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Arquivo da Categoria Pan-Americano

quinta-feira, 16 de outubro de 2014 Histórias do esporte, Imprensa, Pan-Americano, Seleção brasileira | 22:21

“Você não quer assumir a Confederação, não?”

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Gustavo casado é campeão mundial de patinação, mas não tem nem Bolsa Atleta para competir no exterior

Gustavo Casado é campeão mundial de patinação, mas tem que pagar do bolso para poder competir

Vez ou outra amigos jornalistas que lecionam em faculdades de jornalismo me convidam para dar uma palestra, seja sobre a profissão, seja para falar de uma cobertura de um mega-evento. Vou a todas que posso com enorme prazer, pois adoro a oportunidade de compartilhar com a moçada mais nova a experiência de tantos anos de estrada. E sempre que o tema permite, eu comento com a plateia que uma das coisas mais gratificantes de se fazer como jornalista esportivo são aquelas matérias com o chamado “mundo alternativo” do esporte, atletas ou modalidades nanicas, que passam longe do glamour de títulos e medalhas. É uma aula ao vivo de reportagem, vale por um curso inteiro de jornalismo.

Mesmo para alguém da velha guarda (os detratores irão dizer da velhíssima guarda), sempre há o que aprender. Esse foi o sentimento que eu tive ao escrever as reportagens publicadas nesta quinta-feira no iG Esporte, retratando as dificuldades que os chamados “primos pobres” do esporte do Brasil enfrentam em sua preparação para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, que serão realizados em julho do ano que vem.

Em uma série de três matérias (a principal está aqui, onde você poderá acessar as demais), é possível perceber quão dura é a vida de modalidades como boliche, beisebol, squash, esqui aquático, caratê e patinação artística, que por não integrarem o programa olímpico, não recebem verbas da Lei Agnelo/Piva, que destina 2% das verbas das loterias federais ao esporte nacional. Sem dinheiro, sobram problemas, sofrem com ausência de patrocinadores e nem apoio do COB (Comitê Olímpico do Brasil) eles têm. Apenas no ano que vem, na reta final para o Pan, poderão ter alguma ajuda, dependendo dos valores disponíveis.

É claro que não há santo nesta história. A maioria absoluta destas confederações sofre não apenas por causa da falta de grana, mas pela própria incompetência administrativa e ausência de novas pessoas que possam dar um novo rumo a estas modalidades. Casos de atletas que, em plena época de Bolsa-Atleta e Bolsa-Pódio – só para citar dois programas de ajuda patrocinados pelo Ministério do Esporte atualmente em vigor-, ainda precisam enfiar a mão no próprio bolso para poder representar o Brasil em competições internacionais, são rotineiros.

Mas voltando ao início deste texto, eu dizia o quanto reportagens como essa são educativas, mesmo para alguém com 30 anos de profissão, e deliciosamente engraçadas também. No universo dos “primos pobres”, falar com o presidente de uma confederação ou com algum atleta é infinitamente mais simples, sem a necessidade de assessores, pedidos formais de entrevista, aquele blábláblá de sempre. O papo flui com naturalidade e muita sinceridade, às vezes até demais. E  no meio daquela entrevista, pode sempre surgir uma situação inesperada.

Foi o que aconteceu quando conversava por telefone com Jorge Otsuka, presidente da CBBS (Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol) desde sua fundação, em 1990. Já havia entrevistado Otsuka em outras ocasiões ao longo destes anos, mas há muito que não conversava com ele. Aí, para quebrar o gelo, logo no começo da entrevista, mostrei meu espanto por ele ainda continuar no cargo. Até que veio a resposta que quase acabou com a entrevista, por causa de um acesso de risos.

“Sim, eu ainda estou por aqui. Ainda. Você não quer assumir a confederação, não?”

Após me recuperar do susto pela resposta do dirigente, eu agradeci e recusei educadamente a nada tentadora oferta.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2014 Pan-Americano | 22:58

Venda de ingressos para o Pan 2015 começa em 15 de setembro. Confira os preços

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Toronto 2015Principal competição poliesportiva das Américas, os Jogos Pan-Americanos já começam a esquentar as turbinas para a edição de 2015, que será realizada na cidade de Toronto, no Canadá. E para quem pretende acompanhar de perto a competição, que será realizada entre os dias 7 e 26 de julho do ano que vem, já poderá começar a reservar o dinheiro dos ingressos. O comitê organizador dos Jogos anunciou nesta quinta-feira a tabela oficial de preços.

