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Posts com a Tag Rio 2016

quarta-feira, 6 de março de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Olimpíadas | 11:40

A culpa pelos ginastas desempregados não é (só) do Flamengo

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Jade Barbosa, Diego e Daniele Hypólito falam sobre o fim da equipe de ginástica do Flamengo

Um drama recorrente no esporte brasileiro, a cena de ver atletas olímpicos de alto rendimento sem clube é sempre triste e revoltante. Quando isso ocorre em pleno ciclo olímpico para as Olimpíadas que serão organizadas no próprio país, no Rio de Janeiro, em 2016, o caso é ainda mais dramático. Não foi diferente, portanto, o sentimento que me tomou ao ver a revolta e perplexidade dos integrantes da equipe de ginástica do Flamengo, ao tomarem conhecimento da decisão do clube em acabar com o patrocínio da modalidade, ocorrido nesta terça-feira.

Além dos ginastas – entre eles algumas das estrelas da modalidade no Brasil, como os irmãos Diego e Daniele Hypólito, Jade Barbosa e Sérgio Sasaki – a equipe de judô também foi desativada. Seguiram o mesmo caminho da equipe de natação, cuja maior estrela era Cesar Cielo, fechada no final de 2012.

Os culpados por mais este crime no esporte olímpico brasileiro são vários, não se pode apontar o dedo apenas para um deles.

O primeiro culpado é o clube. É claro que o Flamengo tomou esta decisão pensando apenas na planilha de custos. Ninguém em seu juízo perfeito sairia fechando equipes olímpicas, com atletas de ponta e ídolos em suas modalidades, cujo retorno de imagem é sempre o maior possível. A decisão foi estritamente do ponto de vista de dinheiro.

O Flamengo é um clube com problemas financeiros históricos, fruto de gestões pífias e incompetentes. Mas o maior pecado dos dirigentes rubro-negros foi anunciar esta decisão EM MARÇO, com o segundo trimestre do ano em pleno andamento. Quando a natação acabou, em dezembro de 2012, já estava na cara que os demais esportes olímpicos teriam o mesmo fim. Agora, no primeiro ano do ciclo olímpico, estes atletas terão inúmeras dificuldades para encontrar um novo clube.

O segundo culpado é o governo, na figura do Ministério do Esporte. A falta de uma política esportiva ampla, que não seja preocupada apenas com grandes eventos ou programas de incentivo que muitas vezes demoram para alcançar o atleta, também é responsável pelo drama dos ginastas, judocas e nadadores flamenguistas.

Só para lembrar: no ano passado, com toda pompa, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a criação do Bolsa Pódio, programa que promete repassar até R$ 1 bilhão até 2016 a atletas, treinadores, preparadores físicos etc. O valor individual pode chegar até a R$ 15 mil/mês, dependendo de cada atleta. Mas até agora, ficou só na promessa. Dizem que as inscrições serão abertas agora em março. Dizem…

Por fim, o terceiro culpado é o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Por mais que a entidade diga que não tem responsabilidade na gestão das modalidades  (tarefa que segundo ele pertence às confederações), o COB é quem comanda o esporte brasileiro. E desde 2003, passou a ter a chave do cofre, quando começou a receber os recursos da Lei Agnelo/Piva. Nunca o esporte do Brasil teve tanto dinheiro. Mas o COB falha ao não cobrar as entidades de uma forma mais contundente.

A única certeza é que entra tantos culpados, os atletas olímpicos desempregados do Flamengo são as grandes vítimas. Triste filme repetido tantas vezes.

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segunda-feira, 4 de março de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas | 15:04

A "cidade olímpica" e o choro de Monica

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A atleta dos saltos ornamentais, Monica Lages, chora ao falar sobre a demolição do Julio Delamare

Aquilo que seria o sonho de qualquer atleta, ter a realização de uma edição dos Jogos Olímpicos em sua cidade, está se transformando em um pesadelo em relação ao Rio de Janeiro, que se prepara para receber as Olimpíadas de 2016. Depois do drama vivido pelos integrantes do ciclismo, com o inacreditável fechamento de um milionário velódromo, e especialmente do atletismo, com a quase certa demolição do tradicional Célio de Barros, o sufoco chega agora aos atletas que treinam no Parque Aquático Júlio Delamare.

