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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014 Histórias do esporte, Ídolos, Isso é Brasil, Listas, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 19:03

Uma breve reflexão sobre números e medalhas

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Seleção feminina de handebol comemora a conquista do inédito título mundial na Sérvia

Seleção feminina de handebol comemora o inédito título mundial na Sérvia

Neste primeiro post de 2014, creio ser ainda ser necessário comentar sobre um fato que acabou passando batido por aqui no final do ano recém-encerrado: a campanha dos esportes olímpicos do Brasil em 2013, que cravaram o melhor desempenho do país no primeiro ano pós-olímpico desde 2000. Graças aos diversos mundiais que estiveram em disputa na última temporada, o Brasil conseguiu um total de 27 medalhas em modalidades presentes no programa olímpico, feito nunca antes alcançado. Antes disso, a melhor marca havia sido alcançada em 2005, um ano após as Olimpíadas de Atenas 2004, com 11 medalhas.

Destas 27 medalhas, oito delas foram de ouro, a última delas conquistada de forma brilhante pela seleção feminina de handebol, campeã mundial diante da Sérvia, em dezembro. Os demais ouros de 2013 vieram com César Cielo (natação – 50 m livre); Arthur Zanetti (ginástica artística – argolas); Rafaela Silva (judô – 57 kg); Jorge Zarif (vela – classe Finn); Robert Scheidt (vela – classe Laser); Poliana Okimoto (maratonas aquáticas – 10 km); e vôlei feminino (Grand Prix).

Diante do ótimo resultado, tanto o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) quanto o Ministério do Esporte – um dos principais financiadores do esporte olímpico nacional, através do Bolsa Atleta e Bolsa Pódio, entre outros convênios – trataram de enaltecer o feito, lembrando em comunicados à imprensa que o Brasil terminou 2013 no oitavo lugar em um hipotético quadro de medalhas envolvendo as competições olímpicas no ano passado. Coincidentemente, o resultado está dentro da meta estabelecida, tanto pelo COB como pelo Ministério, para as Olimpíadas de 2016, no Rio, quando se espera que o país termine os Jogos entre os dez primeiros.

>>> Leia ainda: O dia em que o handebol deixou de ser ‘pé de página’ no Brasil

Mas por uma questão de padronização, esse 8º lugar deveria ser tratado como um 10º lugar. Antes da minha justificativa, uma rápida historinha olímpica…

A extinta União Soviética fez sua estreia em Olimpíadas nos Jogos de Helsinque, em 1952. Em plena Guerra Fria com os Estados Unidos, os soviéticos queriam aproveitar sua primeira participação olímpica para também fazer propaganda do regime comunista. E em sua Vila Olímpica particular (a delegação não quis se misturar com os demais atletas) os dirigentes da URSS instalaram na entrada um quadro onde computava as medalhas que eram conquistadas por seus atletas, em comparação às dos americanos. Era o primeiro quadro de medalhas da história das Olimpíadas. A partir de então, a imprensa passou a publicar listas com o total de medalhas conquistadas a cada edição dos Jogos. Mas essa é uma classificação extra-oficial.

Se você procurar no site do COI (Comitê Olímpico Internacional), não irá encontrar qualquer quadro de medalhas, pois a entidade considera apenas os campeões olímpicos de cada prova. Não sou hipocritamente purista como os nobres membros do COI e considero natural que a imprensa crie uma forma de classificar os ganhadores de medalhas nos Jogos Olímpicos. Porém, é bom deixar claro que oficialmente essa classificação não existe.

>>> Veja também: Mundial de Barcelona coinsagra Cielo, Thiago e Poliana, mas também merece uma reflexão

Os quadros de medalha olímpicos têm em geral sua classificação feita pelo tipo de medalha conquistada: primeiro, ouro, depois a prata, em seguida o bronze e por fim o total de medalhas. Mas é claro que os critérios mudam de acordo com o gosto do freguês. Assim ocorreu com vários veículos de comunicação dos EUA, que começaram a fazer a classificação de seus quadros pelo total de medalhas de Pequim 2008, justamente quando os ouros chineses deixaram as conquistas americanas para trás. No final, a China teve 51 ouros (100 no total) e os EUA faturaram 36 ouros (e 110 no total).

Volto a reforçar: para o COI, essa classificação não tem a menor importância!

No quadro de medalhas olímpicas de 2013 do COB, o critério usado é pelo total de medalhas obtidas. Assim, Japão (dez ouros), Coréia do Sul e Hungria (nove ouros cada um) aparecem atrás do Brasil, que levando em conta a classificação habitualmente adotada pela mídia, ficaria atrás destes três países, mas ainda assim estaria à frente da Austrália ( sete ouros no ano passado), que no quadro original ficou à frente do Brasil.

>>> E mais: O esporte do Brasil merece um campeão como Arthur Zanetti?

