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quarta-feira, 6 de agosto de 2014 Histórias do esporte, Ídolos, Imprensa, Olimpíadas, Seleção brasileira, Vídeos | 09:00

Joaquim, um herói brasileiro

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Joaquim Cruz comemora a histórica vitória nos 800 m nos Jogos de Los Angeles, há exatos 30 anos

Joaquim Cruz comemora a histórica vitória nos 800 m nos Jogos de Los Angeles, há exatos 30 anos

Fosse o Brasil um país que tivesse de fato uma cultura olímpica enraizada na população e soubesse preservar de forma decente a memória do esporte, este 6 de agosto seria saudado com amplas reportagens nas páginas de jornais, TVs e sites especializados. E ainda seria pouco.

A correria dos tempos atuais, que reserva uma relevância cada vez menor à informação que realmente importa e onde ídolos de barro são criados a cada hora, provavelmente não permitirá que sejam prestadas as justas homenagens ao atleta que marcou para sempre na história do esporte brasileiro a data de 6 de agosto. Porque o feito de Joaquim Cruz, o único atleta deste país campeão olímpico em provas de pistas do atletismo, merece ser lembrado eternamente.

Felizmente, nem todos deixaram passaram a data de 30 anos da conquista da medalha de ouro nos 800 m, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em branco. O programa Esporte Espetacular, da TV Globo, exibiu no último domingo, uma linda homenagem, em reportagem de autoria de Cesar Augusto. Foi emocionante ver o choro do próprio Joaquim ao entrar no Memorial Coliseum pela primeira vez desde aquela tarde inesquecível de 1984. Material de primeira qualidade e que ainda por cima trouxe de volta a narração do igualmente genial Osmar Santos.

Vale especialmente para as gerações mais novas, que não sabem ou fazem ideia do feito de Joaquim Cruz, então um garoto de 21 anos, nascido em Taguatinga (DF) e que desbancou um monstro das pistas chamado Sebastian Coe. De uma forma inteligente, controlando a prova o tempo todo, ficando sempre em segundo lugar, na cola do queniano Edwin Koech, durante 600 metros, para então fazer uma disparada incrível nos últimos 200m, em uma arrancada que vista ainda hoje é impressionante, deixando Coe, que levou a prata, no chinelo . O tempo de 1min43s00 tornou-se recorde olímpico.

Joaquim Cruz ainda conquistaria uma outra medalha olímpica – prata nos 800 m em Seul 1988 -, mas seu lugar na história do esporte brasileiro já estaria assegurado com a fenomenal vitória em Los Angeles. Hoje, se passar por qualquer rua em nossas grandes cidades, poucos serão os que o reconhecerão ou lhe darão o devido mérito. Para esses, eu deixo abaixo as imagens de um verdadeiro herói olímpico brasileiro.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014 Com a palavra, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas | 21:01

Baia da Guanabara 2016: primeiras impressões…

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“Já fizemos dois treinos até agora, onde encontramos muitas garrafas e sacos plásticos. Ontem vimos um cachorro morto na água”

A declaração do velejador australiano Matthew Belcher, medalha de ouro na classe 470 nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, para a Folha de S. Paulo desta quarta-feira, é sintomática. Uma das estrelas do evento-teste da vela para as Olimpíadas do Rio 2016, que começa na próxima sexta-feira (2) e vai até o dia 9 de agosto, Belcher mostrou, sem meias palavras, o cartão de visitas que os atletas do iatismo mundial terão pela frente não apenas nesta competição, como provavelmente daqui a dois anos.

Iatistas da classe RS:X treinam para o evento-teste na Baia de Guanabara, o primeiro dos Jogos de 2016

Iatistas da classe RS:X treinam para o evento-teste na Baia de Guanabara, o primeiro dos Jogos de 2016

Não se deve encarar com traços de menosprezo, precoceito ou mesmo insulto à soberania nacional as palavras de Belcher. Elas são retrato absoluto da realidade, ironicamente, de um dos mais belos cartões postais da próxima sede dos Jogos Olímpicos. O australiano falou apenas verdades, que por sinal já tinham sido ratificadas anteriormente pelo próprio treinador da equipe brasileira, o bicampeão olímpico (Atlanta 1996 e Atenas 2004) Torben Grael, em entrevista ao site Esporte Essencial, em abril de 2011: “É um pecado nós termos uma água tão suja numa baia tão bonita como essa. Vamos sediar os jogos olímpicos e acho que vai ser um vexame apresentar uma água desse jeito”.