Em comum com os colegas do atletismo, os nadadores terão o antigo complexo, também localizado ao lado do Estádio do Maracanã, colocado abaixo para que em lugar seja construído um estacionamento e um shopping. O acordo de privatização do estádio, palco da final da Copa do Mundo de 2014, já prevê a demolição das duas instalações tradicionais do Rio de Janeiro.

Na última sexta-feira, o Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas realizou um seminário na sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), chamado “O Maraca é nosso”. Entre os depoimentos, destacou-se o emocionante relato da atleta de saltos ornamentais Monica Lages do Amaral, de 17 anos, integrante da seleção brasileira da modalidade. Leia abaixo e reflita.

“Estou há 13 anos treinando diariamente. Tão perto das Olimpíadas na minha cidade, que pode ser a minha primeira, o processo vai ser interrompido. Querem passar a gente para o (Parque Aquático) Maria Lenk, mas lá não tem estrutura para os saltos. Só que não há ninguém preocupado com isso além da gente. O foco para 2016 não está em medalhas, mas no dinheiro”

Diante do que disse a jovem Monica, fica a pergunta no ar: dá pra levar a sério um país (ou uma cidade) que destrói sonhos de seus atletas apenas para atender a interesses nada edificantes?

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 14:36

Novidade na (des)organização do Rio 2016: esportes sem teto

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Imagem da provável arena provisória para os saltos ornamentais de 2016, no Forte de Copacabana

A recente visita da comissão de coordenação do COI (Comitê Olímpico Internacional) para as Olimpíadas de 2016,  que se encerra nesta quarta-feira, no Rio, ganhou de presente uma desagradável notícia: cinco modalidades que serão disputadas nas próximas Olimpíadas ainda estão com seus locais de competição indefinidos. A 1.262 dias para a abertura dos Jogos, estes esportes estão, literalmente, sem teto.

Reportagem desta quarta-feira do jornal Folha de S. Paulo mostra que o Rio 2016 ainda não sabe onde ocorrerão as disputas do basquete, esgrima, hóquei na grama, rúgbi e saltos ornamentais. Este último, por exemplo, tem como sugestão proposta pelo comitê organizador ser disputado em uma arena provisória, montada no Forte de Copacabana. Isso porque a Fina (Federação Internacional de Natação) solicitou que o complexo do Maria Lenk – aquele que custou R$ 85 milhões na época de sua construção, no Pan 2007, para ter “padrão olímpico” – receba somente os jogos do polo aquático.

Detalhe importante: o valor desta arena provisória não foi orçado ainda…

O basquete, segundo o Rio 2016, precisaria ter alguns de seus jogos marcados na arena que será construída no Parque Olímpico transferidos para o ginásio do Complexo de Deodoro, a 19 km de distância. Só que esta mudança atrapalharia a disputa da esgrima, que precisaria ser acomodado de acordo com o calendário.

O hóquei na grama está num impasse. Originalmente, a disputa ocorreria em Deodoro, mas a federação internacional da modalidade quer que seja realizado no Parque Olímpico, para ter mais visibilidade, pedido negado pelos organizadores. Ou seja, impasse à vista. Pior ainda está o rúgbi seven, modalidade que estreia no programa olímpico em 2016. Inicialmente, as partidas aconteceriam em São Januário, mas o local foi vetado por não apresentar garantias financeiras para as reformas. O Rio 2016 ofereceu o estádio do Bangu, em Moça Bonita. Os dirigentes ainda não se manifestaram a respeito.

