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Arquivo da Categoria Pan-Americano

terça-feira, 7 de agosto de 2012 Com a palavra, Imprensa, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 15:15

Até quando o brasileiro será iludido pelas glórias do Pan?

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Goleira Chana é consolada pela companheira Deonise, após a eliminação do Brasil no handebol feminino

“A gente fez um trabalho maravilhoso,  só que ainda ficamos nos detalhes. Falta de experiência em decisão também pesou. Por que decidir Pan-Americano ou Sul-Americano não tem comparação com jogo decisivo numa Olimpíada”



Declaração da pivô Dani Piedade, da seleção brasileira feminina de handebol, após a eliminação ocorrida nesta terça-feira para a Noruega, pelas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Londres. A despeito da tristeza que a derrota causou, as palavras de Dani merecem uma profunda reflexão de todos nós, jornalistas e torcedores, que acompanham e curtem esportes olímpicos.

Nesta terça-feira, vimos dois brasileiros competindo no triatlo, Reinaldo Colucci e Diogo Sclebin, chegarem longe do pódio; no levantamento de peso, Fernando Reis não conseguiu repetir sua melhor marca e não passou das eliminatórias; na vela, Ricardo Winicki, o Bimba, encerrou sua participação em nono lugar, sem nunca ter chegado perto da zona de medalha.

O que eu quero com tudo isso não é colocar estes atletas no paredão e mandar o pelotão de fuzilamento abrir fogo. Eles certamente fizeram o que estava dentro do possível, para a condição deles.

O que merece ser analisado é que, para uma parcela absoluta do público que não acompanha o dia a dia das modalidades olímpicas, a impressão que fica é que, sempre no ano seguinte após uma disputa de Jogos Pan-Americanos, o Brasil chegará às Olimpíadas e conseguirá repetir o desempenho. Pode ter certeza que essa é a imagem que fica.

E a culpa é de quem? Bem, algumas vezes do próprio atleta, que inebriado pela conquista de uma competição continental de nível mais fraco, acaba criando ele mesmo falsas expectativas; outra parcela cabe à própria imprensa, que por necessidade de audiência ou para vender mais jornais, acaba “bombando” demais um evento sem as necessárias ponderações críticas.

Por fim, cabe ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que também ajuda a criar esta onda de oba-oba, ao sempre levar suas estrelas para competir, em muitas modalidades, com atletas de equipes “B” dos EUA ou Canadá.

Por isso, antes de procurar a primeira rede social para xingar aquele atleta que deu “vexame”, pense duas vezes. Talvez você também seja um destes iludidos do Pan.

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sexta-feira, 13 de julho de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano | 22:10

Legado de araque

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O velódromo do Rio, que custou R$ 14 milhões, não serve para as Olimpíadas. E será demolido

O velódromo do Rio, que custou R$ 14 milhões, não serve para 2016. E será demolido

Vergonha, incompetência, irresponsabilidade, indignação ou absurdo?  Não  importa qual expressão você escolha, todas elas cabem com perfeição para definir a situação surreal que ocorrerá no Velódromo do Rio de Janeiro, um dos famosos “legados do Pan” de 2007. Pois saiba que embora tenham gasto nada menos do que R$ 14 milhões (R$ 13 milhões pagas pelo Ministério do Esporte e R$ 1 milhão pela prefeitura do Rio), este velódromo será demolido. Apenas cinco anos depois de ter sido erguido.

Motivo: não está adequado para os padrões exigidos aos Jogos Olímpicos!

Chega a ser revoltante que ainda se cobre uma conta elevada sobre a malfadada organização do Pan do Rio 2007 (“Viva esta Energia”, lembram do slogan?). Pois um equipamento que foi construído com madeira siberiana tratada na Holanda não serve para as Olimpíadas do Rio 2016. Motivos diversos foram colocadas pela Empresa Olímpica Municipal e o comitê organizador dos Jogos para justificar a demolição. Entre eles, capacidade de público abaixo da exigida, quantidade inferior de boxes e vestiários e, o mais grave de tudo, inclinação inadequada da pista.

Sim, fizeram uma pista que serve para atender ciclistas de segunda linha, que andam mais devagar do que os grandes nomes do ciclismo mundial! A justificativa da falta de segurança foi dada pelo diretor do Rio 2016, Leonardo Gryner.

