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Arquivo da Categoria Seleção brasileira

quarta-feira, 28 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 17:45

De Cidade de Deus para o mundo

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Rafaela Silva comemora a conquista da medalha de ouro no Mundial de judô

Nem o mais criativo dos roteiristas poderia prever uma reviravolta tão marcante no destino de alguém como o que aconteceu com a judoca brasileira Rafaela Silva, que nesta quarta-feira entrou para a história ao tornar-se a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro em Campeonatos Mundiais de judô, na categoria até 57 kg. Foi ainda a 31ª medalha brasileira na história da competição.

Primeiro, pela forma inusitada com o qual ela entrou no esporte. Moradora da favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, ela foi revelada aos oito anos pelo Instituto Reação, do ex-judoca Flavio Canto, ao ser levada pelo pai, que não aguentava mais os problemas causados pela garota, extremamente brigona.

A escolha do pai mostrou-se prá lá de acertada e os resultados não demoraram para aparecer. Em 2008, foi campeã mundial junior e três anos depois, conquistou a prata no Mundial de Paris. Foi o bastante para credenciar-se como uma das candidatas a ganhar uma medalha nas Olimpíadas de Londres, no ano passado.

Rafaela só não contava que um erro bizarro (aplicação de um golpe irregular), logo em sua primeira luta, custasse a eliminação nos Jogos de Londres. E o que se seguiu foi ainda pior, com a judoca respondendo a ofensas de internautas, que a criticaram pela eliminação. Uma lamentável batalha virtual.

Veja também: A prata de Rafaela Silva e o blogueiro “Mãe Dinah”

E quis o destino que a volta por cima ocorresse pouco mais de um ano depois, em sua cidade, diante da torcida, e com seu mentor atuando como comentarista do “SporTV”, ficando sem palavras e engolindo o choro em plena transmissão.

Melhor roteiro, impossível.

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terça-feira, 27 de agosto de 2013 Mundiais, Seleção brasileira | 10:45

Mundiais agitam o final de agosto do esporte olímpico

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Seleção brasileira de ginástica rítmica disputará o Mundial de Kiev (Rússia)

Não é somente o judô que está vivendo sua semana de gala, com a realização do Campeonato Mundial do Rio de Janeiro, desde segunda-feira. Outras cinco modalidades olímpicas terão seus mundiais ocorrendo neste última semana de agosto, todos com participação de equipes brasileiras.

O Mundial de remo, por exemplo, já está em andamento. A competição, que se realiza na cidade de Chingiu, na Coreia do Sul, já teve inclusive a classificação de Fabiana Beltrame para as semifinais na prova do skiff simples peso leve, prova não olímpica e na qual Fabiana conquistou o título mundial de 2011.

Também está em andamento o Mundial de Vela na classe Finn, na cidade de Talinn, na Estônia, mesmo local que recebeu as regatas de iatismo nas Olimpíadas de Moscou 1980, na então União Soviética. Bruno Prada e Jorge Zarif representam o Brasil na competição.

Outro evento que já está em andamento é o Mundial de Ciclismo MTB, que está sendo realizado em Pietermaritzburg, na África do Sul, até o próximo domingo. Três brasileiros estão na disputa: Henrique Avancini, Rubens Donizete e Ricardo Poscheidt.

Nesta terça-feira, começa a disputa do Campeonato Mundial de canoagem velocidade, em Duisburg, na Alemanha, até domingo. O Brasil está representado com sete atletas, na canoa e no caiaque, com destaque para a dupla Ronilson Oliveira e Erlon Silva, no C2 1.000m, que participaram dos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

Veja também: O calendário do esporte olímpico em 2013

Por fim, começa nesta quinta-feira, na cidade de Kiev, na Rússia, o Campeonato Mundial de ginástica rítmica, que se encerra apenas na próxima segunda-feira (2/9). O Brasil tenta entrar nos trilhos no cenário mundial da modalidade, após ter ficado fora inclusive do pré-olímpico do ano passado (e consequentemente fora das Olimpíadas). Seis atletas integram a equipe de conjunto, enquanto que no individual participarão Angélica Kvieczynski e Natália Gáudio.

