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Arquivo de setembro, 2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas | 19:01

Os 100 anos do primeiro grande herói olímpico

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Jesse Owens competiu em quatro provas nos Jogos de Berlim e conquistou quatro medalhas de ouro

A esta altura, muito já se falou sobre o centenário de nascimento de um dos maiores atletas olímpicos da história moderna, o americano Jesse Owens, que está sendo comemorado nesta quinta-feira, 12 de setembro. Na verdade, tudo o que se falar sobre ele ainda será pouco. Se existe alguém que pode carregar com orgulho o adjetivo “herói”, é justamente Owens.

Para se ter uma ideia da dimensão do feito deste negro americano, nascido na cidade de Oakville, e batizado como James Cleveland Owens, dono de quatro medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936 – nos 100 m, 200 m, revezamento 4 x 100 m e salto em distância – gosto sempre de lembrar uma pequena história que presenciei em 1998, durante a cobertura do Mundial feminino de basquete, em Berlim.

Num determinado dia, estava marcado um pequeno city tour com os jornalistas que cobriam o evento. Como a tabela de jogos só previa atividades para o final da tarde, eu e outros colegas brasileiros presente ao evento resolvemos encarar o passeio.

E depois de passar por diversos pontos turísticos da linda Berlim, na época um verdadeiro canteiro de obras que transformava a cidade, eis que chegamos ao imponente Estádio Olímpico. Por uma infeliz coincidência, o local também estava em reforma, o que impediu nossa entrada. Mas enquanto o ônibus estava estacionado na porta, o guia alemão encheu o peito e disse: ‘Neste estádio, Jesse Owens ganhou quatro medalhas de ouro e humilhou o ditador Adolf Hitler”.

>>> Leia mais sobre outros grandes ídolos olímpicos

E se apenas deixar Hitler com cara de pastel já não fosse suficiente, Jesse Owens também deu um verdadeiro tapa na cara do indecente preconceito racial (que, em menor grau, ainda existe) dos Estados Unidos. “É verdade que Hitler não me cumprimentou, mas também nunca fui convidado para almoçar na Casa Branca”, disse Owens, pelo fato de nunca ter recebido um único telegrama do então presidente americano Franklin Roosevelt, cumprimentando-o pelos feitos em Berlim.

Para mim, Jesse Owens sempre foi e será o primeiro grande herói da história olímpica moderna.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva | 20:02

Ainda sobre a indicação de Bernard para o COI…

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Reprodução de reportagem do Globo, de janeiro de 1992, quando Aurélio Miguel e Joaquim Mamede se entenderam, graças à ajuda de Bernard

Em relação ao post anterior, no qual comento (e critico) a indicação de Bernard Rajzman como membro efetivo do COI (Comitê Olímpico Internacional), ocorrida na última terça-feira, é necessário que se faça uma importante reparação.

Dizem que o maior inimigo de um jornalista é a mémória (ou a falta da mesma). Um grande amigo, Moacir Ciro Martins Júnior, com quem trabalhei emA Gazeta EsportivaDiário de S. Paulo (hoje atuando na assessoria de imprensa do vereador Aurélio Miguel na Câmara Municipal de São Paulo), leu o post a respeito da indicação de Bernard e fez uma correção a um dos fatos apontados no texto – a de que ele nunca lutou pelos interesses dos atletas.

Ciro me lembrou do papel fundamental exercido por Bernard em 1992, quando o então secretário nacional de esportes do governo Collor trabalhou para solucionar o impasse de um grupo de judocas brigado com o então presidente da CBJ, Joaquim Mamede. Entre os rebelados, estavam Aurélio Miguel e um desconhecido judoca de Santos, chamado Rogério Sampaio. Por conta de inúmeros desentendimentos com o cartola, que comandava a CBJ com mão de ferro, numa autêntica ditadura, Aurélio estava fora da seleção brasileira não defenderia seu título olímpico nos Jogos de Barcelona.

Mas foi graças  à participação de Bernard negociando uma paz entre os dois lados, que finalmente houve o acordo, no dia 17 de janeiro de 1992, como atesta a reprodução de reportagem do jornal O Globo que ilustra o post (clique na foto para ampliar). Foi, portanto, a atuação de Bernard como intermediário que permitiu o retorno dos judocas rebeldes – entre eles Rogério Sampaio, que seria campeão olímpico naquele ano.

Quem tem amigo, não morre pagão, valeu Moacir!

