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terça-feira, 21 de agosto de 2012 Ídolos, Imprensa, Olimpíadas, Seleção brasileira | 23:18

Hora de reflexão, mas sem caça às bruxas

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Cesar Cielo cura sua ressaca olímpica vencendo nos 50 m livres do Troféu José Finkel

Bem, chega de ressaca olímpica, inclusive para este blogueiro, que volta à labuta nesta quarta-feira, após uma pausa para recarregar as baterias, zeradas com a extenuante maratona olímpica em Londres. Mas é inevitável que ainda se fale (por um bom tempo, presumo) sobre a recém-encerrada edição dos Jogos Olímpicos 2012, em especial comentando a participação brasileira.

Mesmo nesta semana de descanso, pude acompanhar um pouco da repercussão dos resultados obtidos pelos atletas do Brasil, seja nas redes sociais, reportagens de jornal, colunas, blogs de especialistas que respeito muito e de outros que aproveitaram a ocasião para dar uma de “gato mestre”, como dizem alguns amigos meus cariocas. E diante de tudo que ouvi e li, é necessário fazer uma boa peneira e realizar uma reflexão cuidadosa sobre este “decepcionante” desempenho brasileiro.

Em primeiro lugar, uma coisa precisa ficar bem clara em relação ao adjetivo que encerra o parágrafo acima. Com exceção de cartolas que querem tapar o sol com a peneira e de alguns pachecos mais animadinhos (inclusive dentro da imprensa), o Brasil fez exatamente o que dele se esperava, com uma bela surpresa aqui, um vexame ali. Mas a realidade olímpica brasileira é exatamente este 22º lugar no quadro geral de medalhas em Londres. Por isso, soa como piada o sonho do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) em ver o Brasil terminar no Top 10 nos Jogos do Rio 2016, faturando pelo menos 30 medalhas.

É estranho ver cobranças sobre alguns atletas e modalidades esportivas nas quais não deveriam jamais ter criado falsas expectativas. É o tal efeito Pan, tão nocivo por mascarar o real potencial que estes mesmo atletas terão pela frente, quando confrontados com a elite do esporte mundial. O atletismo e a natação, por exemplo, foram grandes decepções, mas dentro da delegação brasileira, raros eram os atletas com chances reais de conseguir algum grande resultado, A maioria absoluta fez o que estava dentro de sua possibilidade.

Muito mais importante, e isso tenho visto com frequência, é uma forte cobrança ao trabalho do COB, que nunca teve tanto dinheiro público (via Lei Agnelo/Piva) para distribuir às confederações nacionais em sua preparação olímpica, mas novamente não conseguiu fazer uma gestão correta desta trabalho e transformá-lo em um resultado proporcional ao que foi investido. Não se enganem: duas míseras medalhas a mais do que foi obtido quatro anos atrás, em Pequim 2008 (17 a 15), é um resultado pífio.

Por fim, vale um alerta sobre a tentação de se começar uma espécie de “caça às bruxas” em relação aos grandes fiascos brasileiros em Londres. Sim, ocorreram decepções: ainda está mal digerida a desistência de Fabiana Murer em tentar seu último salto e terminar eliminada na qualificação do salto com vara; Cesar Cielo ficou devendo, ao terminar em sexto lugar nos 100 m livre e com o bronze nos 50 m livre, prova na qual defendia o título olímpico de 2008; Leandro Guilheiro e Tiago Camilo, que apesar de favoritos nem chegaram ao pódio no judô;  as inesperadas derrotas no vôlei de praia, com os favoritos Alison/Emanuel e Juliana/Larissa levando prata e bronze, respectivamente; e o futebol, onde nem mesmo todo o talento de Neymar foi capaz de dar à seleção brasileira uma medalha de ouro que insiste em escapar.

Todos estes atletas merecem, é claro,  serem questionados pelo desempenho abaixo do esperado, mas nunca perdendo a perspectiva do que eles já fizeram e conquistaram em suas respectivas modalidades. Ou pode-se simplesmente jogar no lixo o título mundial de Fabiana Murer e Cielo, além das medalhas olímpicas de Guilheiro e Camilo?

Um país monoglota esportivo como o Brasil ainda precisa aprender muito sobre esportes olímpicos antes de sair por aí cobrando resultados sem qualquer parâmetro.

