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quarta-feira, 25 de maio de 2011 Isso é Brasil | 23:04

Nada justifica o "bullying" do judô

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Jigoro Kano teria ficado indignado com as barbaridades feitas contra Lucas Ribeiro

Se você der uma busca no santo Google, descobrirá que a definição de judô é “modo suave” ou “caminho da suavidade”. Pois nada disso parece significar alguma coisa para alguns integrantes do Projeto Futuro, agora chamado Centro de Excelência Esportiva, no complexo esportivo do Ibirapuera. Com certeza o criador do judô, Jigoro Kano, ficaria horrorizado com as atrocidades cometidas contra o garoto Lucas Gongora Ribeiro, de apenas 16 anos, que relatou ter sido vítima de trotes e humilhações pelos atletas veteranos que também integram o Centro de Excelência.

Ninguém aqui é ingênuo a ponto de achar que não existe trote no esporte. Isso é normal, até natural, em equipes de diversas modalidades. No vôlei, por exemplo, um dos castigos “publicáveis”, por assim dizer, é fazer com que os novatos na seleção brasileira sejam os responsáveis em carregar o carrinho com as bolas, para o aquecimento da equipe, em treinos e jogos. Mas estes “rituais de passagem” existem em todo lugar. O que não dá é extrapolar todos os limites do bom senso.

O diretor do Conjunto Constâncio Vaz Guimarães, o coronel Luiz Flaviano Furtado, apresentou alguns argumentos que quase me fizeram cair da cadeira, para justificar atitudes “normais”, como lavar o quimono de todos os demais judocas, agressão com ripas de madeira e depilação à força.  “Em qualquer atividade militar, sempre existe a hierarquia. O mais antigo tem certa precedência sobre os mais novos. Ele falou de lavar quimono. Entre os militares, os mais novos geralmente engraxam os coturnos dos mais antigos”, explicou o coronel Furtado.

Engraçado, achei que o Centro de Excelência preparava atletas e não sobreviventes de deploráveis cenas de bullying esportivo. Lá foram formados alguns dos grandes ídolos olímpicos brasileiros, como Aurélio Miguel, Maurren Maggi, Thiago Camilo e Henrique Guimarães.

Tomara que o jovem Lucas Ribeiro consiga esquecer o que estes pseudo-judocas fizeram com ele. Do contrário, o esporte brasileiro corre o risco de perder um talento, por pura imbecilidade alheia.

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