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Posts com a Tag Bolsa Pódio

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas | 23:52

É esse o ministro do Esporte da sede dos Jogos de 2016?

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“Gostaria de tranquilizá-los para, muito humildemente, dizer que posso não entender profundamente de esportes, mas entendo de gente”

O novo ministro do Esporte, George Hilton, discursa em sua posse, nesta sexta-feira

O novo ministro do Esporte, George Hilton, discursa em sua posse, nesta sexta-feira

Seria pegadinha ou uma piada de péssimo gosto? O fato é que nesta sexta-feira, tomou posse no cargo de ministro do Esporte, teoricamente o representante direto da presidenta da República como o grande responsável pela coordenação do maior evento poliesportivo do mundo daqui a menos de dois anos, uma pessoa que assumidamente não entende da área a qual foi escolhido para trabalhar.

Não duvido, até prova em contrário, que seja uma pessoa honesta e bem intencionada. Mas definitivamente, não é do ramo.

A presença de George Hilton para assumir uma pasta que tem papel fundamental tanto na organização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio 2016 como na preparação da equipe brasileira que participará do mega evento foi só um dos absurdos reservados pela presidenta reeleita Dilma Rousseff na divulgação de seu novo ministério.

Vamos aqui, contudo, nos ater apenas ao tema ligado ao blog. Foi uma escolha, para dizer o mínimo, infeliz. Só mesmo a necessidade de fazer inúmeras alianças para garantir um mínimo de governabilidade neste início de novo governo pode justificar a temerosa escolha da presidenta em trocar algo que bem ou mal estava funcionando por um futuro extremamente duvidoso.

Não que com o PC do B a coisa estivesse correndo tudo às mil maravilhas. A gestão tinha problemas, basta apenas lembrar as tumultuadas saídas de Agnelo Queiroz e Orlando Silva, antecessores de Aldo Rebelo no cargo. A própria organização dos Jogos do Rio capengou até que o COI desse uma espécie de ultimato no começo de abril do ano passado para que todas as esferas envolvidas (municipal, estadual e federal) se entendessem.

Mas o fato é que as coisas estavam fluindo com a gestão anterior. A política de distribuição de verbas para a preparação dos atletas de alto rendimento, por exemplo, é bastante questionável – optou-se por privilegiar um grupo limitado de atletas por conta de uma meta de medalhas em 2016 que não representará a realidade do país. Ainda assim, estes atletas de ponta, que deverão brigar ou mesmo ganhar medalhas nas próximas Olimpíadas, não poderão dizer que não tiveram recursos financeiros em sua preparação, com os milhões de reais distribuídos pelos planos Bolsa Pódio e Bolsa Atleta, entre outros programas governamentais. Tudo para deixar o Brasil entre os 10 primeiros do quadro de medalhas, meta estabelecida pelo governo e também pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil)

George Hilton, portanto, chega em um cenário que aparentemente as coisas estão funcionando. A grande incógnita é saber se, consciente de seu desconhecimento quase total no esporte, deixará tudo funcionando como está, ou irá fazer uma mexida geral na casa.

Já se comenta nos bastidores de Brasília que que Dilma pretende deixar a organização das Olimpíadas sob responsabilidade do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o que desmoralizaria ainda mais o praticamente desconhecido Hilton. Não foi à toa que a ONG “Atletas pelo Brasil” soltou um manifesto no dia 29 de dezembro criticando duramente a escolha de uma pessoa com ligações praticamente inexistentes com o esporte, algo inconcebível num período como o que se avizinha. E não deixa de ser irônico que a única voz de apoio a George Hilton tenha vindo da CBF, que representa o que há de mais anacrônico e incompetente na estrutura esportiva do Brasil.