Se há uma coisa que o Brasil já perdeu, independentemente do sucesso na organização dos Jogos de 2016, foi a questão da Baia de Guanabara. Isso é definitivo. Por incompetência dos poderes públicos (em todas as esferas!), perdeu-se a chance de conquistar ao final dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos um dos principais legados para a população do Rio de Janeiro, que seria a despoluição de 80% das águas da sede das competições de vela. Isso constava do plano original da candidatura carioca, em 2009. Se chegar a 15% na época das Olimpíadas, será muito.

>>> VEJA TAMBÉM: Com data provisória, federação de tiro com arco confirma evento-teste no Sambódromo para setembro de 2015

As competições irão acontecer, de uma forma ou outra. Como aliás já aconteceram nos Jogos Pan-Americanos de 2007. O que não diminui o tamanho do vexame. Por isso, um dos principais pontos a serem aproveitados no primeiro evento-teste das Olimpíadas do Rio será testar a funcionabilidade da raia de competição, mesmo com tanto lixo boiando nas proximidades dos atletas. Simplesmente lamentável.

Ao todo, serão 324 atletas de 34 países participando da Regata Internacional do Rio, que abre o calendário oficial de eventos-testes das Olimpíadas. Estarão competindo 23 medalhistas olímpicos, entre eles o próprio australiano Matthew Belcher; a espanhola Marina Alabau, na 49er FX; o holandês Dorian van Rijsselberge, na RS:X; o também australiano Nathan Outteridge, na classe 49er; e o sueco Max Salminen, na Star, classe que não faz parte do programa olímpico de 2016. Entre os brasileiros, destaca-se o bicampeão olímpico (Atlanta 1996 e Atenas 2004) Robert Scheidt, pela Laser.

Tomara que nenhum deles deixe de vencer sua prova por causa das maltratadas águas da Baia de Guanabara.

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domingo, 8 de junho de 2014 Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais | 00:07

Falta pouco para o mundo (e o blog) ver a bola rolar no Brasil

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Escultura em areia, na praia de Copacabana, no Rio, representando os craques Neymar (Brasil) e Messi (Argentina)

Escultura em areia, na praia de Copacabana, no Rio, representando os craques Neymar (Brasil) e Messi (Argentina)

Era um mês de junho, só que naquela oportunidade, a festa começou num dia 13. Lembro-me que rolava um feriado qualquer, pois estava de carro com meus pais fazendo um passeio e a Avenida Santo Amaro, uma das principais da Zona Sul de São Paulo, estava praticamente às moscas. Lembro-me também que meu pai já sintonizava o rádio do carro, em busca de preciosas informações e acelerava um pouco acima do normal, pois queria chegar logo em casa. O motivo: ver o jogo de abertura da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha  Ocidental, entre Brasil e Iugoslávia.

Para um moleque de 10 anos e que não fazia outra coisa na vida que não fosse pensar em futebol, aquele foi um período inesquecível. Era a primeira Copa que eu iria acompanhar tendo a consciência plena da grandeza do evento. E vivi aquela Copa com uma intensidade que só um moleque de 10 anos apaixonado por futebol consegue fazer.

Lia todas as reportagens nas quais os enviados especiais do já extinto “Jornal da Tarde”, que meu pai comprava todos os dias, contavam as histórias lá da Alemanha; assistia a todas as partidas possíveis que a tevê transmitia (e que o horário da escola permitia); e preenchia, cuidadosamente, a tabela do Mundial, anotando resultados e pontos, além de bater ponto semanalmente na banca de jornais ao lado de casa, para comprar a “Placar”, com aquelas lindas fotos coloridas e seu precioso “Tabelão”, que me abastecia de informações para montar meus próprios campeonatos de futebol de botão.

Se todo este clima já bastaria para me fazer ficar apaixonado pela Copa do Mundo, o que dizer da sensação de ver aquela incrível Holanda e suas camisas laranjas (quem é que usava camisa laranja naquela época para jogar futebol?) derrubando quem tivesse pela frente, inclusive a própria seleção brasileira? Ou a Alemanha, dona da casa e que me impressionou logo em sua estreia, com um golaço de um barbudo bom de bola, autor de um golaço no Chile, Paul Breitner? E ver times exóticos que jamais imaginei que jogassem bola, como Hait, Austrália e Zaire (que deu uma bela força para o time do Zagallo avançar para a segunda fase)?

Costumo dizer que nenhum evento do mundo se compara em grandeza e beleza esportiva aos Jogos Olímpicos. Nenhum. Mas da mesma forma, não existe uma competição neste planeta que supere a Copa do Mundo em emoção e paixão. Por isso, será muito bacana, a despeito de todos os problemas nos atrasos das obras dos estádios e de infraestrutura em todas as sedes, ver uma Copa aqui em nosso país. Não se confunda, por favor, o senso crítico contra todos os problemas que envolveram esta confusa (des)organização brasileira com o espírito da Copa.

