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Posts com a Tag Roberto Gesta de Melo

segunda-feira, 19 de maio de 2014 Imagens Olímpicas | 22:45

Exposição em SP traz duas mil peças ligadas ao esporte

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Tocha das Olimpíadas de Moscou 1980, que estará exposta na mostra "Esporte Movimento"

Tocha das Olimpíadas de Moscou 1980

Começa nesta terça-feira, na sede da Caixa Cultural São Paulo, na capital paulista, a exposição “Esporte Movimento”. A mostra é um prato cheio para quem é fanático por esportes, trazendo mais de duas mil peças ligadas às mais variadas competições e modalidades esportivas.

Com itens do acervo particular do ex-presidente da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), Roberto Gesta de Melo, a exposição mostrará selos, moedas, troféus, tochas, fotografias, vídeos, medalhas e demais objetos ligados ao esporte. Uma das tochas utilizadas no revezamento da tocha das Olimpíadas de Moscou faz parte da mostra.

Nesta terça, apenas para convidados, a exposição estará aberta entre 11h e 13h30. Depois, irá funcionar de terça a domingo, das 9h às 19h, até o dia 20 de julho. A Caixa Cultural São Paulo fica na Praça da Sé 111, centro de São Paulo.

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013 Ídolos, Olimpíadas | 17:31

É impossível estabelecer o preço dos ouros de Jesse Owens

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A medalha de Jesse Owens que foi à leilão no último domingo

A medalha de Owens que foi à leilão no último domingo por mais de R$ 3,4 milhões

Imagine você, caro(a) leitor(a), ganhando um destes prêmios estratosféricos da Mega Sena acumulada e resolva, por ser um(a) apreciador(a) dos esportes olímpicos, comprar um ítem histórico para sua coleção particular, uma medalha de ouro de um grande ídolo. E digamos que para ter esse objeto você resolva gastar mais de R$ 2 milhões (não se esqueça que você está tão rico(a) quanto o Tio Patinhas). Aí eu pergunto: será que você pagou pouco ou muito por seu mimo olímpico?

A minha resposta, curta e grossa, é a seguinte: sim e não. Antes que esse(a) imaginário(a) internauta me chame de louco, explico que é impossível estabelecer o valor exato de uma medalha olímpica. Por isso, é perfeitamente natural considerar que o valor de US$ 1.466.574 (cerca de R$ 3,4 milhões), pago por um dos donos do Pittsburgh Penguins, da NHL (liga americana de hóquei no gelo) foi até pequeno para comprar uma das medalhas de ouro obtidas por Jesse Owens nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. O leilão foi concluído no domingo, mas não foi especificada qual das provas a medalha comprada pertencia – Owens foi ouro nos 100 m, 200 m, revezamento 4 x 100 m e salto em distância.

Nada contra as excentricidades de um milionário. Quem tem dinheiro faz dele o que quiser. Aqui no Brasil, temos um colecionador de objetos olímpicos, o ex-presidente da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), Roberto Gesta de Mello, dono de um mini-museu olímpico em Manaus, cidade onde mora. São centenas de peças ligadas à história olímpica, entre elas as medalhas de ouro obtidas por Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo, em Helsinque 1952 e Melbourne 1956.

O caso de Owens, porém, é emblemático. Descendente de escravos americanos,  ele conquistou esta medalha diante do ditador mais repugnante da história moderna, o nazista Adolf Hitler, derrotando através do esporte a hedionda política de superioridade da raça ariana. Só que a medalha nem pertencia mais aos herdeiros do herói americano, que a presenteou a um amigo, cuja viúva decidiu leiloar a peça histórica. Quanto às demais, o paradeiro é desconhecido.

Por isso, por mais dinheiro que tenha em sua conta bancária o sócio do Pittsburgh Penguins, essa medalha jamais deveria estar hoje em sua casa. Pelo seu valor histórico, pela importância do homem que a ganhou, deveria pertencer ao museu do COI (Comitê Olímpico Internacional), para a apreciação pública. Ao contrário, tornou-se um caro capricho para a coleção pessoal de um milionário.

A histórica olímpica, porém, ficou mais pobre.

