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Posts com a Tag Indianápolis 1987

sábado, 25 de maio de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Seleção brasileira | 09:10

Quando éramos reis

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Wlamir Marques, capitão da seleção brasileira masculina, recebe de Antonio Reis Carneiro, presidente da Fiba, o troféu do bicampeonato mundial de basquete, em 1963

Pego emprestado o título do excepcional documentário ganhador do Oscar de 1997, sobre a inesquecível disputa do título dos pesos pesados entre Muhammad Ali e George Foreman para reverenciar heróis de um outro esporte. Uma modalidade que andou meio maltratada por aqui, mas que começa a dar sinais de recuperação.

Os mais novos podem não acreditar, mas houve um tempo em que o basquete masculino do Brasil esteve entre os melhores do mundo e no coração do torcedor brasileiro, só perdia para o futebol em termos de popularidade. Os que atualmente vibram e aplaudem os feitos excepcionais das equipes masculina e feminina de vôlei comandadas por Bernardinho e José Roberto Guimarães não têm ideia da força que já teve a seleção brasileira de basquete.

Justamente neste sábado, completam-se 50 anos de uma conquista inesquecível. Foi num 25 de maio de 1963 que a equipe comandada pelo técnico Togo Renan Soares, o Kanela, tendo em quadra verdadeiros gênios como Wlamir Marques, Amaury Pasos, Rosa Branca, entre outros, derrotou os EUA no Ginásio do Maracanãzinho e faturou o bicampeonato mundial. Para lembrar esta data histórica, o iG conversou com alguns dos remanescentes desta seleção e preparou um infográfico com detalhes da campanha no Mundial.

O Brasil vivia em 1963 o auge de uma “geração de ouro”, que começou a colecionar conquistas em 1959, com o título do primeiro Mundial, no Chile. Outros feitos brilhantes viriam, como as duas medalhas de bronze olímpicas, em Roma 1960 e Tóquio 1964, além do terceiro lugar no Mundial de 1967, no Uruguai, e o vice-campeonato mundial de 1970, na extinta Iugoslávia.

Se levarmos em conta que houve ainda um vice-campeonato mundial em 1954, no Rio de Janeiro, chega-se a uma marca assombrosa: o Brasil esteve entre os quatro primeiros do ranking mundial do basquete masculino durante nada menos do que 16 anos. São quase duas décadas brigando de igual para igual com EUA, União Soviética e Iugoslávia, as maiores forças da modalidade. Definitivamente, isso não é para qualquer um.

Toda homenagem ainda será pouca para estes grandes heróis do esporte nacional. O legado desta brilhante equipe ficou apenas na memória de quem pôde vê-la em ação. Dentro de quadra, nunca mais o Brasil contou com uma geração tão talentosa. Nem mesmo a seleção de Oscar, Marcel e Cia, que apesar de talentosa, teve como ponto alto o ouro no Pan de Indianápolis, em 1987, e só.

Por isso, se você gosta de basquete, hoje é dia de reverenciar Amauy Pasos, Wlamir Marques, Ubiratan Maciel (morto em 2002), Mosquito, Paulista, Rosa Branca (morto em 2008), Jathyr, Menon, Sucar, Victor, Blatskauskas (morto em 1964) e Fritz, todos comandados por Kanela (morto em 1984). O basquete brasileiro deve muito a todos eles.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 20:45

Ary Ventura Vidal…

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Ary Vidal, que morreu nesta segunda-feira, já vinha sofrendo com problemas de saúde há algum tempo

Ainda estava tentando assimilar o soco no estômago deste domingo, após a tragédia de Santa Maria que causou a morte de mais de 230 jovens, quando abro a internet e me deparo com a notícia da morte de Ary Vidal, um dos maiores treinadores que o basquete brasileiro já conheceu. Ele estava com 77 anos e já vinha doente há algum tempo, tendo sofrido um AVC  anos atrás e mais recentemente um infarto e insuficiência renal. Ele será sepultado nesta terça-feira, no Rio de Janeiro.

Seria até redundante tentar explicar em algumas linhas deste post a importância de Ary Vidal para o basquete brasileiro. Com uma precoce carreira de treinador, iniciada em 1959, comandou as principais equipes do país, sempre introduzindo nelas um traço que o perseguiu ao longo da carreira: o gosto pelo jogo ofensivo, intenso.