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sábado, 24 de agosto de 2013 Ídolos, Mundiais, Seleção brasileira | 11:36

Nem tufão consegue parar Yane Marques

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Um ano depois do bronze em Londres, Yane Marques faz história de novo, com a prata no Mundial

E o sábado começou muito bem, com a notícia da inédita medalha de prata conquistada por Yane Marques no Campeonato Mundial de pentatlo moderno, realizado na cidade de Kaoshiung, em Taiwan. Brilhante é pouco para definir a conquista da atleta pernambucana, natural da Afogados de Ingazeira. Mais uma vez ela entra para a história de uma modalidade praticamente desconhecida no Brasil.

O Mundial feminino encerrou-se nesta madrugada e a brasileira precisou literalmente driblar até o vento para assegurar o lugar no pódio. Não é figura de linguagem: um tufão vem atormentando a área de Taiwan desde o início da qualificatória da competição, na última quarta-feira. As eliminatórias, por exemplo, precisaram ser divididas em dois dias, assim como a final.

E Yane, depois de ficar em 10º lugar na qualificação, conseguiu manter-se constante nas cinco modalidades que compõe o pentatlo moderno (esgrima, natação, hipismo e o evento combinado tiro e corrida) e ao final somou 5.292 pontos, ficando atrás apenas da lituana Laura Asaduskaite, atual campeã olímpica.

Em pouco mais de um ano, este é o segundo grande resultado obtido por Yane Marques no pentatlo moderno. O primeiro, e mais importante, foi a medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres, em 2012, a última obtida pelo Brasil nos Jogos. E para quem achou que tinha sido obra do acaso, eis que agora ela emplaca o vice-campeonato mundial.

Graças a Yane Marques, o pentatlo moderno vai deixando aos poucos a condição de primo pobre no esporte olímpico brasileiro.

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terça-feira, 20 de agosto de 2013 Com a palavra, Histórias do esporte, Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 23:54

O arrependimento de Vanda e a fragilidade do atleta brasileiro

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“O que eu quis dizer quando falei comer mal e dormir mal é que quando você sai do conforto da sua casa, você está comendo mal e dormindo mal. Não me lembro de ter dito que a CBAt não nos deu comida ou pouso”

Vanda amenizou o tom das críticas no Brasil

A frase da velocista Vanda Gomes, menos de 48 horas depois de soltar o verbo, ao tentar justificar a eliminação da equipe brasileira na final do revezamento 4 x 100 feminino, durante o Mundial de atletismo de Moscou, não deve surpreender ninguém. Depois de acusar com todas as letras, aos microfones do canal Sportv, que a preparação foi deficitária, que as atletas tiveram problemas com alimentação, hospedagem etc, Vanda decidiu recuar.

Na verdade, naquele momento ela nada mais estava do que tentando encontrar uma explicação para aquela cena inacreditável: a queda do bastão na última passagem, em uma prova que tinha tudo para terminar com as brasileiras no pódio na Rússia.

Não é de hoje que atletas brasileiros acabam falando mais do que devem e depois, diante da pressão externa, acabam voltando atrás. O atletismo é mestre em ter situações como essa. Lembro-me bem de Joaquim Cruz, ao dar uma entrevista na qual deixava claro que suspeitava da condição da americana Florence Griffth-Joyner, já falecida, nas Olimpíadas de Seul 1988. Cruz acreditava que as incríveis marcas dela nos 100 e 200 m eram frutos de doping. A repercussão de suas palavras – o brasileiro foi campeão olímpico nos 800m em Los Angeles 1984 e prata na Coreia do Sul na mesma prova – foi tamanha que Cruz precisou se retratar, dizendo que fora mal interpretado.

Veja também: As lições do Mundial de Moscou ao atletismo do Brasil

É natural que Vanda Gomes esteja frustrada, irritada e até envergonhada com  o erro que pode ter custado uma medalha para o Brasil. Mas não se pode cravar que o erro foi apenas dela. Era uma prova em equipe, afinal. E nem ninguém pode eximir a comissão técnica da  CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) de algum tipo de culpa também.

