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Posts com a Tag Berlim 1936

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015 Histórias do esporte, Jogos de Inverno, Olimpíadas | 21:22

Um herói olímpico que sobreviveu aos horrores da guerra

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O fundista Louis Zamperini, que foi atleta olímpico e herói de guerra nos EUA

O fundista Louis Zamperini, que foi atleta olímpico e herói de guerra nos EUA

Já tornou-se corriqueiro dizer que o universo dos Jogos Olímpicos daria uma dezena de filmes, tal a quantidade incrível de histórias de triunfo e superação, mesmo entre aqueles que jamais chegaram perto de ganhar uma medalha. Uma das incríveis histórias destes heróis desconhecidos chegou às telas nesta semana, com o longa “Invencível”, dirigido por Angelina Jolie.

Descontados alguns exageros típicos de Hollywood e até uma omissão bastante pertinente para que o filme conquistasse ainda mais o coração dos espectadores, a história do ítalo-americano Louis Zamperini, corredor da prova dos 5.000 metros nos Jogos Olímpicos de Berlim 1936, é emocionante. O relato da incrível trajetória do atleta, que tornou-se segundo-tenente de um esquadrão aéreo dos EUA e após um acidente virou prisioneiro de guerra dos japoneses, é impressionante.

Depois de ter terminado em oitavo lugar na final olímpica de 1936 (fato que foi espertamente ignorado por Jolie e os irmãos Joel e Ethan Coen, que assinaram o roteiro), com direito a uma última volta espetacular, completada em menos de um minuto, Zamperini mostrava que poderia brilhar nos próximos Jogos, previstos para Tóquio, em 1940. Só que esta edição das Olimpíadas nunca aconteceu, por causa da Segunda Guerra Mundial. Convocado, o fundista passou a integrar um esquadrão de bombardeiros.

É aí que o filme ganha de vez o coração de quemestá na plateia, ao mostrar o drama de Zamperini  preso exército japonês, após ter ficado à deriva no mar por 45 dias, tomando apenas água da chuva e comendo peixe cru. No campo de prisioneiros de soldados aliados, as cenas de tortura ao atleta olímpico, e a forma com a qual ele conseguiu mostrar uma incrível força interna e de superação, são impressionantes.

Zamperini nunca mais competiu em uma Olimpíada, mas conseguiu cumprir uma promessa pessoal e correu sim no Japão, carregando a tocha olímpica durante a cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Nagano 1998. O ex-atleta olímpico e aviador morreu em julho do ano passado, aos 97 anos.

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Fico imaginando quantas histórias incríveis e emocionantes entre tantos atletas olímpicos que já disputaram os Jogos não existem perdidas por aí, mesmo entre aqueles que jamais tiveram a sorte de ganhar uma medalha. Isso só torna ainda mais especial este evento incrível e que daqui a pouco mais de 500 dias irá acontecer tão perto de nós, no Rio de Janeiro.

E me dá um pouco mais de fé que a semente olímpica poderá dar frutos por aqui quando vejo meus filhos animadíssimos com o início do cadastramento para a compra de ingressos para os Jogos de 2016 e vê-los fazendo planos de quais modalidades eles gostariam de ver ao vivo.

Isso sim é legado olímpico!

Obs: O blog está de férias até o início de fevereiro, podendo voltar em alguma edição extraordinária. Como sugestão, fica a dica para ir ao cinema e conhecer a incrível história de um herói olímpico, Louis Zamperini.

Até a volta.

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terça-feira, 10 de dezembro de 2013 Ídolos, Olimpíadas | 17:31

É impossível estabelecer o preço dos ouros de Jesse Owens

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A medalha de Jesse Owens que foi à leilão no último domingo

A medalha de Owens que foi à leilão no último domingo por mais de R$ 3,4 milhões

Imagine você, caro(a) leitor(a), ganhando um destes prêmios estratosféricos da Mega Sena acumulada e resolva, por ser um(a) apreciador(a) dos esportes olímpicos, comprar um ítem histórico para sua coleção particular, uma medalha de ouro de um grande ídolo. E digamos que para ter esse objeto você resolva gastar mais de R$ 2 milhões (não se esqueça que você está tão rico(a) quanto o Tio Patinhas). Aí eu pergunto: será que você pagou pouco ou muito por seu mimo olímpico?

