado

A batalha para transformar os Jogos Olímpicos de 2016 em uma forma de aumentar a cultura esportiva do Brasil sofreu um duro golpe com a praticamente certa ausência da seleção feminina de hóquei sobre grama das Olimpíadas do Rio de Janeiro, daqui a dois anos. Só um milagre, ou um ótimo acordo político, fará com que a fraquíssima equipe brasileira possa participar da competição.

Jogadoras da seleção brasileira feminina de hóquei não deverão disputar as Olimpíadas de 2016

Jogadoras da seleção brasileira feminina de hóquei não deverão disputar as Olimpíadas de 2016

Esporte sem qualquer tradição no país, o hóquei sobre grama passou a contar com a atenção do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e do Ministério do Esporte na ocasião da disputa dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Como sede, o Brasil tinha direito de colocar equipes em todas as modalidades e foram montadas seleções masculina e feminina, que colecionaram vexames no Rio de Janeiro: os homens perderam todos os jogos e terminaram o torneio com 57 gols sofridos e apenas um a favor, enquanto as mulheres sofreram 53 gols e não marcaram nenhum.

Após o Rio de Janeiro ganhar o direito de receber as Olimpíadas de 2016, foi feito um planejamento para dar ao hóquei brasileiro condições mínimas de participar do evento sem causar tanta vergonha. Um acordo foi costurado entre COB e FIH (Federação Internacional de Hóquei) em 2011, para ajudar a inserir o país no cenário mundial da modalidade. A intenção era ajudar a CBHG (Confederação Brasileira de Hóquei sobre Grama) a fazer algo quase impossível: criar equipes minimamente competitivas da modalidade para as Olimpíadas.

O tempo foi suficiente para mostrar que era um objetivo inatingível.

Mesmo com apoio financeiro da Lei Agnelo/Piva, que destinou à modalidade R$ 1,7 milhão, além de convênios com o Ministério do Esporte, o hóquei não decolou. Se a seleção masculina ainda conseguiu mostrar uma evolução mínima – disputou, apenas como treinamento, o Pré-Olímpico de 2012 e com sorte tentará ratificar a vaga no Pan-Americano de Toronto, no ano que vem -, a equipe feminina acumulou um vexame atrás do outro.

Além de não se classificar para o Pan 2015, pois perdeu o título dos Jogos Sul-Americanos de Santiago, neste ano, a equipe não conseguirá ficar entre os 40 primeiros colocados do ranking mundial ao final desta temporada (exigência da FIH para assegurar a vaga olímpica como país sede), por não ter condições financeiras de disputar a Liga Mundial, onde poderia pontuar para o ranking.

Apenas uma vez, nos Jogos de 2004, em Atenas, que o anfitrião não conseguiu se classificar para um evento de esportes coletivos. Na ocasião, a Grécia também não atendia aos requisitos da FIH e precisou apelar ao CAS (Corte Arbitral do Esporte) para disputar o Pré-Olímpico masculino, quando foi eliminado.

A menos que a FIH rasgue o seu próprio regulamento, o hóquei  feminino do Brasil não disputará as Olimpíadas do Rio, em 2016. Um belo mico, convenhamos.

Atualizado

Procurado pelo blog, o Ministério do Esporte se posicionou sobre o caso, através de sua assessoria de imprensa. Segue a resposta:

Desde 2011, todos os projetos apresentados ao Ministério visando a garantir a preparação das equipes olímpicas conseguiram receber recursos. A própria CBHG recebeu cerca de R$ 1,4 milhão em 2011 para diversas ações, incluindo preparação das seleções. Na recente chamada pública para novos projetos, aberta no final de 2013 pelo Ministério, a entidade teve um projeto selecionado, que deverá se transformar em convênio até o final deste ano. O montante, de até R$ 4,9 milhões, se destinará à preparação das equipes principais.

Além disso, desde 2007 a modalidade conta com o centro de treinamento construído pelo governo federal no Complexo Esportivo de Deodoro, no Rio, por ocasião dos Jogos Pan-americanos de 2007. Ali também estão os CTs do pentatlo moderno e do tiro esportivo. Essas duas modalidades vêm conseguindo evolução significativa nos últimos anos, não apenas pela infraestrutura mas também por conta dos outros apoios que recebem. As mesmas condições sempre estiveram disponíveis ao hóquei sobre grama.

Outro apoio do governo federal à modalidade é a Bolsa Atleta. Em 2014, são 123 bolsistas, totalizando investimento de R$ 1,5 milhão ao ano.

