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Posts com a Tag Ministério do Esporte

sábado, 5 de outubro de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 14:48

O esporte do Brasil merece um campeão como Arthur Zanetti?

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Arthur Zanetti exibe a medalha de ouro conquistada no Mundial de Antuiérpia

Arthur Zanetti exibe a medalha de ouro conquistada no Mundial de Antuérpia

Post atualizado

Fenômeno é pouco para definir o paulista Arthur Zanetti, novo campeão mundial nas argolas, em título confirmado neste sábado, na cidade de Antuérpia, na Bélgica. Mesmo com uma pontuação ligeiramente menor do que a obtida no ouro nas Olimpíadas de Londres 2012 (15.800 neste sábado, contra 15.900 no ano passado), Zanetti conseguiu deixar para trás seu maior rival, o chinês Yang Liu, que o superou na prova de classificação. O brasileiro, com isso, igualou-se a Diego Hypólito (ouro no solo em Melbourne 2005 e Suttgart 2007) e Daiane dos Santos (ouro no solo em Anaheim 2003) como os campeões mundiais brasileiros na ginástica artística.

Zanetti, que já havia sido vice-campeão mundial nas argolas, em Tóquio 2011, também repetiu o feito de outros dois monstros do esporte brasileiro, igualmente campeões olímpicos e mundiais: Cesar Cielo, na natação (50 m livre), e Robert Scheidt, na vela (clase laser).

É ótimo para o esporte brasileiro poder contar com um atleta do nível de Arthur Zanetti, ainda mais com as Olimpíadas do Rio 2016 batendo na nossa porta.

A dúvida que martela a minha cabeça é se o esporte brasileiro merece um  fenômeno como Arthur Zanetti.

Há cerca de um mês, durante a disputa do Brasileiro juvenil de ginástica artística, realizado em Aracaju, um ginasta de São Bernardo do Campo (Leonardo Finatti), sofreu uma fratura exposta durante a coimpetição. Não havia médicos ou ambulância no local. Ele precisou ser socorrido pelos fisioterapuetas presentes, que fizeram uma tala e o levaram para um hospital.

Veja também: O desabafo de Zanetti é uma vergonha para o Brasil Olímpico

Aracaju é a sede da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica). Apenas isso.

Alguém pode argumentar e dizer que se tratou de um caso isolado. Mas como uma de minhas poucas qualidades é a de ter uma boa memória, eu faço questão de recordar que o próprio Zanetti, há apenas sete meses, precisou abrir a boca para reclamar das condições vergonhosas que tinha para treinar. O iG Esporte esteve no ginásio de São Caetano e registrou as cenas. Clique aqui e reveja. É de envergonhar um país que vai receber as próximas Olimpíadas.

E as condições só melhorarm, através de uma intervenção do Ministério do Esporte, com a liberação de verbas para a compra de aparelhos, após o próprio Zanetti, talvez cansado de tantas promessas não cumpridas, desabafar em uma entrevista ao programa “Esporte Espetacular”, da Rede Globo, que não descataria apossibilidade de se naturalizar para competir por outro país, caso as condições de treinamento para ele não melhorassem.

Leia ainda: Dois tristes retratos do Brasil Olímpico

Se antes já considerava quase impossível que Zanetti cumprisse esta ameaça, após este título mundial acho impossível.

Mas é importante que tudo isso seja colocado neste momento de festa, de celebração e possivelmente muito oba-oba, para que não se perca o foco. A estrutura que está por trás dos poucos fenômenos brasileiros no esporte é ainda muito limitada, para não dizer inexistente.

Este título mundial é de Arthur Zanetti, e que nenhum oportunista tente tirar uma casquinha dele.

 

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013 Com a palavra, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 18:16

O tratamento que o esporte do Brasil dá a um campeão mundial

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Isaquias Queiroz exibe a medalha de ouro conquistada no Mundial de canoagem

Isaquias Queiroz exibe a medalha de ouro conquistada no Mundial de canoagem. Esforço em vão?