Por isso, para entrar de vez no clima do Mundial, o blog entra em ritmo de “férias forçadas”, voltando em edições extraordinárias sempre que necessário. Enquanto isso, aquele moleque que há muito deixou de ter 10 anos, realizará um sonho de infância: cobrir uma Copa do Mundo ao vivo e a cores. E em seu próprio país.

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sábado, 10 de maio de 2014 Imprensa, Olimpíadas, Política esportiva | 16:47

Só medo de um vexame histórico impede COI de pensar em Plano B ou C para o Rio 2016

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Canteiro de obras do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, em Jacarepagua: COI resolveu por a mão na massa de vez

Canteiro de obras do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, em Jacarepaguá

Como tem se tornado rotina, a última sexta-feira (9) acabou marcada por mais uma notícia negativa a respeito dos Jogos Olímpicos de 2016, que ocorrerão no Rio de Janeiro. E a cacetada veio da imprensa inglesa, com a publicação de uma reportagem do jornal London Evening Standard mostrando que um dirigente do COI (Comitê Olímpico Internacional) teria feito contatos com representantes ligados ao governo de Londres para saber se a cidade teria condições de receber as Olimpíadas de 2016, por causa do grande atraso nas obras das principais arenas e instalações cariocas.

Na mesma reportagem, o tal dirigente do COI teria dito ao London Evening Standard que em Atenas 2004, a infraestrutura pronta a dois anos do evento alcançava a marca de 40%, contra 60% de Londres no mesmo período, antes dos Jogos de 2012. O Rio de Janeiro, de acordo com o jornal, está com somente 10% de sua infraestrutura do evento construída. Obviamente, a notícia foi desqualificada ontem mesmo pelo comitê do Rio 2016, que disse não comentar “uma obra de ficção”. O próprio COI tratou também de desmentir a informação, ao dizer à agência Reuters que “não há um pingo de verdade nisso”.

Particularmente, a menos que ocorra um desastre natural sem proporções na história deste país, ou que os próprios governantes brasileiros decidam abrir mão, não vejo como os Jogos de 2016 saiam do Rio de Janeiro, apesar de todos os atrasos que ocorreram até agora. Primeiro, pela questão do dano de imagem que isso traria, não apenas ao Brasil, mas ao próprio COI, é bom ficar claro. Pois caberia à entidade ficar com o ônus de ter escolhido como sede uma cidade sem competência para organizar um evento da magnitude como são as Olimpíadas.

Há ainda a questão política, essa sim de grande importância neste jogo de interesses. Após a intervenção declarada que o COI fez no Rio 2016 em abril, tem sido corriqueiro ataques e críticas de entidades internacionais e dirigentes à organização das próximas Olimpíadas, como os feitos por um vice-presidente do Comitê Olímpico, John Coates, que precisou se retratar depois. Como bem me disse ontem um jornalista amigo que mora em Londres, estratégia semelhante feita pela imprensa inglesa durante os preparativos para a Copa do Mundo deste ano.

Outro ponto que deixa a história do London Evening Standard – um jornal de distribuição gratuíta nos metrôs londrinos, com tiragem de dois milhões de exemplares – improvável é a questão logística. Boa parte das instalações de Londres 2012 era provisória, como os ginásios de handebol e basquete, além das arquibancadas móveis do parque aquático. Tudo isso não existe mais. O estádio olímpico está em obras, terá sua capacidade reduzida de 80 mil para 55 mil pessoas e passará a ser usado West Ham, além de abrigar o centro de treinamento da federação inglesa de atletismo. A própria Vila Olímpica já começou a ter seus apartamentos ocupados por moradores e o Parque Olímpico foi aberto à utilização pública.

Mas segundo afirmou uma outra jornalista amiga minha, que também reside em Londres, o diário britâncio não tem fama de inventar histórias e a manchete pode ter vindo com dois anos de atraso. Em 2012, segundo ela, a possibilidade de se manter os Jogos de 2016 em Londres, por causa da inoperância brasileira, era comentada com certa naturalidade entre alguns dirigentes locais.

Para aumentar a pressão sobre o Rio 2016, eis que surge no horizonte um “Plano C”. O  advogado paulista Alberto Murray, que foi membro da Assembleia do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e é opositor declarado à gestão de Carlos Arthur Nuzman na entidade, publicou em seu blog que a China ofereceu-se ao COI para receber os Jogos, caso o Rio não tenha condições de cumprir as obrigações. Clique aqui para ver o post de Murray.