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terça-feira, 5 de agosto de 2014 Olimpíadas, Paraolimpíadas | 09:37

O espírito da Copa bastará para fazer da Rio 2016 um sucesso?

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A exatos dois anos da abertura das Olimpíadas do Rio 2016, muitas incertezas ainda cercam a organização do mega-evento

A exatos dois anos da abertura das Olimpíadas do Rio 2016, muitas incertezas ainda cercam a organização do mega-evento

Há exatos 23 dias, o encerramento da Copa do Mundo trouxe ao torcedor brasileiro um sentimento de satisfação com o sucesso, ao menos nos gramados e arquibancadas, na organização de um evento em que muitos apostavam num fracasso retumbante. Se é inegável que o Mundial de futebol trouxe uma onda de otimismo, engana-se redondamente quem achar que somente com o “espírito da Copa” será possível ao Brasil ser aprovado com louvor em seu novo desafio: organizar com brilhantismo os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Nesta terça-feira, 5 de agosto, faltam exatamente dois anos para a abertura do mega evento.

E o adjetivo “mega” já serve para explicar que não há termos de comparação entre o Mundial da Fifa e o maior evento poliesportivo do planeta, sob responsabilidade do COI (Comitê Olímpico Internacional). Primeiro, porque são na prática 28 Copas do Mundo, referentes às modalidades esportivas que compõe o programa olímpico, acontecendo simultaneamente, todos eles com suas características e necessidades específicas, o que já torna a tarefa muito mais complicada.

>>>Londres 2012 x Rio 2014: semelhanças e diferenças

Além disso, enquanto 32 seleções disputaram a Copa do Mundo 2014, mais de 200 países (foram 204 em Londres 2012) mandam representantes para os Jogos Olímpicos, que ficam reunidos na mesma cidade, enquanto 12 cidades-sedes receberam as partidas do Mundial. Questões como logística e eficiência nos transportes são condição número 1 para o sucesso dos Jogos.

E como complicação pouca é bobagem, não se pode esquecer que a cidade carioca receberá ainda a edição dos Jogos Paraolímpicos, a partir de 7 de setembro de 2016, com 23 modalidades e com a obrigação de dar acessibilidade a atletas, técnico, dirigentes e torcedores.

>>>Rio 2016 divulga calendário para eventos-testes

Com tudo isso, o desafio do Rio de Janeiro, a primeira cidade da América do Sul a receber as Olimpíadas, já seria gigantesco, se não contasse com o desagradável (para dizer o mínimo) habito brasileiro de atropelar prazos e menosprezar cronogramas, correndo no final para cumprir todas as obras. Foi assim na Copa e será assim nos Jogos Olímpicos.

Como bem apontou o jornal Folha de S. Paulo em sua edição do último domingo, o Rio ainda precisa concluir 76% das obras nas arenas que receberão os atletas olímpicos daqui a dois anos. É muita coisa para ser feita com prazos apertados. Lembrem-se de que o Rio de Janeiro foi indicada pelo COI para organizar os Jogos de 2016 há praticamente sete anos, em outubro de 2009.

Com dados da APO (Autoridade Pública Olímpica) e Rio Transparente, é possível saber que pelo menos 15 obras e reformas de arenas dos Jogos nem saíram do papel. E foi apenas no início de julho que o Complexo Esportivo de Deodoro, sede de 11 modalidades olímpicas e paraolímpicas daqui a dois anos, viu os primeiros tratores iniciarem obras de construção e reforma nas arenas previstas para o local.

Não foi à toa, portanto, que o COI fez uma espécie de intervenção na organização dos Jogos, em abril, alarmado com os incontáveis atrasos e descompasso entre os poderes municipal, estadual e federal, em relação aos custos dos Jogos, estimados hoje em R$ 37,6 bilhões, entre gastos de construção e reformas de instalações esportivas, mobilidade e legado urbano, além de custos de organização. O discurso do COI, após entrar para valer na organização da Rio 2016, agora é de otimismo, porém sempre alertando para a questão dos prazos.

>>>Aleluia: as obras de Deodoro começaram!

Nestes próximos dois anos, ao contrário do que ocorreu com a Copa do Mundo, será preciso ainda engajar a população para um evento poliesportivo, com modalidades esportivas que 90% dos torcedores jamais viram na vida. Este talvez fosse o maior legado que as Olimpíadas do Rio poderiam trazer ao país, a semente para acabar com a monocultura esportiva do futebol, mas infelizmente isso não irá acontecer, ao menos a curto prazo, por culpa exclusiva do Brasil.

Por conta disso tudo, é importante para os dirigentes e políticos não perderem o foco com manifestações exageradas de otimismo e manter as mangas arregaçadas. Já população e imprensa, mais do que nunca, precisam manter o alerta ligado na cobrança de prazos e fiscalização dos custos.

