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terça-feira, 19 de agosto de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 23:10

Taekwondo segue criando talentos, apesar de seus cartolas

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Wander Roberto/Inovafoto/COB

Edival Marques comemora a medalha de ouro no taekwondo, categoria até 63 kg, durante os Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim (China)

O taekwondo é uma das modalidades esportivas do Brasil que mais se envolvem em polêmicas. Uma rápida busca no Google pode enfileirar diversos casos escabrosos – alguns que remetem ao ano 2000 -, com atletas reclamando de perseguição de dirigentes, federações desfiliadas por pura vingança e no final, tudo sempre acaba desembocando na CBTKD (Confederação Brasileira de Taekwondo). Não importa quem esteja no poder, há sempre uma confusão ou alguma acusação mais grave envolvendo a modalidade. Atualmente, a confederação é presidida por Carlos Fernandes.

No final de julho, a Polícia Federal apreendeu documentos em endereços ligados à entidade, em uma investigação sobre possíveis irregularidades com gastos de recursos provenientes do Ministério do Esporte. Segundo reportagem do jornal “O Globo” da última sexta-feira, uma empresa de distribuição de bebidas e alimentos teria fornecido material esportivo à confederação, importando, por exemplo, placas de tatame por um preço muito superior ao produto similar encontrado no Brasil.

Ainda assim, mesmo com toda essa cartolagem incapaz, o taekwondo do Brasil, ainda longe de ser considerado um esporte de massa no país, consegue descobrir talentos e mostrar resultado. Tem sido assim desde Diogo Silva, ouro (até 68 kg) no Pan do Rio, em 2007, e especialmente com Natalia Falavigna, bronze (acima de 67 kg) nas Olimpíadas de Pequim 2008.

E a tradição de superar a incompetência dos cartolas e brilhar no tatame chegou também nas Olimpíadas da Juventude, que estão sendo realizadas em Nanquim (China), onde o paraibano Edival Marques, de 17 anos, com um golpe no último segundo, derrotou o mexicano José Nava Rodrigues, na final da categoria até 63 kg, nesta terça-feira. As palavras de Edival, agradecendo a quem realmente o ajudou em sua conquista, são sintomáticas. Não são pelos seus dirigentes que o taekwondo do Brasil consegue formar atletas de tanto talento.

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sábado, 16 de agosto de 2014 Olimpíadas, Seleção brasileira | 07:00

Saiba mais sobre as Olimpíadas da Juventude 2014 de Nanquim

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Começa nesta sábado, com a cerimônia de abertura marcada para as 9 horas (horário de Brasília), a segunda edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, na cidade de Nanquim, na China. Evento voltado para atletas entre 15 e 18 anos, a competição organizada pelo COI (Comitê Olímpíco Internacional) teve sua primeira edição realizada quatro anos atrás, na cidade de Cingapura.

O objetivo é dar a primeira experiência olímpica aos atletas, ainda adolescentes, e transmitir conceitos ligados ao olimpismo, além de um programa de educação e cultura a todos os participantes. Ao todo, serão cerca de 3.500 atletas participantes, representando 204 nações.

Serão 12 dias de disputas esportivas (na abertura, dia 16, e no encerramento, dia 28, não serão realizadas competições), com 222 eventos de 28 modalidades. Além da presença do rúgbi e golfe, que passarão a integrar om programa olímpico em 2016, no Rio, os Jogos da Juventuide contam com eventos inéditos, como o basquete 3 x 3.

O Brasil disputará os Jogos com uma jovem delegação de promessas, entre eles Marcus Vinicius D’Almeida, 16 anos, nono colocado do ranking mundial do tiro com arco. Ao todo, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) enviou uma delegação de 97 atletas em 24 modalidades, a segunda maior dos Jogos, perdendo apenas para a China, dona da casa.