Com muitas fontes no Comitê Olímpico, por conta da convivência que teve com alguns integrantes no período em que seu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, foi presidente do COB, Murray ouviu de seu interlocutor que a China teria condições, mesmo com apenas dois anos, de se preparar para o evento, graças ao dinheiro e à extrama disciplina existentes no país. Outro detalhe importante: a cidade de Nanjing receberá os Jogos Olímpicos da Juventude, em agosto deste ano, podendo usar parte desta infraestrutura para receber os Jogos de 2016.

Notícias furadas ou reclamações de cartolas à parte, o fato é que a pressão sobre as Olimpíadas do Rio está cada vez maior. Aos organizadores, a única alternativa é correr contra o relógio para deioxar tudo pronto a tempo, antes que alguém queira colocar os tais “Plano B” ou “C” em ação.

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quarta-feira, 2 de abril de 2014 Imprensa, Isso é Brasil | 17:35

Por favor, sigam o exemplo de Bebeto de Freitas!

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Bebeto de Freitas vem sendo um crítico feroz da estrutura do esporte brasileiro

Bebeto de Freitas vem sendo um crítico feroz da estrutura do esporte brasileiro

Comecei a semana no blog exaltando a surpreendente veemência e firmeza com que vários ídolos do esporte brasileiro se posicionaram em relação ao caso dramático da ex-ginasta Laís Souza, cobrando no iG Esporte uma ampla discussão a respeito até da profissionalização do atleta olímpico do Brasil. Mas cá entre nós, eles ainda têm muito a aprender em combatividade com o ex-técnico da seleção masculina de vôlei, Bebeto de Freitas, que ocupou também a presidência do Botafogo

Há algumas semanas, Bebeto vem mostrando toda a sua indignação contra a frágil estrutura do esporte brasileiro, que beneficia poucos em detrimento da maioria. Primeiro, em entrevista ao jornal “O Globo”, colocando o dedo na ferida a respeito da vergonhosa crise no vôlei do Brasil, que culminou com a queda do presidente licenciado Ary Graça, após o mal-explicado caso das comissões a diretores da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei).

Bebeto de Freitas demonstra a mesma coragem ao criticar, sem papas na língua, o chamado legado do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), classificado por ele como “um caos”, em entrevista ao site “Esporte Essencial”, para a jornalista Fabiana Bentes. Em um dos trechos, ao comentar o habitual discurso de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, que adora exaltar as medalhas conquistadas pelo Brasil em sua gestão, ele foi cirúrgico.

“Mas qual é o legado dessas medalhas? Nenhum. Construímos um velódromo e depois destruímos. Construímos uma piscina que não serve para a Olimpíada. O Pan-Americano foi o maior engodo que se vendeu no Brasil. Do ponto de vista esportivo, o Pan-Americano não representa mais nada, porque pouquíssimos esportes se classificam nessa competição para a Olimpíada.”

O esporte brasileiro precisa de mais pessoas com coragem e personalidade como Bebeto de Freitas.

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segunda-feira, 31 de março de 2014 Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Jogos de Inverno | 18:48

Lucidez dos atletas brasileiros no caso Laís Souza

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Laís Souza, ao lado dos médicos e fisioterapeutas, no hospítal da Universidade de Miami

Laís e os médicos e fisioterapeutas, na Universidade de Miami, onde faz seu tratamento

Mesmo com um certo atraso, ainda vale registrar por aqui a exemplar e madura posição demonstrada por alguns dos integrantes da comissão de atletas do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que procurados pelo iG Esporte na semana passada, opinaram a respeito da lamentável situação da ex-ginasta e esquiadora Laís Souza, que sofreu grave acidente em sua preparação para as Olimpíadas de inverno de Sochi e que não consegue movimentar os membros superiores e inferiores.  Na prática, a comissão, cujo mandato dura quatro anos, representa o principal canal de comunicação entre os atletas e os dirigentes que comandam o esporte do Brasil.

No último dia 16, o COB anunciou o lançamento de uma campanha de arrecadação de fundos, para ajudar a atleta a reorganizar sua vida assim que deixar o hospital de Miami (EUA), onde faz seu tratamento. Na prática, o que foi lançado não passou de uma vaquinha virtual, muito pouco, em minha opinião, para uma entidade que arrecada tanto em verbas públicas, via lei Agnelo/Piva.

Em linhas gerais, chamou-me a atenção, ao menos entre os integrantes que aceitaram se posicionar sobre o caso, a opinião unânime de que já passou da hora de se discutir a real condição do atleta olímpico brasileiro. Em relação ao caso de Laís Souza, por exemplo, todos defendem que se estude uma forma de exigir seguros de vida que cubram morte e invalidez permanente, não apenas no período em que eles estejam defendendo o Brasil em competições internacionais.