E mais: O fiasco brasileiro no Mundial de atletismo e a miopia dos críticos

Acho que todos têm sua parcela de responsabilidade neste caso e na  fraca participação brasileira em Moscou, de modo geral. E a maior prova do equívoco da atleta foi que o discurso das outras integrantes da equipe não seguiu na mesma linha. Para piorar, a CBAt pretende puni-la de forma severa pelas declarações.

O que fica evidente é que falta preparo psicológico a muitos atletas em competições de alto nível. Mais do que simples “frescura”, um trabalho sério de psicologia esportiva mostra-se cada vez mais necessário, para qualquer equipe. No caso do esporte brasileiro, carente em tentas coisas, isso pode fazer a diferença entre um bastão no chão e uma medlaha no peito.

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domingo, 18 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 16:04

As lições que o Mundial de Moscou deixa ao atletismo do Brasil

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Vanda Gomes se desespera ao deixar cair o bastão passado por Franciela Krasucki

A foto que abre este post ilustra, de forma lamentável, a participação brasileira no 14º Campeonato Mundial de atletismo, encerrado neste domingo em Moscou. O erro patético na última passagem do bastão do revezamento 4 x 100 m feminino, que custou uma quase certa medalha (a única) ao Brasil neste Mundial, foi apenas a cereja no bolo. Há muito mais o que se lamentar no saldo final destes últimos dez dias na Rússia.

Em primeiro lugar, ninguém pode alegar surpresa com o fraco desempenho dos atletas brasileiros. Muito menos os dirigentes da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo). No final de julho, a entidade reuniu os jornalistas em sua sede em São Paulo, para uma entrevista coletiva, e foi bem sincera ao falar sobre os objetivos neste Mundial: alcançar o maior número de finais possíveis.

Pois bem, o Brasil chegou a seis finais em Moscou: salto com vara masculino (Augusto Dutra, em 11º); salto com vara feminino (Fabiana Murer, em 5º); 400m masculino (Anderson Henriques, em 8º); salto em distância masculino (Mauro Vinícius da Silva, em 5º); revezamento 4 x 400m masculino (7º lugar); e revezamento 4 x 100m feminino (não terminou a prova). Decatlo e maratona masculina, que não têm finais, não chegaram ao pódio mas tiveram bons resultados individuais.

A questão é que nem mesmo o objetivo inicial a CBAt alcançou. Isso porque a campanha em Moscou, em termos de presença em finais, foi ABSOLUTAMENTE IDÊNTICA a dos dois Mundiais anteriores, em Daegu/2011 e Berlim/2009, quando os brasileiros também alcançaram seis finais. Pior é saber que na Coreia do Sul, há dois anos, o Brasil ainda conseguiu um ouro (com Fabiana Murer). Muito pior ainda é que em 2007, no Mundial de Osaka, o Brasil marcou presença em sete finais e ainda voltou com uma medalha de prata – Jadel Gregório, no salto triplo.

A verdade, nua e crua, é uma só: o atletismo brasileiro “involuiu”.

Não tenho a menor dúvida que boa parte desta decadência precisa ser creditada aos quase 30 anos em que Roberto Gesta de Melo esteve à frente da CBAt. Alguns mais apressados poderão sair em defesa do cartola e dizer que medalhas foram conquistadas neste período, inclusive uma de ouro nas Olimpíadas de Pequim 2008, com Maurren Maggi no salto em distância. Óbvio, se você fica tanto tempo no cargo, aumenta as suas chances de conseguir resultados.

Nunca o atletismo teve tanto dinheiro como agora. Somados patrocínio da Caixa Econômica Federal, Lei Agnelo/Piva e outras fontes de renda, são quase R$ 31 milhões/ano. É muito dinheiro, convenhamos. Não se pode falar em falta de recursos. Prefiro falar em recursos mal aplicados, extremamente mal aplicados.

O atletismo do Brasil, por incrível que pareça, consegue grandes resultados nas categorias de base, inclusive títulos mundiais. Mas na hora de colocar estes novos talentos para competir na categoria adulta, os resultados simplesmente desaparecem. Estamos vivendo hoje de uma geração envelhecida, que está chegando ao final da carreira, com outra que não consegue mostrar seu potencial na hora da verdade, seja por falta de suporte psicológico ou limitação técnica mesmo.