“Agora tenho que assinar uns documentos da Confederação, pedem para dizer que tenho 2 remos que na verdade nunca chegou em minhas mãos, dedico minha vida inteira a canoagem e a Confederação nada faz por mim, tenho um documento em mãos que quando ganhei o mundial em 2011 meu ex-treinador ganhou 10 mil por medalha e naquela ocasião ganhei duas, na soma são 20mil reais e para mim o presidente me levou para comer no Mc Donald’s”

Passa o tempo, mas alguns hábitos vergonhosos ainda insistem em sobreviver no esporte brasileiro. O último exemplo foi mostrado em oportuna reportagem do portal de esportes olímpicos Ahe!, parceiro do iG Esporte, trazendo o desabafo do baiano Isaquias Queiroz, que no início deste mês de setembro tornou-se o primeiro brasileiro campeão mundial de canoagem, na categoria C1 500 m (prova não olímpica), em Duisburg, na Alemanha. Ele também faturou o bronze na prova C1 1.000 m. Trata-se, portanto, de uma esperança de medalha para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Na hora, foi aquela festa, a CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem) estampou a notícia com destaque em seu site, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e Ministério do Esporte também tiraram suas respectivas casquinhas, exaltando que o feito foi obtido com a ajuda de recursos financeiros e técnicos das duas entidades (o que é verdade, diga-se de passagem).

O problema é que passado quase um mês da histórica conquista, o que Isaquias Queiroz ganhou além do que tapinhas nas costas? Nada, absolutamente nada.

>>> Veja também: As boas novas do esporte brasileiro não vieram apenas do judô

Além de demonstrar uma profunda decepção por não ter recebido qualquer recompensa pelo resultado histórico, ainda desabafou ao recordar uma esdrúxula punição de R$ 1.000,00 por ter aparecido em uma fotografia sem estar usando o uniforme oficial da CBCa. E fez uma denúncia mais grave, ao revelar que um atleta baiano, prata no Pan do Rio 2007, nada recebeu por sua conquista, ao contrário de outros atletas, do Sul do país, que teriam sido recompensados financeiramente pelas medalhas.

Sem falar na surreal história do McDonald’s…

O pior de tudo é que provavelmente Isaquias Queiroz será punido pela sua confederação, pelo desabafo feito via Facebook (situação que, por sinal, ele mesmo previu no próprio texto).

Um fato que precisa ficar muito claro é que a CBCa, assim como todas as confederações olímpicas, recebem verbas da lei Agnelo/Piva, que destina 2% do que é arrecado nas loterias brasileiras. Ou seja, elas têm a OBRIGAÇÃO de prestar contas de forma clara à população. Só a título de curiosidade, o presidente da Confederação, João Tomasini Schwertner, está no cargo desde 1989! Ele é um dos cartolas que terá vida curta no esporte nacional, com a aprovação da MP 620, que limita o mandato de dirigentes de entidades esportivas, aprovada tanto na Câmara Federal quanto no Senado, e que aguarda sanção da presidenta Dilma Rousseff.

>>> Leia também: A maior vitória do esporte brasileiro. Só falta Dilma assinar

Ainda há um longo caminho a ser percorrido para mudar a estrutura podre do esporte brasileiro, que em muitos casos continua tratando muito mal seus campões.

Com a palavra, COB e Ministério do Esporte.

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Política esportiva | 18:45

Suspensão do Ladetec é uma desmoralização para o combate ao doping no Brasil

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Imagem do projeto final do Ladetec, laboratório no Rio de Janeiro que realizará todos os exames antidoping das Olimpíadas

A Wada (sigla em inglês para Agência Mundial Antidoping) acaba de emitir um comunicado em seu site que representa mais uma desmoralização ao controle de doping do Brasil. A entidade anunciou que está suspendendo o credenciamento do Ladetec, no Rio de Janeiro, único laboratório credenciado internacionalmente no país para fazer exames de controle antidopagem. Pela nota, o Ladetec não pode fazer qualquer exame desde este quinta-feira (8). O laboratório brasileiro tem até 21 dias para recorrer da decisão da Wada, na CAS (Corte Arbitral do Esporte).

Trata-se de uma verdadeira esculhambação para o país que receberá as Olimpíadas de 2016.