O que me deixou surpreso positivamente foi a forma com que alguns destes integrantes se manifestaram. Por ser uma comissão formada pelo COB, seria até natural que alguns preferissem o silêncio ou mesmo posições neutras diante de um tema tão polêmico. Não foi, contudo, a posição tanto do presidente Emanuel Rego, do vôlei de praia, quanto da ex-cestinha Hortência, da seleção feminina de basquete, vic-presidente do órgão, ou de ídolos como o ginasta Arthur Zanetti ou o velejador Robert Sheidt.

Opiniões lúcidas, ponderadas, mas firmes. Como por exemplo, a demonstrada por Hortência, dizendo que já psssou da hora dos atletas olímpicos brigarem para que sua atividade seja reconhecida como uma profissão, assim com já ocorre com os jogadores de futebol. Ou então da ex-jogadora de vôlei Ana Moser, presidente da ONG “Atletas pelo Brasil”, ao dizer, sem meias palvras, que “o atleta é um ser solitário e o sistema só se preocupa em usá-lo, sem dar qualquer tipo de suporte”.

Para ver com mais detalhes o que os atletas brasileiros pensam a respeito do caso Laís Souza e da própria condição do esporte olímpico brasileiro, basta clicar aqui, aqui e aqui.

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quinta-feira, 13 de março de 2014 Imprensa, Isso é Brasil, Listas, Olimpíadas, Política esportiva | 14:45

Relembre outros vexames do Brasil a caminho do Rio 2016

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Os pagamentos de comissões a empresas ligadas a diretores da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), por intermediar contratos de patrocínio do Banco do Brasil, revelados em ótima série de reportagens do jornalista Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, abalou não só o vôlei como o próprio universo olímpico brasileiro. O superintendente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Marcus Vinícius Freire, disse à Folha de S. Paulo temer que o escândalo abale o desempenho da modalidade na preparação para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira, o próprio presidente do COB, Carlos Nuzman, deu entrevista na qual declarou estar “preocupado com a situação da CBV“.

Mas para quem tem boa memória – e se há uma qualidade que modestamente reconheço ter é justamente essa – a bomba que caiu no colo do vôlei é só mais um dos vários vexames protagonizados por organizadores, políticos e cartolas de confederações, entre outros, na preparação do Brasil para a primeira edição dos Jogos Olímpicos na América do Sul. Relembre abaixo outros dez casos emblemáticos:

1) Roubo de dados secretos de Londres 2012 por integrantes do Rio 2016

Sebastian Coe discursa em seminário no Rio e minimiza caso de espionagem

Sebastian Coe discursa em seminário no Rio e minimiza caso de espionagem

Em setembro de 2012, um mês depois do encerramento das Olimpíadas de Londres, dirigentes britânicos divulgaram que integrantes do comitê do Rio 2016, que trabalhavam em conjunto para conhecer o funcionamento da organização dos Jogos, fizeram sem autorização cópias de documentos secretos. O fato culminou com a demissão de dez funcionários do órgão brasileiro.  Em novembro, durante um seminário no Rio, o ex-presidente do comitê de Londres, Sebastian Coe, mininizou o ocorrido. “Não demos muita importância ao tema

2) Descredenciamento do Ladetec

O Brasil tinha um único laboratório credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping), o Ladetec, no Rio de Janeiro. Só que desde agosto do ano passado não tem mais. Por causa de inúmeros erros em procedimentos e resultados controversos, a Wada retirou as credenciais do Ladetec. Foi uma esculhambação sem proporções para o país, que criou até uma agência própria para ampliar o combate ao doping no país. A Wada diz esperar recredenciar o Ladetec novamente até o segundo semestre de 2015.

3) Demolição do Célio de Barros e do Júlio Delamare

O que restou do Célio de Barros, antes de ser poupado da destuição total pelo governador Sergio Cabral

O que restou do Célio de Barros, antes de ser poupado da destruição total

Um dos maiores crimes cometidos ao esporte olímpico brasileiro foi protagonizado pela prefeitura e governo do estado do Rio de Janeiro, quando por conta do acordo com o consórcio que administra o estádio do Maracanã, decidiu-se pela demolição do Estádio Célio de Barros (atletismo) e do Parque Aquático Júlio Delamare. Além de receberem competições nacionais, os dois equipamentos também atendiam à população da cidade e poderiam perfeitamente ser utilizados nas Olimpíadas de 2016, até para treinamento das equipes. E foi por enorme pressão popular, com direito a uma carta do campeão olímpico Joaquim Cruz, tanto o governador Sérgio Cabral quanto o prefeito Eduardo Paes recuaram e decidiram não derrubar definitivamente os dois estádios. O problema é que o Célio de Barros encontra-se sem condições de uso e não se sabe quando isso irá ocorrer.

