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quarta-feira, 22 de abril de 2015 Ídolos, Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 20:47

Anderson Silva na seletiva do taekwondo é o fim da picada

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CBTKD/Divulgação

Anderson Silva participa da entrevista coletiva ao lado do presidente da CBTKD, Carlos Fernandes

Tudo foi muito bem ensaiado, milimetricamente estudado, como mandam os bons manuais dos magos do marketing corporativo. A entrevista coletiva de Anderson Silva, astro do MMA que pleiteia um lugar na equipe olímpica do Brasil de taekwondo para as Olimpíadas do Rio 2016, bem poderia ser um destes “cases” de eventos de sucesso para qualquer empresa de assessoria de imprensa ou relações públicas. Mas foi na verdade um soco na cara do movimento olímpico e também um grande golpe de marketing.

Tudo que cercou a coletiva desta quarta-feira parecia ser antecipadamente estudado. Primeiro, a entrada no auditório com uma hora de atraso, ao lado de várias crianças, todas trajando quimonos brancos. Depois, as palavras escolhidas com cuidado (“Não estou aqui para desagregar, mas para unir forças” e “É um desafio que estou disposto a enfrentar e não estou com medo de passar vergonha”), para não causar maiores embaraços com seus futuros companheiros e rivais por uma vaga olímpica. Houve até mesmo vetos antecipados para perguntas incômodas, a respeito do mal explicado caso duplo de doping do lutador brasileiro no período de sua luta contra o americano Nick Diaz. Afinal, aquele era um evento de celebração, não cabia dar voz a questionamentos aborrecidos, não é mesmo?

A confirmação de que o “Spider” poderá disputar a seletiva dos pesos pesados (acima de 80 kg) para a seleção brasileira de taekwondo precisa ser encarada de duas formas. A primeira, trata-se de uma esperta estratégia de marketing que atende aos interesses dos dois lados, CBTDK (Confederação Brasileira de Taekwondo) e do próprio lutador. O presidente da entidade, Carlos Fernandes, admitiu que o interesse do lutador em voltar ao esporte que o colocou nas artes marciais equivaleria a um ‘bilhete premiado da Mega Sena”.

E mais: Anderson Silva no Rio 2016 é marketing e nada mais

Para Anderson Silva, o assunto não poderia vir em melhor hora. Seu julgamento pela Comissão Atlética de Nevada sobre o doping na luta contra Diaz deve ocorrer no próximo mês de maio. E nada melhor do que criar uma nova história de superação para atuar como cortina de fumaça do ponto mais baixo da carreira de um atleta que não se dá o direito de mostrar qualquer faceta negativa.

A outra forma de ver o que foi sacramentado nesta quarta-feira é uma facada profunda nos princípios do esporte olímpico. Em primeiro lugar, a confederação ‘rasgou’ seu regulamento, sem dó nem piedade. Por mais que Fernandes diga (como o fez na coletiva) que o ranking olímpico – classificação criada pela federação internacional para cada país poder ter um parâmetro de formação de suas equipes – não contará para a seletiva e que Anderson Silva “não entrará pela janela”, ou seja, terá que lutar para conseguir sua vaga, na prática a coisa é bem diferente. Anderson Silva, que não participou de nada do último ciclo olímpico do taekwondo, já terá oportunidade de participar das seletivas.

Certamente alguém, que batalhou nos últimos quatro anos sonhando com a possibilidade de defender o Brasil nas Olimpíadas do Rio, ficará de fora. Isso é óbvio.

Há ainda o aspecto moral, o do doping. Estamos falando de um mega evento esportivo que luta há anos para tentar limpar sua imagem de atletas trapaceiros, como os alemães orientais, como Ben Johnson, como Marion Jones. Anderson Silva testou positivo para duas substâncias anabolizantes. Se o UFC fosse signatário da Wada (Agência Mundial Antidoping), o brasileiro já teria seu “sonho olímpico” enfiado no buraco. Mas como o UFC é uma terra de ninguém no que diz respeito ao doping, o Brasil poderá ter em 2016 um atleta que se dopou e não foi punido adequadamente brigando por uma medalha de ouro.