A minha resposta, curta e grossa, é a seguinte: sim e não. Antes que esse(a) imaginário(a) internauta me chame de louco, explico que é impossível estabelecer o valor exato de uma medalha olímpica. Por isso, é perfeitamente natural considerar que o valor de US$ 1.466.574 (cerca de R$ 3,4 milhões), pago por um dos donos do Pittsburgh Penguins, da NHL (liga americana de hóquei no gelo) foi até pequeno para comprar uma das medalhas de ouro obtidas por Jesse Owens nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. O leilão foi concluído no domingo, mas não foi especificada qual das provas a medalha comprada pertencia – Owens foi ouro nos 100 m, 200 m, revezamento 4 x 100 m e salto em distância.

Nada contra as excentricidades de um milionário. Quem tem dinheiro faz dele o que quiser. Aqui no Brasil, temos um colecionador de objetos olímpicos, o ex-presidente da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), Roberto Gesta de Mello, dono de um mini-museu olímpico em Manaus, cidade onde mora. São centenas de peças ligadas à história olímpica, entre elas as medalhas de ouro obtidas por Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo, em Helsinque 1952 e Melbourne 1956.

O caso de Owens, porém, é emblemático. Descendente de escravos americanos,  ele conquistou esta medalha diante do ditador mais repugnante da história moderna, o nazista Adolf Hitler, derrotando através do esporte a hedionda política de superioridade da raça ariana. Só que a medalha nem pertencia mais aos herdeiros do herói americano, que a presenteou a um amigo, cuja viúva decidiu leiloar a peça histórica. Quanto às demais, o paradeiro é desconhecido.

Por isso, por mais dinheiro que tenha em sua conta bancária o sócio do Pittsburgh Penguins, essa medalha jamais deveria estar hoje em sua casa. Pelo seu valor histórico, pela importância do homem que a ganhou, deveria pertencer ao museu do COI (Comitê Olímpico Internacional), para a apreciação pública. Ao contrário, tornou-se um caro capricho para a coleção pessoal de um milionário.

A histórica olímpica, porém, ficou mais pobre.

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas | 19:01

Os 100 anos do primeiro grande herói olímpico

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Jesse Owens competiu em quatro provas nos Jogos de Berlim e conquistou quatro medalhas de ouro

A esta altura, muito já se falou sobre o centenário de nascimento de um dos maiores atletas olímpicos da história moderna, o americano Jesse Owens, que está sendo comemorado nesta quinta-feira, 12 de setembro. Na verdade, tudo o que se falar sobre ele ainda será pouco. Se existe alguém que pode carregar com orgulho o adjetivo “herói”, é justamente Owens.

Para se ter uma ideia da dimensão do feito deste negro americano, nascido na cidade de Oakville, e batizado como James Cleveland Owens, dono de quatro medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936 – nos 100 m, 200 m, revezamento 4 x 100 m e salto em distância – gosto sempre de lembrar uma pequena história que presenciei em 1998, durante a cobertura do Mundial feminino de basquete, em Berlim.

Num determinado dia, estava marcado um pequeno city tour com os jornalistas que cobriam o evento. Como a tabela de jogos só previa atividades para o final da tarde, eu e outros colegas brasileiros presente ao evento resolvemos encarar o passeio.

E depois de passar por diversos pontos turísticos da linda Berlim, na época um verdadeiro canteiro de obras que transformava a cidade, eis que chegamos ao imponente Estádio Olímpico. Por uma infeliz coincidência, o local também estava em reforma, o que impediu nossa entrada. Mas enquanto o ônibus estava estacionado na porta, o guia alemão encheu o peito e disse: ‘Neste estádio, Jesse Owens ganhou quatro medalhas de ouro e humilhou o ditador Adolf Hitler”.

>>> Leia mais sobre outros grandes ídolos olímpicos

E se apenas deixar Hitler com cara de pastel já não fosse suficiente, Jesse Owens também deu um verdadeiro tapa na cara do indecente preconceito racial (que, em menor grau, ainda existe) dos Estados Unidos. “É verdade que Hitler não me cumprimentou, mas também nunca fui convidado para almoçar na Casa Branca”, disse Owens, pelo fato de nunca ter recebido um único telegrama do então presidente americano Franklin Roosevelt, cumprimentando-o pelos feitos em Berlim.