4)  Atraso para a licitação do Complexo de Deodoro

Um dos pontos mais complicados na organização dos Jogos de 2016 tem sido o Complexo de Deodoro, que receberá uma quantidade considerável de modalidades olímpicas (esgrima, pentatlo moderno, hipismo, ciclismo BMX, ciclismo mountain bike, tiro esportivo e canoagem slalom). Eis que até agora não foi feita a licitação para as obras do local, o que motivou um relatório preocupante do TCU (Tribunal de Contas da União) e a expectativa é que as obras comecem obrigatoriamente este ano. O próprio Eduardo Paes admite que o complexo será entregue apenas em 2016.

5) As “broncas” do COI e os relatórios sigilosos

Outro mico que os organizadores de 2016 tiveram que enfrentar foi o vazamento de um relatório sigiloso feito pelo COI, após uma reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, mostrando que a entidade estava extremamente preocupada em razão de atrasos nas obras das arenas, problemas na infraestrutura de transporte da cidade, déficit no número de quartos de hotel, falta de recursos de patrocinadores, entre vários pontos abordados. Ao iG, o COI não desmentiu a existência do documento, mas negou que houvesse alguma preocupação exagerada com os Jogos. Mas o novo presidente da entidade, Thomas Bach, já declarou: “O Rio de Janeiro não term mais tempo a perder”

6) Demora para o início de construção de diversas arenas

Além do já citado problema em Deodoro, também preocupa a situação das obras em estádios no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, como a arena de handebol, que deverá ficar pronta apenas no segundo semestre de 2015, o novo centro aquático, que ainda não foi licitado e precisa estar pronto até o primeiro trimestre de 2016, e o novo velódromo, cujas obras começaram apenas neste ano.

7) Irregularidades em obras apontadas pelo TCU

Projeto final do Ladetec, laboratório que fará os exames antidoping nas Olimpíadas 2016

Projeto do Ladetec, laboratório que fará o antidoping nas Olimpíadas 2016

Em julho de 2013, o TCU publicou dois comunicados expressando extrema preocupação com a organização das Olimpíadas do Rio. Primeiro, detectando irregularidades irregularidades no orçamento e contrato das obras na reforma do Ladetec, que fará os exames antidoping durante os Jogos. A análise do TCU mostrou “quantitativos subestimados na planilha orçamentária em comparação com o projeto executivo, além de execução da obra em dois turnos ao invés de três, como previsto em contrato”. A outra reclamação era referente aos atrasos em Deodoro (mais uma vez!)

8) O velódromo de R$ 14 milhões que foi demolido

Um dos maiores exemplos de falta de planejamento e desorganização (para ficar apenas nisso) foi o caso do velódromo de R$ 14 milhões construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007.  Erguido com madeira siberiana, tratada na Holanda, o equipamento teve sua “morte” decretada por diversos motivos, entre eles capacidade de público abaixo da exigida, quantidade inferior de boxes e vestiários e, o mais grave de tudo, inclinação inadequada da pista. Especialistas em arenas esportivas, porém, declaram em várias reportagens que seria possível adequar o velódromo às exigências. O novo tem orçamento previsto de R$ 118,8 milhões.

9) O campeão olímpico que não tinha condição decente para treinar

Único brasileiro campeão olímpico e mundial de ginástica artística, Arthur Zanetti fez parte de sua preparação para as duas competições em um ginásio indecente, para dizer o mínimo. Depois de falar até em deixar a seleção brasileira e se naturalizar por outro país, caso as condições de preparação não melhorassem, Zanetti foi recebido no Ministério do Esporte e teve a promessa de que a situação iria melhorar, inclusive a respeito da falta de estrutura na CBG (Confederação Brasileira de Ginástica)

10) A falta de solução para a Baia da Guanabara e Lagoa Rodrigo de Freitas

Peixes mortos atrapalharam seletiva de remo na Lagoa Rodrigo de Freitas

Peixes mortos atrapalharam seletiva de remo na Lagoa Rodrigo de Freitas

O campeão olímpico de vela  Torben Grael já cansou de declarar sobre sua preocupação com a situação da Baia da Guanabara, que será palco das provas da modalidade em 2016. Para Gral, o risco de um vexame é enorme. Recentemente, em uma etapa do Campeonato Brasileiro, a filha dele, Martine Grael, encontrou uma televisão boiando na água. Já na Lagoa Rodrigo de Freitas, futura sede das competições de remo, não é muito diferente. Em março de 2013, durante uma seletiva da seleção brasileira, milhares de peixes mortos ficaram próximos à área de competição, causando problemas para os competidores, entre eles a remadora Fabiana Beltrame, campeã mundial de 2011.