Os bilhetes estarão à venda a partir do próximo dia 15 de setembro e os pedidos poderão ser feitos diretamente no site oficial do Pan 2015 até o dia 6 de outubro. Neste link você poderá ter maiores informações sobre o processo de vendas dos bilhetes.

Em relação aos preços das entradas, para quem ainda está traumatizado com a verdadeira facada que a Fifa impôs aos torcedores na última Copa do Mundo, até que a lista divulgada pelos canadenses está bem razoável. O preço mínimo para ver uma competição do Pan será de 20 dólares canadenses, algo em torno de R$ 41,00 em valores de hoje. Os organizadores asseguram que 75% dos bilhetes serão vendidos a um preço de CAD$ 45 ou menos (R$ 93,00). Além disso, haverá a cobrança de meia-entrada para pessoas abaixo de 16 anos e acima de 65.

O ingresso mais caro será o da cerimônia de abertura – que terá inclusive uma apresentação do famoso Cirque du Soleil -, que terá um dos setores do estádio ao preço de CAD$ 350 (R$ 721,00). As finais do atletismo, natação e ciclismo pista serão as modalidades que cobrarão o bilhete mais caro: em todas elas, haverá setores nas respectivas arenas custando CAD$ 140 (R$ 288,00).

Confira aqui a relação completa dos preços para o Pan-Americano 2015 e também o calendário completo da competição

 

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quinta-feira, 14 de agosto de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano | 16:27

Hóquei feminino do Brasil vira o primeiro mico para 2016

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Atualizado

A batalha para transformar os Jogos Olímpicos de 2016 em uma forma de aumentar a cultura esportiva do Brasil sofreu um duro golpe com a praticamente certa ausência da seleção feminina de hóquei sobre grama das Olimpíadas do Rio de Janeiro, daqui a dois anos. Só um milagre, ou um ótimo acordo político, fará com que a fraquíssima equipe brasileira possa participar da competição.

Jogadoras da seleção brasileira feminina de hóquei não deverão disputar as Olimpíadas de 2016

Jogadoras da seleção brasileira feminina de hóquei não deverão disputar as Olimpíadas de 2016

Esporte sem qualquer tradição no país, o hóquei sobre grama passou a contar com a atenção do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e do Ministério do Esporte na ocasião da disputa dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Como sede, o Brasil tinha direito de colocar equipes em todas as modalidades e foram montadas seleções masculina e feminina, que colecionaram vexames no Rio de Janeiro: os homens perderam todos os jogos e terminaram o torneio com 57 gols sofridos e apenas um a favor, enquanto as mulheres sofreram 53 gols e não marcaram nenhum.

Após o Rio de Janeiro ganhar o direito de receber as Olimpíadas de 2016, foi feito um planejamento para dar ao hóquei brasileiro condições mínimas de participar do evento sem causar tanta vergonha. Um acordo foi costurado entre COB e FIH (Federação Internacional de Hóquei) em 2011, para ajudar a inserir o país no cenário mundial da modalidade. A intenção era ajudar a CBHG (Confederação Brasileira de Hóquei sobre Grama) a fazer algo quase impossível: criar equipes minimamente competitivas da modalidade para as Olimpíadas.

O tempo foi suficiente para mostrar que era um objetivo inatingível.

Mesmo com apoio financeiro da Lei Agnelo/Piva, que destinou à modalidade R$ 1,7 milhão, além de convênios com o Ministério do Esporte, o hóquei não decolou. Se a seleção masculina ainda conseguiu mostrar uma evolução mínima – disputou, apenas como treinamento, o Pré-Olímpico de 2012 e com sorte tentará ratificar a vaga no Pan-Americano de Toronto, no ano que vem -, a equipe feminina acumulou um vexame atrás do outro.