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terça-feira, 17 de setembro de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Política esportiva | 19:52

A maior vitória do esporte brasileiro. Só falta Dilma assinar

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Ex-atletas brasileiros se reúnem com o senador Renan Calheiros, presidente do Senado, antes da votação histórica desta terça-feira

Atenção para estes números:

– Coaracy Nunes, presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) desde 1988;
– Ary Graça, ainda presidente da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) desde 1995, embora afastado por conta de sua eleição para comandar a FIVB (Federação Internacional de Vôlei);
– Roberto Gesta de Melo, presidente da CBAt de 1987 até 2013, quando entregou o cargo para José Antonio Fernandes;
– Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) desde 1996

A partir desta terça-feira, o esporte brasileiro não servirá mais de “capitanias hereditárias” de um seleto grupo de cartolas, como os citados acima.  Com a aprovação no Senado Federal da MP 620/2013,  de forma unânime, está limitada a apenas uma reeleição sem sair do cargo o mandato dos dirigentes de entidades esportivas que recebem verbas públicas. Na semana passada, a MP já havia sido aprovada na Câmara Federal.

Os exemplos acima foram apenas ilustrativos, mas a maioria esmagadora das entidades esportivas do Brasil, em todos os níveis, passam pela mesma situação vergonhosa, onde poucos detém o poder e não querem largar o osso.

Com a aprovação, falta apenas a sanção da presidenta Dilma Rousseff.

Trata-se da maior vitória do esporte brasileiro, não tenham dúvida disso. A democracia chegou às quadras, pistas, ginásios e campos e isso terá reflexo profundo no que irá se transformar o modelo esportivo do país nos próximos anos.

Vitória que só foi possível graças à mobilização do movimento “Atletas pelo Brasil”, que reuniu nomes de peso do esporte nacional, como Ana Moser (que preside a entidade), Raí, Gustavo Kuerten, Mauro Silva e Hortência, que estiveram acompanhando a votação.

O esporte do Brasil irá dormir bem mais leve e alegre neste histórico 17 de setembro.

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domingo, 18 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 16:04

As lições que o Mundial de Moscou deixa ao atletismo do Brasil

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Vanda Gomes se desespera ao deixar cair o bastão passado por Franciela Krasucki

A foto que abre este post ilustra, de forma lamentável, a participação brasileira no 14º Campeonato Mundial de atletismo, encerrado neste domingo em Moscou. O erro patético na última passagem do bastão do revezamento 4 x 100 m feminino, que custou uma quase certa medalha (a única) ao Brasil neste Mundial, foi apenas a cereja no bolo. Há muito mais o que se lamentar no saldo final destes últimos dez dias na Rússia.

Em primeiro lugar, ninguém pode alegar surpresa com o fraco desempenho dos atletas brasileiros. Muito menos os dirigentes da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo). No final de julho, a entidade reuniu os jornalistas em sua sede em São Paulo, para uma entrevista coletiva, e foi bem sincera ao falar sobre os objetivos neste Mundial: alcançar o maior número de finais possíveis.

Pois bem, o Brasil chegou a seis finais em Moscou: salto com vara masculino (Augusto Dutra, em 11º); salto com vara feminino (Fabiana Murer, em 5º); 400m masculino (Anderson Henriques, em 8º); salto em distância masculino (Mauro Vinícius da Silva, em 5º); revezamento 4 x 400m masculino (7º lugar); e revezamento 4 x 100m feminino (não terminou a prova). Decatlo e maratona masculina, que não têm finais, não chegaram ao pódio mas tiveram bons resultados individuais.

A questão é que nem mesmo o objetivo inicial a CBAt alcançou. Isso porque a campanha em Moscou, em termos de presença em finais, foi ABSOLUTAMENTE IDÊNTICA a dos dois Mundiais anteriores, em Daegu/2011 e Berlim/2009, quando os brasileiros também alcançaram seis finais. Pior é saber que na Coreia do Sul, há dois anos, o Brasil ainda conseguiu um ouro (com Fabiana Murer). Muito pior ainda é que em 2007, no Mundial de Osaka, o Brasil marcou presença em sete finais e ainda voltou com uma medalha de prata – Jadel Gregório, no salto triplo.