Conheça abaixo todas as arenas e sedes dos eventos esportivos das Olimpíadas de Nanquim:

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quinta-feira, 14 de agosto de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano | 16:27

Hóquei feminino do Brasil vira o primeiro mico para 2016

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Atualizado

A batalha para transformar os Jogos Olímpicos de 2016 em uma forma de aumentar a cultura esportiva do Brasil sofreu um duro golpe com a praticamente certa ausência da seleção feminina de hóquei sobre grama das Olimpíadas do Rio de Janeiro, daqui a dois anos. Só um milagre, ou um ótimo acordo político, fará com que a fraquíssima equipe brasileira possa participar da competição.

Jogadoras da seleção brasileira feminina de hóquei não deverão disputar as Olimpíadas de 2016

Jogadoras da seleção brasileira feminina de hóquei não deverão disputar as Olimpíadas de 2016

Esporte sem qualquer tradição no país, o hóquei sobre grama passou a contar com a atenção do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e do Ministério do Esporte na ocasião da disputa dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Como sede, o Brasil tinha direito de colocar equipes em todas as modalidades e foram montadas seleções masculina e feminina, que colecionaram vexames no Rio de Janeiro: os homens perderam todos os jogos e terminaram o torneio com 57 gols sofridos e apenas um a favor, enquanto as mulheres sofreram 53 gols e não marcaram nenhum.

Após o Rio de Janeiro ganhar o direito de receber as Olimpíadas de 2016, foi feito um planejamento para dar ao hóquei brasileiro condições mínimas de participar do evento sem causar tanta vergonha. Um acordo foi costurado entre COB e FIH (Federação Internacional de Hóquei) em 2011, para ajudar a inserir o país no cenário mundial da modalidade. A intenção era ajudar a CBHG (Confederação Brasileira de Hóquei sobre Grama) a fazer algo quase impossível: criar equipes minimamente competitivas da modalidade para as Olimpíadas.

O tempo foi suficiente para mostrar que era um objetivo inatingível.

Mesmo com apoio financeiro da Lei Agnelo/Piva, que destinou à modalidade R$ 1,7 milhão, além de convênios com o Ministério do Esporte, o hóquei não decolou. Se a seleção masculina ainda conseguiu mostrar uma evolução mínima – disputou, apenas como treinamento, o Pré-Olímpico de 2012 e com sorte tentará ratificar a vaga no Pan-Americano de Toronto, no ano que vem -, a equipe feminina acumulou um vexame atrás do outro.

Além de não se classificar para o Pan 2015, pois perdeu o título dos Jogos Sul-Americanos de Santiago, neste ano, a equipe não conseguirá ficar entre os 40 primeiros colocados do ranking mundial ao final desta temporada (exigência da FIH para assegurar a vaga olímpica como país sede), por não ter condições financeiras de disputar a Liga Mundial, onde poderia pontuar para o ranking.

Apenas uma vez, nos Jogos de 2004, em Atenas, que o anfitrião não conseguiu se classificar para um evento de esportes coletivos. Na ocasião, a Grécia também não atendia aos requisitos da FIH e precisou apelar ao CAS (Corte Arbitral do Esporte) para disputar o Pré-Olímpico masculino, quando foi eliminado.

A menos que a FIH rasgue o seu próprio regulamento, o hóquei  feminino do Brasil não disputará as Olimpíadas do Rio, em 2016. Um belo mico, convenhamos.

Atualizado

Procurado pelo blog, o Ministério do Esporte se posicionou sobre o caso, através de sua assessoria de imprensa. Segue a resposta:

Desde 2011, todos os projetos apresentados ao Ministério visando a garantir a preparação das equipes olímpicas conseguiram receber recursos. A própria CBHG recebeu cerca de R$ 1,4 milhão em 2011 para diversas ações, incluindo preparação das seleções. Na recente chamada pública para novos projetos, aberta no final de 2013 pelo Ministério, a entidade teve um projeto selecionado, que deverá se transformar em convênio até o final deste ano. O montante, de até R$ 4,9 milhões, se destinará à preparação das equipes principais.