Não bastasse ser o único laboratório com chancela internacional da Wada, o Ladetec foi escolhido para fazer os exames antidoping das Olimpíadas e Paraolimpíadas do Rio. Aí, recebe de “presente” uma suspensão de suas atividades, provavelmente por conta de diversos problemas ocorridos atualmente, como no erro do exame que causou a suspensão provisória do jogador de vôlei de praia Pedro Solberg e na polêmica envolvendo a campeã olímpica de vôlei Natália, cujo resultado positivo apontado pelo Ladetec foi contestado na Justiça esportiva, mas teve o diagnóstico defendido pela ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem).

Talvez tenha pesado também o vergonhoso levantamento feito pela ABCD com 5 mil inscritos no programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte, segundo o qual de cada dez atletas, apenas DOIS passaram por algum exame antidoping na vida. Isso para um país que será sede dos próximos Jogos Olímpicos é inadmissível.

E como desgraça pouca é bobagem, o Ladetec se viu envolvido recentemente em uma polêmica em razão dos custos de sua reforça para 2016, após relatório do TCU (Tribunal de Contas de União) apontar indícios de sobrepreço em suas planilhas orçamentárias e atraso considerável nas obras.

Diante disso tudo, até demorou para que a Wada aplicasse esta suspensão no Ladetec, vamos reconhecer…

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sexta-feira, 7 de junho de 2013 Isso é Brasil, Política esportiva | 09:15

O 'Brasil olímpico' que não existe para o esporte de base

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Dueto paulista disputa o Interfederativo em 2012

Para evitar constrangimentos ou represálias, vamos manter o anonimato de um pai indignado com o que acontece com o esporte de base do Brasil e sua estrutura pífia. Aquele mesmo esporte de base no qual o ministro Aldo Rebelo assegura que está recebendo um amplo investimento do governo.

Pois bem, este pai tem uma filha que pratica nado sincronizado. É a paixão da vida da menina. Ao lado de outras garotas, conseguiu classificação na seletiva realizada pela FAP (Federação Aquática Paulista) para a disputa do 3º Campeonato Interfederativo, que será realizado no Parque Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro, a partir desta sexta-feira, encerrando-se no próximo domingo.

Só que para isso, cada atleta terá que bancar do próprio bolso a compra do maiô de competição. Equipamento básico para disputar o nado sincronizado, teoricamente deveria ser fornecido pela própria entidade que convocou a equipe. Ou, em último caso, através de um programa de auxílio às federações por parte da CBDA, do eterno presidente Coaracy Nunes, recentemente reeleito para mais um mandato. A mesma CBDA, diga-se de passagem, que detém um generoso patrocínio dos Correios há muitos anos.

Mesmo assim, são os pais das atletas que precisam comprar os maiôs da filhas. Cada peça não sai por menos de R$ 450,00. Uma peça que irá durar apenas uma competição, é bom lembrar. Com sorte, a menina poderá usá-lo em dois torneios.

E você ainda tem que escutar por aí as autoridades batendo no peito dizendo que o Brasil irá virar uma potência olímpica em 2016. Se nem do básico conseguem cuidar…

Por que a FAP não fornece os maiôs para suas atletas?

Por que a CBDA não auxilia, por meio de seus contatos, com o fornecimento de material esportivo para suas entidades filiadas?

Será que alguém consegue responder a estas duas simples perguntas?

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domingo, 21 de abril de 2013 Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 20:43

O desabafo de Zanetti é uma vergonha para o Brasil olímpico

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Arthur Zanetti, o 1º brasileiro campeão olímpico na ginástica. Brasileiro por quanto tempo?

Muita atenção para a reprodução abaixo dos seguintes posts do Twitter neste domingo, repercutindo reportagem do programa “Esporte Espetacular”, da Rede Globo, sobre o ginasta campeão olímpico Arthur Zanetti:

 

 

 

Acima estão representadas opiniões de importantes atletas do movimento olímpico brasileiro. Um deles, o ex-jogador Nalbert, campeão olímpico e mundial com a seleção brasileira masculina de vôlei. Portanto, são opiniões de respeito.