Por fim, há que se cobrar também de quem comanda. A comissão técnica do Brasil tem muito que explicar ao final deste Mundial. O país já vinha de uma participação anêmica nas Olimpíadas de Londres 2012, quando passou sem medalhas pela primeira vez em 20 anos, e repete a dose exatamente um ano depois.

E como a última impressão é a que fica, é necessário que alguém dê uma boa justificativa para a escalação do time na final do revezamento, quando não correu Rosângela Santos, mais entrosada, e em seu lugar apareceu Vanda Gomes, justamente a que derrubou o bastão na passagem final.

O novo presidente da CBAt, José Antonio Fernandes, que assumiu este ano, terá muito trabalho para colocar o atletismo nos trilhos. E é bom avisar: para 2016, nas Olimpíadas do Rio, a realidade não será muito diferente dessa aí que vimos em Moscou.

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quarta-feira, 14 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 23:48

O fiasco brasileiro no Mundial de atletismo e a miopia dos críticos

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Fabiana Murer falha em mais uma das tentativas no Mundial de Moscou

Um grande amigo meu, o jornalista Rodrigo Borges, companheiro de outras redações e atualmente no site da “ESPN” e um dos editores do ótimo “Esporte Fino” – listado entre os favoritos deste blog do lado direito da página – tem uma expressão que eu considero definitiva para analisar o comportamento de uma parcela razoável do torcedor que acompanha esportes por aqui: “Brasileiro não gosta de esporte, brasileiro gosta de quem vence”, diz o sábio Rodrigo, do alto de sua habitual ranhetice.

Concordo 100% com ele e vou mais além, desenvolvendo a tese no que diz respeito a esportes olímpicos: brasileiro acompanha as modalidades poliesportivas com a mentalidade de um torcedor de futebol. A maioria absoluta mal entende as regras de determinados esportes, coisa que fica evidente em grandes eventos, como Olimpíadas, Pan-Americanos e mundiais.

Nesta última terça-feira, Fabiana Murer, uma das principais esperanças de medalha do Brasil no Mundial de atletismo de Moscou, falhou em sua tentativa de manter o título no salto com vara. Até começou bem sua participação na final, passando sem problemas nos dois primeiros saltos, mas não conseguiu aproveitar as três chances em 4m75, comentou alguns erros na técnica do salto (admitidos por ela mesma) e acabou eliminada, terminando em quinto lugar.

Decepção? De certo modo sim, tendo como base o fato de que defendia seu título e que tinha como melhor resultado 4m85, o mesmo salto que lhe deu o ouro em Daegu, dois anos atrás. Mas vamos combinar que ela foi superada por atletas que hoje estão num patamar acima dela, como a americana Jennifer Suhr, a cubana Yarisley Silva e, principalmente, a russa Yelena Isinbayeva, a rainha do salto com vara e que voltou à velha forma justamente diante de sua torcida.

Mas o que deveria ser encarado como um resultado normal diante das limitações da brasileira – é provável que seu auge tenha sido a temporada de 2011 – serviu como combustível para que nas redes sociais as velhas piadinhas e comentários debochados voltassem à tona. Como se a conta pela vexatória eliminação nas Olimpíadas de Londres 2012 ainda não tivesse sido paga.

>>> Veja também: Fabiana Murer e a intolerância dos pachecos

O problema é que o brasileiro, em sua grande maioria, observa o esporte olímpico sob a ótica do futebol, ignorando que não é possível fazer analogias ludopédicas em provas de atletismo, natação ou handebol, por exemplo.

A miopia é tanta que não percebem que Fabiana Murer vinha de um ano complicado. Além de ter se contundido no início da temporada indoor (pista coberta), ela não voltou bem e esteve instável em diversas competições importantes. Sua melhor marca em 2013 foi 4m73, no Troféu Brasil, em São Paulo – menos, portanto, da altura necessária para que ela tivesse prosseguido na prova nesta terça-feira, no lindo Estádio Luzhniki.