Além disso, desde 2007 a modalidade conta com o centro de treinamento construído pelo governo federal no Complexo Esportivo de Deodoro, no Rio, por ocasião dos Jogos Pan-americanos de 2007. Ali também estão os CTs do pentatlo moderno e do tiro esportivo. Essas duas modalidades vêm conseguindo evolução significativa nos últimos anos, não apenas pela infraestrutura mas também por conta dos outros apoios que recebem. As mesmas condições sempre estiveram disponíveis ao hóquei sobre grama.

Outro apoio do governo federal à modalidade é a Bolsa Atleta. Em 2014, são 123 bolsistas, totalizando investimento de R$ 1,5 milhão ao ano.

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segunda-feira, 28 de julho de 2014 Olimpíadas, Política esportiva, Seleção brasileira | 18:30

Meta do Brasil precisa ser a de não virar a ‘Grécia de 2020’

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O judoca Ilias Iliadis, uma das seis medalhas de ouro da Grécia em 2004; Brasil precisa se organizar para nã repetir o exemplo greego em 2020

O judoca Ilias Iliadis, uma das seis medalhas da Grécia em 2004; Brasil precisa se cuidar para não repetir o exemplo greego em 2020

No post anterior, tratei de passagem do tema principal da entrevista coletiva promovida pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), na última quarta-feira (23), sobre o planejamento da entidade visando os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. E os dirigentes voltaram a reafirmar a meta já anunciada ao final das Olimpíadas de Londres, em 2012, na qual vislumbram deixar o Brasil entre os dez primeiros do quadro final de medalhas, somando entre 27 e 30 pódios.

Considero esta uma meta muito ousada, especialmente para um país que somente agora parece estar começando a construir uma cultura poliesportiva (mas só começando!) e que em Londres 2012 alcançou seu melhor desempenho olímpico, com um total de 17 medalhas (apenas três de ouro).

Parte deste otimismo da cartolagem do COB  e do governo federal – principal mecenas do esporte brasileiro na última década, graças a leis de incentivo e financiamento de projetos esportivos – tem muito a ver com o ótimo resultado de diversas modalidades olímpicas na temporada de 2013, que viu a realização de vários campeonatos mundiais ou competições de primeiro nível renderem 27 medalhas.

Foi a melhor largada do Brasil em um ciclo olímpico, que compreende o período que vai do primeiro ano após uma olimpíada até a realização da edição seguinte. Que há uma evolução, isso é inegável, só tendo muita má vontade para não admitir isso. Mas bom senso não pode se confundido com pachequismo: parece-me improvável que os principais rivais do Brasil a um lugar no top 10 das medalhas em 2016 não irão evoluir tecnicamente nos próximos dois anos. É preciso aguardar um pouco mais antes de sair festejando.

Mas vamos fazer um exercício de imaginação otimista e admitir que, sim, o Brasil conseguirá alcançar a tal meta de 27-30 medalhas e ficar no top 10 ao final de 2016. Com isso resolveremos todos os problemas do esporte brasileiro? De forma alguma! A minha maior preocupação não é com o resultado do Brasil ao final do Rio 2016, mas sim com Tóquio 2020!

O maior desafio do COB e do ministério do Esporte será transformar os resultados esportivos positivos que serão obtidos daqui a dois anos em algo que se possa transformar num legado palpável para as próximas Olimpíadas. Sim, porque o próprio governo deverá tirar o pé nos investimentos oficiais após 2016 e caberá ao Comitê Olímpico Brasileiro o papel fundamental de não deixar a peteca cair.

O que o Brasil não pode, na verdade, é se transformar na “Grécia de 2020”. O país-sede dos Jogos de Atenas 2004 não é referência negativa apenas em relação à forma desorganizada que recebeu a competição, mas também do total despreparo em relação ao que faria com seus atletas quatro anos depois.