Todos revoltados (e com razão) após a exibição da reportagem com o ginasta brasileiro Arthur Zanetti, ouro nas argolas nas Olimpíadas de Londres 2012, mostrando as condições precárias que ele tem para se preparar, em São Caetano do Sul. Um ginásio com equipamentos velhos, sem alojamento para descansar entre os treinos e precisando recorrer a marmitas para almoçar. Um campeão olímpico se submete a isso, é bom deixar claro.

Veja também: O Brasil olímpico que o ministro Aldo não conhece

O leitor do iG Esporte nem se surpreende com as imagens exibidas, pois no dia 15 de março, reportagem do companheiro Maurício Nadal já trazia cenas constrangedoras a respeito das condições de trabalho de Zanetti.

A surpresa no desabafo do ginasta ao Esporte Espetacular foi a possibilidade aberta por ele mesmo de não mais competir como brasileiro. “Eu já coloquei na minha cabeça que se surgir uma oportunidade legal, não só para mim, mas para o grupo de profissionais que vão me ajudar, eu pensaria, sim, em competir por outro país”.

É simplesmente impossível apenas imaginar essa possibilidade. Pior é ver o jogo de empurra-empurra entre todas as entidades responsáveis pela situação vexatória a qual Zanetti está passando: CBG (Confederação Brasileira de Ginástica), COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Ministério do Esporte, todos procurando justificar o injustificável.

Sinceramente, não acho que Arthur Zanetti colocará em prática essa ameaça, que nem é inédita, especialmente na ginástica (outros atletas já competiram em Jogos Olímpicos por nacionalidades diferentes). Mas se esse absurdo acontecer, a fatura dessa conta precisará ser dividida entre as seguintes pessoas: Carlos Nuzman, Aldo Rebelo, CBG, COB, Ministério do Esporte.

A culpa será toda de vocês.

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quarta-feira, 10 de abril de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 21:40

O Brasil olímpico que o ministro Aldo não conhece

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Na última segunda-feira, no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, deu exemplos claros sobre o quanto sua pasta desconhece os reais problemas do esporte brasileiro. Obviamente que o maior foco dos jornalistas que estavam na bancada para entrevistar o ministro era a organização da Copa do Mundo do ano que vem, cujos estádios ainda sofrem com inúmeros atrasos em suas obras.

Mas Aldo Rebelo também pouco saber sobre a realidade do esporte olímpico brasileiro. Ao ser indagado sobre a falta de uma política esportiva pública, voltada para o esporte de base, em contrapartida com a obsessão do governo sobre o desempenho nas Olimpíadas do Rio 2016, Aldo saiu em defesa do governo. Disse que está em andamento um investimento no esporte escolar, na qual há um programa para construir 5 mil quadras em escolas, além de aprovar a construção de 300 centros de iniciação do esporte, com espaço para a prática de judô, ginástica e esgrima.

Veja a partir da faixa dos 5min:

O negrito na palavra esgrima, no parágrafo acima, apenas reforça que o ministro Aldo Rebelo – a quem considero uma pessoa honesta e digna, porém totalmente fora de sintonia com o cargo que ocupa – não conhece totalmente a realidade do esporte olímpico do Brasil. Reportagem publicada nesta quarta-feira pelo iG Esporte mostrou as condições pelas quais a gaúcha Gabriela Cecchini, de somente 15 anos, conquistou um feito histórico, a segunda medalha brasileira em Mundiais de esgrima.

Sem nenhum apoio da CBE (Confederação Brasileira de Esgrima), Gabriela – além de outros 20 atletas da equipe brasileira que participa do Mundial da Croácia para cadetes e juvenis – precisou contar com a ajuda financeira dos pais ou de seus clubes (no caso de Gabriela, o Náutico União-RS) para disputar a competição.

Gabriela Cecchini comemora a vitória sobre a alemã Leandra Behr durante o Mundial 

O que é pior: trata-se de uma prática comum nas categorias de base da esgrima (e na maioria absoluta das modalidades olímpicas brasileiras), pois a CBE argumenta ter recursos, provenientes da Lei Agnelo/Piva e do próprio Ministério do Esporte, apenas para bancar os atletas de alto rendimento. Mesmo Gabriela sendo considerada pelo técnico da seleção, o ex-atleta olímpico Regis Trois, como um diamante bruto da esgrima brasileira. Para evoluir, segundo ele, ela precisa de mais experiência e, principalmente, apoio.