PS: O esquecimento meu neste episódio não modifica uma vírgula do que eu penso a respeito da indicação de Bernard para o COI, é bom deixar claro

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terça-feira, 10 de setembro de 2013 Ídolos, Olimpíadas, Política esportiva | 23:15

A polêmica escolha do novo membro do Brasil no COI

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Bernard posa ao lado de Jacques Rogge, após ser aprovado como membro do COI

Bom, pra início de conversa, a escolha do novo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), o alemão Thomas Bach, ocorrida nesta terça-feira, no encerramento da 125ª Assembleia Geral da entidade, seguiu um roteiro absolutamente óbvio e lógico.

Como já era previsto (inclusive pelo blogueiro Mãe Dinah), o advogado de 59 anos, campeão olímpico de esgrima por equipes nos Jogos de Montreal 1976, levou o pleito com extrema facilidade. Venceu as duas rodadas de votação no colégio eleitoral do COI com tranquilidade (43 na primeira e 49 na segunda), com 20 votos de vantagem sobre o segundo colocado, o porto-riquenho Richard Carrión. Assim como foi a escolha de Tóquio para sede dos Jogos de 2020, o COI optou por não inventar na sucessão do belga Jacques Rogge.

Mas uma outra eleição também movimentou os bastidores do Hotel Hilton, em Buenos Aires, nesta terça-feira. Foram escolhidos os nove novos membros do COI, entre eles o brasileiro Bernard Rajzman, chefe de missão do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Desde o ano passado, com a passagem de Carlos Arthur Nuzman para membro honorário (por ter atingido o limite de 70 anos de idade), o país que será a sede das próximas Olimpíadas não tinha um representante com direito a voto na entidade que comanda o esporte olímpico mundial.

Tratava-se, portanto, de uma eleição muito importante para o esporte brasileiro. Mas não acredito que tenha sido a melhor escolha.

Explico: a despeito de seu brilhante passado como atleta, tendo sido um dos ícones da seleção masculina medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles 1984, Bernard jamais foi um nome representativo do esporte olímpico brasileiro. Não há registros de declarações de Bernard saindo em defesa do atleta brasileiro, criticando a estrutura arcaica que comanda o esporte do país, onde o continuísmo da cartolagem impera (até agora, pois nesta terça a Câmara dos Deputados aprovou projeto que limita os mandatos dos dirigentes, mas isso será tema de outro post).

Além disso, para aqueles de memória curta, Bernard Rajzman integrou, como secretário nacional de Esportes (cargo que antecedeu o Ministério do Esporte) o malfadado governo de Fernando Collor, aquele mesmo que atolado por inúmeras denúncias de corrupção, foi defenestrado pelo Congresso Nacional.

E quando se imagina que no lugar de Bernard, poderiam ter sido indicados atletas do quilate de um Lars Grael, Magic Paula ou Ana Moser, todos com um histórico de luta por um esporte para todos no Brasil, aí mesmo que se tem a certeza de que não foi uma boa escolha do COI.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013 Candidaturas, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 15:33

COI admite que falta de patrocinadores preocupa para 2016

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Gerhard Heiberg é diretor de marketing do COI

Aos poucos começam a ficar mais claros os motivos para o surgimento do tal “documento sigiloso”  que estaria circulando dentro do COI (Comitê Olímpico Internacional), demonstrando preocupação com a organização das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.  Nesta segunda-feira, em entrevista à agência AP em Buenos Aires, onde acontece a Assembleia Geral do COI, o diretor de marketing da entidade, Gerhard Heiberg, afirmou que os organizadores dos Jogos do Rio enfrentam dificuldades na captação de patrocínios que ajudem a bancar o evento.

Para Heiberg, houve uma mudança nos rumos da economia brasileira, que passa por um momento de desaceleração, tornando as empresas privadas menos dispostas a investir como patrocinadoras do evento. Coincidentemente, no começo de agosto, em um evento que marcou os três anos para o início dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, o diretor de operações do Rio 2016, Leonardo Gryner, falou que haveria um aporte de US$ 700 milhões (R$ cerca de 1,4 bi) de recursos públicos para equilibrar o orçamento dos Jogos.

Logo em seguida o prefeito do Rio, Eduardo Paes, interrompeu o discurso de Gryner para dizer que a ideia é não repassar este valor.  “Nossa intenção é que o comitê organizador custeie toda sua operação e não precise de dinheiro público”, disse Paes na ocasião, causando um certo clima de constrangimento na cerimônia.