O levantamento abaixo reúne os quatro países que não estão entre os gigantes olímpicos, como EUA, Rússia, China e Alemanha, mas que organizaram edições dos Jogos nos últimos 26 anos: Coréia do Sul (Seul 1988), Espanha (Barcelona 1992), Austrália (Sydney 2000) e Grécia (Atenas 2004).

Os dados reúnem os desempenhos destes países em três edições (anterior, posterior e a dos próprios Jogos) olímpicas. Se por um lado fica claro ser quase impossível ao Brasil alcançar o padrão australiano em Tóquio 2020, me parece que com um mínimo de organização passará longe de ser transformar em uma nova Grécia. Confira:

Coreia do Sul

Los Angeles 1984
Colocação final e total de medalhas: 10º lugar, com 19 (6 Ouro/ 6 Prata/ 7 Bronze)

Seul 1988
Colocação final e total de medalhas: 4º lugar, com 33 (12 O/ 10 P/ 11B)

Barcelona 1992
Colocação final e total de medalhas: 7º lugar, com 29 (12 O/ 5 P/ 12B)

Espanha

Seul 1988
Colocação final e total de medalhas: 25º lugar, com 4 (1 O/ 1 P/ 2B)

Barcelona 1992
Colocação final e total de medalhas: 6º lugar, com 22 (13 O/ 7 P/ 2B)

Atlanta 1996
Colocação final e total de medalhas: 13º lugar, com 17 (5 O/ 6 P/ 6B)

Austrália

Atlanta 1996
Colocação final e total de medalhas: 7º lugar, com 34 (9 O/ 9 P/ 23 B)

Sydney 2000
Colocação final e total de medalhas: 4º lugar, com 58 (16 O/ 25 P/ 17 B)

Atenas 2004
Colocação final e total de medalhas: 4º lugar, com 50 (17 O/ 16 P/ 17 B)

Grécia

Sydney 2000
Colocação final e total de medalhas: 17º lugar, com 13 (4 O/ 6 P/ 3 B)

Atenas 2004
Colocação final e total de medalhas: 15º lugar, com 16 (6 O/ 6 P/ 4 B)

Pequim 2008
Colocação final e total de medalhas: 58º lugar, com 4 ( 2 P/ 2 B)

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quinta-feira, 24 de julho de 2014 Ciência do esporte, Olimpíadas, Seleção brasileira | 19:44

Trabalho psicológico do COB para 2016 precisa ser competente

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Nesta última quarta-feira, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) chamou os jornalistas para uma entrevista coletiva, onde o tema principal foi falar sobre o planejamento da equipe brasileira que irá competir, na condição de anfitriã, nos Jogos Olímpicos de 2016,  no Rio.

O COB ficou preocupado com o efeito psicológico da Copa do Mundo em alguns jogadores da seleção,como Thiago Silva

O COB ficou preocupado com o efeito psicológico da Copa do Mundo em alguns jogadores da seleção brasileira, como Thiago Silva

Mas não irei, ao menos por enquanto, falar do tema que deu o chamado “lead” (expressão jornalística que define o assunto principal de um texto) da maioria absoluta das reportagens de sites e jornais que acompanhei, a respeito da (ousada, mas não impossível) meta de terminar na 10ª  colocação no quadro final de medalhas, com um total variando entre 27 e 30 pódios. Simplesmente porque é notícia velha, já anunciada pelo próprio COB durante as Olimpíadas de Londres, em 2012. Voltaremos, porém, a tratar disso em breve.

Por enquanto, prefiro me ater a outro assunto, igualmente comentado pelos dirigentes do COB na coletiva desta quarta: o apoio psicológico aos atletas brasileiros antese durante a competição.

Talvez as imagens ainda bastante vivas nas memórias de todos nós, da completa destruição  psicológica dos jogadores da seleção brasileira em várias partidas da última Copa do Mundo, especialmente a crise de choro do capitão da equipe Thiago Silva, antes da disputa de penaltis diante do Chile, tenha ligado o sinal de alerta na cartolagem e responsáveis pela área técnica do COB. Para um país que está a anos-luz de ter uma tradição multiesportiva, qualquer lágrima derramada fora de hora ou crise de ansiedade inesperada pode ser fatal para quem sonha ficar no top 10 do quadro de medalhas.