LEIA TAMBÉM: Revelação da esgrima tem resultado histórico sem ajuda da Confederação

Não serão as cinco mil quadras que o governo promete construir (se é que serão construídas de fato) que irão evitar que jovens talentos como Gabriela Cecchini precisem recorrer ao velho “paitrocínio” para tentar seguir uma carreira no esporte.

Enquanto não se criar uma política esportiva pública VERDADEIRA, jamais qualquer autoridade poderá chamar o Brasil de país olímpico.

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quarta-feira, 6 de março de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Olimpíadas | 11:40

A culpa pelos ginastas desempregados não é (só) do Flamengo

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Jade Barbosa, Diego e Daniele Hypólito falam sobre o fim da equipe de ginástica do Flamengo

Um drama recorrente no esporte brasileiro, a cena de ver atletas olímpicos de alto rendimento sem clube é sempre triste e revoltante. Quando isso ocorre em pleno ciclo olímpico para as Olimpíadas que serão organizadas no próprio país, no Rio de Janeiro, em 2016, o caso é ainda mais dramático. Não foi diferente, portanto, o sentimento que me tomou ao ver a revolta e perplexidade dos integrantes da equipe de ginástica do Flamengo, ao tomarem conhecimento da decisão do clube em acabar com o patrocínio da modalidade, ocorrido nesta terça-feira.

Além dos ginastas – entre eles algumas das estrelas da modalidade no Brasil, como os irmãos Diego e Daniele Hypólito, Jade Barbosa e Sérgio Sasaki – a equipe de judô também foi desativada. Seguiram o mesmo caminho da equipe de natação, cuja maior estrela era Cesar Cielo, fechada no final de 2012.

Os culpados por mais este crime no esporte olímpico brasileiro são vários, não se pode apontar o dedo apenas para um deles.

O primeiro culpado é o clube. É claro que o Flamengo tomou esta decisão pensando apenas na planilha de custos. Ninguém em seu juízo perfeito sairia fechando equipes olímpicas, com atletas de ponta e ídolos em suas modalidades, cujo retorno de imagem é sempre o maior possível. A decisão foi estritamente do ponto de vista de dinheiro.

O Flamengo é um clube com problemas financeiros históricos, fruto de gestões pífias e incompetentes. Mas o maior pecado dos dirigentes rubro-negros foi anunciar esta decisão EM MARÇO, com o segundo trimestre do ano em pleno andamento. Quando a natação acabou, em dezembro de 2012, já estava na cara que os demais esportes olímpicos teriam o mesmo fim. Agora, no primeiro ano do ciclo olímpico, estes atletas terão inúmeras dificuldades para encontrar um novo clube.

O segundo culpado é o governo, na figura do Ministério do Esporte. A falta de uma política esportiva ampla, que não seja preocupada apenas com grandes eventos ou programas de incentivo que muitas vezes demoram para alcançar o atleta, também é responsável pelo drama dos ginastas, judocas e nadadores flamenguistas.

Só para lembrar: no ano passado, com toda pompa, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a criação do Bolsa Pódio, programa que promete repassar até R$ 1 bilhão até 2016 a atletas, treinadores, preparadores físicos etc. O valor individual pode chegar até a R$ 15 mil/mês, dependendo de cada atleta. Mas até agora, ficou só na promessa. Dizem que as inscrições serão abertas agora em março. Dizem…

Por fim, o terceiro culpado é o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Por mais que a entidade diga que não tem responsabilidade na gestão das modalidades  (tarefa que segundo ele pertence às confederações), o COB é quem comanda o esporte brasileiro. E desde 2003, passou a ter a chave do cofre, quando começou a receber os recursos da Lei Agnelo/Piva. Nunca o esporte do Brasil teve tanto dinheiro. Mas o COB falha ao não cobrar as entidades de uma forma mais contundente.