E sempre vale recordar que há ainda uma bela indefinição a respeito do local de construção do campo de golfe. O atraso no início das obras envolve inclusive uma complicada disputa judicial.

O tal cartão amarelo que o Jacques Rogge disse não esperar dar ao Rio 2016, pelo jeito, poderá ser mostrado mais cedo do que se imagina.

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 19:47

Rio 2016 será cobrado por atraso nas obras do golfe

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O campo de golfe de 2016 será construído na Barra da Tijuca, na reserva de Marapendi

Começou nesta segunda-feira a quarta visita da comissão de coordenação do COI (Comitê Olímpico Internacional) para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Até a próxima quarta-feira, os integrantes do CoCom (sigla do órgão em inglês) discutirão com os integrantes do comitê organizador brasileiro, o Rio 2016, o andamento dos preparativos para os Jogos. Mas haverá na pauta um tema que deverá ser tratado e será bastante espinhoso: explicações para o atraso nas obras do campo de golfe, modalidade que volta ao programa olímpico justamente no Rio de Janeiro.

Segundo o site “Around the Rings”, portal que acompanha de perto tudo o que acontece no movimento olímpico, as indefinições para o começo da obra já estão preocupando tanto o COI quanto a IGF (Federação Internacional de Golfe).  “Estamos muito preocupados com o atraso na construção do campo de golfe para os Jogos. O tempo é curto para que se construa um campo dentro dos padrões adequados”, disse ao site Antony Scanlon, diretor-executivo da IGF. Sacanlon disse ainda que o COI já está ciente dos temores da entidade e que a sua entidade espera que a comissão do COI cobre uma explicação dos organizadores brasileiros.

Não será uma tarefa fácil conseguir algum prazo mais exato para que as obras saiam do papel. O campo de golfe de 2016 será construído em uma área na reserva de Marapendi, na Barra da Tijuca, em um terreno onde existe uma longa disputa judicial. A Elmway Participações alega ser dona do local, mas a prefeitura diz que o terreno pertence ao empresário Pasquale Mauro.

Em outubro do ano passado, a empresa conseguiu uma liminar para impedir o início das obras antes que uma decisão definitiva do caso seja conhecida.

O “estranho” no caso é que o Rio já possuí dois campos aptos para receber competições internacionais, o Itanhangá Golf Club e o Gávea Golf Club, mas ambos foram vetados por não terem instalações de nível olímpico e que também que haveria um alto custo para realizar as adaptações necessárias.

E para refrescar a memória de todos:  semana passada, o presidente do COI, Jacques Rogge, disse que espera não ter que fazer com o Rio o mesmo que recomentou ao ex-presidente da entidade, Juan Antonio Samaranch, ao dar um “cartão amarelo” para os organizadores de Atenas 2004 em razão do atraso das obras.

Vamos aguardar…

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terça-feira, 15 de janeiro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 23:36

'Arrependimento' de Armstrong, Célio de Barros, CBDA e até estádio para pentatlo. E 2013 começa no pique total

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Lance Armstrong dá entrevista para Oprah Winfrey e admite o uso de doping: nenhuma surpresa

A surrada frase “ano novo, vida nova”, está sendo levada na íntegra no universo dos esportes olímpicos, tanto no Brasil quanto no mundo. Uma breve análise das principais notícias que dominaram o noticiário nestes primeiros 15 dias de 2013 mostram que a temporada começou agitada e com algumas informações surpreendentes. Vamos a elas:

  • Após passar meses em um silêncio constrangedor, enquanto era acusado por autoridades americanas no combate do doping e também por ex-companheiros de ter obtido todos os seus grandes títulos de forma ilícita, eis que o ciclista americano Lance Armstrong resolveu sair da toca e em entrevista à consagrada apresentadora Oprah Winfrey, admitiu – oh, que surpresa! – ter usado substâncias proibidas em sua carreira. Um “arrependimento” de araque, pois por trás da confissão em rede nacional, estaria o interesse de Armstrong em evitar o banimento no esporte. A entrevista irá ao ar nesta quinta-feira, na TV americana.