Por mais que o próprio COI tenha dito que o tal “relatório secreto” é um documento padrão em organização de grandes eventos, a verdade é que existe uma preocupação dos prazos para os Jogos de 2016. Alguns esportes ainda não sabem como e onde disputarão as Olimpíadas, além de atrasos em licitação de obras importantes, como o do complexo de Deodoro, sede prevista para as disputas do pentatlo moderno, hipismo, tiro esportivo, canoagem e hóquei sobre grama.

Até mesmo Jacques Rogge, que nesta terça-feira deixará a presidência do COI, deixou o seu recado. “Muitas obras de infraestrutura deveriam ser aceleradas. Os prazos estão apertados e têm que ser respeitados. Mas estamos otimistas”, afirmou.

Enquanto isso, Carlos Arthur Nuzman, presidente do Rio 2016 e também do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), ao ser questionado durante uma sabatina por integrantes do COI sobre os problemas de transporte público do Rio de Janeiro, tranquilizou-os dizendo que “quase todos os taxistas da cidade sabem falar inglês”.

Então tá, né?

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sábado, 7 de setembro de 2013 Candidaturas, Olimpíadas, Política esportiva | 18:13

Tóquio 2020, uma escolha lógica e segura

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Jacques Rogge, exibe o cartaz mostrando a vitório de Tóquio para os Jogos de 2020

Minutos antes do presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Jacques Rogge, abrir o envelope e anunciar a cidade de Tóquio como a grande vencedora na disputa pela sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2020, escrevi no Twitter: “Só pelo clipe, Tóquio merecia vencer”.

Estava declaradamente torcendo pela candidatura japonesa (inclusive foi a minha aposta no post anterior), por vários motivos: por ser Tóquio uma cidade sensacional, com uma atmosfera única, por sua cultura e até mesmo por uma questão sentimental. Há dois anos, o país foi devastado por um tsunami monstuoso, exibido ao vivo pelos canais de notícia, na madrugada daquele fatídico 11 de março de 2011. Não há como ficar imune diante das cenas de destruição.

Ao analisar cada candidatura, não há como não ver vantagens na escolha de Tóquio. E foi uma barbada. Na primeira rodada de votação, quando Madri foi eliminada, a capital japonesa teve 42 vontos, contra 26 de Isatambul e Madri (no desempate, os turcos ganharam por 49 a 45). Na rodada final, foi um massacre: 60 votos a Tóquio e 36 para Istambul.

Tóquio já mostra há anos competência em organizar grandes competições. Há uma tremenda valorização da cultura esportiva no povo japonês. Inclusive já realizou a edição dos Jogos Olímpicos de 1964, apenas 19 anos depois de ter sido praticamente destruído durante a 2ª Guerra Mundial, inclusive com duas bombas atômicas caindo em seu território. O Japão já organizou também duas Olimpíadas de inverno, em Sapporo 1972 e Nagano 1998, uma Copa do Mundo (em parceria com a Coreia do Sul, em 2002) e várias edições do Mundial de clubes da Fifa.

A vitória de Tóquio sinaliza, por fim, sinaliza que o COI não quis apostar numa grande novidade, como o fez com o Rio para 2016. Entre escolher uma candidatura de um país com muito a fazer em sua infraestrutura e arenas, além de estar no meio do furacão de um caldeirão geopolítico, como é o caso de Istambul, os cartolas do COI preferiam apostar em quem já está sua estrutura de transportes pronta e um plano seguro em suas arenas esportivas.

Como brincaram nas redes sociais, alguém deveria dar uma ideia ao COI e deixar os Jogos de 2016 para os japoneses e os de 2020 para o Rio de Janeiro. Galhofa à parte, como duvidar de um povo que um mês depois de um terremoto e tsunami, já conseguia reconstruir suas estradas e cidades?

Parabéns, Tóquio!

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sexta-feira, 6 de setembro de 2013 Candidaturas, Olimpíadas | 19:31

Como acompanhar a escolha da sede dos Jogos de 2020

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O Hotel Hilton, em Buenos Aires, será palco de importantes decisões do COI nos próximos quatro dias

O COI (Comitê Olímpico Internacional) promoverá a partir deste sábado aquela que talvez será a mais importante de suas Assembleias Gerais nos últimos anos. Numa incrível coincidência, em um intervalo de apenas quatro dias acontecerão votações fundamentais para o esporte olímpico mundial: a escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2020, a definição do último esporte para completar o programa olímpico e a eleição do novo presidente do COI. O iG Esporte produziu um especial sobre o tema, que pode ser acessado neste link aqui.

