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terça-feira, 20 de agosto de 2013 Com a palavra, Histórias do esporte, Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 23:54

O arrependimento de Vanda e a fragilidade do atleta brasileiro

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“O que eu quis dizer quando falei comer mal e dormir mal é que quando você sai do conforto da sua casa, você está comendo mal e dormindo mal. Não me lembro de ter dito que a CBAt não nos deu comida ou pouso”

Vanda amenizou o tom das críticas no Brasil

A frase da velocista Vanda Gomes, menos de 48 horas depois de soltar o verbo, ao tentar justificar a eliminação da equipe brasileira na final do revezamento 4 x 100 feminino, durante o Mundial de atletismo de Moscou, não deve surpreender ninguém. Depois de acusar com todas as letras, aos microfones do canal Sportv, que a preparação foi deficitária, que as atletas tiveram problemas com alimentação, hospedagem etc, Vanda decidiu recuar.

Na verdade, naquele momento ela nada mais estava do que tentando encontrar uma explicação para aquela cena inacreditável: a queda do bastão na última passagem, em uma prova que tinha tudo para terminar com as brasileiras no pódio na Rússia.

Não é de hoje que atletas brasileiros acabam falando mais do que devem e depois, diante da pressão externa, acabam voltando atrás. O atletismo é mestre em ter situações como essa. Lembro-me bem de Joaquim Cruz, ao dar uma entrevista na qual deixava claro que suspeitava da condição da americana Florence Griffth-Joyner, já falecida, nas Olimpíadas de Seul 1988. Cruz acreditava que as incríveis marcas dela nos 100 e 200 m eram frutos de doping. A repercussão de suas palavras – o brasileiro foi campeão olímpico nos 800m em Los Angeles 1984 e prata na Coreia do Sul na mesma prova – foi tamanha que Cruz precisou se retratar, dizendo que fora mal interpretado.

Veja também: As lições do Mundial de Moscou ao atletismo do Brasil

É natural que Vanda Gomes esteja frustrada, irritada e até envergonhada com  o erro que pode ter custado uma medalha para o Brasil. Mas não se pode cravar que o erro foi apenas dela. Era uma prova em equipe, afinal. E nem ninguém pode eximir a comissão técnica da  CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) de algum tipo de culpa também.

E mais: O fiasco brasileiro no Mundial de atletismo e a miopia dos críticos

Acho que todos têm sua parcela de responsabilidade neste caso e na  fraca participação brasileira em Moscou, de modo geral. E a maior prova do equívoco da atleta foi que o discurso das outras integrantes da equipe não seguiu na mesma linha. Para piorar, a CBAt pretende puni-la de forma severa pelas declarações.

O que fica evidente é que falta preparo psicológico a muitos atletas em competições de alto nível. Mais do que simples “frescura”, um trabalho sério de psicologia esportiva mostra-se cada vez mais necessário, para qualquer equipe. No caso do esporte brasileiro, carente em tentas coisas, isso pode fazer a diferença entre um bastão no chão e uma medlaha no peito.

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