Além de não se classificar para o Pan 2015, pois perdeu o título dos Jogos Sul-Americanos de Santiago, neste ano, a equipe não conseguirá ficar entre os 40 primeiros colocados do ranking mundial ao final desta temporada (exigência da FIH para assegurar a vaga olímpica como país sede), por não ter condições financeiras de disputar a Liga Mundial, onde poderia pontuar para o ranking.

Apenas uma vez, nos Jogos de 2004, em Atenas, que o anfitrião não conseguiu se classificar para um evento de esportes coletivos. Na ocasião, a Grécia também não atendia aos requisitos da FIH e precisou apelar ao CAS (Corte Arbitral do Esporte) para disputar o Pré-Olímpico masculino, quando foi eliminado.

A menos que a FIH rasgue o seu próprio regulamento, o hóquei  feminino do Brasil não disputará as Olimpíadas do Rio, em 2016. Um belo mico, convenhamos.

Atualizado

Procurado pelo blog, o Ministério do Esporte se posicionou sobre o caso, através de sua assessoria de imprensa. Segue a resposta:

Desde 2011, todos os projetos apresentados ao Ministério visando a garantir a preparação das equipes olímpicas conseguiram receber recursos. A própria CBHG recebeu cerca de R$ 1,4 milhão em 2011 para diversas ações, incluindo preparação das seleções. Na recente chamada pública para novos projetos, aberta no final de 2013 pelo Ministério, a entidade teve um projeto selecionado, que deverá se transformar em convênio até o final deste ano. O montante, de até R$ 4,9 milhões, se destinará à preparação das equipes principais.

Além disso, desde 2007 a modalidade conta com o centro de treinamento construído pelo governo federal no Complexo Esportivo de Deodoro, no Rio, por ocasião dos Jogos Pan-americanos de 2007. Ali também estão os CTs do pentatlo moderno e do tiro esportivo. Essas duas modalidades vêm conseguindo evolução significativa nos últimos anos, não apenas pela infraestrutura mas também por conta dos outros apoios que recebem. As mesmas condições sempre estiveram disponíveis ao hóquei sobre grama.

Outro apoio do governo federal à modalidade é a Bolsa Atleta. Em 2014, são 123 bolsistas, totalizando investimento de R$ 1,5 milhão ao ano.

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quarta-feira, 5 de março de 2014 Jogos Sul-Americanos, Pan-Americano, Seleção brasileira | 19:32

Jogos Sul-Americanos valem muito para 12 esportes

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Jogos Sul-AmericanosPara muitos, os Jogos Sul-Americanos, que começam oficialmente nesta sexta-feira em Santiago, no Chile, tem pouca ou quase nenhuma serventia. Para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), não é bem assim. A competição servirá de primeiro teste que a entidade pretende dar a alguns atletas sem rodagem internacional em competições poliesportivas, bem como mostrar a força de algumas modalidades, que enviarão à capital chilena algumas de suas principais estrelas.

Mas para algumas modalidades, estes Jogos Sul-Americanos valem bastante. Será em Santiago que ocorrerá a definição de vagas para o evento esportivo mais importante das Américas, o Pan-Americano de 2015, que será realizado em Toronto. Estarão em jogo no Chile vagas para os torneios de boliche, caratê, esqui aquático (modalidades exclusivas do Pan), além de ser classificatório para esportes olímpicos como o handebol, hipismo (saltos e adestramento), judô, luta olímpica, pentatlo moderno, hóquei na grama, rúgbi e triatlo.

No handebol feminino, por exemplo, o Brasil terá 11 jogadoras que foram campeãs mundiais na Sérvia no final de 2013, enquanto que Yane Marques, medalhista de bronze em Londres 2012 no penatlo, também marcará presença no Chile.