Este ano promete…

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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014 Ídolos, Isso é Brasil | 18:32

O drama de Maurren e a “vida real” do esporte brasileiro

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Maurren Maggi está buscando uma forma de arrecadar fundos para continuar treinando

Maurren está buscando uma forma de arrecadar fundos para continuar treinando

Ignore o fato de que o efeito inexorável do tempo é cruel. Deixe de lado que, aos 37 anos, ela já vive o ocaso de sua carreira esportiva. Mas não dá para conceber que a saltadora Maurren Maggi, que  foi a primeira mulher brasileira do atletismo a conquistar uma medalha de ouro (em Pequim 2008, no salto em distância), precise apelar para uma “vaquinha virtual” para conseguir se manter na ativa.

Nesta sexta-feira, todos os portais de internet noticiaram com destaque a campanha iniciada pela atleta, através do sistema de “crowdfunding”, para arrecadar R$ 100.000,00 nos próximos cem dias. Para isso, basta o torcedor ou empresário entrar no site da campanha e escolher a quantia com a qual deseja participar. Até às 18h desta sexta-feira (28/2), Maurren já havia arrecadado R$ 6.182,00.

Maurren alega que está sem patrocínio desde 2013 e que precisa deste valor para financiar toda sua fase de treinamentos nesta temporada, pois os valores que recebe da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e de um patrocinador não conseguem bancar estas despesas. A atleta diz que ainda sonha com a chance de representar o Brasil nas Olimpíadas do Rio, em 2016.

Esse triste caso de Maurren Maggi represente o “Brasil real” do esporte brasileiro, bem distante daqueles dos planos Bolsa Pódio, Lei Agnelo/Piva e todos os outros programas de ajuda oficial aos atletas de ponta, que se preparam para os Jogos Olímpicos. E estamos falando de alguém que tem no currículo uma medalha de ouro olímpica, além de três ouros em Jogos Pan-Americanos. Mas vem se tornando comum outros casos de “vaquinhas ” pela internet para apoio a atletas do Brasil.

No ano passado, o iG Esporte contou a história de Élora Pattaro, que chegou a disputar as Olimpíadas de Atenas 2004 e foi apontada como uma das promessas da esgrima do Brasil, criando um programa de “crowdfunding” para pagar um estágio de treinos na Europa. Mas existem outras ações semelhantes, como a do movimento “Apoie um Atleta“, para auxiliar atletas a se classificarem aos Jogos de 2016, e o “SalveSport“, para financiar atletas e projetos esportivos, como o da professora Katia Rúbio, que está produzindo o “Memórias Olímpicas por atletas Olímpicos Brasileiros”, traçando o perfil de TODOS os brasileiros que disputaram os Jogos Olímpicos.

A vida no “Brasil real” do esporte é muito mais difícil do que querem nos fazer engolir.

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 22:11

O final feliz de Adriana Araújo e a arte de engolir sapos

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Mauro José da Silva, Adriana Araújo e Ricardo Leyser, secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte: cachimbo da paz

Mauro José da Silva, Adriana Araújo e Ricardo Leyser, secretário de alto rendimento do Ministério do Esporte: cachimbo da paz no boxe olímpico do Brasil

A definição do retorno à seleção brasileira de Adriana Araújo, medalhista de bronze na categoria até 60 kg no boxe feminino das Olimpíadas de Londres 2012, não poderia vir em melhor hora para o Brasil. Ainda sem ter assimilado a decisão dos irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão em optarem pelo profissionalismo, a CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe) finalmente recebeu um alento.

Ao lado de Everton Lopes e Robson Conceição, Adriana passa a se tornar, agora com seu retorno assegurado à seleção, em mais uma esperança real de medalha para o Brasil nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Classificada em terceiro lugar no ranking mundial da Aiba (Associação Internacional de Boxe Amador), Adriana Araújo tem enorme potencial para repetir o pódio de Londres ou até mesmo ir mais além.

E pensando no tal plano Brasil Medalhas (que inspirou a criação do Bolsa Pódio), o  Ministério do Esporte não queria de forma alguma ver de fora da equipe nacional nas Olimpíadas um talento como o da lutadora baiana. A meta brasileira, não se esqueçam, é ousada: deixar o país no top 10 do quadro de medalhas em 2016, o que sginificaria terminar os Jogos com cerca de 30 medalhas. Em Londres 2012 foram 17 o total de medalhas brasileiras.

