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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas | 23:52

É esse o ministro do Esporte da sede dos Jogos de 2016?

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“Gostaria de tranquilizá-los para, muito humildemente, dizer que posso não entender profundamente de esportes, mas entendo de gente”

O novo ministro do Esporte, George Hilton, discursa em sua posse, nesta sexta-feira

O novo ministro do Esporte, George Hilton, discursa em sua posse, nesta sexta-feira

Seria pegadinha ou uma piada de péssimo gosto? O fato é que nesta sexta-feira, tomou posse no cargo de ministro do Esporte, teoricamente o representante direto da presidenta da República como o grande responsável pela coordenação do maior evento poliesportivo do mundo daqui a menos de dois anos, uma pessoa que assumidamente não entende da área a qual foi escolhido para trabalhar.

Não duvido, até prova em contrário, que seja uma pessoa honesta e bem intencionada. Mas definitivamente, não é do ramo.

A presença de George Hilton para assumir uma pasta que tem papel fundamental tanto na organização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio 2016 como na preparação da equipe brasileira que participará do mega evento foi só um dos absurdos reservados pela presidenta reeleita Dilma Rousseff na divulgação de seu novo ministério.

Vamos aqui, contudo, nos ater apenas ao tema ligado ao blog. Foi uma escolha, para dizer o mínimo, infeliz. Só mesmo a necessidade de fazer inúmeras alianças para garantir um mínimo de governabilidade neste início de novo governo pode justificar a temerosa escolha da presidenta em trocar algo que bem ou mal estava funcionando por um futuro extremamente duvidoso.

Não que com o PC do B a coisa estivesse correndo tudo às mil maravilhas. A gestão tinha problemas, basta apenas lembrar as tumultuadas saídas de Agnelo Queiroz e Orlando Silva, antecessores de Aldo Rebelo no cargo. A própria organização dos Jogos do Rio capengou até que o COI desse uma espécie de ultimato no começo de abril do ano passado para que todas as esferas envolvidas (municipal, estadual e federal) se entendessem.

Mas o fato é que as coisas estavam fluindo com a gestão anterior. A política de distribuição de verbas para a preparação dos atletas de alto rendimento, por exemplo, é bastante questionável – optou-se por privilegiar um grupo limitado de atletas por conta de uma meta de medalhas em 2016 que não representará a realidade do país. Ainda assim, estes atletas de ponta, que deverão brigar ou mesmo ganhar medalhas nas próximas Olimpíadas, não poderão dizer que não tiveram recursos financeiros em sua preparação, com os milhões de reais distribuídos pelos planos Bolsa Pódio e Bolsa Atleta, entre outros programas governamentais. Tudo para deixar o Brasil entre os 10 primeiros do quadro de medalhas, meta estabelecida pelo governo e também pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil)

George Hilton, portanto, chega em um cenário que aparentemente as coisas estão funcionando. A grande incógnita é saber se, consciente de seu desconhecimento quase total no esporte, deixará tudo funcionando como está, ou irá fazer uma mexida geral na casa.

Já se comenta nos bastidores de Brasília que que Dilma pretende deixar a organização das Olimpíadas sob responsabilidade do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o que desmoralizaria ainda mais o praticamente desconhecido Hilton. Não foi à toa que a ONG “Atletas pelo Brasil” soltou um manifesto no dia 29 de dezembro criticando duramente a escolha de uma pessoa com ligações praticamente inexistentes com o esporte, algo inconcebível num período como o que se avizinha. E não deixa de ser irônico que a única voz de apoio a George Hilton tenha vindo da CBF, que representa o que há de mais anacrônico e incompetente na estrutura esportiva do Brasil.

Este ano promete…

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