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Posts com a Tag Cidade do México 1968

sexta-feira, 23 de novembro de 2012 Histórias do esporte, Ídolos | 12:36

O professor Nelson vai fazer falta

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Nelson Prudêncio em ação numa clínica de atletismo, realizada no Sesc Pompéia, em fevereiro deste ano

A esta altura, todo mundo já recebeu a triste notícia desta sexta-feira, sobre a morte do medalhista olímpico Nelson Prudêncio, que morreu aos 68 anos, em São Carlos, vítima de um câncer fulminante, descoberto há cerca de um mês. Da mesma forma, já foi relembrada – pena que isso só ocorre em ocasiões como esta -, com muita justiça, as duas medalhas conquistadas por Prudêncio no salto triplo em Jogos Olímpicos, a de prata na edição de 1968, na Cidade do México, e em 1972, em Munique.

Com a morte de Nelson Prudêncio, o Brasil perde definitivamente seus representantes da chamada “geração de ouro” do triplo, que foi formada por Adhemar Ferreira da Silva (morto em 2001) e João Carlos de Oliveira, o João do Pulo (que foi o primeiro a morrer, em 1999). Todos os três medalhistas olímpicos (no caso de Adhemar, bicampeão olímpico) e recordistas mundiais, em algum determinado momento de suas carreiras.

Por tudo isso, prefiro falar aqui do outro lado de Nelson Prudêncio, o do homem que se dedicou, após o encerramento de sua carreira, a ensinar e transmitir seus conhecimentos como professor doutor da Universidade Federal de São Carlos, cidade onde vivia.

De forma tranquila e didática, sem ser pedante, o “professor” Nelson falava de atletismo com naturalidade, explicando calmamente ao seu interlocutor sua visão do esporte brasileiro e como ajudar na massificação, na busca de novos talentos.

Fui testemunha de um exemplo deste trabalho educativo de Prudêncio este ano, numa clínica de atletismo promovida pelo Sesc Pompéia, em fevereiro. Era um atividade voltada para crianças, portanto sem nenhuma pretensão de tirar de lá um atleta olímpico. Mas foi incrível ver a paciência com a qual ele tentava ensinar aos pequenos a forma correta de correr, saltar ou mesmo fazer um simples alongamento.

Minha filha pediu para se juntar à turma. Depois, quis tirar uma foto com aquele senhor, que ela não sabia quem era. Foi então que eu lhe respondi: “Você conheceu um dos poucos heróis olímpicos brasileiros”.

Sim, o professor Nelson irá fazer muita falta.

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domingo, 5 de fevereiro de 2012 Almanaque, Ídolos, Isso é Brasil, Olimpíadas | 17:01

Não é difícil fazer massificação esportiva. Difícil é encontrar quem faça isso

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Nélson Prudêncio em clínica neste sábado: iniciativa deveria ser frequente no Brasil

Sábado abafado, sol a pino, resolvi pegar a molecada e sair pra passear. Sabe como é, último final de semana de férias, o ano promete ser puxado, com as Olimpíadas de Londres 2012 cada vez mais próximas…Destino foi o Sesc Pompéia, aqui na Zona Oeste de São Paulo.

Eis que chegamos ao segundo andar do complexo esportivo e topamos com uma cena no mínimo diferente ao que se vê com frequência nas praças esportivas deste país: para uma plateia de pouco mais de uma dezenas de pessoas, a maior parte delas crianças, falava o ex-atleta olímpico Nélson Prudêncio, duas vezes medalhista olímpico no salto triplo – prata na Cidade do México 1968, e bronze em Munique 1972. Prudêncio também foi, durante alguns minutos, recordista mundial da prova, durante o duelo que travou nas Olimpíadas de 68 com o soviético Viktor Saneyev, que no final terminou com a medalha de ouro.

Veja também: A inoportuna virada de mesa da CBV no vôlei de praia

Prudêncio, que hoje é doutor em atletismo e leciona na Universidade Federal de São Carlos, foi convidado para dar uma clínica de atletismo, como parte do programa de verão criado nas várias unidades do Sesc, espalhadas pelo estado de São Paulo.

A maioria das pessoas que estava na quadra do segundo andar do Sesc Pompéia não fazia ideia que estava diante de uma lenda do esporte brasileiro, que passava às crianças, com simplicidade e muita paciência, um pouco de seu conhecimento. Nada voltado a descobrir talentos, longe disso. Apenas a oportunidade de dar a quem nunca viu uma modalidade esportiva diferente a chance de conhecê-la. E quem sabe, a partir daí, descobrindo um novo talento.