Característica essa que foi marcante na maior conquista de sua carreira e uma das principais do próprio basquete masculino nacional, com a medalha de ouro no Pan-Americano de Indianápolis, em 1987. Na ocasião, a seleção brasileira causou a primeira e única derrota de uma equipe dos EUA (que só tinha um tal de David Robinson no elenco) em seu próprio território, vencendo a final por 120 a 115. E o grande segredo desta vitória o próprio Ary se orgulhava em contar: estimular os chutes da linha de três pontos de Oscar e Marcel, os especialistas neste fundamento.

“Quando a Fiba introduziu a linha de três pontos, eu virei para o Oscar e o Marcel e disse que se conseguíssemos saber tirar proveito disso, teríamos uma arma imbatível. E estava certo”, disse Ary certa vez, em uma das várias oportunidades em que tive a honra de entrevistá-lo.

Críticos diziam que Ary Vidal era apenas um “bom motivador” de elencos repletos de craques e medalhões. Ouvi isso de alguns dirigentes. Pura inveja, na minha opinião. Ou como justificar que um mero “motivador” exiba um aproveitamento de mais de 74% de vitórias no comando da seleção (92 vitórias e 29 derrotas)? E como explicar aos invejosos o feito histórico de Ary Vidal, ao transformar um time sem estrelas, como o Corinthians de Santa Cruz do Sul (RS), em campeão brasileiro, na temporada de 1994?

E vale lembrar que com Ary Vidal, o Brasil subiu ao pódio pela última vez na história dos Mundiais de basquete, em 1978, nas Filipinas. E antes do argentino Rubén Magnano dirigir o Brasil em Londres 2012, foi Vidal quem estava à frente da seleção masculina em sua última participação em Olimpíadas, em Atlanta 1996, ao classificar a equipe durante o Pré-Olímpico de Neuquén (Arg), em 95.

Aliás, é deste torneio que guardo uma das lembranças mais marcantes de Ary Vidal, um homem que era extremamente inteligente, bom de papo, adorava falar com os jornalistas e, talvez por conta de tudo isso, bastante vaidoso. O Brasil fazia uma campanha irregular e chegou à última rodada da segunda fase ameaçado de eliminação. Para isso, bastava o Uruguai bater Cuba, na preliminar de Brasil x Porto Rico.

A turma de jornalistas brasileiros estava posicionada para acompanhar a partida, meio ressabiada, já prevendo o pior. Eis que vimos Ary na tribuna de imprensa, sentado ao nosso lado. Ele disse que não conseguiria esperar o resultado no hotel e decidiu chegar antes da delegação. Ainda assim, esbanjava confiança:  “Cuba vai vencer”, disse, mostrando um otimismo até um pouco excessivo, pela situação dramática do time. Mas ele não perdeu a pose, muito pelo contrário.

Só sei que durante o jogo, ele fumou pelo menos uns cinco cigarros, um atrás do outro, sem dizer uma palavra. No final, o inacreditável: Cuba, que até então era o saco de pancadas, venceu os uruguaios por 20 pontos de diferença, assegurando a passagem do Brasil para as semifinais. Aí, Ary Vidal se virou para o grupo de jornalistas, e todo pimpão, nos desafiou: “Eu não disse que Cuba iria ganhar?”, dando uma piscada marota.

Sim, Ary Ventura Vidal vai fazer muita falta…

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013 Ídolos, Isso é Brasil | 14:07

O premiado começo de ano do esporte olímpico do Brasil

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A ponteira Alexandra Nascimento sobe para fazer mais um gol nos Jogos de Londres

Atualizado

O começo de 2013 não poderia ser melhor para o esporte olímpico do Brasil. Nem bem a segunda semana do ano terminou e pintaram duas notícias dando conta de premiações (ou futuras premiações). A primeira foi a eleição da ponteira Alexandra Nascimento como melhor jogadora do mundo no handebol, após pesquisa feita pela IHF (Federação Internacional de Handebol). Destaque na bela campanha do Brasil nas Olimpíadas de Londres (quando o time ficou em sexto lugar), Alexandra recebeu 28% dos votos dos internautas.