Se do ponto de vista técnico o “acordo de paz” entre Adriana Araújo e Mauro José da Silva, presidente da CBBoxe, foi excelente, fico curioso para saber o saldo que a reunião desta quarta (antecipada aqui no blog) irá causar nas partes envolvidas.

Tanto o dirigente quanto a boxeador baiana são conhecidos pelo gênio forte. O próprio iG registrou, em sua cobertura nas Olimpíadas de Londres, as fortes palavras ditas por Adriana em relação a Silva. “Essa medalha é para calar a boca dele. Ele tentou me tirar da seleção, disse que eu não me classificaria e que não tinha condições de estar aqui. Mas vim e conquistei a medalha de bronze. Ele precisa aprender a valorizar os atletas do Brasil”, disse a boxeadora, logo após ganhar a medalha de bronze olímpica.

Em abril de 2013, quando a saída de Adriana da seleção foi definida, Mauro José da Silva deu o troco na atleta e já tinha a resposta na ponta da língua para justificar o corte: indisciplina. “Ela queria ficar na Bahia, com o técnico dela, mas em janeiro apresentou-se 14 kg mais gorda. Já tínhamos permitido isso outras duas vezes e os resultados foram terríveis”, afirmou na época ao blog.

Nesta quarta-feira, como demonstra a foto feita pela secretaria de alto rendimento do ministério do esporte, que intermediou o acordo, o clima era de paz e amor. “Nunca tive problemas com a CBBoxe. Sempre tive boa relação com as pessoas que trabalham lá. Em minha trajetória na seleção, consegui ser campeã em vários torneios e, com isso, alcancei uma boa pontuação”, disse Adriana, esquecendo-se do que havia declarado menos de dois anos atrás.

Neste ano haverá o Mundial feminino de boxe e certamente Adriana Araújo, se estiver em forma, é candidata à medalha. Vamos aguardar para ver se os sapos que a baiana e o dirigente engoliram na definição deste acordo valeram a pena.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014 Histórias do esporte, Ídolos, Isso é Brasil, Listas, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 19:03

Uma breve reflexão sobre números e medalhas

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Seleção feminina de handebol comemora a conquista do inédito título mundial na Sérvia

Seleção feminina de handebol comemora o inédito título mundial na Sérvia

Neste primeiro post de 2014, creio ser ainda ser necessário comentar sobre um fato que acabou passando batido por aqui no final do ano recém-encerrado: a campanha dos esportes olímpicos do Brasil em 2013, que cravaram o melhor desempenho do país no primeiro ano pós-olímpico desde 2000. Graças aos diversos mundiais que estiveram em disputa na última temporada, o Brasil conseguiu um total de 27 medalhas em modalidades presentes no programa olímpico, feito nunca antes alcançado. Antes disso, a melhor marca havia sido alcançada em 2005, um ano após as Olimpíadas de Atenas 2004, com 11 medalhas.

Destas 27 medalhas, oito delas foram de ouro, a última delas conquistada de forma brilhante pela seleção feminina de handebol, campeã mundial diante da Sérvia, em dezembro. Os demais ouros de 2013 vieram com César Cielo (natação – 50 m livre); Arthur Zanetti (ginástica artística – argolas); Rafaela Silva (judô – 57 kg); Jorge Zarif (vela – classe Finn); Robert Scheidt (vela – classe Laser); Poliana Okimoto (maratonas aquáticas – 10 km); e vôlei feminino (Grand Prix).

Diante do ótimo resultado, tanto o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) quanto o Ministério do Esporte – um dos principais financiadores do esporte olímpico nacional, através do Bolsa Atleta e Bolsa Pódio, entre outros convênios – trataram de enaltecer o feito, lembrando em comunicados à imprensa que o Brasil terminou 2013 no oitavo lugar em um hipotético quadro de medalhas envolvendo as competições olímpicas no ano passado. Coincidentemente, o resultado está dentro da meta estabelecida, tanto pelo COB como pelo Ministério, para as Olimpíadas de 2016, no Rio, quando se espera que o país termine os Jogos entre os dez primeiros.