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  • Em um levantamento inédito no esporte olímpico do Brasil, o movimento “Muda, CBDA”, comandado por Julian Aoki Romero, teve acesso a todos os contratos firmados entre a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) e os Correios desde 1993. E mostrou que em 20 anos, a estatal depositou na entidade que comanda a natação brasileira, dirigida a quase 25 anos por Coaracy Nunes, a “bagatela” de R$ 158 milhões, que renderam neste período oito medalhas olímpicas, uma delas de ouro. A despeito da importância destas conquistas (e todas foram muito importantes), é de se questionar se com tanto dinheiro investido por tantos anos, não deveríamos ter resultados como os de uma Austrália nas piscinas, por exemplo…

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  • O atletismo do Rio de Janeiro prosseguiu em sua cruzada quixotesca em defesa do moribundo Estádio Célio de Barros, que faz parte do Complexo do Maracanã, e está com os dias contados, aguardando a demolição, pois seu espaço será utilizado como parte do estacionamento para carros da arena que receberá a final da Copa do Mundo de 2014. Definitivamente uma batalha já perdida e um duro golpe no atletismo de base do Brasil.

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  • A UIPM (União Internacional de Pentatlo Moderno) anunciou em seu site que a instalação que receberá as provas da modalidade nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, deverá ser a primeira a receber, no mesmo local, as cinco provas que compõe o programa do pentatlo moderno, ou seja, natação, hipismo, esgrima e o evento combinado tiro e corrida. A construção de um único estádio para o pentatlo moderno, explica a nota no site da UIPM, ainda está em discussão, mas se de fato for aprovada, significará um aumento (mais um!) no orçamento final dos Jogos, com a construção de um estádio (no bairro de Deodoro) para uma modalidade que não reúne 1.000 praticantes no Brasil. Vale lembrar que em Londres 2012 as provas do pentatlo moderno aproveitaram instalações usadas em outras modalidades dos Jogos.

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Agitações olímpicas à parte, este blogueiro irá dar uma recarregada nas baterias e sair de férias por alguns dias, voltando a atualizar este espaço no começo de fevereiro. Ou em edição extraordinária, caso algum fato mereça uma pausa no descanso. Até a volta!

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012 Ídolos, Isso é Brasil | 20:23

O fim da natação do Flamengo e a montanha-russa do esporte brasileiro

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Cielo e as medalhas conquistadas no Pan 2011: lua-de-mel com o Flamengo

Às vezes, chego a ter a impressão que o esporte olímpico brasileiro vive em um universo paralelo, como alguns que frequentemente aparecem em filmes de ficção. Se por um lado, como mostrou a ótima reportagem de Aretha Martins e Luís Araújo publicada no iG Esporte nesta sexta-feira, pode-se constatar que as empresas perceberam a importância em investir nas modalidades olímpicas – ainda mais tendo como principal motivador a realização das Olimpíadas do Rio, em 2016 -, por outro fica evidente que ainda há uma grande distância da nossa realidade, antes de cartolas baterem no peito e chamarem este Brasil de “país olímpico”.

O maior exemplo disso apareceu neste último dia útil de 2012. Em entrevista coletiva, Alexandre Póvoa, novo vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, anunciou em entrevista coletiva que o a diretoria recém-empossada do clube não iria renovar o contrato do campeão olímpico e mundial Cesar Cielo e também de outros seis nadadores. A extinção da equipe olímpica de natação foi justificada de duas formas: a modalidade não era auto-sustentável (ou seja, dava prejuízo aos anêmicos cofres do clube rubro-negro) e que por não treinar nas dependências do clube, não servia como exemplo para a base.

(Apenas para fazer um parênteses, esta última justificativa do senhor Póvoa é uma grande piada. Afinal, ele queria que um nadador do nível de Cesar Cielo treinasse em um local que nem possuí uma piscina em condições aceitáveis para um atleta de seu nível se preparar?)