O prêmio tem ainda mais relevância por dois aspectos: primeiro, a falta de tradição do Brasil na modalidade. Depois, pelo fato de ela ter ficado à frente de jogadoras mais consagradas (inclusive das campeãs olímpicas norueguesas) e tendo sido escolhida por um público que realmente acompanha a modalidade. Claro que o fato de atuar no Hypo, da Áustria, uma das melhores equipes do mundo, também aumentou a visibilidade da brasileira. Uma escolha mais do que merecida.

Outra bela notícia veio no basquete, com as indicações do ex-cestinha Oscar Schmidt e do técnico Togo Renan Soares, o Kanela, para tentar um lugar no Naismith Memorial Basketball, em Springfield (EUA). Este é o Hall da Fama mais badalado da modalidade, onde estão imortalizadas estrelas como Michael Jordan, Magic Johnson e Kareen-Abdul Jabar. Entre os brasileiros, Hortência Marcari e Ubiratan Maciel já foram admitidos.

A chegada de Oscar é até tardia, embora o Naismith tenha algumas regras para receber as indicações, entre elas a de estar pelo menos cinco anos aposentado das quadras. Mas já passou do tempo para Oscar integrar a lista dos grandes do basquete mundial. Sem dúvida que sua atuação assombrosa na final do Pan-Americano de Indianápolis 1987, quando ele destruiu a seleção dos EUA na final, ajudará em sua eleição.

A presença de Kanela também é mais do que merecida. Os mais novos talvez não saibam, mas ele foi o grande responsável em montar a chamada “geração de ouro” do basquete brasileiro, que foi bicampeã mundial (1959/63) e duas vezes medalhista olímpica (bronze em Roma 1960 e Tóquio 1964).

Atualização: no começo da tarde desta terça-feira, a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) enviou email confirmando que o nome do ex-ala Amaury Pasos também integra a lista de indicados ao Naismith Memorial Basketball, que por engano referiu-se ao bicampeão mundial erroneamente como Thiago Pasos. Ao lado de Wlamir Marques, Amaury era um dos principais nomes da seleção comandada por Kanela na década de 60.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011 Histórias do esporte, Imprensa, Olimpíadas, Pré-Olímpico, Seleção brasileira | 23:51

O foca, o fumante e o sufoco

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O basquete masculino brasileiro começa nesta terça-feira, em Mar Del Plata (Argentina), mas uma tentativa de retornar aos Jogos Olímpicos, com a disputa do Torneio Pré-Olímpico. E esta estreia, diante da Venezuela, me faz vir à mente duas edições do Pré-Olímpico que acompanhei pessoalmente, em 1984, no Ginásio do Ibirapuera, e o de 1995, na mesma Argentina, só que nas cidades de Tucuman e Neuquén.

Em 84, o Brasil foi escolhido para receber a sede da competição eliminatória para os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Ainda estava na faculdade, mas trabalhava como estagiário na “Rádio Gazeta”, em São Paulo, quando foi escalado para participar da cobertura do evento. Era a minha primeira cobertura fora da redação e estava naturalmente empolgado.

Na verdade, empolgado até demais. Após uma das partidas em que o Brasil não tinha jogado bem, apesar de ter vencido o jogo. Então, eis que o foca aqui (jargão jornalístico para jornalista inexperiente) chegou todo afobado no primeiro jogador que apareceu pela frente para repercutir a atuação ruim da seleção. Não me lembro mais como foi a pergunta, só sei que o então pivô Marquinhos (o entrevistado) me passou tamanha descompostura (sem ofender, é bom dizer) que confesso ter ficado com vergonha e não usei a gravação.

Onze anos depois e bem mais experiente, eis que outro Pré-Olímpico surgiu em minha vida. Escalado pelo “Diário Popular” (hoje “Diário de S. Paulo), fui acompanhar a campanha brasileira em Tucuman e Neuquén, na Argentina. Em 1995, estavam de volta à seleção os veteranos afastados no Mundial de 1994, quando o Brasil deu um vexame e ficou em 11º no Mundial do Canadá. Entre os que voltavam à equipe, ninguém menos do que Oscar Schmidt, ainda em plena forma, além do técnico Ary Vidal, refazendo a parceria que rendeu à seleção o título do Pan-Americano de 1987, em Indianápolis

Oscar Schmidt foi fundamental na campanha do Pré-Olímpico de 95

Mas nem mesmo com Oscar estava sendo capaz de colocar a seleção nos eixos. Na fase final do torneio, em Neuquén, um dia após uma derrota para o Canadá, o Brasil estava praticamente eliminado dos Jogos Olímpicos de Atlanta. No dia seguinte, ao lado de outros jornalistas brasileiros, cheguei ao ginásio para acompanhar a partida entre Uruguai e Cuba, pela última rodada. Os uruguaios vinham fazendo uma ótima campanha e se batessem os cubanos (que não tinha mais chance de classificação e só cumpria tabela), ficariam com a mão na vaga e já eliminariam o Brasil.