Ainda muita água irá rolar até janeiro do ano que vem, data prevista para a seletiva. Muito também irá se discutir se a presença de Anderson Silva é válida ou não, é eticamente aceitável ou não. Se ele for aos Jogos, os organizadores vão esfregar as mãos de satisfação, com o retorno de imagem e de venda de ingressos que a presença do brasileiro irá trazer.

Por enquanto, vejo tudo como uma grande derrota do esporte.

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 Histórias do esporte, Ídolos, Isso é Brasil | 19:05

E se o doping fosse do Bolt?

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Anderson Silva se prepara para enfrentar Nick Dias: doping do brasileiro é uma derrota feia do esporte

Anderson Silva se prepara para enfrentar Nick Dias: doping do brasileiro é uma derrota feia do esporte

A madrugada desta quarta-feira mal havia começado quando a notícia pipocou nas várias telas abertas do computador, obviamente com efeitos devastadores. A informação de que o lutador brasileiro Anderson Silva havia sido flagrado em um exame antidoping fora de competição – e com dois tipos diferentes de anabolizantes presentes -, antes do combate que marcou sua volta ao UFC no último sábado, quando venceu Nick Dias, ainda deixa muita gente chocada.

Mas o que a notícia de um doping de um lutador de MMA (artes marciais mistas, na sigla em inglês) tem a ver com um blog sobre esportes olímpicos? A despeito do total desinteresse do blogueiro sobre uma modalidade que conta com milhares de fãs e com uma tropa igualmente numerosa de opositores, tem tudo a ver.

Explica-se: quando um ídolo da gigantesca dimensão que Anderson Silva tem – e não apenas no Brasil – falha em um controle de doping, justamente às vésperas da luta que marcaria seu retorno ao esporte, após uma fratura chocante e transmitida ao vivo, é a prova viva da derrota do esporte.

Faz um certo tempo que comentei por aqui uma frase dita por uma das maiores autoridades no combate ao doping no Brasil, o médico gaúcho Eduardo de Rose. Em julho de 2013, duas das maiores estrelas do atletismo, o americano Tyson Gay e o jamaicano Asafa Powell, tiveram casos de doping revelados, às vésperas do Mundial de Moscou. E ao escrever o post, lembrei-me de uma frase do doutor De Rose, dita durante uma entrevista coletiva: “O doping sempre estará à frente da luta contra as entidades que combatem as substâncias proibidas”.

Por isso, não é exagero dizer que a credibilidade na lisura do esporte morre um pouco a cada caso explosivo de doping como esse de Anderson Silva. Como também ocorreu em 1988, quando após assombrar o mundo na vitória nos 100 m rasos nas Olimpíadas de Seul, o canadense Ben Johnson teve sua medalha cassada após ter sido flagrado pelo uso de anabolizantes. Da mesma forma como abalou a credibilidade a descoberta do terrível esquema de doping montado na Alemanha Oriental nos anos 60 e 70, certamente responsável por vários campeões dopados que jamais foram descobertos.

Ou para ficar em um exemplo mais recente, o inacreditável caso do ciclista Lance Armstrong, que em janeiro de 2013 admitiu que um complexo esquema de doping que o acompanhou em toda a sua carreira e o ajudou a ganhar sete vezes a tradicional Volta da França.

Faça um exercício de imaginação e tente pensar como seria sua fé em um esporte limpo e justo se amanhã surgisse a notícia de que todas as conquistas do jamaicano Usain Bolt ou do americano Michael Phelps só ocorreram por força de substâncias proibidas?

É melhor nem pensar neste pesadelo, certo?

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014 Isso é Brasil, Jogos de Inverno, Mundiais, Olimpíadas | 23:04

Pacotão do dia: decisões históricas do COI, a natação brasileira e doping no atletismo

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O presidente do COI, Thomas Bach, fala durante a 127ª Assembleia Geral da entidade (Foto: Flickr/COI)

Thomas Bach discursa durante a 127ª Assembleia Geral do COI (Foto: Flickr/COI)

Segunda-feira agitada essa que já está quase no fim, para os esportes olímpicos. Em Monaco, o COI aprova de forma unânime as propostas para modernização das Olimpíadas; no Catar, a natação brasileira ainda comemora a campanha inédita no Mundial de piscina curta, que lhe deu o primeiro lugar no quadro geral de medalhas (pelo número de ouros); e por estas bandas, a triste notícia de maia uma atleta flagrada no doping. O post de hoje faz um balanço geral do dia olímpico.