>>> Leia ainda: O dia em que o handebol deixou de ser ‘pé de página’ no Brasil

Mas por uma questão de padronização, esse 8º lugar deveria ser tratado como um 10º lugar. Antes da minha justificativa, uma rápida historinha olímpica…

A extinta União Soviética fez sua estreia em Olimpíadas nos Jogos de Helsinque, em 1952. Em plena Guerra Fria com os Estados Unidos, os soviéticos queriam aproveitar sua primeira participação olímpica para também fazer propaganda do regime comunista. E em sua Vila Olímpica particular (a delegação não quis se misturar com os demais atletas) os dirigentes da URSS instalaram na entrada um quadro onde computava as medalhas que eram conquistadas por seus atletas, em comparação às dos americanos. Era o primeiro quadro de medalhas da história das Olimpíadas. A partir de então, a imprensa passou a publicar listas com o total de medalhas conquistadas a cada edição dos Jogos. Mas essa é uma classificação extra-oficial.

Se você procurar no site do COI (Comitê Olímpico Internacional), não irá encontrar qualquer quadro de medalhas, pois a entidade considera apenas os campeões olímpicos de cada prova. Não sou hipocritamente purista como os nobres membros do COI e considero natural que a imprensa crie uma forma de classificar os ganhadores de medalhas nos Jogos Olímpicos. Porém, é bom deixar claro que oficialmente essa classificação não existe.

>>> Veja também: Mundial de Barcelona coinsagra Cielo, Thiago e Poliana, mas também merece uma reflexão

Os quadros de medalha olímpicos têm em geral sua classificação feita pelo tipo de medalha conquistada: primeiro, ouro, depois a prata, em seguida o bronze e por fim o total de medalhas. Mas é claro que os critérios mudam de acordo com o gosto do freguês. Assim ocorreu com vários veículos de comunicação dos EUA, que começaram a fazer a classificação de seus quadros pelo total de medalhas de Pequim 2008, justamente quando os ouros chineses deixaram as conquistas americanas para trás. No final, a China teve 51 ouros (100 no total) e os EUA faturaram 36 ouros (e 110 no total).

Volto a reforçar: para o COI, essa classificação não tem a menor importância!

No quadro de medalhas olímpicas de 2013 do COB, o critério usado é pelo total de medalhas obtidas. Assim, Japão (dez ouros), Coréia do Sul e Hungria (nove ouros cada um) aparecem atrás do Brasil, que levando em conta a classificação habitualmente adotada pela mídia, ficaria atrás destes três países, mas ainda assim estaria à frente da Austrália ( sete ouros no ano passado), que no quadro original ficou à frente do Brasil.

>>> E mais: O esporte do Brasil merece um campeão como Arthur Zanetti?

Como diz o título do post, o objetivo foi fazer com que uma pequena reflexão seja feita diante dos excelentes resultados obtidos pelos atletas brasileiros no ano que passou. Estamos no caminho certo, mas muito longe ainda de poder apontar o país como uma “potência olímpica”, como alguns mais fanáticos podem pensar.

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013 Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva, Seleção brasileira | 23:24

Uma reflexão sobre o desabafo de Esquiva Falcão

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Crédito: Daniel Ramalho/AGIF/COB

Esquiva Falcão comemora a conquista da medalha de prata nas Olimpíadas de Londres

Nesta última terça-feira, o boxeador Esquiva Falcão convocou uma entrevista coletiva em São Paulo, onde falou sobre sua estreia no boxe profissional. Após assinar contrato com a empresa Top Rank, a mesma que gerencia a carreria do peso médio filipino Manny Pacquiao, um dos ídolos da modalidade, ele já se prepara para fazer sua estreia no profissionalismo, entre janeiro e fevereiro de 2014, em combate que deve ser realizado nos EUA ou China.