Para mim, Jesse Owens sempre foi e será o primeiro grande herói da história olímpica moderna.

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quinta-feira, 16 de junho de 2011 Almanaque, Imprensa, Olimpíadas | 23:17

Olimpíadas e política, uma mistura que não dá certo

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O primeiro grande boicote da história das Olimpíadas ocorreu nos Jogos de Moscou, em 1980

Um belo mico diplomático ameaça a tranquilidade dos organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Eis o diagnóstico da informação publicada nesta quarta-feira pelo jornal inglês “The Times”, após revelar que o filho do ditador líbio Muammar Kadafi, que preside o comitê olímpico de seu país, receberá centenas de ingressos para acompanhar as Olimpíadas do ano que vem. O problema é que a Líbia está sofrendo sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) e o próprio Kadafi está proibido de sair de seu país, devido a uma ordem de prisão internacional. Uma bela confusão, em resumo.

Pelo regulamento do COI (Comitê Olímpico Internacional), os organizadores dos Jogos de Londres são obrigados a dar ingressos a um país que faz parte da entidade, mas se pudesse não dar…Na verdade, a política nunca combina com o esporte, eis uma verdade incontestável. Quando o assunto são as Olimpíadas, isso adquire uma repercussão ainda maior. Abaixo, alguns exemplos de quando assuntos políticos interferiram na história dos Jogos:

Berlim-1936: Na Alemanha nazista de Hitler, o primeiro grande exemplo de mico político. Os alemães já davam sinais do que fariam ao mundo alguns anos depois e usaram os Jogos para fazer apologia da doutrina da superioridade da raça ariana. Hitler e sua turma só não contavam que um negro americano chamado Jesse Owens acabasse com seus planos, conquistando quatro medalhas de ouro nas barbas do ditador nazista.

Cidade do México-1968: Os EUA sofriam com as críticas da opinião pública de seu país por conta da participação na Guerra do Vietnã. Além disso, o movimento negro lutava duramente contra a discriminação nos EUA, o que só piorou com o assassinato do líder Martin Luther King, meses antes dos Jogos mexicanos. Eis que no pódio dos 200m rasos, os velocistas americanos Tommie Smith e John Carlos realizaram a saudação do movimento Black Power no pódio. Após a premiação, foram mandados de volta para casa.

Montreal-1976: Por causa de divergências políticas, sempre houve uma ou outra desistência de países participando das Olimpíadas. A União Soviética, por exemplo, só foi participar pela primeira vez nos Jogos de 1952, em Helsinque. Mas a primeira vez em que a política fez um estrago nos Jogos Olímpicos foi nos Jogos de Montreal, no Canadá. Por causa de uma excursão de um time neozelandês à África do Sul, que vivias o regime do apartheid, o Congo pediu ao COI que excluísse a Nova Zelândia dos Jogos. Como o pedido não foi atendido, no dia da cerimônia de abertura 16 nações africanas, além de Guiana e Iraque se retiraram da competição.

Moscou-1980: Foi nas Olimpíadas organizadas pela então União Soviética, em 1980, que houve a maior derrota do esporte para a política . Liderados pelos EUA, um grupo de 69 países decidiu boicotar as Olimpíadas de Moscou, em represália à invasão soviética ao Afeganistão.

Los Angeles-1984: O troco veio quatro anos depois, quando a União Soviética comandou um boicote de 14 países do bloco socialista e mais Irã e Líbia aos Jogos organizados pelos EUA. Novamente o esporte perdeu para a política.

Seul-1988: Por estar tecnicamente em guerra com a Coreia do Sul (o tratado de paz nunca foi assinado),  a Coreia do Norte não compareceu às Olimpíadas de Seul. Ao lado dela, também aderiram ao mini-boicote Cuba (uma ausência importante), Etiópia e Nicarágua (que não fez lá muita falta).

Veja também:

Que moleza para o COI, hein?

O adeus de um herói da era pré-Phelps

Sorteio decidirá o destino de ingressos para Londres-12

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