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sexta-feira, 7 de março de 2014 Ídolos, Imprensa, Jogos Sul-Americanos | 18:45

Thiago Pereira critica ausência das tevês do Brasil nos Jogos Sul-Americanos. Este é o país olímpico mesmo?

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Thiago Pereira criticou a ausência das tevês brasileiras nos Jogos Sul-Americanos

Thiago Pereira criticou a ausência das tevês brasileiras nos Jogos Sul-Americanos

Atualizado

O nadador brasileiro Thiago Pereira acertou em cheio naqueles pachecos que gostam de bater no peito e dizer que o Brasil está no caminho para se tornar um país olímpico, apenas por causa de algumas medalhas ou títulos esporádicos. O país pode até virar uma potência olímpica, mas isso ainda vai demorar alguns bons anos para acontecer. A começar, pela própria postura da maioria absoluta dos meios de comunicação brasileiros, que ainda vivem na era da monocultura esportiva (leia-se, futebol) e só se lembram dos esportes olímpicos a cada dois anos (leia-se Pan-Americanos e Olimpíadas).

Em seu site oficial, Thiago criticou o fato de nenhum canal de tevê ter mostrado interesse em transmitir os Jogos Sul-Americanos, que começaram nesta sexta-feira, em Santiago (CHI). Em especial, o nadador – vice-presidente da Comissão de Atletas do FINA (Federação Internacional de Natação) e integrante da Comissão de Atletas do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) – reclamou do fato da TV Record, que detém os direitos de transmissão do evento, não ter colocado os Jogos em sua grade de programação.

Veja mais sobre os Jogos Sul-Americanos

>>> Jogos Sul-Americanos valem muito para 12 esportes
>>> COB usará os Jogos Sul-Americanos para fazer experiências

Leia abaixo o texto de Thiago Pereira:

“Está cada vez mais difícil ser um atleta olímpico no Brasil. Sem visibilidade não temos retorno dos patrocinadores, algo que é inadmissível faltando dois anos e meio para uma Olimpíada em nossa casa. Nós precisamos ficar em evidência e o Sul-Americano é muito importante. Concordo que somos o País do futebol, é uma questão cultural, mas há espaço. Vejo tudo isso como uma falta de respeito aos atletas brasileiros”.

 “A Record diz que é a emissora do esporte olímpico brasileiro. Gostaria de saber o real motivo de não transmitirem as nossas provas, não só da natação, mas de todas as modalidades”.

Thiago Pereira, que foi medalha de prata nas Olimpíadas de Londres 2012, nos 400 m medley, além de dois bronzes no Mundial de Barcelona (200 e 400 m medley) cairá na piscina em Santiago neste sábado, na prova dos 100 m costa.

Procurada pelo blog a respeito do texto divulgado no site de Thiago Pereira, a TV Record, através de sua assessoria, disse que não iria se manifestar sobre o assunto.

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 20:23

Após a festa, o handebol precisa olhar para o futuro

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O técnico dinamarquês Morten Soubak está bem preocupado com o futuro do handebol brasileiro

O dinamarquês Morten Soubak (esq.) está bem preocupado com o futuro do handebol brasileiro

Passada a emoção da conquista histórica e a primeira leva de homenagens (mais do que merecidas, diga-se de passagem), é necessário que o handebol brasileiro tenha a tranquilidade necessária para avaliar o resultado efetivo da conquista do título mundial feminino neste domingo, na Sérvia. E nada melhor do que iniciar essa reflexão tomando como base uma declaração do competente e consciente dinamarquês Morten Soubak, treinador da equipe brasileira, publicada pelo portal AHE! nesta segunda-feira.

“Do jeito que está, não vai mudar nada. Estamos totalmente dependentes das meninas que estão na Europa. Não é por causa do que é feito no Brasil que estamos aqui. Nem um pouco. Se o Brasil daqui a três anos produzir cinco, oito jogadoras, beleza. Mas eu quero ver o Brasil produzir um time inteiro que vá para a seleção adulta”

Fala com muita propriedade o dinamarquês, que dirige a seleção feminina desde 2009, mas que chegou para trabalhar no Brasil em 2001. Ou seja, com 12 anos “de casa”, ele sabe muito bem como a banda toca por aqui. Se hoje exaltamos (com justiça) os feitos das heroínas do handebol, é bom não esquecer que boa parte deles devem-se ao importante intercâmbio que quase a totalidade das jogadoras (13 das 16 convocadas) adquiriram atuando na Europa. A própria presença de Soubak é fruto deste intercâmbio vitorioso.

Por aqui, os jogos das ligas nacionais (masculina e feminina) são vistos por uma minoria (familiares e amigos), com pouquíssima exposição nos canais de esporte e nos jornais e sites esportivos. Será que isso vai mudar com este título mundial?