Entre tantas incertezas, só se sabe de uma coisa: ao optar por tornar-se profissional, Esquiva Falcão abriu mão automaticamente de disputar as Olimpíadas de 2016, no Rio. Em Londres 2012, ele foi prata entre os médios.

O detalhe importante na entrevista coletiva, registrada pelo companheiro Maurício Nadal, do iG Esporte, foi a mágoa que Falcão demonstrou das autoridades brasileiras. Ele mostrou-se inconformado com a demora na liberação do Bolsa Pódio, programa criado pelo Ministério do Esporte e que auxilia na preparação dos atletas brasileiros para os Jogos de 2016, podendo pagar até R$ 15 mil/mês, de acordo com a classificação do atleta. “Não sei porque demorou tanto, gostaria de saber essa resposta”, afirmou o boxeador, que ainda acusou o Ministério de privilegiar outras modalidades, como atletismo, vôlei, basquete e judô, chamando-as de “queridinhas”.

Bem, a resposta que o boxeador brasileiro queria veio menos de 24 horas depois. Em longa nota (que pode ser conferida aqui), publicada em seu site, o Ministério do Esporte rebateu todas as reclamações do boxeador. De forma resumida, disse que o Bolsa Pódio segue um cronograma administrativo, com planos esportivos que precisam ser aprovados antes da liberação de verbas, disse que não privilegia nenhuma modalidade e que todos os planos esportivos do boxe (desde julçho deste ano) precisaram ser refeitos.

Isto posto, cabem algumas reflexões sobre o assunto:

1) Esquiva Falcão tem razão em reclamar na demora da liberação do Bolsa Pódio. É BUROCRACIA DEMAIS. Uma vez, ao comentar sobre isso com um funcionário do Ministério, escutei a seguinte reclamação: “Se não criamos as regras, vocês [jornalistas] dizem que não fiscalizamos o uso do dinheiro público. Quando criamos, dizem que é burocracia”. Eu respondi que a fiscalização precisa existir, óbvio, mas os recursos deveriam chegar aos atletas de forma mais rápida. Lembrem-se, faltam menos de três anos para o Rio 2016…E o programa foi lançado em setembro de 2012, pela presidenta Dilma Rousseff;

2) O Ministério do Esporte tem razão em boa parte de suas justificativas. Burocracia à parte, se as regras existem, precisam ser cumpridas. E se outras confederações as cumprem, por que seria diferente com o boxe? A lei precisa ser igual para todos (por mais que eu discorde dos critérios e demora para a liberação dos recursos);

3) A CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe) precisa se organizar melhor. Boa parte dos erros apontados nos projetos esportivos foram cometidos pela entidade. Além disso, integrantes do Ministério do Esporte tentaram por um bom tempo promover a paz entre a entidade e a boxeadora Adriana Araújo, cortada da seleção feminina no começo do ano, após desentendimentos com o presidente Mauro José da Silva. Por enquanto, nada feito.

O resultado de toda essa confusão é um belo prejuízo nas chances de conquista de medalhas para o boxe brasileiro nos Jogos de 2016.

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 14:37

Esquiva também se torna profissional e abre crise no boxe

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Crédito: Daniel Ramalho/AGIF/COB

Esquiva Falcão comemora a conquista da medalha de prata nas Olimpíadas de Londres

Pelo jeito, não há Bolsa Pódio que sossegue o boxe olímpico brasileiro. Nesta sexta-feira, a seleção brasileira da modalidade sofreu mais um duro golpe, com a decisão de Esquiva Falcão em se tornar lutador profissional. Ele assinou contrato com a empresa Top Rank, a mesma que gerencia a carreira do peso médio filipino Manny Pacquiao, um dos maiores boxeadores da atualidade e que já foi campeão mundial em seis categorias diferentes. Há a possibilidade de Esquiva fazer sua estreia (provavelmente na categoria peso médio) já no começo de 2014.