A revolução do COI aprovada

Confesso que não esperava que fosse com tanta facilidade que o presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, conseguisse emplacar as 40 propostas da chamada “Agenda 20 + 20”, cujo objetivo é o de modernizar e tornar mais viáveis (financeiramente falando) os Jogos Olímpicos. Pois todas passaram pelo crivo do COI por unanimidade.

Para mim, o que fica de mais relevante são justamente a decisão de baratear o processo de candidatura das cidades, para atrair novos interessados em receber os Jogos de Verão e Inverno, e a flexibilização do programa esportivo. Este segundo ponto permitiria, por exemplo, a quase certa inclusão do beisebol e softbol, bastante populares no Japão, no cardápio de competições das Olimpíadas de 2020. Já a possibilidade aberta para que outras cidades ou mesmo países possam sediar um evento olímpico de uma outra sede, tem como único objetivo evitar gastos milionários e elefantes brancos. Especula-se que nos Jogos de Inverno de Pyeongchang (Coreia do Sul), em 2018, as provas de bobslead e luge aconteceriam em Nakano (Japão), que tem uma pista permanente da modalidade, evitando-se gastar milhões de dólares com uma estrutura que depois mal seria utilizada.

A real importância da campanha da natação no Catar

Em primeiro lugar, sempre é bom vencer, não importa qual competição. faz bem para o ego do atleta, do treinador, do dirigente, da imprensa, do torcedor. Além disso, as vitórias sempre trazem consigo uma ótima oportunidade para balizar o trabalho dos vencedores com os dos adversários vencidos, mostrando onde está a evolução de um e em que ponto o derrotado precisa evoluir.

O Brasil jamais terminou um campeonato internacional de natação em primeiro lugar no quadro geral de medalhas e por isso que o feito do torneio encerrado em Doha (Catar), neste domingo, no Mundial de piscina curta (25 metros) precisa ser enaltecido. Afinal, foram dez medalhas (sete de ouro, uma de prata e duas de bronze). Enaltecido sim, mas com ressalvas!

A realidade da piscina curta em nada tem a ver com a da piscina convencional, de 50 metros, na distância olímpica. São mundos completamente diferentes, não se pode simplesmente pegar a realidade que vimos na semana que passou em Doha e transportar para a natação mundial. O Brasil não irá virar uma potência da natação porque ganhou o Mundial de piscina curta. O companheiro Marcelo Romano, que edita o ótimo blog Esporte Olímpico Brasileiro, lembrou bem: no Mundial de piscina curta de 2010, o Brasil terminou com três ouros, uma prata e quatro bronzes. Em Londres 2012, foram somente uma prata e um bronze.

É preciso destacar, porém, dois feitos enormes: a primeira medalha (e de ouro) da natação feminina do Brasil, com Etiene Medeiros, nos 50 m costa feminino, ainda com direito a um recorde mundial, e o renascimento de Felipe França, que depois de decepcionar nas Olimpíadas de 2012, mostrou que pode repetir a dose em 2016, nos Jogos do Rio, ao terminar o Mundial com cinco medalhas de ouro, duas em provas individuais, os 50 e 100 m peito, sua especialidade, e as demais em três revezamentos. Estes foram de fato os resultados mais significativos deste campeonato para o Brasil.

O triste doping de Vanda Gomes

Lamentável o desfecho que tomou conta da carreira da velocista Vanda Gomes. Depois do incrível erro cometido no Mundial de Atletismo de 2013, em Moscou, quando deixou cair o bastão na última passagem do revezamento 4 x 100 m rasos feminino, jogando no lixo uma chance quase certa de medalha para o Brasil, a carreira de Vanda entrou em um inferno astral sem fim. Logo depois da prova, ela sai falando cobras e lagartos, reclamando do técnico, da preparação, da falta de treinos, da comida…Deu a maior confusão e na chegada da delegação ao Brasil ela tentou desmentir o que disse diante das câmeras da TV, mas não deu certo. Acabou punida e afastada da seleção.