“Estamos trabalhando essa parte de preparação mental e emocional. Esse trabalho já vem ao longo de alguns anos. Em Londres 2012, trabalhamos com sete psicólogos dentro da equipe. Nesse momento, temos a área de psicologia e a área de coaching trabalhando com os atletas”, assegura Jorge Bichara, gerente geral de performance esportiva do COB, admitindo que os nervos em frangalhos do time de Felipão podem trazer ensinamentos aos atletas olímpicos brasileiros.

“A Copa do Mundo de futebol foi rica em experiências para todos nós. Estamos fazendo um estudo grande sobre como essa influência  aconteceu junto aos atletas, junto aos nosso treinadores, procurando potencializar o que aconteceu de positivo e neutralizar o que aconteceu de negativo”, teoriza Bichara.

De minha parte, só espero que o trabalho psicológico para 2016 seja muito melhor do que o de Londres 2012. Em várias oportunidades, ao conversar com atletas brasileiros eliminados de suas provas há dois anos, o que eu mais escutava eram as frases “senti a pressão”, “faltou preparo psicológico” ou “estava treinado, mas na hora não consegui fazer o combinado com o treinador”.

Pode até parecer desculpa de atleta para justificar a própria impossibilidade de superar alguém que é melhor tecnicamente, mas a verdade é que muitos atletas brasileiros simplesmente sucumbem diante de uma quadro de pressão excessiva. São raros aqueles que conseguem absorver toda aquela situação adversa e competir como se estivesse treinando. Foi o que fez Arthur Zanetti, ouro na ginástica artística, na prova das  argolas, com a tranquildade de um veterano.

E para comprovar que o peso do emocional não atinge somente os inexperientes, recordo aqui as palavras de Ana Luiza Ferrão, do tiro esportivo e com 38 anos em 2012, ao ficar na 38ª e última colocação da prova de pistola 25 metros. “É uma realidade totalmente diferente da qual eu estou acostumada. Aqui estão competindo medalhistas olímpicas, atletas que venceram competições internacionais importantes, isso tudo acaba pesando no final da sua prova”, disse para mim a major do exército.

Imagine cenas semelhantes ocorrendo daqui a dois anos, no Rio, com dezenas de atletas brasileiros que não estão acostumados aos holofotes da mídia, competindo em sua casa e sentindo-se obrigados a ajudar a “bater a meta”do COB e também do governo federal, porque não dizer, pois trata-se do grande caixa forte do esporte olímpico brasileiro nos últimos anos, com leis de incentivo e financiamento de projetos diversos.

Por isso, pense duas vezes antes de classificar como bobagem a história de apoio psicológico no esporte. O assunto é mais sério do que você imagina.

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sexta-feira, 4 de abril de 2014 Ídolos, Isso é Brasil, Paraolimpíadas, Política esportiva | 18:10

Petrobras assume projeto olímpico que era tocado por Paula

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De forma surpreendente, até pelo sucesso que a iniciativa vinha proporcionando, a Petrobras tomou para si a gestão de seu projeto olímpico, lançado em 2011 e que vinha sendo administrado pelo Instituto Passe de Mágica, comandado pelo ex-armadora da seleção feminina de basquete Paula Gonçalves.

Everton Lopes foi campeão mundial de boxe em 2011

O brasileiro Everton Lopes conquistou um inédito título mundial de boxe em 2011, quando o Projeto Petrobras era administrado pelo Instituto Passe de Mágica

A surpresa pela decisão da estatal se dá pelo fato de que desde o seu lançamento, quando mostrou-se uma alternativa interessante para o esporte olímpico brasileiro, com sua proposta de apoio a cinco modalidades como poucos recursos financeiros (esgrima, taekwondo, levantamento de peso, boxe e remo) até os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Seria uma forma de não depender exclusivamente dos critérios às vezes discutíveis do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) para a distribuição das verbas da Lei Agnelo/Piva.