A profissionalização de Esquiva, medalha de prata nas Olimpíadas de Londres 2012, é a terceira grande baixa na equipe olímpica do Brasil, que já perdeu outro representante da família Falcão, Yamaguchi, bronze em Londres e que também se profissionalizou, e Adriana Araújo, essa excluída da seleção feminina por problemas de relacionamento com Mauro José da Silva, presidente da CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe).

Simplesmente os três medalhistas do boxe do Brasil nas últimas Olimpíadas não disputarão os Jogos de 2016, no Rio de Janeiro. Não se trata de uma infeliz coincidência.

>>> VEJA TAMBÉM: Ministério do Esporte tenta acordo de paz entre CBBoxe e Adriana Araújo

O mais irônico é que Esquiva Falcão acabou de ganhar medalha (bronze) no último Campeonato Mundial e  estava incluído na relação dos três atletas que receberiam o Bolsa Pódio do Ministério do Esporte (ao lado de Everton Lopes e Robenilson de Jesus) a partir de 2014. Yamaguchi também fazia parte da lista, assim como Adriana também, se ainda estivesse na seleção. Se o caminho da profissionalização no boxe precisa ser encarado até com certa naturalidade entre os amadores, a saída dos principais boxeadores brasileiros da seleção merece ser vista com alguma atenção.

Seria bom que a CBBoxe sobre tudo isso, em pleno início de ciclo olímpico para os Jogos do Rio de Janeiro, para tentar proteger seus melhores talentos da tentação (mais do justa) de passarem a competir como profissionais. Ou então resolver seus problemas internos rapidamente.

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terça-feira, 5 de novembro de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Seleção brasileira | 18:06

Ministério do Esporte tenta acordo de paz entre CBBoxe e Adriana Araújo

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Adiana Araújo comemora vitória em luta que lhe garantiu o bronze em Londres

Adiana Araújo comemora vitória em luta que lhe garantiu o bronze em Londres

Às vésperas do anúncio dos atletas do boxe que serão contemplados pelo programa Bolsa Pódio neste ano – Everton Lopes, Esquiva Falcão e Robenílson de Jesus – o Ministério do Esporte tenta, em outra trincheira, evitar um desfalque importante na equipe brasileira que irá competir nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Desligada oficialmente desde abril da seleção brasileira, Adriana Araújo, que foi medalha de bronze na categoria até 60 kg nos Jogos de Londres 2012 (a primeira do país na modalidade desde os Jogos da Cidade do México, em 1968) está em guerra aberta com o presidente da CBBoxe (Confederação Brasileira de Boxe), Mauro José da Silva.

Pessoas dentro do Ministério tentam de qualquer forma promover uma espécie de “cachimbo da paz” entre a CBBoxe e Adriana. O objetivo é não enfraquecer a equipe feminina que se prepara para os Jogos de 2016, especialmente com uma atleta que é considerada uma das melhores do mundo na modalidade. Mas está difícil que uma das partes dê o primeiro passo em direção a algum tipo de reconciliação. Várias reuniões foram realizadas, em São Paulo e Brasília, porém todas sem resultado positivo.

>>> RELEMBRE: Boxe feminino brasileiro vive clima de guerra

Após os Jogos de Londres, Adriana fez pesadas críticas a Mauro, acusando-o de ter tentado tirá-la da seleção antes do Pré-Olímpico. Já o dirigente argumentou que a atleta foi displicente ao se reapresentar acima do peso no início desta temporada e se recusar a treinar em São Paulo, preferindo treinar em Salvador, com seu técnico Luiz Carlos Dórea.

A intransigência pode tirar do boxe brasileiro uma de suas maiores chances de medalha nas Olimpíadas do Rio.