Essa miopia dos corneteiros, citada acima, os impede de perceber que o problema é muito maior. O atletismo brasileiro passa por uma crise sem precedentes, a despeito de ter mais de R$ 30 milhões anuais entre patrocínio e verbas das loterias. É muito dinheiro. A nova administração, a cargo de José Antonio Fernandes, que assumiu este ano após quase três décadas do “reinado” de Roberto Gesta de Melo, avisou que tinha pouca expectativa neste Mundial de Moscou. O plano era o de “chegar ao maior número de finais possíveis”, o que é lamentável. E para 2016, o cenário não será muito diferente. Enquanto isso, jogam-se todas as fichas e esperanças em um punhado de atletas,  que diante de tanta pressão e expectativa, muitas vezes acabam sucumbindo.

>>> E ainda: Após fiasco em Londres, Brasil traça meta modesta para Mundial de Moscou

Ainda faltam quatro dias para o encerramento do Mundial. Espero queimar a língua, mas dificilmente o Brasil sairá de Moscou com medalhas. Só que a conta não pode ser colocada apenas nas costas de atletas. Quem comandou e quem comanda a CBAt, quem dirige o esporte brasileiro (COB) e  quem mandou transformar o Célio de Barros em estacionamento, todos esses têm sua parcela de culpa também.

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domingo, 11 de agosto de 2013 Ídolos, Mundiais, Seleção brasileira | 21:26

A radiografia da vitória de Usain Bolt nos 100 metros

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Imagem do "Photo Finish" da final dos 100 m rasos do Mundial de Moscou

O “Photo Finish”, para quem não sabe, é um registro de imagem usada em algumas modalidades, como atletismo e natação, por exemplo, que mostra o momento exato da chegada de uma determinada prova. A imagem acima mostra o exato momento no qual o jamaicano Usain Bolt cruzou a linha de chegada nos 100 m rasos, na pista do Estádio Luzhniki, pelo Mundial de atletismo de Moscou. Foi o segundo título mundial de Bolt nesta prova.

Uma vitória cheia de nuances especiais. Primeiro, porque a final foi realizada debaixo de um toró, o que é não é uma cena comum. Depois, Bolt estava um pouco mais contido do que o normal antes da prova começar – talvez efeito das lembranças de dois anos atrás, em Daegu, quando queimou justamente a largada e foi eliminado. O fato é que mesmo o americano Justin Gatlin tendo feito a corrida de sua vida, Bolt é do outro mundo. Só isso explica a incrível arrancada na metade final da prova, quando seus rivais já estavam praticamente desacelerando.

E ainda tem pela frente os 200 m e o revezamento 4 x 100 m. Promessas de novos shows?

Ufa, Fabiana!

E o segundo dia do Mundial de Moscou trouxe duas boas notícias para o atletismo brasileiro. A primeira, o incrível sexto lugar de Carlos Chinin no decatlo, modalidade na qual o Brasil não tem a menor tradição, sendo que ele chegou à última prova (1.500 m) com chances reais de medalha.

A segunda boa notícia foi a classificação de Fabiana Murer para a final do salto com vara. mas peraí, classificação pra final é boa notícia pra quem é a atual campeã do mundo? No caso de Fabiana, é sim. Quem pôde acompanhar a qualificatória deste domingo testemunhou o drama que foi para ela carimbar a passagem à final. Errou os dois primeiros saltos e, pressionada ao extremo, conseguiu a vaga no salto derradeiro, com 4m55. Para quem ainda dormia com o fiasco das Olimpíadas de Londres debaixo do travesseiro, foi um grande negócio.

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sábado, 10 de agosto de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 17:19

A largada do Mundial de atletismo e as polêmicas lembranças do Estádio Luzhniki

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Público acompanha a cerimônia de abertura do Mundial de atletismo no Estádio Luzhnki

E começou na madrugada deste sábado o 14º Campeonato Mundial de atletismo, em Moscou. Adoro o atletismo. Poucos esportes (talvez só o boxe) permitem que você encontre tantas histórias humanas e de superação como ele. Sem contar que se trata a base de todas as demais modalidades e da própria existência dos Jogos Olímpicos.