Na natação, haverá uma motivação extra além da briga pelas medalhas: os Jogos Sul-Americanos servirão de primeira oportunidade para os integrantes da delegação brasileira conseguirem o índice para a disputa do Pan-Pacífico, principal competição do calendário 2014 na natação. Thiago Pereira, medalhista no Mundial 2013 e em Londres 2012, já avisou que pretende cravar o índice nos 200 m medley, sua prova favorita, ainda em Santiago.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013 Candidaturas, Pan-Americano | 19:39

A maior vitória do esporte do Peru

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Visão projetada do Estádio Pan-Americano de Lima, que receberá o Oan de 2019

Visão projetada do Estádio Pan-Americano de Lima, que receberá o Oan de 2019

Só se fala em Copa do Mundo 2014, Olimpíadas 2016, e ninguém nem lembra que existem os Jogos Pan-Americanos. Quer dizer, quase ninguém. Nesta sexta-feira, o Peru festejou sua maior vitória no esporte, com a confirmação por parte da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) que a capital Lima será a sede do Pan de 2019, evento que ocorrerá na sequência dos Jogos de Toronto, em 2015. Curiosamente, a cidade canadense derrotou os peruanos na disputa pelo próximo evento poliesportivo.

Em Lima – que foi eleita com relativa facilidade na assembleia da Odepa, realizada em Toronto, com 31 votos, deixando para trás a favorita Santigo (Chile), La Punta (Argentina) e Ciudad Bolivar (Venezuela) -, a festa pela eleição foi imensa, pois trata-se do maior evento esportivo que o país irá organizar em sua vida. Até então, as competições mais importantes que tiveram Lima como sede foram dois campeonatos mundiais: o de basquete feminino, em 1964, e o de vôlei feminino, em 1982, quando a brilhante geração peruana de Rosa Garcia e Cecilia Tait fico com o vice-campeonato.

O governo peruano já começa a fazer as contas, e além da já batida conversa do tal legado esportivo, que vem sendo dita no Brasil insistentemente, estima que receberá pelo menos 30 mil turistas a mais na época da competição (entre 26 de julho e 11 de agosto de 2019), que deixarão uma receita de pelo menos US$ 100 milhões para o país.

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terça-feira, 7 de maio de 2013 Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 10:46

Confira os brasileiros que largaram bem para 2016

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Ana Claudia bateu o recorde sul-americano dos 100 m e está entre as dez mais rápidas do mundo

Atualizado

O início do ciclo olímpico para as Olimpíadas do Rio, em 2016, em um ano sem grandes competições poliesportivas previstas no calendário mundial, vem trazendo alguns bons resultados para o esporte brasileiro. A temporada mal começou, mas já ocorreram resultados significativos, colocando inclusive alguns destes atletas no topo do ranking mundial de algumas modalidades. Nomes consagrados, como o do campeão olímpico e mundial Cesar Cielo, já começam 2013 brilhando, mas pintam algumas boas surpresas.

Confira abaixo quem já brilhou nestes primeiros cinco meses do ciclo olímpico, que incluí as Olimpíadas do Rio 2016 e o Pan-Americano de Toronto 2015.

Atletismo

De olho na preparação para o Mundial de Moscou, em agosto, os brasileiros correm em busca de índice para garantir sua presença na competição. Mas é no feminino que os principais resultados estão surgindo. A cearense Ana Cláudia Lemos alcançou o índice com direito a um recorde sul-americano nos 100 m rasos, cravando 11s13 em uma prova no último sábado, em Campinas, superando seu próprio recorde, que era de 11s15.

Esta marca coloca Ana Cláudia entre as dez melhores do mundo na prova. Antes dela, a paulista Franciela Krasucki já havia começado a temporada de 2013 com tudo, igualando o próprio recorde anterior de Ana Cláudia, com 11s15.

Também classificada para Moscou, Keila Costa obteve um feito extra no salto triplo: a marca de 14m37 obtida em Campinas, neste último sábado, além de carimbar seu passaporte para o Mundial, significou a melhor marca do mundo neste ano na prova, até agora.

Entre os homens, o brasileiro Mahau Suguimati, nos 400 m com barreiras, cravou o quarto melhor tempo do ano (e também índice para o Mundial), em uma prova no Japão, na última sexta-feira, com 48s79.

Boxe

No final de abril, a seleção brasileira masculina participou do Torneio Feliks Stamm, um dois mais tradicionais no boxe amador, voltando para casa com três medalhas. O resultado mais importante foi a medalha de ouro obtida por Patrick Lourenço, na categoria 49 kg (peso mosca), derrotando na final o russo Vasilij Egorov.

