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quarta-feira, 24 de abril de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 17:05

Boxe feminino brasileiro vive clima de guerra

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Adriana Araújo conquistou em Londres a primeira medalha para o boxe feminino do Brasil

O boxe brasileiro viveu um momento mágico nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, quando quebrou um jejum de 44 anos sem medalhas. Foram três pódios (uma de prata e duas de bronze), um deles justamente na estreia da categoria feminina. Mesmo depois de tudo isso, a modalidade passa por uma crise. E pelo visto, uma crise que dificilmente se resolverá facilmente.

O clima de guerra está armado no feminino, por conta da dispensa das três integrantes da equipe que foi a Londres, entre elas Adriana Araújo, dona da medalha de bronze na categoria até 60 kg. As outras que não foram incluídas na equipe que inicia um novo ciclo olímpico foram Roseli Feitosa (até 75kg) e Erika Matos (até 51 kg). Elas alegam que não tinham sido informadas e que ficaram sabendo quando viram que o pagamento do contrato de patrocínio da Petrobras não havia caído na conta. A CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe) contesta a informação.

Na verdade, o maior foco da crise está entre Adriana e a CBBoxe. Logo após ter garantido sua medalha de bronze, Adriana saiu disparando contra a entidade, em especial contra o presidente Mauro Silva. “Essa medalha é para calar a boca dele. Ele tentou me tirar da seleção, disse que eu não me classificaria e que não tinha condições de estar aqui. Mas vim e conquistei a medalha de bronze. Ele precisa aprender a valorizar os atletas do Brasil”, disse Adriana após a derrota na semifinal olímpica contra Sofya Ochigava (RUS), quando garantiu o bronze.

Segundo Silva, o problema do corte de Adriana foi sua falta de comprometimento e resistência em treinar em São Paulo. “Ela queria ficar na Bahia, com o técnico dela, mas em janeiro apresentou-se 14 kg mais gorda. Já tínhamos permitido isso outras duas vezes e os resultados foram terríveis”, disse o dirigente, através de sua assessoria de imprensa, em contato com o blog. As dispensas de Roseli e Erika ocorreram por deficiência técnica.

A confederação também nega que as atletas tenham sido pegas de surpresa com o corte. Segundo a assessoria de imprensa, após elas se apresentarem com o restante da equipe, em janeiro, foram avaliadas pela comissão técnica e dispensadas para voltar para casa, onde teriam que aguardar uma nova convocação, que não aconteceu. O vencimento do contrato de patrocínio delas ocorreu em abril e até então, receberam normalmente os salários.

No ano passado, logo após as críticas feitas por Adriana Araújo ainda em Londres, o iG ouviu outras pessoas ligadas ao boxe, entre eles o medalhista olímpico Servílio de Oliveira, que contestavam métodos e atitudes de Mauro Silva. Outro que critica o presidente da CBBoxe é Luiz Dórea, treinador de Adriana na Bahia e que também orienta Junior Cigano.

O pior é ver que o clima entre as duas partes não parece que irá se calmar tão facilmente assim. E o maior perdedor de tudo isso é o boxe brasileiro, que fica sem uma de suas melhores lutadoras, ao menos por enquanto.

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quarta-feira, 30 de março de 2011 Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 18:42

As pioneiras do Brasil

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Roseli Feitosa tambén foi eleita a melhor atleta do Pré-Pan da Venezuela

Ainda não se pode prever qual será o impacto da liberação do boxe feminino nas competições olímpicas. Mas uma coisa é certa: no Brasil, é inegável que a modalidade ganhará repercussão e provavelmente novas adeptas, a começar após a  participação nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro próximo. E duas lutadoras já podem se orgulhar de terem feito história, no primeiro Pré-Pan da modalidade, encerrado em Cumana, na Venezuela: Adriana Araújo (categoria até 60kg) e Roseli Feitosa (categoria até 75kg).

Adriana e Roseli são as primeiras mulheres brasileiras do boxe com participação assegurada  em uma competição poliesportiva. Não se trata de pouca coisa, se lembrarmos que até pouco tempo atrás o boxe feminino era visto como uma espécie de aberração esportiva, somente para atrair a atenção de um público machista, que não estava preocupado com a qualidade técnica do espetáculo e sim pelo fato de ter duas mulheres trocando socos em cima de um ringue.

Há uma semana, o presidente da CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe), Mauro Silva, havia me dito que botava muita fé na equipe feminina, especialmente em Roseli e Adriana, que em sua opinião irão brigar pela medalha de ouro em Guadalajara.  Sinceramente, achei que o dirigente estava um pouco otimista demais, a despeito de Roseli ser a líder do ranking mundial das meio-pesados (até 81kg) e  e Adriana ter várias medalhas conquistadas em pan-americanos da modalidade, entre os pesos leve.

Mas os resultados do Pré-Pan venezuelano mostraram que Silva tinha razão.  Primeiro porque as duas ganharam as únicas medalhas de ouro do Brasil no torneio. Depois, pela forma com que chegaram ao título. Na final dos leves, Adriano Araújo não deu a menor chance à Kiria Tapia, de Porto Rico, ganhando por 13 a 3 na decisão dos jurados. Roseli, em uma categoria abaixo da sua (peso médio) superou nada menos do que a atual campeã mundial, a canadense Mary Spencer, por 15 a 9. De quebra, ainda foi eleita a revelação do Pré-Pan e a melhor atleta da competição (incluindo nesta lista homens e mulheres).

O mais importante, contudo, é que Roseli e Adriana já fazem parte da  história no esporte olímpico brasileiro.

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