 

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terça-feira, 29 de outubro de 2013 Isso é Brasil, Seleção brasileira | 08:46

E a corda arrebentou no lado mais fraco…

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O momento do erro na passagem do bastão entre Vanda Gomes (à frente) e Franciela Krasucki, em Moscou

O momento do erro na passagem do bastão entre Vanda Gomes (à frente) e Franciela Krasucki, em Moscou

No final, o culpado foi o mordomo…a breve analogia aos antigos filmes de mistério acaba caindo perfeitamente para ilustrar o final da crise que se instalou no atletismo brasileiro, desde que a equipe feminina do revezamento 4 x 100 m rasos falhou na final do Mundial de Moscou, no último mês de agosto, após o erro na passagem de bastão de Franciela Krasucki e Vanda Gomes.

O quarteto brasileiro vinha fazendo uma prova excelente e provavelmente ganharia uma medalha, a única do país na competição. Mas o erro aconteceu, o bastão caiu e o Brasil foi desclassificado. Logo após a prova, Vanda aproveitou o microfone do canal Sportv, que transmitiu o Mundial, para detonar a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), criticando a preparação da equipe e até mesmo as condições de hospedagem e alimentação, deixando as demais companheiras atônitas com o tom das críticas. Na chegada ao Brasil, diminuiu sensivelmente o tom do discurso. A CBAt não engoliu a retratação e levou o caso ao seu STJD. Resultado: a atleta será julgada, em data ainda a ser definida, e provavelmente pegará um gancho pesado.

O pior golpe, porém, foi sacramentado ontem, segunda-feira (28). No anúncio dos 19 atletas contemplados pelo Bolsa Pódio, programa do Ministério do Esporte que auxilia na preparação dos atletas para as Olimpíadas do Rio 2016, as integrantes do revezamento 4 x 100 m estavam lá: Ana Cláudia Lemos, Evelyn dos Santos, Franciela e Rosângela Santos. Só não estava o nome de Vanda Gomes. Vale ressaltar que os nomes dos atletas contemplados pelo programa são indicados pela confederação – no caso, a CBAt.

>>> Leia mais: Atleta que criticou Confederação de atletismo fica fora do Bolsa Pódio

Se a atleta merece ou não ser suspensa ou memso advertida por suas declarações, é uma outra discussão. Creio que o assunto merece até uma outra reflexão e passa pela questão do preparo psicológico no esporte de alto rendimento, que já foi abordado aqui no blog. Em relação a exclusão de Vanda Gomes no programa Bolsa Pódio, creio que a análise é outra.

A CBAt argumentou que para justificar a inclusão das atletas do revezamento no programa do Ministério do Esporte, usou como base o resultado da semifinal – quando Rosângela correu no lugar de Vanda e o time brasileiro bateu inclusive o recorde sul-americano. Porém, existem outros critérios: os finalistas em Mundiais seriam contemplados ou então os classificados entre os 20 primeiros do ranking mundial de determinada prova. Na lista anunciada nesta segunda, existem atletas que se enquadram em todos os casos.

>>>Relembre: As lições que o Mundial de Moscou deixa ao atletismo do Brasil

E se o revezamento feminino do Brasil ocupa hoje o quarto lugar no ranking mundial, Vanda Gomes teve sua parcela de contribuição. Isso não dá para negar.

O que fica claro, independentemente do resultado do julgamento da atleta, é que ela não deve mais ser convocada pela atual comissão técnica.  Não há mais clima para isso. O que não foi discutido ainda, ao menos de forma pública, é a pífia participação do Brasil no Mundial de Moscou. Isso também não pode ser deixado de lado.

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013 Isso é Brasil, Seleção brasileira | 18:13

Via Zanetti, Governo manda recado para Confederação de ginástica

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O secretário de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, conversa com Arthur Zanetti

O secretário de Alto Rendimento, Ricardo Leyser, conversa com Arthur Zanetti: planos para 2016 e bronca na CBG

Nesta última quinta-feira, o ginasta campeão olímpico e mundial das argolas, Arthur Zanetti, visitou o Ministério do Esporte, onde encontrou-se com o secretário nacional de Alto Rendimento, Ricardo Leyser. Há cerca de dez dias, o técnico de Zanetti, Marcos Gotto, não poupou críticas à falta de estrutura para seu pupilo e os demais ginastas que treinam em São Caetano do Sul, sobre as condições dos equipamentos disponíveis e também sobre a falta de um centro de treinamento nacional para a ginástica artística brasileira (confira a reportagem do iG sobre o assunto).