A decisão surpreende porque os resultados apareceram, mesmo em somente três anos de implantação. Seja pelos títulos mundiais de Everton Lopes, no boxe, ou de Fabiana Beltrame, no remo, seja pelos ótimos resultados de Fernando Reis no Mundial de levantamento de peso no ano passado. Ou seja, não se pode acusar o instituto comandado por Magic Paula de incompetência.

O problema é que a própria Paula não quer se manifestar sobre o assunto. Por email, ela me confirmou que a gestão do projeto será tocada agora pela Petrobras, restando a seu instituto apenas prestar “uma assessoria técnica.”

Já a estatal, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que “a companhia passou a patrocinar diretamente as Confederações, tendo em vista o objetivo principal do Programa Petrobras Esporte e Cidadania, que é oferecer aos atletas as melhores condições de treinamento para a melhoria do desempenho técnico, conforme a melhor utilização possível dos recursos disponíveis”. Ainda de acordo com a Petrobras, “não houve qualquer problema contratual ou de relacionamento com o Instituto Passe de Mágica, que continua dando assessoria técnica-desportiva no que diz respeito às cinco modalidades que fazem parte do programa.”

>>> RELEMBRE: Crise põe em risco projeto olímpico da Petrobras

A assessoria da estatal lembrou, por fim, que os valores repassados às cinco modalidades em 2014 são os seguintes: boxe = R$ 3,42 milhões; esgrima = R$ 2,41 milhões; levantamento de peso = R$ 1,78 milhão; remo = R$ 2,10 milhões; e taekwondo = R$ 2,69 milhões.

Independentemente da competência que a Petrobras – que cá entre nós, está às voltas com problemas bem mais complicados atualmente – terá para tocar seu projeto olímpico, acho que o esporte brasileiro, mais uma vez, sairá perdendo com essa decisão.

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quarta-feira, 2 de abril de 2014 Imprensa, Isso é Brasil | 17:35

Por favor, sigam o exemplo de Bebeto de Freitas!

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Bebeto de Freitas vem sendo um crítico feroz da estrutura do esporte brasileiro

Bebeto de Freitas vem sendo um crítico feroz da estrutura do esporte brasileiro

Comecei a semana no blog exaltando a surpreendente veemência e firmeza com que vários ídolos do esporte brasileiro se posicionaram em relação ao caso dramático da ex-ginasta Laís Souza, cobrando no iG Esporte uma ampla discussão a respeito até da profissionalização do atleta olímpico do Brasil. Mas cá entre nós, eles ainda têm muito a aprender em combatividade com o ex-técnico da seleção masculina de vôlei, Bebeto de Freitas, que ocupou também a presidência do Botafogo

Há algumas semanas, Bebeto vem mostrando toda a sua indignação contra a frágil estrutura do esporte brasileiro, que beneficia poucos em detrimento da maioria. Primeiro, em entrevista ao jornal “O Globo”, colocando o dedo na ferida a respeito da vergonhosa crise no vôlei do Brasil, que culminou com a queda do presidente licenciado Ary Graça, após o mal-explicado caso das comissões a diretores da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei).

Bebeto de Freitas demonstra a mesma coragem ao criticar, sem papas na língua, o chamado legado do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), classificado por ele como “um caos”, em entrevista ao site “Esporte Essencial”, para a jornalista Fabiana Bentes. Em um dos trechos, ao comentar o habitual discurso de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, que adora exaltar as medalhas conquistadas pelo Brasil em sua gestão, ele foi cirúrgico.

“Mas qual é o legado dessas medalhas? Nenhum. Construímos um velódromo e depois destruímos. Construímos uma piscina que não serve para a Olimpíada. O Pan-Americano foi o maior engodo que se vendeu no Brasil. Do ponto de vista esportivo, o Pan-Americano não representa mais nada, porque pouquíssimos esportes se classificam nessa competição para a Olimpíada.”