Eis que chegamos à tribuna de imprensa, no local destinado aos jornalistas brasileiros e quem estava na tribuna? Ary Vidal. Ele disse que não conseguiria esperar o resultado no hotel e decidiu chegar antes da delegação. E começamos a ver algo que parecia impossível: o Uruguai jogando sua pior partida no torneio, enquanto que Cuba acertava todas as bolas.  A cada cesta de Cuba, Vidal acendia freneticamente um cigarro atrás do outro (sim, em 1995 ainda se podia fumar nos ginásios, ao menos em Neuquén).

Só sei que Cuba venceu por 20 pontos de vantagem (109 a 89), justamente o resultado que eliminaria o Uruguai e classificava o Brasil para as semifinais, para alívio de Ary Vidal, que praticamente consumiu todo o seu maço de cigarros.

Que o Brasil tenha sorte neste Pré-Olímpico de Mar Del Plata.

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sexta-feira, 17 de junho de 2011 Olimpíadas, Pré-Olímpico, Seleção brasileira | 18:46

Era uma vez o basquete do Brasil…

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O americano Larry (à esq) e Nezinho: futuros companheiros de seleção?

Antes de mais nada, devo informar que não tenho absolutamente nada contra o distinto armador americano Larry Tayler, titular do Bauru no último campeonato do NBB (Novo Basquete Brasil) e um dos destaques da competição. Mas é duro aceitar que este jogador, que no máximo integraria a seleção C dos EUA (e estou sendo benevolente) integre uma lista de convocados da seleção brasileira masculina de basquete para a disputa do Pré-Olímpico de Mar del Plata, em setembro.

Não é xenofobismo, racismo ou qualquer outro “ismo”. Mas será mesmo que o Brasil precisa esperar pela naturalização de um jogador nota 6,5, no máximo? Se fosse tão bom assim, ele não estaria jogando na própria NBA ou nas ligas de acesso? Ou até mesmo no forte basquete europeu, que está anos-luz à frente do Brasil em termos de organização, estrutura e condições financeiras?

No mais, a opção em tentar emplacar Larry Taylor na seleção brasileira, uma decisão polêmica e sem sentido do técnico argentino Rubén Magnano – com anuência da direção da CBB (Confederação Brasileira de Basquete) – só comprova que o basquete brasileiro continua mais perdido que cachorro em dia de mudança! Lamentável…

Prefiro assinar embaixo da opinião do ex-ala Marcel, medalha de bronze no Mundial de 1978 e medalha de ouro no Pan-Americano de Indianápolis, em 1987, ao iG Esporte: ““Acontecem tantas coisas no basquete brasileiro que eu não me surpreendo com mais nada. Não é possível que não haja um jogador brasileiro para ser chamado. Se o Larry fosse tão bom assim, Bauru já tinha sido campeão, pois armador ganha campeonato”.

Cesta de três pontos de Marcel!

PS: o companheiro José Antônio Lima, um dos editores do ótimo blog “Esporte Fino”, fez um post tratando sobre este mesmo tema e discorda 100% em relação a este blogueiro. Vale a leitura!

Veja também:

>>O calendário pré-olímpico do basquete

>>Os uniformes do Brasil para o Pré-Olímpico de basquete

>>Greve na NBA já afetou um Mundial de basquete

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domingo, 12 de junho de 2011 Almanaque, Pan-Americano | 22:46

Os cartazes do Pan (10)

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10º Jogos Pan-Americanos – Indianápolis (EUA)

Período de disputa: 7 a 23/8/1987
Países participantes: 38
Modalidades esportivas disputadas: 27
Total de atletas: 4.453

Quadro final de medalhas (cinco primeiros colocados):

Veja tembém:

Os cartazes do Pan (1)

Os cartazes do Pan (8)

Os cartazes do Pan (9)

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