Ginástica artística

No final de março, o campeão olímpico nas argolas em Londres, Arthur Zanetti, mostrou que continua em forma logo em sua primeira prova do ano, ao faturar a medalha de ouro na etapa de Doha (Catar) da Copa do Mundo de ginástica artística, obtendo a nota 15.700. Nas Olimpíadas, quando levou o ouro, marcou 15.900

Judô

A última atualização do ranking da FIJ (Federação Internacional de Judô), divulgada no dia 2, apresentou uma boa surpresa para o judô brasileiro: a primeira colocação de Victor Penalber  na categoria até 81 kg, superando por apenas 28 pontos o sul-coreano Kim Jae-Bum, atual campeão olímpico e mundial. Contribuiu para a escalada de Penalber no ranking a medalha de ouro obtida no recém-disputado campeonato pan-americano da categoria, realizado em San José, na Costa Rica.

No feminino, Sarah Menezes, campeã olímpica em Londres 2012 e também ouro no Pan de judô, lidera com folga a categoria até 48 kg, com 344 pontos de vantagem sobre a japonesa Haruna Asami.

Natação

Na corrida para garantir um lugar na delegação que disputará o Mundial de esportes aquáticos de Barcelona, entre 19 de julho e 4 de agosto, dois brasileiros brilharam neste início de temporada. O primeiro, uma barbada: após a frustração com o bronze nos 50 m livre em Londres 2012, César Cielo começou com tudo 2013, cravando o segundo melhor tempo do mundo durante a disputa do Troféu Maria Lenk, no final de abril. Com a marca de 21s58, Cielo ficou atrás apenas do francês Florent Manaudou, campeão olímpico nas últimas Olimpíadas, que tem 21s55 este ano.

No feminino, surge a grande novidade, com a incrível performance da jovem Graciele Hermann, de apenas 21 anos, que no mesmo Maria Lenk assegurou sua vaga na equipe que vai ao Mundial com o melhor tempo de sua vida. A marca de 25s10 corresponde ao 10º melhor tempo no ranking mundial da Fina (Federação Internacional de Natação).

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terça-feira, 12 de março de 2013 Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 17:41

Um herói cinquentão que orgulha o Brasil

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Getty Images

Joaquim Cruz comemora a conquista do ouro dos 800m nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984

Quando este blog nasceu, há pouco mais de dois anos (mais precisamente dois anos e 11 dias), a foto que ilustrava o post era justamente a do cidadão que nesta terça-feira completa 50 anos. Graças à uma oportuna lembrança do companheiro Luís Araújo, aqui do iG Esporte, a efeméride não passou em branco, registrando desta forma o aniversário de Joaquim Cruz, o único brasileiro campeão olímpico no atletismo em uma prova de pista.

Joaquim Cruz assombrou o mundo ao derrotar os favoritos britânicos Sebastian Coe e Steve Ovett e faturar o ouro em Los Angeles 1984. Só isso já seria o bastante para que ele fosse reverenciado em todas as praças esportivas deste país pela eternidade. Um garoto pobre, nascido em Taguatinga, cidade sem tradição alguma em atletismo, derrubando dois monstros sagrados das provas de meio fundo. Mas eis que Cruz foi para Seul 1988 e se não fosse um erro estratégico seu e de seu compatriota Zequinha Barbosa, acabou perdendo o ouro para o queniano Paul Ereng. Ainda assim, ganhou uma medalha de prata.

Duas medalhas olímpicas. Ainda assim, Joaquim Cruz nunca recebeu a devida consideração aqui no Brasil, em minha opinião. Pelo contrário, foi taxado maldosamente de “bichado” por algumas pessoas. Na verdade, ele sofreu com diversas contusões no calcanhar de aquiles e também por alergias, que o tiraram de ação em inúmeras provas. Não fosse isso, talvez Cruz tivesse um currículo ainda mais brilhante.

Na dúvida, basta consultar a lista das melhores marcas de todos os tempos nos 800 m no site da Iaaf (Federação das Associações Internacionais de Atletismo) e verá o nome de Joaquim Cruz com o 13º melhor tempo da história, 1min41s77, obtido no meeting de Colônia, em 1984, quando ficou a míseros quatro centésimos do então recorde mundial de Sebastian Coe.