Quer dizer, os organizadores do Pan 2007 fizeram uma pista que serve para o Pan, mas não comporta ciclistas olímpicos, porque nas Olimpíadas se compete numa velocidade acima do Pan. Pode uma coisa dessa?

Se já não bastasse terem construído um parque aquático como o Maria Lenk, onde gastou-se muito e que também não atende aos padrões olímpicos (será necessário erguer uma nova piscina para as provas de natação, pois a atual não tem como ampliar sua capacidade de público ), agora veio este vexame do velódromo. E mais um detalhe: o que será feito do CT de ginástica artística, inaugurado com tanta pompa em abril?

Legado de araque é a única expressão publicável que eu posso escrever para comentar mais uma vergonha que ocorre nos eventos esportivos organizados pelo Brasil.

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domingo, 11 de março de 2012 Almanaque, Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano | 23:23

Magic Paula para a presidência do COB!

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Magic Paula foi uma das duas maiores jogadoras do basquete feminino brasileiro, ao lado de Hortência

Este domingo, 11 de março, representou uma data histórica para o esporte brasileiro. Foi neste domingo que Maria Paula Gonçalves da Silva, a Magic Paula, completou 50 anos de idade. Uma das duas maiores jogadoras do basquete feminino brasileiro, ao lado da Rainha Hortência (além de uma das melhores do mundo em todos os tempos), Paula teve participação fundamental em três momentos marcantes nas quadras: a medalha de ouro no Pan-Americano de Havana 1991; o título mundial na Austrália, em 1994; e a medalha de prata nas Olimpíadas de Atlanta 1996.

Mas Paula continua brilhando longe do basquete. Diretora do Instituto Passe de Mágica, comanda o Projeto Petrobras, que apoia cinco modalidades (remo, taekwondo, boxe, esgrima e levantamento de peso) com investimentos que chegam direto aos atletas destas entidades, sem passar pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), custeando períodos de treinamento e participação em competições internacionais.

Veja também: A estranha “meritocracia” do COB

Se tudo isso já não bastasse, Paula continua mostrando as mesmas opiniões fortes e sem papas na língua, como fazia nos tempos de jogadora. E a experiência de gestora esportiva – comandou durante um bom tempo o Centro Olímpico de São Paulo – serviu para tornar as colocações de Magic Paula cada vez mais cirúrgicas, apontando sem medo e com fortes argumentos para os problemas na estrutura ainda problemática no esporte brasileiro.

Como fez em uma recente entrevista à revista Isto É, publicada no final de fevereiro: “Existem feudos no esporte brasileiro. A gente não admite que tenha gente fazendo um trabalho melhor do que o nosso. No esporte, a gente tem de ser mais humilde. Falta humildade de a gente sentar junto e construir. Mas, quando alguém propõe algo, pensa-se que se quer fazer ingerência, que se quer tomar o poder. A vaidade é algo muito presente na política esportiva. E o dirigente não sai (da confederação) e também não prepara ninguém para substituí-lo. A vaidade e a falta de união fazem a gente caminhar a passos bem lentos.”

É claro que a proposta do título deste post jamais irá se concretizar, até porque o estatuto do COB, como forma de se proteger de candidatos “indesejáveis”, permite apenas que membros da entidade possam concorrer à presidência. Ou seja, democracia zero. Ainda assim, não custa imaginar o quanto seria bom que o esporte brasileiro fosse comandado por gente da qualidade de  Paula, Lars Grael, Ana Moser…

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terça-feira, 6 de março de 2012 Olimpíadas, Pan-Americano, Pré-Olímpico, Seleção brasileira | 08:31

Hoyama e Caroline, os contrastes do tênis de mesa do Brasil em Londres 2012

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Hugo Hoyama e Caroline Kumahara garantiram classificação para Londres

Um desafia os limites do tempo e se torna uma referência de sua modalidade no Brasil, mesmo que graças apenas às glórias efêmeras dos Jogos Pan-Americanos. A outra representa um sopro de renovação no esporte, mas certamente precisará da autorização dos pais para deixar o Brasil rumo a Londres 2012.