E esse primeiro dia de disputa no Estádio Luzhniki (antigo Estádio Lênin, como era chamado na época da extinta União Soviética) já reservou uma boa notícia ao atletismo brasileiro, com a classificação de Augusto Dutra para a final do salto com vara masculino, ao ficar em terceiro lugar em sua série qualificatória, com 5m55.

Outros cinco atletas que competiram neste sábado, porém, já estão eliminados em suas respectivas provas. Alguns de forma pífia, como Fernanda Borges, que conseguiu a proeza de queimar os três arremessos necessários para passar pela qualificação do arremesso do disco.

Mas a imagem que me veio à mente enquanto acompanhava algumas das provas deste primeiro dia de disputa – marcado pela fácil classificação de Usain Bolt para as semifinais dos 100 m rasos – remete há muitos anos. Trinta e três anos para ser mais preciso. Foi neste mesmo estádio que o falecido saltador João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, sofreu com o chamado “apito amigo olímpico”, durante as Olimpíadas de Moscou, em 1980.

Na final do salto triplo, João do Pulo tinha como principal adversário o soviético Viktor Saneyev, então campeão olímpico. Seria a despedida de Saneyev das pistas e já se esperava uma força dos árbitros com o grande ídolo do país. Só que o Saneyev não estava saltando bem. Em compensação, outro atleta soviético estava voando, Jaak Uudmae. Era ele quem João do Pulo tinha que superar. E dizem que superou mesmo.

>>> Veja também: As medalhas brasileiras nos mundiais de atletismo

Até morrer, o brasileiro sustentava que de seus três saltos que os árbitros anularam, pelo menos um deles seria para medalha de ouro. Há até quem diga que seria capaz de quebrar o próprio recorde de João do Pulo (17,89 m na época). Outros depoimentos, inclusive do próprio Viktor Saneyev anos depois, ao jornal “Lance!”, reforçam a tese de que o brasileiro foi premeditadamente prejudicado em Moscou.

Por isso, enquanto muitos que observam o belo e imponente Estádio Luzhniki e relembram das tocantes imagens do ursinho Misha se despedindo do público, na cerimônia de encerramento, eu só consigo pensar na garfada que João do Pulo sofreu nas Olimpíadas de 1980.

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013 Almanaque, Mundiais, Seleção brasileira | 13:53

As medalhas do Brasil nos mundiais de atletismo

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Fabiana Murer comemora a medalha de ouro no salto com vara, no Mundial de Daegu, em 2011

Neste sábado, começa a 14ª edição do Campeonato Mundial de atletismo, na cidade de Moscou, reunindo quase dois mil atletas, representando mais de 200 países. Será a chance para o Brasil , que ainda curte uma incômoda ressaca pela péssima campanha nas Olimpíadas de Londres 2012, tentar aumentar sua coleção de medalhas na história da competição. Desde que foi disputado pela primeira vez, em 1983, o Brasil já conquistou um total de 11 medalhas.

Confira abaixo todas as medalhas brasileiras:

MEDALHA DE OURO

Fabiana Murer – salto com vara – Daegu (Coreia do Sul)/2011

MEDALHA DE PRATA

Zequinha Barbosa – 800 m – Tóquio (Japão)/1991
Claudinei Quirino – 200 m – Sevilha (Espanha)/1999
Sanderlei Parrela – 400 m – Sevilha (Espanha)/1999
Vicente Lenílson, Edson Luciano, André Domingos e Cláudio Roberto – revezamento 4 x 100 m – Paris (França)/2003
Jadel Gregório – salto triplo – Osaka (Japão)/2007

MEDALHA DE BRONZE

Joaquim Cruz – 800 m – Helsinque (Finlândia)/ 1983
Zequinha Barbosa – 800 m – Roma (Itália)/1987
Luiz Antonio dos Santos – maratona – Gotemburgo (Suécia)/1995
Claudinei Quirino – 200 m – Atenas (Grécia)/1997
Raphael de Oliveira, Claudinei Quirino, Edson Luciano e André Domingos – revenzamento 4 x 100m – Sevilha (Espanha)/1999

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 14:10

Mundial de Barcelona consagra Cielo, Thiago e Poliana, mas também merece uma reflexão

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Com um pequeno atraso – em razão de problemas técnicos enfrentados nos blogs do iG Esporte neste final de semana – , é necessário que se faça uma breve análise a respeito da belíssima participação do Brasil no Mundial de esportes aquáticos, encerrado neste domingo em Barcelona. Se por um lado foi uma campanha para se tirar o chapéu, embalada pelos ouros de Cesar Cielo nos 50 m livre e borboleta e o de Poliana Okimoto na maratona aquática, por outro é preciso que se faça uma ponderação equilibrada e sem arroubos patrióticos sobre os resultados alcançados.