A Copa do Mundo, a “Copa das Copas”, traz saudades a todos, mas a realidade nos Jogos Olímpicos é completamente diferente. Ainda há muita coisa a ser feita pelo Brasil e o Rio se quiserem tornar a festa olímpica de 2016 uma festa igualmente inesquecível.

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 Ídolos, Isso é Brasil | 18:32

O drama de Maurren e a “vida real” do esporte brasileiro

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Maurren Maggi está buscando uma forma de arrecadar fundos para continuar treinando

Maurren está buscando uma forma de arrecadar fundos para continuar treinando

Ignore o fato de que o efeito inexorável do tempo é cruel. Deixe de lado que, aos 37 anos, ela já vive o ocaso de sua carreira esportiva. Mas não dá para conceber que a saltadora Maurren Maggi, que  foi a primeira mulher brasileira do atletismo a conquistar uma medalha de ouro (em Pequim 2008, no salto em distância), precise apelar para uma “vaquinha virtual” para conseguir se manter na ativa.

Nesta sexta-feira, todos os portais de internet noticiaram com destaque a campanha iniciada pela atleta, através do sistema de “crowdfunding”, para arrecadar R$ 100.000,00 nos próximos cem dias. Para isso, basta o torcedor ou empresário entrar no site da campanha e escolher a quantia com a qual deseja participar. Até às 18h desta sexta-feira (28/2), Maurren já havia arrecadado R$ 6.182,00.

Maurren alega que está sem patrocínio desde 2013 e que precisa deste valor para financiar toda sua fase de treinamentos nesta temporada, pois os valores que recebe da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e de um patrocinador não conseguem bancar estas despesas. A atleta diz que ainda sonha com a chance de representar o Brasil nas Olimpíadas do Rio, em 2016.

Esse triste caso de Maurren Maggi represente o “Brasil real” do esporte brasileiro, bem distante daqueles dos planos Bolsa Pódio, Lei Agnelo/Piva e todos os outros programas de ajuda oficial aos atletas de ponta, que se preparam para os Jogos Olímpicos. E estamos falando de alguém que tem no currículo uma medalha de ouro olímpica, além de três ouros em Jogos Pan-Americanos. Mas vem se tornando comum outros casos de “vaquinhas ” pela internet para apoio a atletas do Brasil.

No ano passado, o iG Esporte contou a história de Élora Pattaro, que chegou a disputar as Olimpíadas de Atenas 2004 e foi apontada como uma das promessas da esgrima do Brasil, criando um programa de “crowdfunding” para pagar um estágio de treinos na Europa. Mas existem outras ações semelhantes, como a do movimento “Apoie um Atleta“, para auxiliar atletas a se classificarem aos Jogos de 2016, e o “SalveSport“, para financiar atletas e projetos esportivos, como o da professora Katia Rúbio, que está produzindo o “Memórias Olímpicas por atletas Olímpicos Brasileiros”, traçando o perfil de TODOS os brasileiros que disputaram os Jogos Olímpicos.

A vida no “Brasil real” do esporte é muito mais difícil do que querem nos fazer engolir.

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 Isso é Brasil, Seleção brasileira | 22:32

Erros acumulados de 25 anos explicam a crise do basquete

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Carlos Nunes deverá anunciar mudanças na CBB nesta quarta

Nunes deverá anunciar mudanças na CBB nesta quarta

Acuada pelas duras cobranças  da Fiba (Federação Internacional de Basquete) e Ministério do Esporte, atolada em dívidas e sem perspectivas a curto prazo, a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) não teve outra alternativa a não ser capitular. Conforme relatou ao iG o secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, nesta quarta-feira o presidente da entidade que comanda o basquete brasileiro, Carlos Nunes, deverá anunciar profundas mudanças na gestão da modalidade. Um profissional de mercado para atuar na administração da CBB será apenas uma das novidades prometidas.

Porém, quem acompanhou o basquete brasileiro com um pouco mais de atenção nos últimos 25 anos, não deve ficar nada surpreso com tudo o que está acontecendo.

Em pouco mais de duas décadas, o que mais se viu foram gestões atrapalhadas na CBB, desde o períoodo em que Renato Brito Cunha foi o presidente, entre 1989 e 97, passando pelos 13 anos de mandato de Gerasime Boziks, o Grego, até desembocar no complicado período de Carlos Nunes, que está no poder desde 2009. Com raras exceções, marcadas por conquistas importantes e históricas – o título mundial de 1994, a medalha de prata em Atlanta 1996 da seleção feminina, além do bom quinto lugar da seleção masculina em Londres 2012 -, o basquete brasileiro vem sendo sinônimo de incompetência gerencial, dentro e fora das quadras.