Veja quem são os brasileiros já clasificados para as Olimpíadas de 2012

Nesta segunda-feira, durante a Seletiva das Américas, no Rio, o tênis de mesa do Brasil cravou mais dois classificados para as Olimpíadas de Londres. O veteraníssimo Hugo Hoyama, de 42 anos, igualou uma marca do velejador Torben Grael e participará de sua sexta (será que última?) edição dos Jogos. Com 99% de certeza, não voltará para casa com uma medalha, mas é preciso tirar o chapéu para a obstinação e amor ao esporte que Hoyama demonstra.

Leia também: Missão cumprida para Hoyama. Será?

Já a classificação de Caroline Kumahara representa uma aposta para os Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro. A ainda adolescente Caroline nem sabia que seria selecionada para participar da Seletiva e passou por momentos de tensão nos últimos dias. Precoce, começou a brilhar no tênis de mesa há apenas quatro anos, quando tornou-se líder do ranking infantil e passou a integrar a seleção brasileira.

Nesta terça-feira, encerra-se a Seletiva das Américas no tênis de mesa e mais dois brasileiros brigam por classificação, ao menos para a disputa por equipe: Cazuo Matsumoto e Jessica Yamada. Ambos, porém, não poderão disputar o torneio individual caso conquistem a vaga, pois há a limitação de dois atletas por país, restando somente a eles participar do torneio por equipes.

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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 20:48

Caso Simone Alves põe controle de doping do Brasil na berlinda mais uma vez

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Simone comemora a vitória no Troféu Brasil de 2011. Desde então, ela vive um inferno

Estou bastante curioso para saber qual será o desfecho de mais um polêmico caso de doping no esporte brasileiro, o da fundista Simone Alves, cujo exame antidoping realizado em agosto do ano passado no Troféu Brasil de atletismo deu positivo para EPO (Eritropoetina Recombinante). Por causa deste resultado, a atleta foi suspensa preventivamente do esporte, perdeu a marca conquistada na prova – o recorde sul-americano dos 10.000 m, que já durava desde 1993 -, foi cortada da equipe brasileira que disputou os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara e para piorar, foi mandada embora de seu clube, a BM&F.

O problema é que nesta segunda-feira, o caso de Simone foi analisado pelo STJD da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), que confirmou um veredicto anterior da CND (Comissão Nacional Disciplinar), optando por não punir a atleta. Os dois órgãos deram parecer positivo à defesa da atleta, que alegou várias irregularidades na coleta de seu exame, como erro na identificação da amostra B da urina de Simone, e autorização para que ela deixasse a sala do antidoping, atendendo a a insistentes pedidos para que ela desse entrevista a uma emissora de TV (sim, às vezes nós jornalistas somos malas mesmo!).

Simone não só deixou a sala de coleta como carregou consigo o frasco da amostra, deixado no chão enquanto ela dava a tal entrevista. Tudo isso, de acordo com os advogados, com anuência da fiscal que estava responsável pela coleta da atleta!

Todo este caso me parece surreal. Primeiro pelo fato de terem permitido que Simone Alves deixasse a área de doping para dar uma entrevista, antes que o procedimento da coleta tivesse sido concluído. Depois, o resultado de duas instâncias jurídicas da CBAt terem decidido absolver a atleta, mas ainda assim a entidade decidiu que irá recorrer da decisão à Iaaf (Associação Internacional das Federações de Atletismo) ou até mesmo à CAS (Corte Arbitral do Esporte). Os dirigentes da CBAt argumentam que a EPO que apareceu no exame de Simone é injetável e não poderia de forma alguma ter contaminado sua urina externamente.

Veja também: As mudanças que virão a partir da absolvição de Cesar Cielo

O problema é que nesta história toda, já se passaram mais de quatro meses desde que o caso foi anunciado oficialmente (em outubro, véspera do Pan de Guadalajara). Neste meio tempo, Simone Alves teve sua reputação jogada na lata do lixo, perdeu o emprego, viu uma quebra de recorde ir por água abaixo, ficou fora do Pan e não irá às Olimpíadas de Londres provavelmente. Por enquanto, até que se prove o contrário, ela é inocente.

Sem contar que o próprio controle de doping no Brasil passa por um momento delicado, após o vexame ocorrido com o único laboratório do país credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping), a Ladetc (Laboratório de Controle de Doping), do Rio, que apontou erroneamente um caso positivo no jogador de vôlei de praia Pedro Solberg. O erro foi tão grande que o laboratório foi suspenso pela Wada por seis meses.