Cielo comemora a medalha de ouro nos 50 m livre, garantindo o tricampeonato mundial

Primeiro, os pontos positivos que se podem extrair de Barcelona 2013. O Mundial espanhol serviu para consagrar a figura de Cesar Cielo como o maior nadador brasileiro de todos os tempos. Dificilmente haverá um outro velocista como ele nos próximos 20 anos, imagino. Sua superação ao se tornar o primeiro tricampeão mundial da história nos 50 m livre e bi mundial nos 50 m borboleta, depois da frustração com o bronze nas Olimpíadas de Londres, é coisa de outro mundo.  Sem esquecer que precisou também encarar cirurgia nos dois joelhos e uma mudança radical em sua preparação, abandonando o projeto P.R.O. 16 e voltando a treinar nos EUA com um técnico desconhecido, Scott Goodrich, seu ex-companheiro de treinos em Auburn.

O feito de Poliana Okimoto também foi notável. Depois do drama que viveu em Londres, quando passou mal em plena disputa da prova dos 10 km da maratona aquática, ela superou os seus fantasmas e deu a volta por cima ao conquistar o ouro em Barcelona de forma emocionante. Assim como foram as medalhas de bronze de Thiago Pereira, nos 200 e 400 m medley (prova que por sinal ele disse que não nadaria). Até Londres 2012, Thiago tinha que conviver com o estigma de só brilhar em Jogos Pan-Americanos (que lhe rendeu o incômodo apelido de “Mr. Pan, por sinal). Após a prata olímpica e as duas medalhas no Mundial, o nadador de Volta Redonda zerou esta fase de piadinhas maldosas em sua carreira.

Em termos de resultados, a participação brasileira em Barcelona foi exemplar. Até este Mundial, o país havia faturado 12 medalhas desde a primeira edição, em 1973. Só neste ano, foram dez, incluindo nesta conta a maratona aquática, a grata surpresa desta campanha. Houve também uma evolução em relação ao Mundial anterior, realizado em Xangai, na China: desta vez, o Brasil conseguiu marcar presença em 12 finais, o dobro de provas de 2011 (6).

>>> Leia também: Cesar Cielo e a arte de se reinventar

É neste ponto que uma ponderação precisa ser feita. A boa campanha da natação do Brasil nesta primeira grande competição do próximo ciclo olímpico mostrou que se houve evolução em comparação com o Mundial anterior, é preciso lembrar que no Mundial de 2009, em Roma, os brasileiros chegaram a 18 finais. Além disso, ganhou menos ouros do que na China: em 2011, foram quatro medalhas douradas, com duas de Cielo nas mesmas provas, Ana Marcela Cunha ganhando os 25 km da maratona aquática e Felipe França ganhando os 50 m peito.

>>> Veja ainda: Confira as medalhas do Brasil nos Mundiais de esportes aquáticos

Outro ponto preocupante é a falta de renovação. Mais uma vez, os bons resultados vieram com nomes já consagrados e conhecidos, dos quais já se esperava um bom resultado. A nova geração ainda ficou devendo, o que não deixa de ser preocupante tendo como objetivo as Olimpíadas de 2016, daqui a exatos três anos.

Da mesma forma, é necessário ligar o sinal amarelo quando se analisa as demais modalidades que disputaram o Mundial (polo aquático, saltos ornamentais e nado sincronizado), todas com resultados pífios ou pouco representativos. Para estes, o relógio começa a correr rápido demais em direção às Olimpíadas do Rio de Janeiro, sem perspectivas de grandes resultados.

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