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quinta-feira, 16 de junho de 2011 Almanaque, Imprensa, Olimpíadas | 23:17

Olimpíadas e política, uma mistura que não dá certo

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O primeiro grande boicote da história das Olimpíadas ocorreu nos Jogos de Moscou, em 1980

Um belo mico diplomático ameaça a tranquilidade dos organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Eis o diagnóstico da informação publicada nesta quarta-feira pelo jornal inglês “The Times”, após revelar que o filho do ditador líbio Muammar Kadafi, que preside o comitê olímpico de seu país, receberá centenas de ingressos para acompanhar as Olimpíadas do ano que vem. O problema é que a Líbia está sofrendo sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) e o próprio Kadafi está proibido de sair de seu país, devido a uma ordem de prisão internacional. Uma bela confusão, em resumo.

Pelo regulamento do COI (Comitê Olímpico Internacional), os organizadores dos Jogos de Londres são obrigados a dar ingressos a um país que faz parte da entidade, mas se pudesse não dar…Na verdade, a política nunca combina com o esporte, eis uma verdade incontestável. Quando o assunto são as Olimpíadas, isso adquire uma repercussão ainda maior. Abaixo, alguns exemplos de quando assuntos políticos interferiram na história dos Jogos:

Berlim-1936: Na Alemanha nazista de Hitler, o primeiro grande exemplo de mico político. Os alemães já davam sinais do que fariam ao mundo alguns anos depois e usaram os Jogos para fazer apologia da doutrina da superioridade da raça ariana. Hitler e sua turma só não contavam que um negro americano chamado Jesse Owens acabasse com seus planos, conquistando quatro medalhas de ouro nas barbas do ditador nazista.

Cidade do México-1968: Os EUA sofriam com as críticas da opinião pública de seu país por conta da participação na Guerra do Vietnã. Além disso, o movimento negro lutava duramente contra a discriminação nos EUA, o que só piorou com o assassinato do líder Martin Luther King, meses antes dos Jogos mexicanos. Eis que no pódio dos 200m rasos, os velocistas americanos Tommie Smith e John Carlos realizaram a saudação do movimento Black Power no pódio. Após a premiação, foram mandados de volta para casa.

Montreal-1976: Por causa de divergências políticas, sempre houve uma ou outra desistência de países participando das Olimpíadas. A União Soviética, por exemplo, só foi participar pela primeira vez nos Jogos de 1952, em Helsinque. Mas a primeira vez em que a política fez um estrago nos Jogos Olímpicos foi nos Jogos de Montreal, no Canadá. Por causa de uma excursão de um time neozelandês à África do Sul, que vivias o regime do apartheid, o Congo pediu ao COI que excluísse a Nova Zelândia dos Jogos. Como o pedido não foi atendido, no dia da cerimônia de abertura 16 nações africanas, além de Guiana e Iraque se retiraram da competição.

Moscou-1980: Foi nas Olimpíadas organizadas pela então União Soviética, em 1980, que houve a maior derrota do esporte para a política . Liderados pelos EUA, um grupo de 69 países decidiu boicotar as Olimpíadas de Moscou, em represália à invasão soviética ao Afeganistão.

Los Angeles-1984: O troco veio quatro anos depois, quando a União Soviética comandou um boicote de 14 países do bloco socialista e mais Irã e Líbia aos Jogos organizados pelos EUA. Novamente o esporte perdeu para a política.

Seul-1988: Por estar tecnicamente em guerra com a Coreia do Sul (o tratado de paz nunca foi assinado),  a Coreia do Norte não compareceu às Olimpíadas de Seul. Ao lado dela, também aderiram ao mini-boicote Cuba (uma ausência importante), Etiópia e Nicarágua (que não fez lá muita falta).

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