O esporte brasileiro precisa de mais pessoas com coragem e personalidade como Bebeto de Freitas.

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segunda-feira, 31 de março de 2014 Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Jogos de Inverno | 18:48

Lucidez dos atletas brasileiros no caso Laís Souza

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Laís Souza, ao lado dos médicos e fisioterapeutas, no hospítal da Universidade de Miami

Laís e os médicos e fisioterapeutas, na Universidade de Miami, onde faz seu tratamento

Mesmo com um certo atraso, ainda vale registrar por aqui a exemplar e madura posição demonstrada por alguns dos integrantes da comissão de atletas do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que procurados pelo iG Esporte na semana passada, opinaram a respeito da lamentável situação da ex-ginasta e esquiadora Laís Souza, que sofreu grave acidente em sua preparação para as Olimpíadas de inverno de Sochi e que não consegue movimentar os membros superiores e inferiores.  Na prática, a comissão, cujo mandato dura quatro anos, representa o principal canal de comunicação entre os atletas e os dirigentes que comandam o esporte do Brasil.

No último dia 16, o COB anunciou o lançamento de uma campanha de arrecadação de fundos, para ajudar a atleta a reorganizar sua vida assim que deixar o hospital de Miami (EUA), onde faz seu tratamento. Na prática, o que foi lançado não passou de uma vaquinha virtual, muito pouco, em minha opinião, para uma entidade que arrecada tanto em verbas públicas, via lei Agnelo/Piva.

Em linhas gerais, chamou-me a atenção, ao menos entre os integrantes que aceitaram se posicionar sobre o caso, a opinião unânime de que já passou da hora de se discutir a real condição do atleta olímpico brasileiro. Em relação ao caso de Laís Souza, por exemplo, todos defendem que se estude uma forma de exigir seguros de vida que cubram morte e invalidez permanente, não apenas no período em que eles estejam defendendo o Brasil em competições internacionais.

O que me deixou surpreso positivamente foi a forma com que alguns destes integrantes se manifestaram. Por ser uma comissão formada pelo COB, seria até natural que alguns preferissem o silêncio ou mesmo posições neutras diante de um tema tão polêmico. Não foi, contudo, a posição tanto do presidente Emanuel Rego, do vôlei de praia, quanto da ex-cestinha Hortência, da seleção feminina de basquete, vic-presidente do órgão, ou de ídolos como o ginasta Arthur Zanetti ou o velejador Robert Sheidt.

Opiniões lúcidas, ponderadas, mas firmes. Como por exemplo, a demonstrada por Hortência, dizendo que já psssou da hora dos atletas olímpicos brigarem para que sua atividade seja reconhecida como uma profissão, assim com já ocorre com os jogadores de futebol. Ou então da ex-jogadora de vôlei Ana Moser, presidente da ONG “Atletas pelo Brasil”, ao dizer, sem meias palvras, que “o atleta é um ser solitário e o sistema só se preocupa em usá-lo, sem dar qualquer tipo de suporte”.

Para ver com mais detalhes o que os atletas brasileiros pensam a respeito do caso Laís Souza e da própria condição do esporte olímpico brasileiro, basta clicar aqui, aqui e aqui.

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segunda-feira, 17 de março de 2014 Ídolos, Isso é Brasil, Jogos de Inverno, Olimpíadas, Política esportiva, Seleção brasileira | 21:56

Laís Souza merecia mais do que uma ‘vaquinha virtual’

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Laís Souza se preparava para competir pelo Brasil quando sofreu o acidente

Laís Souza se preparava para competir pelo Brasil quando sofreu o acidente antes dos Jogos de Sochi

Neste último domingo, tão logo foi exibida no programa Esporte Espetacular, da TV Globo, uma reportagem sobre o lançamento de uma campanha de arrecadação de recursos pela internet para a atleta Laís Souza – que se recupera de grave acidente de esqui enquanto se preparava para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi – enviei um email para a assessoria de imprensa do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Afinal, segundo a reportagem, a entidade era a responsável pela criação da campanha.