Pois em setembro, em um antidoping realizado fora de competição, ela testou positivo para a substância proibida Anastrozole (Hormônio e Modulador Metabólico – S4), que é um inibidor de aromatase, medicamento criado para o tratamento do câncer de mama, e utilizado, por atletas para inibir a transformação do hormônio sexual masculino, a testosterona, no hormônio feminino, o estrogênio. Em 11 de novembro ela foi informada do resultado positivo e na última sexta-feira a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) informou que não aceitou suas justificativas. O caso foi encaminhado para o STJD da entidade, que provavelmente aplicará uma pena padrão de dois anos. Ou seja, jogou no lixo as chances que ainda tinha de participar das Olimpíadas de 2016. Lamentável.

 

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sábado, 9 de agosto de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas | 10:00

Na luta contra o doping no Brasil, uma boa e uma má notícia

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Equipamentos começam a ser instalados no novo prédio do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem

Equipamentos começam a ser instalados no novo prédio do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem

Bom, vamos começar pela boa notícia: devem terminar em setembro as obras de construção do novo prédio do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), que está sendo erguido no Instituto de Química da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Será o primeiro passo para o Brasil ter de volta as credenciais da Wada (Associação Mundial de Controle de Dopagem), após perder o direito de realizar exames de controle antidoping no ano passado, graças a diversos erros de procedimento e diagnósticos equivocados.

Ter um laboratório credenciado pela Wada é uma das exigências do COI (Comitê Olímpico Internacional) para a organização das Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016. Por isso, para evitar o risco de não ter o laboratório pronto a tempo, o governo vem correndo contra o tempo para entregar a obra em setembro.

Desde o último mês de julho, parte dos equipamentos e mobiliários  já estão sendo instalados em uma das alas do prédio, para que a partir de setembro a Wada inicie o processo de recredenciamento. Desta forma, o laboratório estará operacional, embora impedido para realizar controles de dopagem, justamente para que tenha seu trabalho avaliado pela Wada. A previsão da liberação da credencial é para o final de 2015.

Agora, a má notícia…

Na última quarta-feira (6), comunicado em conjunto da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) divulgaram um resultado positivo para o exame antidoping do atleta Nelson Henrique Fernandes, durante a prova de arremesso do peso válida plo Grande Prêmio Caixa Sesi de atletismo, realizado no dia 7 de maio. O exame, realizado no laboratório de Montreal (afinal, o Brasil não tem no momento nenhum local aprovado pela Wada), confirmou a presença do estimulante Metilfenidato-S6, um estimulante.

Nelson Henrique Fernades (o terceiro a partir da esqueda) foi pego com uso de um estimulante

Nelson Henrique Fernades (o terceiro a partir da esqueda) foi pego por uso de um estimulante

Fernandes, atleta do Clube BM&F, ficou em quinto lugar na prova, foi comunicado do resultado no dia 18 de junho, tendo apresentado suas explicações à CBAt no dia 28. Após saber que as justificativas não foram aceitas, ele abriu mão da contraprova e está suspenso provisoriamente a partir de 4 de agosto. O atleta tem 14 dias para solicitar seu julgamento pelo STJD da entidade.

O mais triste de toda a história é que Nelson Henrique Fernandes, mineiro de Caxambu, mal acabou de completar 20 anos! Ou seja, o doping anda vencendo a guerra contra o esporte limpo de lavada, fazendo com que atletas cada vez mais jovens, talvez pressionados pela busca de resultados ou por pura falta de informação, optem por tomar substâncias ilícitas. Difícil acreditar que essa situação irá mudar um dia.