Veja também: Conheça o vídeo oficial das cidades que concorrem aos Jogos Olímpicos de 2020

Mas para quem quiser acompanhar ao vivo toda a movimentação e resultados da votação, direto do Hotel Hilton, em Buenos Aires, o COI disponibilizará um link em seu site, prometendo transmitir tudo em tempo real. Clique aqui para acompanhar as sessões. A primeira eleição (e sem dúvida a mais aguardada) será a escolha da cidade sede de 2020.

E como o blogueiro não gosta de ficar em cima do muro, aqui vão os meus palpites: serão eleitos Tóquio, luta olímpica e Thomaz Bach, respectivamente.

Abaixo, o calendário dos principais eventos da 125ª Assembleia Geral do COI:

Sábado – 7/9*

9h – 10h10 – Apresentação da candidatura de Istambul para os Jogos de 2020
10h25 – Coletiva de imprensa do comitê de candidatura de Istambul
10h30 – 11h40 – Apresentação da candidatura de Tóquio
11h55 – Coletiva de imprensa do comitê de Tóquio
12h – 13h10 – Apresentação da candidatura de Madri
13h25 – Coletiva de imprensa do comitê de Madri
15h45 – 16h – Votação para eleger a sede das Olimpíadas de 2020
17h – 17h30 – Cerimônia de anúncio da sede das Olimpíadas de 2020
18h30 – 19h – Assinatura do contrato da cidade sede com o COI, seguida de coletiva de imprensa

Domingo – 8/9*

10h30 – 11h – Apresentação da Confederação Internacional de Beisebol e Softbol
11h – 11h30 – Apresentação da Federação Mundial de Squash
11h30 – 12h – Apresentação da Federação Internacional de Lutas Associadas
12h – 12h45 – Votação para a inclusão da 26ª modalidade no programa esportivo dos Jogos Olímpicos

Terça-feira – 10/9*

9h30 – 10h15 – Eleição dos novos membros do COI
11h – 12h – Eleição do novo presidente do COI
12h30 – Cerimônia de anúncio do novo presidente do COI
16h40 – 16h50 – Discurso de despedida do presidente Jacques Rogge
18h30 – Coletiva de imprensa com o novo presidente do COI

* Horários de Brasília

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terça-feira, 3 de setembro de 2013 Candidaturas, Olimpíadas, Vídeos | 16:12

Conheça o vídeo oficial das cidades que concorrem aos Jogos Olímpicos de 2020

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O logotipo das três cidades que são candidatas a ser a sede dos Jogos de 2020

Neste sábado, será conhecido durante a 125ª Assembleia Geral do COI (Comitê Olímpico Internacional), que será realizada em Buenos Aires, a cidade que receberá a sedes dos Jogos Olímpicos de 2020. Após uma intensa campanha para conquistar os votos dos membros da entidade, contando inclusive com cabos eleitorais de peso como os craques de futebol Lionel Messi e Zico, saberemos se a vitória ficará com Istambul (Turquia), Tóquio (Japão) ou Madri (Espanha). Todas as previsões apontam como principal favorita a candidatura japonesa.

Confira abaixo o vídeo oficial que mostra um pouco de cada uma das três candidaturas que então na briga:

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013 Mundiais, Seleção brasileira | 23:26

As boas novas do esporte brasileiro não vieram apenas do judô

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As atenções no esporte olímpico do Brasil no último final de semana estavam concentradas no Campeonato Mundial de judô, como não poderia deixar de ser. Mas a despeito da bela campanha da equipe brasileira – em particular da fantástica participação da seleção feminina e seu recorde de cinco medalhas -, não foi apenas o tatame que trouxe boas novas.

O último final de semana deu ao Brasil dois novos campeões mundiais. E ambos com grande potencial para brilhar nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. No sábado, o jovem Jorge Zarif, de apenas 21 anos, conquistou o Mundial da classe Finn, disputado na raia de Tallin, na Estônia. Foi a primeira conquista brasileira na competição desde 1972, quando Jorg Bruder faturou o título. Zarif tornou-se ainda o mais jovem campeão mundial da Finn e sua vantagem sobre os adversários era tamanha que ele precisava apenas disputar a Medal Race para confirmar o título.