À tarde, a assessoria do COB respondeu todas as perguntas, com bastante agilidade, diga-se de passagem. Mas como eu ainda tinha algumas dúvidas, fiz novos questionamentos nesta segunda-feira, que foram devidamente esclarecidos.

Tudo bem que no início da noite de hoje, a entidade soltou uma nota oficial contendo exatamente todos os pontos que eu havia levantado, mas isso é outra história…

Para conhecer o conteúdo completo da nota oficial do COB, clique aqui.

Em relação a todo este caso, que tem como pano de fundo a dramática batalha de uma jovem atleta de 25 anos para voltar a recuperar os movimentos das pernas e braços, creio que algumas considerações merecem ser feitas.

Louve-se que o COB esteja pagando todas as despesas do tratamento de Laís Souza no Jackson Memorial Hospital, em Miami, embora, segundo a entidade, não fosse sua obrigação, pois a então esquiadora ainda não fazia parte de uma delegação olímpica brasileira de fato; compreende-se a intenção do COB em arrecadar fundos para ajudar Laís a se autofinanciar em um futuro próximo, para que possa estudar e trabalhar; por fim, nada mais natural a preocupação da entidade em adquirir equipamentos que a atleta precisará para sua nova rotina, como cadeira de rodas especial, equipamento para comunicação sem digitação e adaptação de sua residência.

O problema é que pega mal, muito mal, uma entidade com os recursos que possuí o COB apelar para uma campanha de arrecadação pela internet para cobrir todas estas despesas. Muito mal mesmo. Ainda mais em um período de escândalos no esporte olímpico brasileiro.

Não levanto aqui a bandeira do assistencialismo populista. Mas é que não dá para aceitar que com os recursos que estão à disposição atualmente, especialmente oriundos da Lei Agnelo/Piva, o COB não consiga destinar uma parte para custear não apenas o caro tratamento, mas esta importante fase de adaptação que Laís terá pela frente nos próximos anos. E que mais breve que do que possamos imaginar, ela esteja de volta à rotina, independentemente de sua condição física.

O fato é que Laís Souza merecia dos dirigentes brasileiros muito mais de uma ‘vaquinha virtual’.

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quinta-feira, 13 de março de 2014 Ídolos, Jogos de Inverno, Seleção brasileira | 23:50

A imagem do dia

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Laís Souza, ao lado dos médicos e fisioterapeutas, no hospítal da Universidade de Miami

Laís Souza, ao lado dos médicos e fisioterapeutas, no hospítal da Universidade de Miami, onde se recupera do acidente de janeiro

Tocante a imagem que já foi exibida à exaustão pelos principais portais, telejornais e redes sociais, mostrando a primeira foto da atleta Laís Souza no Jackson Memorial Hospital, da Universidade de Miami (EUA), onde se recupera do gravíssimo acidente sofrido enquanto esquiava, no final de janeiro. A ex-ginasta, que iniciava uma carreira nos esportes de inverno, aguardava a realocação de vagas para poder participar das Olimpíadas de Sochi.

Ao lado dos médicos que acompanham sua recuperação (entre eles o brasileiro Anonio Marttos Jr) e fisioterapeutas, Laís impressiona pelo semblante tranquilo e também confiante, apesar da gravidade de seu quadro, no qual não apresenta movimentos nos membros inferiores e apenas move os ombros.  Esse drama todo, porém, parece não desanimá-la.

>>> Relembre: O dia em que um 20º lugar valeu mais do que um 1º

“Primeiramente gostaria de agradecer a torcida e o carinho de todos que estão rezando por mim. Estou me sentindo melhor e preparada para encarar o que vem pela frente. Continuem torcendo. Beijos”, afirmou Lais, em comunicado divulgado pelo COB.

A coragem de Laís Souza é um exemplo a todos.

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