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domingo, 17 de novembro de 2013 Jogos de Inverno, Olimpíadas | 14:26

Wada também suspende laboratório de Moscou

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John Fahey, presidente da Wada, dunrante a conferência da entidade, em Johanesburgo

John Fahey, atual presidente da Wada, durante a conferência da entidade, em Johanesburgo

Para que ninguém fique imaginando uma “teoria da conspiração” contra a organização das Olimpíadas do Rio, em 2016, a Wada (Agência Mundial Antidoping, na sigla em inglês) anunciou neste domingo a suspensão do laboratório credenciado de Moscou.  A ação é extremamente grave, pois a entidade pede um suspensão de seis meses simplesmente ao laboratório que será responsável pelas análises dos controles de dopagem dos Jogos de Inverno de Sochi, na Rússia, que serão disputados a partir de março de 2014.

O caminho que levou a Wada a aplicar este gancho no laboratório de Moscou é semelhante ao que acabou custando a credencial do Ladetec, que seria o responsável pelos exames tanto na Copa do Mundo de 2014 quanto nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Ou seja, erros de procedimento, falhas em exames etc. E os russos precisarão correr contra o tempo: para que a suspensão seja revogada, eles terão até 1º de dezembro (ou seja, 14 dias a contar de hoje!) para realizar uma completa gestão de qualidade e contratação de peritos independentes para que se possa ter certeza na precisão e confiabilidade dos resultados dos exames.

Os dirigentes da Wada recomendam ainda que o COI (Comitê Olímpico Internacional) pensem seriamente em um plano B para garantir que os exames realizados no laboratório do Mscou (ou em outro que vier a ser indicado) sejam feitos de melhor e mais precisa forma possível.

Recado para quem quiser organizar um mega-evento esportivo daqui em diante: é bom arrumar o seu quintal direitinho, no que diz respeito ao controle de dopagem, para não passar por vexames como Rio e Moscou estão passando neste momento.

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013 Almanaque, Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas | 17:42

A maior vergonha da história das Olimpíadas

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O canadense Ben Johnson chega comemorando sua vitória nos 100 m rasos nos Jogos de Seul. Dois dias depois, a confirmação de que correra dopado

Ben Johnson chega comemorando sua vitória nos 100 m rasos nos Jogos de Seul. Dois dias depois, a confirmação de que correra dopado

Há 25 anos, as Olimpíadas viram cair por terra o pouco que restava de seu romantismo e espírito esportivo, graças ao maior escândalo da história dos Jogos.  No dia 24 de setembro de 1988, o canadense Ben Johson assombrava o mundo, ao derrotar com extrema facilidade seus adversários na final dos 100 m rasos dos Jogos de Seul, entre eles o astro americano Carl Lewis, e ainda por cima quebrando o recorde mundial na prova, com a absurda marca de 9s79.

Dois dias depois, a humilhação suprema: a divulgação do resultado do teste antidoping mostrou que graças ao anabolizante estanozolol, Johnson havia vencido dopado a prova mais nobre do mais nobre das modalidades olímpicas. Uma vergonha para ele, para o Canadá e para todo o esporte. Pior ainda foi que o próprio técnico de Johnson, Charles Francis, admitiu que ministrava ao atleta, desde 1981, doses periódicas de anabolizantes, para que ele conseguisse superar os rivais.

Suspenso por dois anos, Ben Johnson voltou a competir em 1991, sem conseguir resultados expressivos. Em 93, teve um novo teste positivo, em uma prova no Canadá, sendo banido definitivamente do esporte.

Nesta terça-feira, Johnson, atualmente com 51 anos, estará de volta ao mesmo Estádio Olímpico de Seul, no 25º aniversário de sua triste vitória. Ele participará de mais uma etapa de uma campanha mundial contro o doping no esporte, depois de ter passado pelos EUA, Grã-Bretanha, Austrália e Japão.

Duro mesmo é que para o ex-velocista, nada mudou nos últimos 25 anos. “As pessoas ainda estão testando positivo para as mesmas substâncias da época em que eu corria”.

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Política esportiva | 12:15

COI confia em liberação do Ladetec para 2016. Por enquanto…

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Assim ficará o Ladetec ao final das obras de ampliação para os Jogos de 2016

A retirada da credencial do Ladetec, laboratório brasileiro que foi escolhido para realizar os exames de doping durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, anunciada na última terça-feira, foi um vexame para todos os envolvidos na organização dos mega-eventos.  Por mais que já se esperasse a rigorosa decisão da Wada por descredenciar o único laboratório do país em condições de fazer o controle de dopagem em grandes competições, trata-se de uma falha imperdoável. Mas mesmo com o futuro do Ladetec incerto, o COI (Comitê Olímpico Internacional) ainda diz confiar em contar com o Ladetec nas próximas Olimpíadas. Ao menos na versão oficial.