Jorge Zarif tornou-se o mais jovem campeão mundial da classe Finn

Outro brasileiro campeão mundial, ainda maiôs novo, apareceu na cidade alemã de Duisburg, onde aconteceu o Mundial de canoagem velocidade. Aos 19 anos, o baiano Isaquias Queiroz fez história ao tornar-se domingo o primeiro atleta do país a conquistar o título na categoria C1 500 m (prova não olímpica). E não foi só isso: ele ainda trouxe uma medalha de bronze na C1 1.000 m (esta sim prova olímpica), no sábado.

Isaquias deixou Duisburg com o título mundial no C1 500 m e o bronze nos C1 1.000m

Para ter uma ideia da boa fase pela qual passa Queiroz, revelado em um projeto social da Federação Baiana de Canoagem e pela Associação Cacaueira de Canoagem, ele venceu simplesmente todas as competições internacionais que participou em 2013. Para a CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem), Isaquias Queiroz é a principal aposta da modalidade para conquistar uma inédita medalha olímpica em 2016.

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domingo, 1 de setembro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Política esportiva | 11:40

COI não desmente documentos secretos, mas nega ‘sinal vermelho’ para 2016

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Projeto da arena de Deodoro, um dos pontos críticos apontados no relatório secreto do COI

Como não poderia deixar de ser, repercutiu como uma bomba a divulgação, por meio de reportagem exclusiva do jornalista Jamil Chade, de “O Estado de S. Paulo”, publicada neste sábado, sobre a existência de um relatório sigiloso que circula no COI (Comitê Olímpico Internacional). O documento, segundo a reportagem, diz, com todas as letras, que os Jogos Olímpicos de 2016, marcados para o Rio, correm risco em razão de atrasos nas obras das arenas, problemas na infraestrutura de transporte da cidade, déficit no número de quartos de hotel, falta de recursos de patrocinadores, entre vários pontos abordados. Estaria, portanto, segundo o tal documento, ligado o sinal vermelho para o Rio 2016.

Se confirmada a existência de tal relatório – e não tenho a menor razão para duvidar disso, conhecendo a seriedade e competência de Jamil Chade –, será o maior golpe recebido pela organização das próximas Olimpíadas, faltando menos de três anos para o evento acontecer. A partir deste domingo, quando a comissão de coordenação do COI estiver reunida no Rio, o clima certamente não será de amenidades. A cobrança deverá ser forte e pesada em cima dos integrantes do Rio 2016.

Procurado pelo blog ainda no sábado, o COI tratou de botar panos quentes na polêmica. Neste domingo, Andrew Mitchell, porta-voz da entidade, não negou a existência de um “documento sigiloso” que trata dos problemas do Rio 2016, mas fez questão de tirar o peso das informações que estão contidas nele. “Produzimos uma série de documentos em nossas reuniões, que são usados para orientar as discussões. Estes documentos são produzidos com base em critérios diferentes e você não pode simplesmente somar as cores com as quais eles são classificados para dizer que há questões importantes em áreas específicas”, explicou Mitchell, por email.

O porta-voz disse ainda que a envergadura de um projeto como o da organização dos Jogos de 2016 permite diferentes estágios de avaliação do COI. “É padrão para as comissões organizadoras ter diferentes padrões de cor durante os preparativos, como forma de separar os estágios de determinados setores da organização dos Jogos. E neste caso, pode ocorrer que alguns pontos fiquem na condição ‘vermelho’ até o final do período de preparação, embora eles serão entregues de acordo com o que foi planejado”, afirmou Mitchell, lembrando que mais informações serão fornecidas durante entrevista coletiva desta segunda-feira com a presidente da comissão de coordenação, a marroquina Nawal El Moutawakel.

Por uma infeliz coincidência, tudo isso ocorreu na mesma semana em que o Rio de Janeiro teve seu único laboratório reconhecido pela Wada (agência mundial antidoping) descredenciado, após uma série de falhas, criando uma enorme dor de cabeça para os organizadores e o próprio governo brasileiro. Afinal, é no Ladetec que seriam realizados todos os exames de dopagem das Olimpíadas e Paraolimpíadas, algo em torne de seis mil análises, no mínimo. A batalha agora é que o recredenciamento ocorra a tempo dos Jogos.

É bom, portanto, que tanto o prefeito do Rio, Eduardo Paes – que acha que vai tudo bem com a organização das Olimpíadas – e Carlos Nuzman, presidente do Rio 2016, estejam preparados, pois o COI deverá ser bem mais contundente com as cobranças desta vez.

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