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domingo, 18 de dezembro de 2011 Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 20:49

Acertos e erros do Mundial feminino de handebol

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Jogadoras da Noruega comemoram a entrega do troféu de campeãs mundiais no Ibirapuera

O encerramento do 20º Mundial feminino de handebol neste domingo, que viu a consagração da Noruega, ao faturar no Ginásio do Ibirapuera seu segundo título da história (o primeiro veio em 1999), traz consigo o momento ideal para se fazer um balanço sobre o que de bom e ruim aconteceu durante o evento, que nos últimos 16 dias movimentou ginásios em São Paulo, Barueri, São Bernardo do Campo e Santos.

A) A melhor coisa, sem dúvida, foi a participação da seleção brasileira. Se no continente americano a equipe é soberana – conquistou o tetracampeonato pan-americano em Guadalajara no mês de outubro -, o mesmo não ocorre no cenário mundial, quando ainda está longe das grandes forças. Por isso, o quinto lugar conquistado neste domingo, com uma incrível vitória por 36 a 20 sobre a Rússia, bicampeã mundial, precisa ser muito festejado. Foi o melhor resultado do Brasil na história;

B) Da mesma forma que fez história ao derrotar as desmotivadas russas (isso não importa, diga-se de passagem, se elas jogaram de freio de mão puxado é problema delas), o Brasil conquistou três resultados altamente expressivos ao longo do torneio: uma vitória de virada sobre a vice-campeã mundial França, depois de estar perdendo por seis gols de diferença, e triunfos sobre tradicionais escolas europeias, Romênia e Croácia. Ainda fez um jogo parelho com a Espanha (medalha de bronze no torneio) nas quartas de final, sendo eliminada somente após sofrer um gol nos 15 segundos finais;

Chana Masson foi eleita a melhor goleira do Mundial de handebol

C) O torneio ainda viu o Brasil terminar com a melhor goleira (a incansável e carismática Chana Masson) e a artilheira do Mundial (Alexandra Nascimento, com 57 gols);

D) Agora, vamos aos problemas. O principal deles foi a falta de divulgação. Além da imprensa e dos vizinhos dos ginásios onde os jogos foram disputados, praticamente ninguém sabia que um Mundial de handebol estava acontecendo em São Paulo. Ginásios às moscas em todos os jogos, mesmo os do Brasil, recebendo um pouco mais de público nas partidas que reuniam países tradicionais da modalidade, como Suécia, Dinamarca, Noruega. A partida final foi a que teve o melhor público (cerca de 6 mil pessoas);

E) A venda de ingressos foi uma tremenda confusão, com funcionários dando informações desencontradas ao público. Este problema gerou uma bela crise entre os cartolas da IHF (Federação Internacional de Handebol) e o comitê organizador do torneio;

F) O Brasil quase foi protagonista de um vexame internacional, porque o evento deveria ter ocorrido originalmente em Santa Catarina. Mas divergências políticas entre o governo catarinense e a CBHD (C0nfederação Brasileira de Handebol) fez o estado desistir de sediar a competição. Por sorte, São Paulo aceitou receber o evento, mas isso também não impediu de ocorrer problemas. Na sexta-feira, dia 2/12, horas antes da abertura do Mundial, com o jogo entre Brasil e Japão, funcionários ainda arrumavam as instalações do Ibirapuera, acertavam detalhes da quadra e estrutura para a imprensa. Lamentável;

G) Apenas um canal, o Esporte Interativo, que é transmitido em UHF, na internet e em algumas operadoras de TV a cabo, transmitiu os jogos. Faltou competência à CBHd (Confederação Brasileira de Handebol) tentar negociar os direitos com mais uma emissora. Para um esporte que ainda luta para deixar de ser desconhecido, este tipo de divulgação era fundamental;

H) Falta de coerência e também de força política do Brasil, ao deixar que a definição do 5º lugar, contra a Rússia, neste domingo, fosse disputado às 9h da manhã deste domingo, antes do jogo que decidiria o 7º lugar, entre Angola e Croácia. Isso sem esquecer que neste mesmo horário, jogavam Barcelona e Santos, pelo Mundial de Clubes da Fifa. Nem 1.000 pessoas estavam no Ibirapuera naquele horário;

O Mundial feminino de handebol foi um torneio muito bacana. Pena que pouca gente ficou sabendo. Que os dirigentes brasileiros aprendam com os erros cometidos, para que a lista de acertos em um próximo evento fique muito maior.

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sexta-feira, 11 de março de 2011 Almanaque, Imprensa, Olimpíadas | 23:00

O Yoyogi venceu o terremoto

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Casas em chamas após o tsunami, na cidade de Natori, na província de Miyagi

Ninguém que tenha um mínimo de sensibilidade pode ter ficado alheio ao terrível terremoto, seguido de um tsunami, que abalou o Japão nesta sexta-feira, destruindo diversas cidades e matando centenas de pessoas. As imagens das ondas avançando sobre o território japonês impressionam, mesmo que você já as tenha visto duas, três vezes. Uma tragédia que certamente será difícil de esquecer nos próximos anos.

Eis que no meio desta tarde me veio à mente um pensamento que, à primeira vista pode parecer mesquinho diante da dimensão do desastre, mas que tem tudo a ver com este blog. “O que será que aconteceu com o Yoyogi?”, imaginava, tentando descobrir pela internet os efeitos do terremoto no Yoyogi National Gimnasium, um belíssimo ginásio construído para as Olimpíadas de Tóquio, em 1964, e que até hoje recebe as principais competições internacionais no país. No ano passado, por exemplo, recebeu a decisão do Mundial feminino de vôlei, quando o Brasil perdeu para a Rússia.

O Yoyogi National Gimnasium foi construído para as Olimpíadas de 64, em Tóquio

Conheci o Yoyogi quando estive em Tóquio, em 1997, como enviado especial do “Lance!”, para cobrir a Copa dos Campeões de vôlei e a disputa do Mundial de clubes entre Cruzeiro e Borussia Dotmund. Ao chegar ao Yoyogi Park, onde o ginásio está localizado, fiquei impressionado com sua estrutura e beleza. Mesmo sendo uma arena com mais de 40 anos de idade, é extremamente confortável para as mais de 13.200 pessoas que pode receber.

Além do design arrojado para a época, o Yoyogi ainda estava à frente de seu tempo no quesito de arena multiuso: debaixo da quadra de vôlei, estava a piscina olímpica para as provas de natação e de saltos ornamentais. Foi nesta mesma quadra que o Japão teve a honra de vencer o primeiro torneio olímpico da história, ao derrotar a poderosa URSS na decisão do ouro.

Ah, você quer saber o que aconteceu com o velho Yoyogi? Felizmente, mesmo quarentão, ele resistiu bem aos fortes tremores desta sexta-feira e já se programa para receber o Mundial de patinação no gelo, a partir do próximo dia 20. O show deve continuar, é o que dizem.

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