Como diz o título do post, o objetivo foi fazer com que uma pequena reflexão seja feita diante dos excelentes resultados obtidos pelos atletas brasileiros no ano que passou. Estamos no caminho certo, mas muito longe ainda de poder apontar o país como uma “potência olímpica”, como alguns mais fanáticos podem pensar.

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segunda-feira, 15 de abril de 2013 Imagens Olímpicas, Olimpíadas | 17:13

Exposição traz o clima olímpico para São Paulo

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A partir desta terça-feira, a cidade de São Paulo sentirá um pouco do clima olímpico. Duas exposições na galeria de arte do Sesi-SP, localizada no Centro Cultural FIESP, na Avenida Paulista, serão abertas ao público nesta terça (dia 16), tendo como temática os Jogos Olímpicos.

Uma delas será  a mostra “Jogos Olímpicos: Esporte, Cultura e Arte”, que reúne cerca de 300 peças que fazem parte do acervo do COI (Comitê Olímpico Internacional), como réplicas das medalhas de todas as Olimpíadas, alguns dos principais mascotes e objetos de ídolos do esporte brasileiro, como as sapatilhas usadas por Adhemar Ferreira da Silva para conquistar o ouro nos Jogos de Helsinque 1952.

A outra é uma exposição fotográfica chamada “Olhar a toda prova”, que retrata de forma artística atletas olímpicos e paraolímpicos. Fotógrafos de publicidade, fotojornalismo e conceituais integram a mostra, como Claudio Edinger, Jonne Roriz, Marlene Bergamo e Renan Cepeda. A mostra reúne 48 imagens de atletas incentivados pelo Sesi.

A mostra ficará aberta ao público (com entrada gratuita) até o dia 30 de junho. Às segundas, funcionará das 11h às 20h; de terça a sábado, das 10h às 20h; e domingos, das 10h às 19h.

A galeria de arte do Sesi-SP fica na Avenida Paulista, 1.313, em frente à estação Trianon-Masp do Metrô – São Paulo

Veja algumas das imagens que estarão nas duas exposições do Centro Cultural FIESP:

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domingo, 18 de março de 2012 Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas, Pré-Olímpico | 14:21

O feito de Pistorius e a história que se repete em Londres

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O húngaro Karoly Takacs, duas vezes campeão olímpico, mesmo tendo uma mão amputada

Ainda na sequência do notável feito obtido neste sábado pelo sul-africano Oscar Pistorius – que obteve índice nos 400 m para disputar as Olimpíadas de Londres 2012 – vale destacar uma incrível coincidência que só o esporte é capaz de nos proporcionar.

Pistorius, que foi o primeiro atleta biamputado a disputar o Campeonato Mundial de Atletismo, em Daegu (Coreia do Sul), no ano passado, ainda depende de uma confirmação da federação sul-africana de atletismo para ter sua participação confirmada em Londres. Mesmo sendo um feito impressionante caso sua participação seja confirmada, Oscar Pistorius não será o primeiro atleta com deficiência física a disputar uma edição de Jogos Olímpicos.

Coincidentemente, a mesma Londres assistiu, na edição das Olimpíadas de 1948, um atleta hoje chamado de paralímpico disputar os Jogos. O húngaro Karoly Takacs, primeiro bicampeão olímpico na modalidade tiro rápido 25 metros, perdeu a mão direita, que foi decepada após a explosão de uma granada, durante a 2ª Guerra Mundial, quando integrava o exército húngaro.

Takacs, que era sargento, fez parte da equipe de seu país que foi campeã mundial em 1938. Pouco tempo depois, ocorreu o acidente. Imaginava-se que ele abandonaria o esporte, mas aconteceu justamente o contrário. Dedicou-se a aprender a atirar com a mão direita e o fez tão bem que, dez anos depois, integrou a equipe húngara de tiro em Londres. E saiu de lá com uma medalha de ouro. Feito repetido nos Jogos de Helsinque, em 1952.

O sargento húngaro que só tinha uma mão ainda disputou os Jogos de Melbourne, em 1956, mas saiu de lá sem medalhas. Isso não importa. O fato é que tanto Pistorius e suas pernas de fibra de carbono, quanto Takacs que ganhou dois ouros com apenas uma mão, merecem entrar na história dos heróis olímpicos.

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012 Almanaque, Histórias do esporte, Imprensa, Olimpíadas | 22:11

Darth Vader olímpico

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Antes de brigar com os Jedis, Darth Vader deu uma canja nas Olimpíadas

E a notícia olímpica mais importante do dia estava ali, perdidinha, na página  8 do caderno Ilustrada da “Folha de S. Paulo”: o inglês Bob Anderson, de 89 anos, morreu nas primeiras horas do último domingo, primeiro dia de 2012. Mas quem é Bob Anderson, deve estar perguntando o(a) caro(a) internauta? E que raios a foto do Darth Vader, personagem-símbolo da saga “Star Wars” está fazendo num blog de esportes olímpicos?