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domingo, 14 de agosto de 2011 Ídolos, Imprensa, Olimpíadas | 23:33

Para USA Today, Fabiana Murer ainda é favorita para 2012

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Fabiana Murer durante a conquista do título sul-americano do salto com vara

No último mês de março, em um dos primeiros posts deste blog, comentei sobre um levantamento feito pelo jornal americano “USA Today”, que faz uma espécie de termômetro dos prováveis resultados dos Jogos Olímpicos de Londres, no ano que vem. Trata-se de um misto de futurologia com estudo baseado em resultados nos mais diversos eventos disputados por todo o planeta. E a proposta é deixar a lista sempre atualizada.

Na edição de março, o site do “USA Today” previa que o Brasil terá um total de 15 medalhas nos Jogos do ano que vem (cinco de ouro, cinco de prata e cinco de bronze). A conta mudou um pouco na última lista, atualizada no final de julho. O total de medalhas do Brasil diminuiu (passou para 13), mas o número de ouros aumentou (são seis nesta última relação). Estão previstas ainda cinco de prata e duas de bronze.

Entre as seis conquistas brasileiras previstas pelo jornal americano, uma continua presente de forma surpreendente. Para o “USA Today”, Fabiana Murer será a campeã olímpica no salto com vara feminino. E olhe que neste começo de temporada ela ainda não repetiu a mesma performance de 2010 e sequer tem a melhor marca do ano – que pertence à americana Jennifer Suhr, que tem 4,91m contra 4,71m da brasileira.

Sinal que a confiança internacional na performance de Fabiana Murer supera até mesmo os melhores resultados de suas adversárias.

PS: antes que eu me esqueça, os possíveis campeões olímpicos brasileiros apontados na lista do “USA Today” são Cesar Cielo (natação – 50m livre), Robert Scheidt/Bruno Prada (Vela – Star), Juliana/Larissa (vôlei de praia) e seleções masculina e feminina de vôlei.

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sexta-feira, 22 de abril de 2011 Olimpíadas, Pan-Americano | 23:50

Juliana e Larissa brilharam. Mas calma lá, pachecos!

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A dupla Juliana e Larissa saiu na frente por uma vaga para as Olimpíadas de Londres

Está certo que eu já esperava por isso, mas a coisa começou mais cedo do que imaginava. Em ano de Pan-Americano, era natural aguardar doses cavalares de pachequismo da mídia brasileria (em especial a televisão), que adora tirar uma casquinha dos feitos dos atletas brasucas, enaltecendo as diversas medalhas de ouro que o Brasil ganha no Pan, cujo nível técnico há muitos anos deixou de ser forte. Aí, no ano seguinte, quando chegam as Olimpíadas, é aquela decepção…

Os exageros começaram nesta sexta-feira, com a conquista da primeira etapa do Circuito Mundial de vôlei de praia, disputa em Brasília, e que teve a dupla brasileira Juliana e Larissa campeã, após derrotar na final as fortes americanas Walsh e May, bicampeãs olímpicas, por 2 sets a 1. Foi uma bela vitória, sem dúvida, quebrando uma série de 80 jogos de invencibilidade das americanas no torneio, que disatribuirá 16 vagas para as Olimpíadas de Londres, no ano que vem.

Com transmissão ao vivo pela Globo numa ensolarada Sexta-feira Santa, o triunfo das brasileiras logo despertou uma série de comentários, em redes sociais, sites etc, dizendo que as brasileiras já pintam como favoritas para a medalha de ouro em Londres. Calma lá, pachecada!

Juliana e Larissa são, de fato, uma das melhores duplas do mundo. Talvez, neste momento, sejam mesmo as melhores. Mas precisamos contextualizar o momento das americanas. Elas voltam a atuar juntas após dois anos separadas, quando Walsh paralisou a carreira para ser mãe e May se aventurava no reality show “Dançando com as Estrelas”, quando inclusive sofreu uma ruptura no tendão de Aquiles esquerdo.

Por isso, ainda é muito cedo para eleger qualquer favorito ao ouro olímpico. Duro é fazer os pachecos sossegarem na cadeira.

PS: para os mais novos, uma explicação: “pacheco” era um personagem criado pela Gillette, na Copa do Mundo de 82, na Espanha, representando aquele torcedor fanático, doente pela seleção brasileira. O Brasil não ganhou nada naquele Mundial, mas a figura do pacheco ficou eternizada. Cuidado, pode ter um pacheco sentado bem ao seu lado…

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