Entrevistei Joaquim Cruz algumas vezes ao longo de minha carreira. Sempre rendeu ótimos papos. Embora meio arredio, nunca se furtou em dar sua opinião sobre as precárias condições do atletismo brasileiro ou mesmo sobre temas mais delicados. Em Seul, por exemplo, ele deixou claro que estranhava a performance assombrosa de Florence Griffth-Joyner, que naquelas Olimpíadas ganhou o ouro nos 100 e 200 m e ainda bateu o recorde mundial nas duas provas. Nas entrelinhas, Cruz achava que Florence obteve seus feitos graças ao doping. Pressionado pela repercussão de sua entrevista, acabou recuando. Apenas dez anos depois, em 98, a velocista americana morreu de ataque cardíaco, com somente 39 anos, sob circunstâncias nunca esclarecidas. Apenas coincidência ou o brasileiro sabia do que falava?

Pude ainda acompanhar o último grande feito de Joaquim Cruz nas pistas. Sem expectativa, ele chegou para disputar os Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, em 1995. Como de costume, estava retornando após uma temporada em que ficou boa parte afastado cuidando de suas lesões. Inscrito para a prova dos 1.500 m, Cruz largou bem, mas não conseguiu se distanciar dos adversários. Apenas nos últimos 200 m que ele conseguiu dar uma arrancada decisiva, conquistando a medalha de ouro com direito a recorde pan-americano e emocionando a todos que estavam no estádio.

Com toda esta história, Joaquim Cruz deveria ser figura obrigatória em qualquer projeto que envolvesse a organização das Olimpíadas do Rio, em 2016, ou mesmo na preparação das seleções brasileiras de atletismo. Por incrível que pareça, isso nunca aconteceu. Hoje, Joaquim Cruz trabalha na formação de novos atletas do atletismo para o comitê olímpico americano. Sorte deles, azar o nosso.

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sexta-feira, 8 de março de 2013 Jogos Sul-Americanos, Olimpíadas, Pan-Americano, Política esportiva | 19:27

O papel de Hugo Chavez no esporte da Venezuela

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O campeão olímpico Ruben Limardo, ouro na esgrima, cumprimenta Hugo Chavez no retorno da delegação da Venezuela de Londres

É indiscutível a importância do presidente venezuelano Hugo Chavez, que morreu última terça-feira, vítima de um câncer, na história da América Latina. Concorde-se ou não com sua ideologia política, é inegável a melhora na qualidade de vida da população carente venezuelana. Basta ver as fotos mostrando a multidão que acompanhou seu funeral e velório para se ter uma ideia de sua popularidade.

Mas Chavez também teve um papel fundamental na evolução do esporte olímpico da Venezuela. É visível o crescimento do país a partir do momento em que ele chegou ao poder, em 2002.  Com forte apoio estatal, especialmente em modalidades individuais, a Venezuela passou a deixar de ser conhecida apenas como o “país do beisebol” e começou a se destacar em outras modalidades. Ainda de forma tímida, é verdade, mas algo que não pode passar incógnito.

Para os Jogos de Londres 2012, por exemplo, o país investiu em sua preparação olímpica, segundo dados do Ministério do Esporte venezuelano, R$ 709 milhões, mais do que o Brasil investiu para a competição. Mesmo não mostrando o mesmo desempenho brasileiro em terras britânicas (foram 17 medalhas no total e três de ouro), a Venezuela conseguiu acabar com um jejum de 44 anos e conquistar sua segunda medalha de ouro na história, com Rubén Limardo, na esgrima. O outro ouro veio com Francisco Rodriguez, no boxe, nos Jogos da Cidade do México 1968.