Em contato com o blog, o departamento de comunicação do COI divulgou a seguinte nota: “Os últimos acontecimentos em relação ao Ladetec não comprometem o programa anti-doping dos Jogos de 2016, da mesma forma que a integridade e a qualidade das análises das amostras não serão afetadas. Vamos trabalhar com o comitê Rio 2016, a universidade em questão [UFRJ, à qual pertence o Ladetec] e o governo brasileiro para que recredenciamento do laboratório ocorra antes do início das Olimpíadas de 2016”.

Mas, ao ser questionado sobre a possibilidade do recredenciamento demorar mais do que o previsto e não acontecer até o início dos Jogos, obrigando que os controles de dopagem tivessem que ocorrer fora do Brasil, as palavras do COI foram menos enfáticas. “Esta é uma questão hipotética. Neste momento, vamos concentrar nossos esforços para ajudar o laboratório do Rio a conseguir o seu recredenciamento na Wada”.

Se estes “esforços” irão envolver mais dinheiro público investido, não dá para saber. Mas é evidente que a punição da Wada causou um enorme desconforto nos corredores do COI.

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quinta-feira, 22 de agosto de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Política esportiva | 22:33

Situação do Ladetec é mais grave do que se imagina

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Marco Aurélio Klein, diretor-executivo da ABCD

Bastante esclarecedora a entrevista de Marco Aurélio Klein, diretor-executivo da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) ao iG Esporte nesta quinta-feira, a respeito a situação do Ladetec, único laboratório brasileiro credenciado pela Wada (sigla em inglês para agência mundial antidoping) para atuar nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Mas embora tenha tido cuidado ao escolher as palavras durante a conversa que tivemos, Klein não escondeu que está extremamente preocupado com a suspensão aplicada pela Wada, aplicada no último dia 8, e que corre o risco de se prolongar ainda mais.

O grande temor dele é que na reunião do conselho executivo da Wada, que será em setembro, na cidade de Buenos Aires, durante a reunião do COI (Comitê Olímpico Internacional), seja revogada a licença de funcionamento do Ladetec. Se isso acontecer, todo o processo de credenciamento do terá que ser feito novamente, comprometendo o trabalho na Copa do Mundo do ano que vem, e toda a preparação para atuação nas Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016.

Veja também: Suspensão do Ladetec é uma desmoralização para o combate ao doping no Brasil

Klein tenta manter o otimimo, mas ao longo da entrevista citou diversas vezes que o governo brasileiro está fazendo todos os esfoços para evitar uma punição mais rigorosa. Ou seja, há o temor de que a Wada seja rigorosa na reunião de seu conselho executivo.

A sucessão de problemas que o Ladetec enfrentou nos últimos tempos – com destaque para os exames com erros feitos em Pedro Solberg, do vôlei de praia, e Natália, da seleção feminina de vôlei, deram ainda mais subsídios para os técnicos da Wada suspenderem o laboratório brasileiro. Uma revogação de sua credencial seria a cereja no bolo e um belo golpe no problemático combate ao doping no país que receberá as próximas Olimpíadas. Em outras palavras, um completo vexame.

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sexta-feira, 9 de agosto de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Política esportiva | 18:45

Suspensão do Ladetec é uma desmoralização para o combate ao doping no Brasil

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Imagem do projeto final do Ladetec, laboratório no Rio de Janeiro que realizará todos os exames antidoping das Olimpíadas

A Wada (sigla em inglês para Agência Mundial Antidoping) acaba de emitir um comunicado em seu site que representa mais uma desmoralização ao controle de doping do Brasil. A entidade anunciou que está suspendendo o credenciamento do Ladetec, no Rio de Janeiro, único laboratório credenciado internacionalmente no país para fazer exames de controle antidopagem. Pela nota, o Ladetec não pode fazer qualquer exame desde este quinta-feira (8). O laboratório brasileiro tem até 21 dias para recorrer da decisão da Wada, na CAS (Corte Arbitral do Esporte).