A outra parte da declaração de Soubak também merece ser analisada com cuidado. A média de idade da seleção campeã mundial não é elevada demais, 26,3 anos. Mas as principais jogadoras da seleção estão longe de serem consideradas novatas: a capitã Fabiana, a Dara, tem 32 anos; Alexandra, a melhor do mundo em 2012, também tem 32; Dani Piedade está com 34 anos; a goleira Mayssa Pessoa está com 29; Deonise completou 30 anos. A melhor do Mundial, a armadora Duda Amorim, tem 27, mesma idade da central Mayara.

Ou seja, se não fizer um trabalho urgente de renovação, essa geração vitoriosa que emocionou o Brasil no último domingo certamente viverá seu canto do cisne nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Que as pessoas que comandam o handebol brasileiro estejam cientes de que a hora de olhar para o futuro da modalidade, é agora.

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 17:19

Crise põe em risco projeto olímpico da Petrobras

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A remadora brasileira Fabiana Beltrame comemora no pódio, ao lado da filha, a medalha de ouro no Mundial de 2011, na Eslovênia

A remadora Fabiana Beltrame comemora, ao lado da filha, a medalha de ouro no Mundial de 2011, na Eslovênia

Quem acompanha este blog com alguma atenção certamente já leu posts com referência ao Projeto Petrobras de apoio ao esporte olímpico brasileiro, lançado em 2011. A ideia era fantástica: até 2016, data das Olimpíadas do Rio de Janeiro, a empresa de capital misto iria investir R$ 256 milhões em cinco modalidades pouco desenvolvidas no universo esportivo do Brasil: boxe, esgrima, levantamento de peso, remo e taekwondo. O objetivo final seria o de colocar o maior número de atletas em condições de brigar por medalhas nos próximos Jogos Olímpicos.

E logo no primeiro ano, dois excelentes resultados: as medalhas de ouro conquistadas por Fabiana Beltrame, no Mundial de remo, e a de Everton Lopes, no Mundial de boxe. Duas conquistas inéditas para o esporte olímpico brasileiro, que só reforçavam que o caminho do projeto estava certo. Ainda por cima, quem quem estava por trás na coordenação era Maria Paula Gonçalves, a Magic Paula, uma das maiores jogadoras da história do basquete brasileiro e mundial.

No comando do Instituto Passe de Mágica, ela se encarregava da distribuição direta dos recursos para os atletas destas cinco modalidades, seja para competições ou períodos de treinamento, sem que o dinheiro tivesse que passar pelos dirigentes. Um verdadeiro sentimento de independência financeira, pois a maioria absoluta das confederações dependia quase que exclusivamente na época de recursos oriundos da Lei Agnelo/Piva, com dinheiro das loterias, que é distribuída pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

Mas eis que esse projeto, que representava uma ajuda importantíssima e estes primos pobres do esporte brasileiro, está ameaçado de ver seu investimento diminuir drasticamente. Reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira destacou que a Petrobras estuda diminuir a verba do projeto para 2014 de forma drástica. Inclusive tanto Paula quanto as cinco confederações envolvidas já teriam sido informadas. Na delegação brasileira que competiu nas Olimpíadas de Londres 2012, 21 atletas eram contemplados com verbas do programa.

>>> Relembre: Ouro inédito no boxe mostra que há vida além do COB

Procurada pelo blog, a Petrobras, em nota, negou que haverá corte no patrocínio às cinco modalidades em relação aos valores pagos neste ano, que chegam a um total de R$ 8,2 milhões. Ainda segundo a gerência de comunicação da empresa, o planejamento técnico das confederações para 2014 foi recebido pela companhia e pelo Instituto Passe de Mágica no último dia 29 de novembro. “Somente após esta etapa serão definidos os valores dos patrocínios, que podem, inclusive, ser maiores que os valores contratados em 2013”, concluí a nota.

O que a nota não explica é como que o mesmo investimento deste ano (R$ 8,2 milhões) , previsto para 2014, não pode ser considerado menor do que tudo o que foi investido nos três primeiros anos, cerca de R$ 40 milhões. E mais: ainda segundo a Folha, a própria Paula deu um número diferente da Petrobras contratado em 2013, que seria de R$ 15 milhões. E uma rápida passagem pelo noticiário econômico já mostra que a situação da Petrobras está longe de ser a mais confortável, com redução de 15% do lucro em comparação com 2012 e queda nas ações após o reajuste no preço dos combustíveis.

Pelo visto, os primos pobres do esporte olímpico brasileiro voltarão aos temos de menos fartura, justamente na fase decisiva da preparação para os Jogos Olímpicos de 2016.

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