A verdade, nua e crua, é uma só: o atletismo brasileiro “involuiu”.

Não tenho a menor dúvida que boa parte desta decadência precisa ser creditada aos quase 30 anos em que Roberto Gesta de Melo esteve à frente da CBAt. Alguns mais apressados poderão sair em defesa do cartola e dizer que medalhas foram conquistadas neste período, inclusive uma de ouro nas Olimpíadas de Pequim 2008, com Maurren Maggi no salto em distância. Óbvio, se você fica tanto tempo no cargo, aumenta as suas chances de conseguir resultados.

Nunca o atletismo teve tanto dinheiro como agora. Somados patrocínio da Caixa Econômica Federal, Lei Agnelo/Piva e outras fontes de renda, são quase R$ 31 milhões/ano. É muito dinheiro, convenhamos. Não se pode falar em falta de recursos. Prefiro falar em recursos mal aplicados, extremamente mal aplicados.

O atletismo do Brasil, por incrível que pareça, consegue grandes resultados nas categorias de base, inclusive títulos mundiais. Mas na hora de colocar estes novos talentos para competir na categoria adulta, os resultados simplesmente desaparecem. Estamos vivendo hoje de uma geração envelhecida, que está chegando ao final da carreira, com outra que não consegue mostrar seu potencial na hora da verdade, seja por falta de suporte psicológico ou limitação técnica mesmo.

Por fim, há que se cobrar também de quem comanda. A comissão técnica do Brasil tem muito que explicar ao final deste Mundial. O país já vinha de uma participação anêmica nas Olimpíadas de Londres 2012, quando passou sem medalhas pela primeira vez em 20 anos, e repete a dose exatamente um ano depois.

E como a última impressão é a que fica, é necessário que alguém dê uma boa justificativa para a escalação do time na final do revezamento, quando não correu Rosângela Santos, mais entrosada, e em seu lugar apareceu Vanda Gomes, justamente a que derrubou o bastão na passagem final.

O novo presidente da CBAt, José Antonio Fernandes, que assumiu este ano, terá muito trabalho para colocar o atletismo nos trilhos. E é bom avisar: para 2016, nas Olimpíadas do Rio, a realidade não será muito diferente dessa aí que vimos em Moscou.

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quarta-feira, 2 de maio de 2012 Imprensa, Isso é Brasil | 17:57

É proibido ter oposição no COB?

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Carlos Arthur Nuzman completará 21 anos à frente da presidência do COB em 2016

Nesta última segunda-feira, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) emitiu um comunicado anunciando que somente uma chapa fora inscrita para concorrer às eleições da entidade, que ocorrerão em data a ser definida, no último trimestre deste ano. Por uma incrível coincidência, a chapa é encabeçada pelo atual presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman, e terá como vice André Richer, atual ocupante do cargo.

Como é chapa única, Nuzman vencerá o pleito e completará nada menos do que 21 anos no comando do COB em 2016, ano em que se encerrará o próximo mandato.

O que me deixa com um caminhão de pulgas atrás da orelha é o fato de não existir oposição no COB. Nunca. Sempre as eleições são por aclamação, lembrando que a unanimidade, parafraseando Nelson Rodrigues, nem sempre é sinônimo de inteligência.

Só que desta vez houve quem se colocasse contra à gestão Nuzman: segundo informou o advogado e blogueiro Alberto Murray Neto, ex-membro da Assembleia Geral do COB e eterno opositor do dirigente, o presidente da CBDG (Confederação Brasileira de Desportos de Gelo), Eric Maleson, registrou sua candidatura à presidência do COB, dentro do prazo legal, na própria segunda-feira (30/4). Candidatura essa que foi rejeitada, por não atender aos requisitos regimentais da entidade, como por exemplo, o de não contar com o apoio de pelo menos dez confederações.

Além dele, um outro presidente de confederação também não assinou o documento de apoio a Nuzman: Alaor Azevedo, da CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa), que em janeiro chegou a ser apontado como nome de consenso para diminuir o descontentamento de algumas confederações com a atual gestão do COB.