Bob Anderson (à dir.) disputou os Jogos de 1952

Bem, Bob Anderson era simplesmente um dos melhores treinadores de esgrima para atores de Hollywood e, além disso, foi ele o dublês das cenas de lutas com o sabre de luz que Vader travou com Obi-Wan Kenobi e Luke Skywalker na série.

Além disso, Anderson tinha uma forte ligação com o esporte. Ele foi atleta olímpico, tendo disputado os Jogos Olímpicos de Helsinque-52, integrando a equipe da Grã-Bretanha. Na ocasião, os poderes da Força (o campo de energia criado  por todos os seres vivos, no universo de Star Wars) fizeram falta para Anderson e seus companheiros: os britânicos não passaram de um modesto quinto lugar nos Jogos de 52, empatados com Bélgica, Áustria e Polônia.

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quinta-feira, 16 de junho de 2011 Almanaque, Imprensa, Olimpíadas | 23:17

Olimpíadas e política, uma mistura que não dá certo

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O primeiro grande boicote da história das Olimpíadas ocorreu nos Jogos de Moscou, em 1980

Um belo mico diplomático ameaça a tranquilidade dos organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Eis o diagnóstico da informação publicada nesta quarta-feira pelo jornal inglês “The Times”, após revelar que o filho do ditador líbio Muammar Kadafi, que preside o comitê olímpico de seu país, receberá centenas de ingressos para acompanhar as Olimpíadas do ano que vem. O problema é que a Líbia está sofrendo sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) e o próprio Kadafi está proibido de sair de seu país, devido a uma ordem de prisão internacional. Uma bela confusão, em resumo.

Pelo regulamento do COI (Comitê Olímpico Internacional), os organizadores dos Jogos de Londres são obrigados a dar ingressos a um país que faz parte da entidade, mas se pudesse não dar…Na verdade, a política nunca combina com o esporte, eis uma verdade incontestável. Quando o assunto são as Olimpíadas, isso adquire uma repercussão ainda maior. Abaixo, alguns exemplos de quando assuntos políticos interferiram na história dos Jogos:

Berlim-1936: Na Alemanha nazista de Hitler, o primeiro grande exemplo de mico político. Os alemães já davam sinais do que fariam ao mundo alguns anos depois e usaram os Jogos para fazer apologia da doutrina da superioridade da raça ariana. Hitler e sua turma só não contavam que um negro americano chamado Jesse Owens acabasse com seus planos, conquistando quatro medalhas de ouro nas barbas do ditador nazista.

Cidade do México-1968: Os EUA sofriam com as críticas da opinião pública de seu país por conta da participação na Guerra do Vietnã. Além disso, o movimento negro lutava duramente contra a discriminação nos EUA, o que só piorou com o assassinato do líder Martin Luther King, meses antes dos Jogos mexicanos. Eis que no pódio dos 200m rasos, os velocistas americanos Tommie Smith e John Carlos realizaram a saudação do movimento Black Power no pódio. Após a premiação, foram mandados de volta para casa.

Montreal-1976: Por causa de divergências políticas, sempre houve uma ou outra desistência de países participando das Olimpíadas. A União Soviética, por exemplo, só foi participar pela primeira vez nos Jogos de 1952, em Helsinque. Mas a primeira vez em que a política fez um estrago nos Jogos Olímpicos foi nos Jogos de Montreal, no Canadá. Por causa de uma excursão de um time neozelandês à África do Sul, que vivias o regime do apartheid, o Congo pediu ao COI que excluísse a Nova Zelândia dos Jogos. Como o pedido não foi atendido, no dia da cerimônia de abertura 16 nações africanas, além de Guiana e Iraque se retiraram da competição.

Moscou-1980: Foi nas Olimpíadas organizadas pela então União Soviética, em 1980, que houve a maior derrota do esporte para a política . Liderados pelos EUA, um grupo de 69 países decidiu boicotar as Olimpíadas de Moscou, em represália à invasão soviética ao Afeganistão.

Los Angeles-1984: O troco veio quatro anos depois, quando a União Soviética comandou um boicote de 14 países do bloco socialista e mais Irã e Líbia aos Jogos organizados pelos EUA. Novamente o esporte perdeu para a política.

Seul-1988: Por estar tecnicamente em guerra com a Coreia do Sul (o tratado de paz nunca foi assinado),  a Coreia do Norte não compareceu às Olimpíadas de Seul. Ao lado dela, também aderiram ao mini-boicote Cuba (uma ausência importante), Etiópia e Nicarágua (que não fez lá muita falta).

Veja também:

Que moleza para o COI, hein?

O adeus de um herói da era pré-Phelps

Sorteio decidirá o destino de ingressos para Londres-12

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