E Cielo não foi o único nadador de alto nível do Brasil a ficar sem clube neste final de 2012. Há duas semanas, durante a entrega do Prêmio Brasil Olímpico, Thiago Pereira ficou sabendo que o Corinthians também não iria renovar o seu contrato de patrocínio.

É perfeitamente compreensível que um clube cuja principal modalidade seja o futebol – e Flamengo e Corinthians são fundamentalmente times de futebol – reveja números e repense os investimentos em outros esportes. Questiono o motivo oportunista que faz com que estes times decidam apoiar em um determinado momento e depois retirar esse apoio quando os objetivos marqueteiros foram atingidos. Isso sim deplorável e precisa ser combatido!

Cielo, Thiago e os demais nadadores certamente seguirão sua vida em 2013, uns no mesmo nível de antes, outros possivelmente ganhando menos. Talvez um ou outro enfrente uma dificuldade maior em recomeçar o trabalho para o próximo ciclo olímpico. Mas um fato não se pode questionar: enquanto viver nesta gangorra, alternando momentos de euforia e dinheiro farto com fases de grana curta, o esporte do Brasil continuará sobrevivendo de estrelas solitárias como Cielo, Thiago e outros, que brilham apenas por mérito próprio.

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva | 17:04

Os tortuosos e injustos critérios do COB

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Os irmãos Yamaguchi e Esquiva Falcão beijam as medalhas conquistadas em Londres. Mas será que estão dando o devido valor a elas?

Complicado, para dizer o mínimo, entender os critérios adotados pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) para a distribuição das verbas da Lei Agnelo/Piva para 2013, ano que marcará a abertura do novo ciclo olímpico, visando os Jogos Olímpicos do Rio 2016. E antes que meus amigos da assessoria de imprensa do COB (sim, acreditem, tenho amigos por lá) mandem e-mail cornetando o post, quero avisar que entendi perfeitamente quais os tais critérios adotados pela entidade no repasse dos quase R$ 68 milhões, fora o valor pertinente ao Fundo Olímpico. Tudo somado, serão quase R$ 90 milhões para serem utilizados pelo esporte olímpico nacional. Uma beleza.

Só que entender os critérios não significa necessariamente aceitá-los e considerá-los justos. Muito pelo contrário.

É incrível que a cada ano, quando chega o momento do COB divulgar a fatia que  cada uma das 29 confederações olímpicas do Brasil (o futebol, comandado pela CBF, não entra na divisão), o sentimento que me vem à mente é que tudo poderia ser feito de uma forma diferente. E que alguém está saindo perdendo dinheiro, injustamente.

Para 2013, a boa notícia é que o repasse de verbas para as entidades esportivas brasileiras irá aumentar. Contra os R$ 60,9 milhões que foram repassados este ano, serão R$ 67,4 milhões em 2013. O bicho começa a pegar quando você observa detalhadamente a lista, com os respectivos valores com o qual cada confederação foi agraciada. Aí que as distorções ficam mais evidentes.

Não consigo aceitar, por exemplo, que a ginástica artística, que obteve um feito histórico nos Jogos de Londres 2012, com a inédita medalha de ouro de Arthur Zanetti nas argolas, não tenha entrado na faixa máxima dos repasses, que é de R$ 3, 5 milhões. Em 2013, serão R$ 3,3 milhões. É pouco? Claro que não! Mas que raios a ginástica brasileira precisa fazer para alcançar o teto dos repasses e igualar-se aos primos mais ricos do esporte brasileiro, como vôlei e desportos aquáticos?

Igualmente inacreditável é ver que o boxe brasileiro, depois de acabar com um jejum de 44 anos sem medalhas sair de Londres com três (uma de prata e duas de bronze) terá um repasse de R$ 2,6 milhões, menos do que o hipismo, que passou sem brilho algum nos Jogos Olímpicos, mas que foi agraciado com R$ 3,3 milhões, a segunda faixa na lista do COB. Estranho, né?