Já disse aqui que há casos de doping que são tratados de forma diferente, conforme a importância do atleta. Cesar Cielo teve seu caso de doping por furosemida julgado em tempo recorde na CAS, menos de um mês de divulgado e às vésperas do Mundial de Xangai. Não há a menor dúvida que o peso do ouro olímpico e dos recordes mundiais de Cielo tenha tido uma influência para acelerar o julgamento.

Simone Alves, enquanto isso, passará por mais algum tempo (sabe-se lá quanto tempo) tentando comprovar sua inocência ou tendo que cumprir um gancho por uso de substância proibida. Quando isso será resolvido, ninguém sabe. E quem paga o prejuízo, no final, é a atleta, de um jeito ou de outro.

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domingo, 19 de fevereiro de 2012 Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 12:12

Antonio Carollo escreveu uma bela página do boxe do Brasil

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Antonio Carollo morreu aos 88 anos

Em meio ao feriadão de carnaval, eis que pinta uma triste notícia para o esporte olímpico do Brasil: a morte de Antonio Carollo, um dos maiores treinadores da história do boxe brasileiro, ao lado de Kid Jofre, pai de Éder Jofre. Aos 88 anos, Carollo estava em sua casa, na cidade de Pereiras (SP) e sofreu um mal súbito quando estava na piscina.

Com Carollo, se foi também uma importante parte da história do boxe brasileiro, olímpico e profissional. Sim, porque ele foi o treinador que orientou o único medalhista do boxe nacional, Servilho de Oliveira, nas Olimpíadas da Cidade o México, em 1968. E no profissional, Carollo estava no córner de Miguel de Oliveira, quando ele foi campeão mundial dos médio-ligeiros em 1975. Ele também ajudou nas conquistas de outros campeões, como Acelino Popó e Valdemir “Sertão” Pereira.

Entrevistei Carollo em algumas oportunidades ao longo da carreira. Era uma pessoa séria, que não gostava muito de falar com os jornalistas, mas sempre atendia a todos com educação e paciência. Era uma verdadeira enciclopédia viva do boxe e tinha uma visão bem realista de uma época em que quase não havia recursos para a modalidade olímpica. Sua receita para superar estas dificuldades: trabalhar duro.

Não à toa que Antonio Carollo esteve à frente da seleção brasileira durante cinco edições de Jogos Olímpicos (além de 1968, esteve presente ainda nos Jogos de Munique 1972, Montreal 1976, Moscou 1980 e Barcelona 1992).  Participou ainda de cinco Jogos Pan-Americanos e dois Mundiais de Boxe.

O boxe brasileiro fica sem dúvida mais pobre sem Antonio Carollo.

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011 Olimpíadas, Pan-Americano, Pré-Olímpico, Seleção brasileira | 22:15

Prata do handebol masculino no Pan 2011 pode custar emprego de treinador espanhol

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Jogador brasileiro Bruno Santana lamenta e argentinos festejam na final do Pan de Guadalajara

Ainda não foi totalmente digerida a derrota da seleção brasileira masculina na final do torneio de handebol dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara para a Argentina. Na ocasião, o time brasileiro perdeu por 26 a 23 e além de deixar escapar a conquista do tricampeonato pan-americano, a equipe desperdiçou a melhor chance de se classificar para as Olimpíadas de Londres 2012.

Agora, a última chance do Brasil será disputar um Pré-Olímpico mundial, possivelmente contra fortes equipes europeias que ficarem sem a vaga no Campeonato Europeu, que será realizado em janeiro do próximo ano.

O fato é que dentro da CBHb (Confederação Brasileira de Handebol), a prata do Pan de Guadalajara foi considerada desastrosa. “Eu não escondo de ninguém que estou profundamente decepcionado com o resultado da seleção masculina. Fizemos a melhor preparação da nossa história e deixamos escapar a medalha de ouro e a vaga olímpica”, lamenta Manoel Luiz Oliveira, presidente da CBHb.

Quem convive de perto com o dirigente diz que ele ficou irritadíssimo com a derrota para os argentinos e vem promovendo um rigoroso processo de avaliação do trabalho executado tanto pelos jogadores como pelo treinador espanhol Javier Garcia Cuesta. Embora o técnico conte com bastante prestígio na entidade, não existe 100% de certeza que ele será o comandante brasileiro na disputa do Pré-Olímpico.