A única certeza é que entra tantos culpados, os atletas olímpicos desempregados do Flamengo são as grandes vítimas. Triste filme repetido tantas vezes.

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terça-feira, 18 de setembro de 2012 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas | 17:15

Romário volta a bater em Nuzman, COB e pede voto aos atletas

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Romário bateu pesado na falta de alternância de poder do COB

“Os presidentes das Confederações de Atletismo e de Desporto Aquático, por exemplo, já estão há mais de 20 anos no poder. Muita cara de pau! E o presidente do COB, Carlos Nuzman, tá querendo se reeleger mais uma vez agora em outubro. Se conseguir, também chegará a duas décadas à frente do COB. E para quê?”

O ex-jogador e atual deputado federal Romário vem se notabilizando como um parlamentar que mostra, na tribuna, a mesma contundência que exibia na época em que brilhava nos gramados. Às vezes, exagera no tom e sai disparando a metralhadora, mesmo sem provas, como foi o episódio em que acusou o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, de fazer suas convocações atendendo a interesses de empresários.

Mesmo assim, na maioria das vezes a precisão das críticas de Romário são cirúrgicas e certeiras. Como no último texto publicado em seu site oficial, que foi ar ar nesta segunda-feira (17), no qual elogia a intenção do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, em vetar recursos públicos às confederações esportivas que não promovam a alternância de poder de seus presidentes. E fez questão de ressaltar que não concorda com a falta de troca de comando que ocorre no COB (Comitê Olímpico Brasileiro). “Soube que o Nuzman não recebe salário. Então por que tanto apego? O que eu sei é que o COB precisa mudar de cara e deixar de ser amador”, escreveu o Baixinho.

Romário também tocou em outro ponto que causa urticária nos cartolas: o voto direto soa atletas para escolher os presidentes de confederações. “Nada mais justo do que o próprio competidor que rala e representa o país lá fora possa ajudar a escolher os melhores administradores de suas confederações e do COB”, escreveu.

A meu ver, Romário acertou na mosca neste texto. Nuzman está no comando no COB desde 1996 (foi eleito em 95, mas assumiu de fato um ano depois). É inegável que promoveu melhoras na estrutura do esporte olímpico brasileiro, mas também não se pode negar que a entidade que comanda vem falhando no modelo de gestão atual, com recursos públicos que jamais existiram antes na história, mostrando resultados proporcionalmente abaixo do que deveriam ter alcançado.

Já passou da hora de uma mudança. Não só no COB, mas também em todas as confederações que eternizam seus dirigentes no poder.

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas | 13:38

Esporte brasileiro ficará mais rico para evitar mico nas Olimpíadas de 2016. Mas vai dar tempo?

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Aldo Rebelo já tinha cobrado antes uma melhor posição do Brasil no quadro de medalhas

E o governo brasileiro resolveu se coçar e botar a mão na massa, ou no bolso, para ser mais específico. Nesta quinta-feira, a presidenta Dilma Rousseff anunciará, em meio a uma homenagem aos medalhistas nas Olimpíadas e Paralimpíadas de Londres 2012 o Plano Brasil Medalha 2016. Através do Ministério do Esporte, serão feitos investimentos de R$ 1 bilhão até 2016, com o objetivo de colocar o país entre os dez primeiros do quadro de medalhas das Olimpíadas e entre os cinco primeiros das Paralimpíadas que ocorrerão no Rio de Janeiro, daqui a quatro anos.

Na teoria, sensacional. Nunca antes na história deste país (frase nova essa, hein?), o esporte brasileiro teve tanto dinheiro à disposição. Mas a dúvida que fica martelando em minha cabeça: vai resolver de fato todos os nossos problemas este dinheiro todo?

Para uma parte dos envolvidos, sim. Pelo plano que será lançado, estão previstas a criação de uma Bolsa Pódio, que poderá repassar até R$ 15 mil a atletas que ocupam os 20 primeiros lugares dos rankings mundiais em suas modalidades. Além disso, haverá investimento na equipe multidisciplinar dos atletas e até em compra de equipamentos. Esta é a parte boa da história.