Só dois dirigentes manifestaram oposição aberta a Carlos Arthur Nuzman, contra 28 que apoiam declaradamente nova reeleição do dirigente.

Será que é proibido ter oposição lá no COB? Afinal, até em grêmio estudantil o continuísmo não é considerado como algo positivo. A alternância no poder é sempre saudável. A linha que separa o excessivo apego ao poder da ditadura é tênue demais.

Até compreendo que o atual grupo que comanda o COB queira continuar no poder. Faz parte do jogo político. E para ter apoio da maioria absoluta do colégio eleitoral, é provável que coisas positivas estejam sendo feitas. Ao menos na visão destes cartolas que apoiam este continuísmo.

O que não dá pra aceitar é que Nuzman queira empalar MAIS UM MANDATO. Vinte e um anos é tempo demais. Nem Roberto Gesta de Melo irá continuar na presidência da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) ao final deste ano, cargo que ocupava desde 1987. Coloque alguém de seu grupo, o que já significaria uma nova cabeça no comando da entidade. Mas ele não quer sair da cadeira de forma alguma. Sabe como é, tem os Jogos do Rio, em 2016 (onde ele também ocupa o cargo de presidente do comitê organziador, é bom lembrar).

O Brasil vem sendo considerado exemplo de evolução em vários setores, como melhor qualidade de vida, aumento no nível de emprego para as camadas mais baixas da população, melhoria nos índices sociais, Mas ainda tem muito a aprender a transformar a vida política de suas entidades esportivas numa autêntica democracia.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 16:24

Como é bom ser dirigente esportivo no Brasil

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Nuzman deverá emplacar outro mandato na presidência do COB

Sabe, chega um determinado momento da sua vida em que todo mundo precisa fazer uma reflexão. E este momento surgiu para mim exatamente nesta quarta-feira, quando cheguei à conclusão que estou perdendo tempo nesta vida de jornalista especializado em esportes. Este negócio de plantões de final de semana, feriados, decisões de campeonatos, olimpíadas, tudo isso aí não está com nada. Eu deveria mesmo ter seguida a carreira de cartola esportivo. De preferência, presidente de alguma federação ou confederação.

Foram bastante prestativas na ajuda para eu chegar a esta conclusão duas notícias que repercutiram nesta quarta: uma, publicada no UOL, dando conta que Carlos Arthur Nuzman, em recente reunião com presidentes de confederações, garantiu o apoio necessário para permanecer no comando do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), pelo menos até 2016, quando serão realizados os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

A outra, que saiu na edição da Folha de S. Paulo, conta que o presidente da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), Jorge Lacerda – cuja gestão está sendo alvo de investigação da Polícia Federal para apurar desvio de recursos públicos em suas contas, segundo a “Folha” – tentará alterar o estatuto da entidade para ficar à frente da entidade até depois dos Jogos de 2016.

Chega a ser tocante tamanho desprendimento e dedicação destas pessoas para ocupar cargos não remunerados e deixar de lado suas atividades profissionais. Além disso, sacrificar anos de convívio com amigos e familiares, tudo em prol do desenvolvimento do esporte, não é mesmo?

Com este nova reeleição, Nuzman completará mais de duas décadas, 21 anos para ser mais preciso, no comando do COB. Lacerda, caso seu pleito seja acatado pela Assembleia Geral da CBT, irá superar os dez anos à frente da entidade. Até mesmo o competente e vitorioso vôlei não tem no processo democrático um exemplo a ser destacado, pois Ary Graça preside a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) desde 1995.

Claro que os dois não se comparam a outros campeões de longevidade no esporte brasileiro: Coaracy Nunes comanda a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) desde 1988, um ano a menos do que Roberto Gesta de Melo, que ocupa a presidência da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) desde 1987. Sem falar em Renato Pera, presidente da FPV (Federação Paulista de Vôlei) desde os tempos das corridas de biga de Ben-Hur.

Justiça seja feita, Gesta de Melo já anunciou publicamente que 2012 será seu último ano no comando da CBAt.

Para esta turma, coisas como democracia, alternância salutar no poder etc não passam de bobagens criadas por jornalistas que gostam de procurar chifre em cabeça de cavalo.