Em outras competições poliesportivas, como Pan-Americanos e Sul-Americanos, o crescimento da Venezuela foi constante no período Chavez. Veja os números abaixo:

Jogos Sul-Americanos

Medalhas antes de Chavez assumir
Cuenca 1998 – 126 (50 ouro/ 47 prata/ 29 bronze)

Medalhas após Chavez assumir
Brasil 2002 – 231 (97 ouro/ 70 prata/ 64 bronze)
Buenos Aires 2006 – 278 (96 ouro/ 85 prata/ 97 bronze)
Medellín 2010 – 263 (89 ouro/ 77 prata/ 97 bronze)
No geral: 1191 (443 ouro/ 370 prata/ 378 bronze)

Jogos Pan-Americanos

Medalhas no último Pan antes de Chavez assumir
Winnipeg 1999 – 40 (7 ouro/ 16 prata/ 17 bronze) – 8º no geral

Medalhas após Chavez assumir
Santo Domingo 2003 – 64 (16 ouro/ 21 prata/ 27 bronze)
Rio de Janeiro 2007 – 70 (12 ouro/ 23 prata/ 35 bronze)
Guadalajara 2011 – 72 (12 ouro/ 27 prata/ 33 bronze)
No geral: 524 (85 ouro/ 182 prata/ 257 bronze)

Olimpíadas

Medalhas antes de Chavez assumir
Los Angeles 1984 – 3 (3 bronze)

Medalhas após Chavez assumir
Atenas 2004 – 2 (2 bronze)
Pequim 2008 – 1 (1 bronze)
Londres 2012 – 1 (1 ouro)
No geral: 12 (2 ouro/ 2 prata/8 bronze)

Mas o maior feito do período em que Hugo Chavez comandou a Venezuela não está propriamente no esporte de competição. Desde o ano passado, uma nova lei passou a assegurar o direito ao esporte na Constituição do país. Segundo esta lei, toda empresa com um  determinado faturamento tem que destinar 1% de seu lucro a um fundo de desenvolvimento do esporte. Além disso, torna obrigatória a realização das aulas de educação física nas escolas e estipula a eleição direta pelos dirigentes esportivos pelos próprios atletas.

Apenas para ficar neste último item, dá para ver que o Brasil esportivo tem o que aprender com a Venezuela de Hugo Chavez.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 20:45

Ary Ventura Vidal…

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Ary Vidal, que morreu nesta segunda-feira, já vinha sofrendo com problemas de saúde há algum tempo

Ainda estava tentando assimilar o soco no estômago deste domingo, após a tragédia de Santa Maria que causou a morte de mais de 230 jovens, quando abro a internet e me deparo com a notícia da morte de Ary Vidal, um dos maiores treinadores que o basquete brasileiro já conheceu. Ele estava com 77 anos e já vinha doente há algum tempo, tendo sofrido um AVC  anos atrás e mais recentemente um infarto e insuficiência renal. Ele será sepultado nesta terça-feira, no Rio de Janeiro.

Seria até redundante tentar explicar em algumas linhas deste post a importância de Ary Vidal para o basquete brasileiro. Com uma precoce carreira de treinador, iniciada em 1959, comandou as principais equipes do país, sempre introduzindo nelas um traço que o perseguiu ao longo da carreira: o gosto pelo jogo ofensivo, intenso.

Característica essa que foi marcante na maior conquista de sua carreira e uma das principais do próprio basquete masculino nacional, com a medalha de ouro no Pan-Americano de Indianápolis, em 1987. Na ocasião, a seleção brasileira causou a primeira e única derrota de uma equipe dos EUA (que só tinha um tal de David Robinson no elenco) em seu próprio território, vencendo a final por 120 a 115. E o grande segredo desta vitória o próprio Ary se orgulhava em contar: estimular os chutes da linha de três pontos de Oscar e Marcel, os especialistas neste fundamento.

“Quando a Fiba introduziu a linha de três pontos, eu virei para o Oscar e o Marcel e disse que se conseguíssemos saber tirar proveito disso, teríamos uma arma imbatível. E estava certo”, disse Ary certa vez, em uma das várias oportunidades em que tive a honra de entrevistá-lo.

Críticos diziam que Ary Vidal era apenas um “bom motivador” de elencos repletos de craques e medalhões. Ouvi isso de alguns dirigentes. Pura inveja, na minha opinião. Ou como justificar que um mero “motivador” exiba um aproveitamento de mais de 74% de vitórias no comando da seleção (92 vitórias e 29 derrotas)? E como explicar aos invejosos o feito histórico de Ary Vidal, ao transformar um time sem estrelas, como o Corinthians de Santa Cruz do Sul (RS), em campeão brasileiro, na temporada de 1994?