E refletindo sobre esta cena, enquanto acompanhava minha filha participar da clínica de Prudêncio, lamentava que iniciativas como essa são exceção neste Brasil que dirigentes do COB e políticos do Ministério do Esporte insistem em chamar de futura potência olímpica. Com a quantidade de dinheiro público investido atualmente, é inconcebível que clínicas como estas promovidas pelo Sesc não se repitam semanalmente, e em todo o país.

Não posso acreditar que seja impossível fazer um trabalho de massificação esportiva DE FATO e não da boca pra fora, com eventos esporádicos aqui e ali, dificilmente atingindo os pontos mais distantes (e que não dão retorno de mídia) deste país.

Com a quantidade de grandes atletas que o Brasil já produziu, clínicas de massificação esportiva como essa poderiam ocorrer frequentemente. O que existe por aí em projetos de inclusão esportiva nem dá pra levar em conta, diante dos patéticos resultados alcançados.

Enquanto não houver esporte de inclusão, na base, o Brasil jamais poderá ser considerado uma potência esportiva.

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quinta-feira, 16 de junho de 2011 Almanaque, Imprensa, Olimpíadas | 23:17

Olimpíadas e política, uma mistura que não dá certo

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O primeiro grande boicote da história das Olimpíadas ocorreu nos Jogos de Moscou, em 1980

Um belo mico diplomático ameaça a tranquilidade dos organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Eis o diagnóstico da informação publicada nesta quarta-feira pelo jornal inglês “The Times”, após revelar que o filho do ditador líbio Muammar Kadafi, que preside o comitê olímpico de seu país, receberá centenas de ingressos para acompanhar as Olimpíadas do ano que vem. O problema é que a Líbia está sofrendo sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) e o próprio Kadafi está proibido de sair de seu país, devido a uma ordem de prisão internacional. Uma bela confusão, em resumo.

Pelo regulamento do COI (Comitê Olímpico Internacional), os organizadores dos Jogos de Londres são obrigados a dar ingressos a um país que faz parte da entidade, mas se pudesse não dar…Na verdade, a política nunca combina com o esporte, eis uma verdade incontestável. Quando o assunto são as Olimpíadas, isso adquire uma repercussão ainda maior. Abaixo, alguns exemplos de quando assuntos políticos interferiram na história dos Jogos:

Berlim-1936: Na Alemanha nazista de Hitler, o primeiro grande exemplo de mico político. Os alemães já davam sinais do que fariam ao mundo alguns anos depois e usaram os Jogos para fazer apologia da doutrina da superioridade da raça ariana. Hitler e sua turma só não contavam que um negro americano chamado Jesse Owens acabasse com seus planos, conquistando quatro medalhas de ouro nas barbas do ditador nazista.

Cidade do México-1968: Os EUA sofriam com as críticas da opinião pública de seu país por conta da participação na Guerra do Vietnã. Além disso, o movimento negro lutava duramente contra a discriminação nos EUA, o que só piorou com o assassinato do líder Martin Luther King, meses antes dos Jogos mexicanos. Eis que no pódio dos 200m rasos, os velocistas americanos Tommie Smith e John Carlos realizaram a saudação do movimento Black Power no pódio. Após a premiação, foram mandados de volta para casa.

Montreal-1976: Por causa de divergências políticas, sempre houve uma ou outra desistência de países participando das Olimpíadas. A União Soviética, por exemplo, só foi participar pela primeira vez nos Jogos de 1952, em Helsinque. Mas a primeira vez em que a política fez um estrago nos Jogos Olímpicos foi nos Jogos de Montreal, no Canadá. Por causa de uma excursão de um time neozelandês à África do Sul, que vivias o regime do apartheid, o Congo pediu ao COI que excluísse a Nova Zelândia dos Jogos. Como o pedido não foi atendido, no dia da cerimônia de abertura 16 nações africanas, além de Guiana e Iraque se retiraram da competição.

Moscou-1980: Foi nas Olimpíadas organizadas pela então União Soviética, em 1980, que houve a maior derrota do esporte para a política . Liderados pelos EUA, um grupo de 69 países decidiu boicotar as Olimpíadas de Moscou, em represália à invasão soviética ao Afeganistão.

Los Angeles-1984: O troco veio quatro anos depois, quando a União Soviética comandou um boicote de 14 países do bloco socialista e mais Irã e Líbia aos Jogos organizados pelos EUA. Novamente o esporte perdeu para a política.

Seul-1988: Por estar tecnicamente em guerra com a Coreia do Sul (o tratado de paz nunca foi assinado),  a Coreia do Norte não compareceu às Olimpíadas de Seul. Ao lado dela, também aderiram ao mini-boicote Cuba (uma ausência importante), Etiópia e Nicarágua (que não fez lá muita falta).

Veja também:

Que moleza para o COI, hein?

O adeus de um herói da era pré-Phelps

Sorteio decidirá o destino de ingressos para Londres-12

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