Segundo o blog apurou, na época as declarações não foram bem recebidas por Leyser, que lembrava a interlocutores que o ginasta participa do programa Bolsa-Atleta e também será contemplado pelo programa Bolsa Pódio, para auxílio na preparação visando as Olimpíadas do Rio 2016, possivelmente no valor máximo mensal previsto de R$ 15 mil. Por conta desta irritação do secretário, esperava-se que no encontro o ginasta acabasse escutando algum tipo de repreensão endereçada ao seu treinador, mas isso não ocorreu.

“Houve uma boa conversa, o Zanetti deu opiniões a respeito dos projetos que estão sendo encaminhados, tanto para ele, que é uma das apostas do ministério para os Jogos do Rio, quanto para a ginástica artística. Em resumo, zeramos tudo e agora já estamos pensando em 2016”, afirmou um interlocutor, em conversa com o blog.

Mas o governo aproveitou o encontro para passar um recado claro à CBG (Confederação Brasileira de Ginástica). A entidade, que não tem competência para colocar um médico de plantão em um simples campeonato juvenil, ou que vê clubes privados, como o Náutico União, tendo projetos de importação de equipamentos de ponta aprovados, levou um pito de Leyser.

“Vamos conversar com a CBG para avaliar a situação e verificar medidas corretivas, mas entendo ser necessária uma ação conjunta e mais incisiva do Ministério, do Comitê Olímpico Brasileiro e da Caixa – patrocinadora da modalidade – para melhorar a gestão da confederação, sobretudo nas ações de preparação da seleção para os Jogos Olímpicos de 2016”, disse o secretário de Alto Rendimento.

Abre o olho, CBG…

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 09:55

Após crise, final feliz para o campeão mundial de canoagem

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Isaquias Queiroz exibe a medalha de ouro conquistada no Mundial de canoagem

Isaquias Queiroz exibe a medalha de ouro conquistada no Mundial de canoagem

Há uma semana, o baiano Isaquias Queiroz expôs em sua página no Facebook seu descontentamento por não ter recebido premiação por conta da inédita conquista do título  na categoria C1 500 m, do Mundial de Canoagem Velocidade, realizado em agosto, na cidade alemã de Duisburg. Após ter sido desmentido pela CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem) e de estar ameaçado de receber uma punição pela entidade, Isaquias finalmente pode comemorar uma boa notícia.

Nesta terça-feira, o Ministério do Esporte confirmou ao blog que Isaquias Queiroz será contemplado com o teto máximo da Bolsa Pódio, programa de apoio criado pelo governo para ajudar na preparação dos principais atletas brasileiros com chance de conquistar medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. O canoísta baiano receberá R$ 15 mil mensais, por sua performance no Mundial, onde além do ouro no C1 500 m (prova não olímpica), levou o bronze no C1 1.000 m.

Além de Isaquias, outros três canoístas serão contemplados com o Bolsa Pódio: Nivalter Santos de Jesus, Ronilson Matias Oliveira e Erlon de Souza Silva. Os valores destes atletas ainda não estão definidos, pois estão sendo feito um processo de revisão por conta da participação no Mundial. Os valores pagos no programa são de R$ 5 mil, R$ 8 mil, R$ 11 mil e R$ 15 mil.

Relembre: Esporte brasileiro ficará mais rico para evitar mico em 2016. Mas vai dar tempo?

Além da canoagem, o Ministério do Esporte definiu também a concessão do prograna de incentivo para mais dois atletas: Yane Marques, prata no Mundial de pentatlo moderno realizado em agosto, em Taiwan, e Guilherme Dias, bronze na categoria até 58 kg no Mundial de Taekwondo, realizado em Puebla (México), no mês de julho. Os dois receberão também o valor máximo do programa, R$ 15 mil mensais.

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