E como esquecer a incrível medalha de bronze obtida por Yane Marques no pentatlo moderno, esporte sem qualquer tradição no Brasil? Só que o feito de Yane ajudou a dar para seu esporte R$ 1,7 milhão, muito menos do que os R$ 2,6 milhões do ciclismo para o próximo ano. E que ninguém me venha com os estúpidos argumentos que são várias as modalidades envolvidas (estrada, pista, mountain bike). Se a tal meritocracia, que os cartolas do COB tanto gostam de apregoar, existisse de fato, quem deveria ser premiado: o aluno que faz a lição de casa certinha e passa de ano com louvor, ou aquele que fica de recuperação?

Como recordar é viver, escrevi há quase um ano sobre o mesmo tema, também estranhando os critérios de distribuição de verbas feita pelo COB. Como se vê, nada mudou.

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 Mundiais, Seleção brasileira | 13:47

Mundial só serve para testar nova geração da natação do Brasil

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Guilherme Roth é um dos integrantes da nova geração do Brasil no Mundial da Turquia

Com o início nesta quarta-feira do Campeonato Mundial de piscina curta (25 m), que está sendo realizado em Istambul (Turquia), certamente veremos uma cena que se tornou comum nesta competição: vários nadadores brasileiros subindo ao pódio. E com o final de ano se aproximando e a consequente falta de eventos importantes nos esportes olímpicos, não será surpresa vermos os feitos da turma brasuca serem exaltados por torcedores e até mesmo na imprensa. Exaltados com um certo exagero, diga-se de passagem.

O grande mérito deste Mundial, e que felizmente foi percebido pelos coordenadores técnicos da CBDA (Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos), é utilizá-lo como um grande laboratório para colocar atletas sem grande experiência internacional em ação num grande evento. Apenas isso! É o que está sendo feito na Turquia, acertadamente, onde a seleção brasileira é formada por alguns veteranos e muitos integrantes da nova geração, já de olho nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Não faz sentido ficar batendo bumbo para uma competição desfalcada de grandes astros da natação mundial, só por faturar uma dezena de medalhas. E olhe que estão em Istambul feras como o americano Ryan Lochte, o francês Florent Manaudou e a italiana Federica Pellegrini. Mas vamos falar a verdade, eles estão competindo já com a cabeça em 2013, pois o objetivo de todos eram as Olimpíadas de Londres 2012.

E não é apenas este blogueiro que pensa desta forma. O ex-nadador olímpico Rogério Romero (que também foi colunista do iG durante os Jogos de Londres)  também acha que há uma supervalorização do Mundial de piscina curta. Confira a opinião de Romero, que conversou com o Espírito Olímpico:

“Acredito que o Mundial de piscina curta surgiu de uma demanda para a natação ter mais campeonatos importantes todo ano. Assim, ao contrario de 93 para cá, quando surgiu a primeira edição de curta, temos mundial todo ano, além das demais competições, como Copa do Mundo, Pan, Europeu, Pan Pacifico e Olimpíadas. Para mim, acabou banalizando um pouco o status de campeão mundial e as grandes estrelas tiveram que priorizar alguns picos na temporada. Como os Jogos Olímpicos continuam sendo a referencia neste esporte, aqueles que tem como objetivo uma boa participação neles, acabam desprezando os eventos em piscina semi-olímpica.

Concordo que é uma oportunidade para novos talentos despontarem, não apenas no Brasil, mas no mundo. Recentemente li que as provas de 50 m não olímpicas (ou seja, fora o livre) não servirão mais para compor a seleção. Isso também vai de encontro à estratégia de priorizar eventos olímpicos. Nada mais acertado, porém demorado e feito depois da pressão de alguns técnicos.”