“Vamos analisar tudo com muita calma, ver todos os fatores que nos levaram a perder aquela medalha de ouro. Nosso treinador é extremamente competente e com um belo currículo no handebol mundial, mas se chegarmos à conclusão que precisamos fazer mudanças, faremos”, avisou Oliveira.

Como diria um amigo meu, a paella de Garcia Cuesta está cozinhando em fogo altíssimo.

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011 Com a palavra, Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano | 20:58

Recado para os que adoram detonar o esporte de Cuba…

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O cubano Omar Cisneros, ouro nos 400 m com barreira nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara: o objetivo do esporte cubano não é ganhar medalhas

Sempre que termina um evento esportivo como Jogos Olímpicos ou Pan-Americanos, a “pachecada de direita” – uma sub-divisão da famosa turma que reúne os torcedores fanáticos pelo Brasil-sil-sil e que também não suportam uma visão progressista do mundo – adora detornar Cuba. “Ah, eles estão em decadência”, dizem uns. “De que adiante ter medalha se vivem debaixo de uma ditadura sangrenta”, gritam outros. “Quero ver em Londres como eles vão se sair”, provocam mais alguns.

Sem entrar no mérito da questão de como Fidel Castro e seus amigos controlam as coisas lá na ilha, não há como negar o sucesso da política esportiva de Cuba. E não se trata de algo que começou do dia pra noite e sim fruto de uma visão a longo prazo, e que começou a ser tratada assim que Fidel chegou ao poder, em 1959.

Para esta turma que adora detonar o regime de Cuba e torcem para seu fiasco olímpico, achando que o Brasil está pronto para ocupar seu lugar como segunda potência esportiva das Américas, deixo estas palavras de Alberto Juantorena, ex-campeão olímpico dos 400 e 800 m nas Olimpíadas de Montreal 1976, para reflexão da pachecada.

“O mais importante para nós não são as medalhas, mas o ser humano e o melhoramento da qualidade de vida e que o esporte possa ser algo importante na educação das novas gerações de cubanos”

*Trecho acima extraído de post do ótimo blog do jornalista José Cruz

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domingo, 30 de outubro de 2011 Isso é Brasil, Pan-Americano, Seleção brasileira | 22:12

Análise do COB sobre o Pan 2011 traz uma meia-verdade

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Marcus Vinícius Freire, superintendente do COB, na coletiva de balanço do Pan 2011

Contra números não há argumentos, dizem por aí. E o que ficará registrado nos livros das estatísticas dos Jogos Pan-Americanos é que o  Brasil realizou em Guadalajara sua melhor campanha, sem levar em conta a competição realizada no Rio de Janeiro, em 2007, quando o fato de ser a sede do evento traz inúmeras vantagens (logísticas, torcida e até arbitragem) ao anfitrião.  As 48 medalhas de ouro (e 141 no total) deixaram o Brasil na terceira colocação no quadro final de medalhas, atrás somente de EUA e Cuba, assegurando aos brasileiros a condição de terceira força esportiva nas Américas. Ao menos em Pan-Americanos.

Até aí, tudo bem. O problema começa quando os dirigentes do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) pegam estes mesmos números e começam a fazer interpretações, digamos, mais generosas do que deveriam fazer. Foi o que fez o superintendente executivo de esportes da entidade, Marcus Vinícius Freire, neste domingo, na tradicional coletiva que o COB realiza sempre após Olimpíadas e Pans, para fazer um balanço da participação brasileira.

E quando comemorava o fato do Brasil ter feito seu melhor Pan-Americano fora de casa, disparou a seguinte frase, apontando para um gráfico preparado especialmente para a coletiva. “Tivemos o melhor resultado em Jogos Pan-Americanos fora de casa e consolidamos nosso patamar de Top 3 nas Américas, o que está completamente dentro da expectativa. Cuba está em uma tendência de queda”, afirmou Freire.