Ou alguém já se esqueceu que a seleção masculina ficou 15 anos sem conseguir uma classificação olímpica? Ou sobre as inúmeras deserções em convocações no masculino, independentemente do técnico no comando? E a recusa de um jogador mediano, como o armador Nezinho, em entrar em quadra em pleno Pré-Olímpico de 2007, deixando o técnico Lula com cara de bobo? E ainda a recusa de uma jogadora talentosa, porém extremamente individualista como Iziane em voltar à quadra no Pré-Olímpico de 2008, peitando Paulo Bassul? E a máquina de moer técnicos na seleção que ocorreu na passagem de Hortência como diretora do basquete feminino?

Isso para falar apenas de ALGUNS dos problemas de quadra. Porque fora delas  vimos patrocinadores (de clubes e da seleção brasileira) fugirem para outras modalidades (vôlei e atletismo), dívidas se acumularem ao longo de anos e mesmo com uma quantidade de recursos públicos como nunca se viu, a CBB chegou a uma situação em que mal consegue se manter ativa. A Fiba deu o sinal de alerta – com um certo atraso, diga-se de passagem – no útimo final de semana, tendo o Ministério do Esporte como parceiro nas reclamações. O resultado disso foi o constrangedor encontro desta terça-feira, no qual até mesmo o ministro Aldo Rebelo participou.

Se quiser manter as chances de cumprir uma bela campanha e – porque não? – sonhar em subir ao pódio daqui a pouco mais de dois anos, nas Olimpíadas do Rio, é bom que Carlos Nunes tenha compreendido perfeitamente o que lhe foi passado em Brasília nesta terça-feira. Ou coloca sua entidade nos eixos ou entrará para a história da mesma forma que seus antecessores, como um dos responsáveis em manchar a história rica e vencedora do basquete brasileiro.

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014 Isso é Brasil | 19:44

O que se deve (ou não) festejar no novo estatuto do COB

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Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB

Nuzman, foi reeleito em 2012 para mais um mandato no COB, mas não se sabe quando deixará a entidade

Na última terça-feira, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) anunciou por meio de comunicado à imprensa mudanças no estatuto da entidade, realizado durante sua  Assembleia Geral. O texto do comunicado dizia que “o novo Estatuto do COB é uma evolução natural do desenvolvimento dos esportes olímpicos no Brasil e permitirá maior dinamismo no gerenciamento do esporte”.

Eufemismos à parte, o COB está chegando com relativo atraso à nova regulamentação do esporte olímpico do Brasil. No dia 17 de setembro, foi aprovado pelo Senado a MP 620/2013, que limita a apenas uma reeleição sem sair do cargo o mandato dos dirigentes de entidades esportivas que recebem verbas públicas. No dia 18 de outubro, a presidente Dilma Rousseff sancionou a MP, que altera a Lei Pelé. A aprovação da lei contou com um intenso trabalho da entidade Atletas pelo Brasil, que tem o apoio de vários ídolos do esporte do país e é comandada pela ex-jogadora de vôlei Ana Moser.

Este fato, o mais importante do esporte brasileiro em 2013, na opinião do blogueiro, tem como principal objetivo terminar com os verdadeiros feudos que se instalaram em algumas confederações esportivas, COB incluso, que tem como presidente Carlos Arthur Nuzman desde 1995 e reeleito para mais quatro anos em 2012.

Entre as alterações no estatuto, o COB está limitando o mandato do presidente a quatro anos, com apenas uma reeleição e incluiu o presidente da Comissão de Atletas Olímpicos na Assembleia Geral. E o que isso significa? Muito pouco, para não dizer nada.

Primeiro, porque o próprio COB não sabe dizer se a última reeleição de Nuzman já se enquadra de acordo com a nova lei. Há divergências até mesmo entre juristas. Por isso, o atual dirigente que teoricamente deveria deixar o cargo em 2020, poderá permanecer no poder até 2024. Segundo ponto que mostra a pouca utilidade destas mudanças é dizer que os atletas terão poder de voto, como afirma a entidade em seu comunicado. Apenas o presidente da Comissão de Atletas poderá votar (atualmente este cargo é de Emanuel Rego, do vôlei de praia) e duvido que este atleta, que foi colocado no cargo por influência do COB, irá votar contra qualquer interesse da atual diretoria.

Resumo da ópera: comemore as mudanças no estatuto do COB, mas com moderação.

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