E vale lembrar que com Ary Vidal, o Brasil subiu ao pódio pela última vez na história dos Mundiais de basquete, em 1978, nas Filipinas. E antes do argentino Rubén Magnano dirigir o Brasil em Londres 2012, foi Vidal quem estava à frente da seleção masculina em sua última participação em Olimpíadas, em Atlanta 1996, ao classificar a equipe durante o Pré-Olímpico de Neuquén (Arg), em 95.

Aliás, é deste torneio que guardo uma das lembranças mais marcantes de Ary Vidal, um homem que era extremamente inteligente, bom de papo, adorava falar com os jornalistas e, talvez por conta de tudo isso, bastante vaidoso. O Brasil fazia uma campanha irregular e chegou à última rodada da segunda fase ameaçado de eliminação. Para isso, bastava o Uruguai bater Cuba, na preliminar de Brasil x Porto Rico.

A turma de jornalistas brasileiros estava posicionada para acompanhar a partida, meio ressabiada, já prevendo o pior. Eis que vimos Ary na tribuna de imprensa, sentado ao nosso lado. Ele disse que não conseguiria esperar o resultado no hotel e decidiu chegar antes da delegação. Ainda assim, esbanjava confiança:  “Cuba vai vencer”, disse, mostrando um otimismo até um pouco excessivo, pela situação dramática do time. Mas ele não perdeu a pose, muito pelo contrário.

Só sei que durante o jogo, ele fumou pelo menos uns cinco cigarros, um atrás do outro, sem dizer uma palavra. No final, o inacreditável: Cuba, que até então era o saco de pancadas, venceu os uruguaios por 20 pontos de diferença, assegurando a passagem do Brasil para as semifinais. Aí, Ary Vidal se virou para o grupo de jornalistas, e todo pimpão, nos desafiou: “Eu não disse que Cuba iria ganhar?”, dando uma piscada marota.

Sim, Ary Ventura Vidal vai fazer muita falta…

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012 Histórias do esporte, Ídolos, Imprensa, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 23:48

As belas lembranças de outubro no esporte brasileiro

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João Carlos de Oliveira bateu o recorde mundial no Pan de 1975

A memória sempre foi boa, mas é claro que às vezes falha. E a ajuda para estas recordações vieram em posts oportunos publicados pelas assessorias da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e CBB (Confederação Brasileira de Basquete) nesta segunda-feira, mostrando  o quanto especial é o mês de outubro para o esporte olímpico brasileiro.

Primeiro, foi a CBAt, que lembrou o feito histórico alcançado por João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, que em 15 de outubro de 1975, na Cidade do México, durante os Jogos Pan-Americanos, bateu no recorde mundial do salto triplo. A marca foi assombrosa: 17,89 m, transformando o então desconhecido sargento do Exército no João do Pulo, que ainda alcançaria duas medalhas de bronze olímpicas em Montreal 1976 e Moscou 1980.

O salto foi tão impressionante que o recorde demorou dez anos para ser batido, em 1985, quando João do Pulo já havia encerrado a carreira, após perder uma perna em um acidente automobilístico.

As outras imagens marcantes do mês de outubro para o esporte brasileiro vieram das quadras de basquete e vôlei. No dia 13 de outubro de 2002, um saque perfeito de Giovani deu à seleção masculina seu primeiro título mundial, ao vencer a Rússia por 3 a 2, na Argentina.

E foi num 14 de outubro, mas do distante ano de 1978, que a seleção brasileira masculina de basquete subiu pela última vez num pódio em um Campeonato Mundial, ao ficar em terceiro lugar no Mundial das Filipinas. No jogo decisivo, uma cesta incrível do ala Marcel de Souza, praticamente do meio da quadra, quando faltava somente um segundo para o final da partida, deu a vitória diante da Itália por 86 a 85 e a conquista da medalha de bronze.

A lembrança feita pela CBB, acompanhada por um histórico vídeo da Rede Globo, que transmitiu aquele jogo, na voz do locutor Luciano do Valle, trouxe para mim uma bela lembrança e a certeza que outubro é um mês especial para o esporte olímpico brasileiro.

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