Trata-se de uma verdadeira esculhambação para o país que receberá as Olimpíadas de 2016.

Não bastasse ser o único laboratório com chancela internacional da Wada, o Ladetec foi escolhido para fazer os exames antidoping das Olimpíadas e Paraolimpíadas do Rio. Aí, recebe de “presente” uma suspensão de suas atividades, provavelmente por conta de diversos problemas ocorridos atualmente, como no erro do exame que causou a suspensão provisória do jogador de vôlei de praia Pedro Solberg e na polêmica envolvendo a campeã olímpica de vôlei Natália, cujo resultado positivo apontado pelo Ladetec foi contestado na Justiça esportiva, mas teve o diagnóstico defendido pela ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem).

Talvez tenha pesado também o vergonhoso levantamento feito pela ABCD com 5 mil inscritos no programa Bolsa Atleta, do Ministério do Esporte, segundo o qual de cada dez atletas, apenas DOIS passaram por algum exame antidoping na vida. Isso para um país que será sede dos próximos Jogos Olímpicos é inadmissível.

E como desgraça pouca é bobagem, o Ladetec se viu envolvido recentemente em uma polêmica em razão dos custos de sua reforça para 2016, após relatório do TCU (Tribunal de Contas de União) apontar indícios de sobrepreço em suas planilhas orçamentárias e atraso considerável nas obras.

Diante disso tudo, até demorou para que a Wada aplicasse esta suspensão no Ladetec, vamos reconhecer…

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quarta-feira, 31 de julho de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas | 18:33

TCU indica irregularidades em obras para os Jogos de 2016

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Imagem do projeto final do Ladetec, laboratório no Rio de Janeiro que realizará todos os exames antidoping das Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016

Muito se fala sobre gastos excessivos e problemas para a Copa do Mundo de 2014, mas tem gente de olho aberto na organização dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. O TCU (Tribunal de Contas da União) publicou em seu site dois comunicados que expressam de forma preocuopante como as coisas estão caminhando na organização das próximas Olimpíadas.

Em uma das notas à imprensa, a fiscalização do TCU identificou encontrou irregularidades no orçamento e contrato das obras na reforma do Ladetec, laboratório oficial que será usado durante o evento e que fará todos os controles antidopagem das Olimpíadas e Paraolimpíadas. Entre os problemas encontrados, a análise do TCU mostrou “quantitativos subestimados na planilha orçamentária em comparação com o projeto executivo, além de execução da obra em dois turnos ao invés de três, como previsto em contrato”. Segundo o TCU, a diferença nestes quantitativos permitiria a solicitação de aditivos no contrato, o que poderia ocasionar sobrepreço (em bom português, superfaturamento).

>>> Veja também: Parque Olímpico 2016, presente e futuro

Para o relator do processo, ministro Raimundo Carneiro, a isso chama-se de “jogo de planilha”, que diminui o desconto global obtido inicialmente na licitação da obra.

A outra reclamação do TCU tem como alvo as obras no Complexo Esportivo de Deodoro, que abrigará as modalidades de hipismo, tiro, esgrima, pentatlo moderno, canoagem, ciclismo e hóquei sobre grama. Para o órgão fiscalizador, os atrasos nas obras são injustificáveis.

>>> Leia também: Rio 2016 já tem prejuízo acumulado de R$ 149 milhões

Se os prazos iniciais forem mantidos, de acordo com a análise do TCU, algumas destas obras terão conclusão posterior a da realização dos eventos-testes previstos pelo COI (Comitê Olímpico Internacional). Para o ministro Raimundo Carneiro, “os riscos potenciais identificados nas atividades de implantação do complexo esportivo são deveras danosos à administração, podendo levar a práticas emergenciais que resultam em majoração dos gastos públicos, a fim de concluir as obras no prazo necessário”.

>>> E mais: A “cidade olímpica” e o choro de Monica

Para quem quiser mais detalhes sobre o processo, basta clicar aqui.

Com a palavra, o Comitê Rio 2016…

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