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terça-feira, 11 de dezembro de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas, Vídeos | 13:44

Movimento faz hino para defender Célio de Barros de demolição

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A já anunciada demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros, além do Parque Aquático Júlio Delamare, ambos localizados no Complexo do Maracanã, despertou a criação de um movimento formado por atletas, técnico, árbitros e dirigentes, que tentam impedir que uma das instalações mais importantes do esporte olímpico brasileiro vá ao chão.

E este movimento acaba de lançar um hino para alertar a população do verdadeiro crime que será cometido. A música “Bota Abaixo”, de autoria de Cláudio da Matta, professor de educação física e ex-recordista brasileiro do salto em altura nos anos 80. Confira abaixo:

Considerado uma espécie de “templo” do atletismo do Rio de Janeiro, o Célio de Barros já abrigou algumas das competições mais importantes da modalidade, como Troféu Brasil, Campeonatos Sul-Americanos e etapas do Grand Prix. Até a construção do Engenhão, para o Pan de 2007, qualquer competição de atletismo no Rio ocorria lá.

Na letra de Cláudio da Matta, há uma verdadeira súplica ao empresário Eike Batista (não citado nominalmente), dono do consórcio que deverá herdar a administração do Maracanã, para não derrubar o Célio de Barros. O projeto de reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014, prevê a demolição do Célio de Barros, do Júlio Delamare, do Museu do Índio e da Escola Modelo Arthur Friedenreich, para a construção de um estacionamento!!!

Vale lembrar que a autorização para a demolição foi dada pelo governador Sérgio Cabral, com anuência do prefeito Eduardo Paes, o mesmo que dizia que isso nunca aconteceria. Nada como um dia após o outro. E “Bota abaixo”…

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas | 17:53

Nova bronca do COI liga sinal amarelo no Rio 2016

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Presidente do Rio 2016, Nuzman diz que a organização dos Jogos está dentro do cronograma

“Nossa mensagem continua sendo que há tempo, porém o tempo está passando. Eles (organizadores do Rio) precisam continuar trabalhando nisto com todo o vigor”

A frase do porta-voz do COI (Comitê Olímpico Internacional), Mark Adams, dita após uma reunião de trabalho com os integrantes do comitê organizador do Rio 2016 nesta terça-feira, na Suíça, dá o exato tom de preocupação da entidade que comanda o esporte olímpico mundial sobre a forma com que as coisas estão sendo conduzidas por aqui. O COI, definitivamente, já começa a coçar a cabeça, preocupado se o Rio de Janeiro conseguirá cumprir as metas. O sinal amarelo já está ligado em Lausanne.

Agora, a preocupação do COI diz respeito à indefinição sobre o local onde será realizado o torneio de rúgbi seven, que a princípio estava marcado para acontecer em São Januário, mas como o Vasco da Gama, dono do estádio, não conseguiu as garantias financeiras para fazer as reformas necessárias, a disputa deverá acontecer no Engenhão mesmo. O hóquei de grama também segue sem local definido.

Também incomoda os dirigentes do COI o fato do orçamento para os Jogos não ter sido fechado ainda. E faltam menos de três anos para as próximas Olimpíadas.

Vale ressalta que não foi o primeiro pito público que o pessoal do Rio 2016 leva do COI. Em junho, a marroquina Nawal El Moutawakel, presidente da Comissão de Coordenação, disse com todas as letras, após uma visita ao Brasil:  “Está ficando aparente que os prazos de entrega estão apertados e que o volume de trabalho a ser completado é considerável”.

Carlos Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e também do Rio 2016, o comitê que organiza os Jogos, aparenta tranquilidade. Ele diz que todos os prazos serão cumpridos normalmente e que a preparação está no caminho certo. Mas ele sabe, no fundo, que as reclamações do COI não são gratuitas e já está preocupado para que tudo saia conforme a expectativa.

Não será nada fácil nos próximos três anos e meio para os integrantes do Rio 2016 conviver com a sombra do sucesso de Londres 2012.

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