O que para mim não parece fácil de atingir é a tal meta traçada pelo governo. Antes dos Jogos de Londres, o ministro Aldo Rebelo já tinha acenado com esta colocação do Brasil entre os dez primeiros do quadro de medalhas como uma meta a ser buscada. Acho justo, o problema é que o plano que o governo colocará em prática no próximo ciclo olímpico parece com algo desesperado para se evitar um grande vexame nos Jogos do Rio 2016.

No esporte, simplesmente despejar dinheiro em busca de resultados de expressão não funciona. No esporte olímpico então, a coisa é ainda mais complicada. Só para tomar um exemplo recente, a Grã-Bretanha, que cumpriu brilhante campanha em casa agora, começou a fazer um investimento pesado após fracassar em Atlanta 1996, ou seja, 16 anos depois.

Portanto, o segredo é trabalho a longo prazo. Não serão estes endinheirados quatro anos que vão tirar o Brasil do 22º lugar do ranking olímpico para se tornar Top 10. É bom que isso fique bem claro na hora de cobrarem resultados em 2016.

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domingo, 2 de setembro de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Seleção brasileira | 15:41

Brasil, potência paralímpica

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Daniel Dias ganha sua segunda medalha de ouro nas Paralimpíadas de Londres, nos 200 m livre

Atualizado em 3/09

As Paralimpíadas de Londres 2012 chegaram neste domingo a seu quarto dia de competições. Ou seja, ainda mal completou-se uma semana de disputas esportivas e, ao menos até agora, o Brasil vai cumprindo com competência o objetivo traçado antes da abertura dos Jogos: ficar no top 10 do quadro geral de medalhas.

Enquanto este post é escrito, os brasileiros já conquistaram nada menos do que 13 medalhas, sete delas de ouro, quatro a mais do que o país obteve nos Jogos Olímpicos, encerrados no dia 12 de agosto.

Nos últimos dias, torcedores que nunca acompanharam ou que têm pouco conhecimento do universo esportivo paralímpico se emocionaram com cenas de superação e conquista de heróis nacionais desconhecidos, como Daniel Dias e André Brasil, na natação, Antônio Tenório ou Lúcia Teixeira, no judô, Terezinha Guilhermina e Alan Fonteles Cardoso, no atletismo, só para citar alguns deles.

Tudo isso faz com que uma conclusão pareça óbvia: o Brasil é uma potência nos esportes para deficientes físicos. Mas o que levaria a esta situação?

É claro que eu não teria a pretensão aqui de tentar cravar uma resposta definitiva a esta questão, mas um dado do Censo de 2010, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) traz pistas que confirmam a tese. Segundo a pesquisa, o percentual de pessoas com deficiência física na população brasileira atualmente é de 24%, o que equivaleria a 45,6 milhões de pessoas.

Ou seja, o Brasil tem mais do que um Canadá em pessoas deficientes (a população canadense no último levamento, de 2010, é de pouco mais de 34 milhões de pessoas).

Em um país como o nosso, que a despeito de todos os benefícios alcançados pelo crescimento econômico nos últimos anos, ainda peca pela falta de oportunidades no mercado de trabalho para quem tem algum tipo de comprometimento físico, parece ser meio evidente que uma das saídas para as pessoas deficientes realizem sua inclusão social seja através do esporte.

Uma lição que todos os especialistas em esporte de alto rendimento sempre repetem é que da quantidade que se extraí a qualidade. Se em algumas modalidades para atletas sem deficiência falta “mão de obra”, nos esportes paralímpicos o potencial para o descobrimento de novos talentos no Brasil é enorme.  Não é à toa que a China, com sua população de mais de 1,3 bilhão de habitantes, já ganhou 71 medalhas em Londres 2012 até agora.

Se existe algo que o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e o Ministério do Esporte precisam aprender com o CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) é como aproveitar o enorme potencial esportivo que o Brasil possuí. E para isso, não basta ficar somente no discurso vazio e cheio de palavras bonitas…

Atualização: como alguns leitores questionaram os números apresentados pelo censo do IBGE, publiquei outro post com novos números, que são levados em conta pelo próprio CPB e que você poderá conferir aqui.

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