Como se vê nos exemplos acima, não tem profissão no Brasil que seja melhor do que cartola esportivo. Afinal, ninguém brigaria tanto para se manter no poder se a boquinha não fosse boa, não é mesmo?

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 11:32

Cartola do tênis de mesa pode ser a solução para Nuzman

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Alaor de Azevedo discursa antes de um campeonato colegial, em São Bernardo do Campo

Ainda repercute bastante a notícia de que Carlos Arthur Nuzman deverá deixar a presidência do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), publicada no blog do jornalista Juca Kfouri. O COI (Comitê Olímpico Internacional), de acordo com o blog de Kfouri, não aceita que Nuzman acumule tanto a presidência do COB como a do Co-Rio, o comitê organizador das Olimpíadas do Rio 2016, e estaria pressionando o dirigente brasileiro a optar por um dos cargos.

Mas o próprio Nuzman já articula uma forma de tentar abafar o movimento de oposição dentro do COB, onde algumas confederações já manifestaram (de forma tímida, é verdade) descontentamento com a atual gestão da entidade. Se a saída de Nuzman for confirmada, o dirigente já sabe como tentar impedir o crescimento do movimento dos descontentes: colocar um deles na futura chapa para as eleições de outubro. E o nome seria de Alaor de Azevedo, presidente da CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa), que já fez críticas públicas à forma com que o dinheiro da lei das loterias é distribuído pelo COB.

Veja também: E se acabar a luz na cerimônia de abertura?

“As Confederações hesitam, mesmo aquelas que estão descontentes com o Nuzman. Mas Nuzman também não quer correr riscos. Então a possibilidade de entregar a vice-presidência ao Alaor, que tem feito críticas públicas ao Nuzman”, afirma o advogado Alberto Murray Neto, ex-membro da Assembleia Geral do COB, neto do ex-presidente do COB Sylvio de Magalhães Padilha e que se tornou um crítico permanente à atual gestão de Carlos Nuzman. Murray fez uma bela análise da situação atual da entidade em seu blog.

O candidato de Nuzman para o caso de sucessão compulsória seria Ary Graça, presidente da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), mas como ele concorre à presidência da FIVB (Federação Internacional de Vôlei), pode não aceitar a indicação. E Murray entende que Nuzman não terá alternativa que não seja deixar um dos dois cargos que ocupa atualmente. “A possibilidade é real. Há tempos eu também tenho a informação de que o COI o pressionava para optar entre o COB e o Co-Rio. Não é comum e nem recomendável o acumulo dos cargos. Para Nuzman permanecer em ambos os cargos, teria que peitar o COI. E acho que ele não fará isso”.

Por isso, argumenta Murray, a indicação de Alaor de Azevedo pode servir como uma espécie de “tábua de salvação” e não deixar crescer o movimento oposicionista. Até porque Nuzman está impedido pelo próprio estatuto do COB de colocar o seu candidato preferido, Marcus Vinícius Freire, que não é membro da Assembleia Geral (condição obrigatória para ser presidente), mas funcionário remunerado (ele é o superintendente executivo de esportes da entidade).

Leia também: Ouro inédito no boxe mostra que há vida além do COB

“A chapa com o Alaor neutralizaria completamente a oposição. Se vingar a chapa Ary e Alaor, isso significa que será porque o estatuto não mudou (senão o candidato seria o Marcus Vinicius). E se o estatuto não mudar, somente pode ser candidato a presidente e vice quem estiver em um poderes do COB por pelo menos cinco anos. Então os candidatos ficam restritos a um grupo muito pequeno”, analisa Murray.

E se Ary Graça não quiser concorrer ao cargo? “Aí será um grande problema para o Nuzman. Acho que o Roberto Gesta de Melo [presidente da Confederação Brasileira de Atletismo] seria uma opção para o Nuzman, mas ele não é bem aceito dentro do COB. Aí o Alaor tentaria sair como presidente. Outro que tem pretensões no COB, modestas é verdade, é o Coaracy Nunes [presidente da Confederação de Desportos Aquáticos]”, disse Murray.

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