Trata-se de uma meia-verdade, no meu ponto de vista. A apresentação do COB também colocava o Canadá numa curva descendente em termos de conquista de medalhas, comparando Santo Domingo 2003, Rio 2007 e Guadalajara 2011. Mas não foi  dito por nenhum dirigente do COB que Cuba admitiu publicamente que enviaria menos atletas a Guadalajara, seja por questões econômicas, seja para realizar uma melhor preparação visando as Olimpíadas de Londres, no ano que vem. Da mesma forma, o Canadá também não apresentou-se com sua força máxima em várias modalidades.

Deve-se exaltar sim a boa participação do Brasil, como a realizada em Guadalajara, mas sem se deixar  enganar por resultados superdimensionados que um Pan-Americano pode trazer.

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sábado, 29 de outubro de 2011 Ídolos, Isso é Brasil, Pan-Americano, Seleção brasileira | 14:26

Crise na ginástica artística é excesso de #mimimi

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Diego Hypólito festeja mais um ouro no Pan. mas todo mundop só fala da briga da mulherada

Tenho que confessar que sou um assumido ignorante em certas coisas que rolam nas chamadas “mídias sociais”, apenas para ficar com uma expressão da moda. O Twitter, que é aquela que eu mais utilizo, até por razões profissionais, popularizou uma expressão engraçada e esquisita ao mesmo tempo, o “mimimi”. Também traduzido por frescura, beicinho, viadagem, como queiram…

Pois bem, analisando os últimos acontecimentos na ginástica artística do Brasil neste Pan-Americano de Guadalajara, podemos dizer com tranquilidade que está sobrando #mimimi na seleção feminina. Por causa delas, deixou-se de dar mais destaque à ótima campanha da equipe masculina, em especial a de Diego Hypólito, dono de três medalhas de ouro (recorde na modalidade num único Pan), e abriu-se espaço para analisar uma crise dos diabos envolvendo Daniele Hypólito, Daiane dos Santos e cia bela.

E o pior é que as trocas de acusações e declarações atravessadas que as ginastas deram nos últimos dias, tendo como pano de fundo um pedido para a retomada da seleção permanente e o retorno do técnico ucraniano Oleg Ostapenko, é apenas reflexo de duas péssimas campanhas do Brasil, tanto no Mundial do Japão como agora no Pan-Americano. Em Tóquio, foi ainda pior, porque as meninas brasileiras perderam a chance de garantir vaga nas Olimpíadas de Londres.

“A maioria não tem coragem de falar os problemas com as outras. As outras são mais quietas e não falam nada. Só que elas falam umas das outras por trás. É difícil assim”, disse Adrian Nunes, uma das integrantes da seleção, e que defende, assim como Daiane, a volta do ucraniano. “Eu prefiro continuar treinando no Flamengo, no Rio”, disse Daniele, a única que deixou o México com medalhas (duas de bronze).

Deve-se separar bem as coisas, antes de tomar partido nesta questão. É inegável o valor que Oleg Ostapenko – que voltou ao Brasil para coordenar o projeto de formação de novas atletas em Curitiba, em parceria com o movimento Live Wright – tem para o desenvolvimento da ginástica artística do brasil. Foi com ele no copmando que as meninas brasileiras começaram a conquistar medalhas em Mundiais e Pan-Americanos, além de ter colocado Daiane dos Santos como uma estrela da modalidade entre 2003 e 2004.

Mas Oleg não é um midas, um messias. Todos se esquecem dos inúmeros problemas de relacionamento dele com suas atletas, que se queixavam de seus métodos de treinamento. Embora a ginástica seja um esporte onde a perfeição só se conquista com muita dose de sacrifício, nada justifica o descaso com que problemas físicos de algumas meninas foram tratados à época.

Além disso, existem um outro probleminha básico: não há renovação na seleção feminina. Enquanto novos talentos estão aparecendo no time masculino, como Arthur Zanetti, prata nas argolas no Mundial, na equipe feminina são os mesmos nomes que carregam o time há anos: Daniele, Daiane e Jade Barbosa, que não foi ao Pan por causa de uma lesão.

Por tudo isso, parece que a frase colhida de Diego Hypólito pelos enviados especiais do iG Esporte a Guadalajara, Marcel Rizzo e Vicente Seda, define com precisão o que é esta “crise” na ginástica feminina. “O que posso falar para as meninas é que elas têm que treinar, só isso. Não adianta falar em seleção permanente, ou treinamento em clube, tem que treinar”, disse Diego.

Em bom português do Twitter, é muito #mimimi.

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