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sexta-feira, 8 de novembro de 2013 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Seleção brasileira | 16:36

¿Por qué no te callas, Paes?

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“Vamos deixar Barcelona no chinelo”

Peguei emprestado um comentário feito pelo colega Fábio Aleixo, do Lance!, para dar título ao post que trata da (mais uma) pérola disparada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante cerimônia nesta sexta-feira, na inauguração do Mirante do Parque Olímpico. Talvez empolgado pela cerimônia ou pela data comemorativa deste sábado, quando irão faltar exatos 1.000 dias para a abertura dos Jogos Olímpicos de 2016, Paes mais uma vez atacou os que colocam em dúvida o sucesso do evento e ainda se superou, ao menosprezar simplesmente as Olimpíadas de Barcelona 1992.

O prefeito Eduardo Paes é só otimismo para os Jogos de 2016

Eduardo Paes é só otimismo para os Jogos de 2016

Ao dizer que o Rio de Janeiro irá “deixar Barcelona no chinelo”, Eduardo Paes primeiro comete uma indelicadeza imperdoável com uma cidade que foi sede olímpica; em segundo, demonstra ignorância total da própria história das Olimpíadas da Era Moderna. Sob todos os aspectos, os Jogos de Barcelona podem ser considerados insuperáveis e a partir desse paradigma, é preciso muito cuidado para não criar falsas esperanças ou erros crassos de análise.

Esportivamente falando, Barcelona 1992 foi um sucesso. Para início de conversa, foi a primeira edição olímpica, desde Moscou 1980, sem que ocorresse qualquer boicote por motivos políticos. Todas as nações convidadas pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) compareceram. Além disso, foi a edição olímpica em que o COI abriu suas portas ao profissionalismo. Assim, a maior equipe em esportes coletivos de todos os tempos, o time de basquete dos EUA, deu um show, com Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird & Cia.

Foi em Barcelona que vimos brilhar o fenômeno russo da natação Alexander Popov, ouro nos 100 e 200 m livre, bem como foi na capital da Catalunha que a primeira negra africana ganhou um ouro no atletismo, a etíope Deratu Tulu, nos 10.000 m. Também em Barcelona que o ginasta bielorusso Vitaly Scherbo, então competindo pela CEI (Comunidade dos Estados Independentes), ganhou nada menos do que seis medalhas de ouro, quatro no mesmo dia! Para o esporte brasileiro, foram os Jogos em que brilharam a seleção masculina de vôlei e o judoca Rogério Sampaio, ambos campeões olímpicos, e o nadador Gustavo Borges, com sua medalha de prata nos 100 m livre.

Em termos de legado, Barcelona 1992 foi um completo sucesso, pois contou com apoio maciço da população, não teve incidentes, construiu lindas instalações e serviu para revitalizar áreas da cidade que estavam degradadas e que se tornaram importantes pontos turísticos depois dos Jogos.

E qual o contexto do Rio 2016 com tudo isso e a tola bravata de Paes?

Bem, seria loucura de minha parte dizer que o Rio de Janeiro não poderá superar Barcelona em termos de organização, até porque não tenho bola de cristal. Até mesmo os avanços de tecnologia que o mundo terá entre os 24 anos que irão separar as duas edições podem contribuir para isso. Sempre gosto de lembrar que em Barcelona houve um incrível erro na final dos 100 m de Gustavo Borges, que mesmo tendo tocado na placa ao completar a prova não teve o tempo registrado. Todo mundo no Parque Aquático Bernart Picornell tinha visto que o brasileiro havia sido o segundo colocado. Depois de muita tensão e discussão, a medalha de prata foi confirmada.

RELEMBRE: Três anos para o Rio 2016. Temos motivos para festejar?

Muita coisa joga a favor do Rio, como a própria experiência que será adquirida (para o bem e para o mal) na organização da Copa do Mundo de 2014. Porém, seria de bom tom que o nobre prefeito admitisse que existe ainda MUITA COISA a ser feita na cidade, tanto nas obras esportivas, de infraestrutura (Vila Olímpica) e também de mobilidade urbana, essa sim o grande perigo que pode ameaçar o sucesso dos Jogos de 2016. Sem contar outros “pequenos problemas”, como o descredenciamento do Ladetec, único laboratório do Brasil apto para realizar controle de dopagem pela Agência Mundial Antidoping ou o atraso preocupante nas obras do Complexo Esportivo de Deodoro, que já despertou inclusive relatórios secretos do próprio COI cheios de “pontos vermelhos” ao comitê organizador brasileiro.

Em resumo, uma boa dose de humildade não faria mal a ninguém, caro Eduardo Paes.

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terça-feira, 6 de agosto de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Política esportiva | 13:58

Três anos para o Rio 2016. Temos motivos para festejar?

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Integrantes do Comitê Rio 2016 comemoram a data de três anos para o início dos Jogos

Nesta última segunda-feira, passou meio despercebida uma efeméride importante:  atingiu-se a marca de exatos três anos para o início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que terá sua abertura oficial ocorrendo em 5 de agosto de 2016. No dia 22 do mesmo mês, haverá a abertura dos Jogos Paraolímpicos. Ou seja, o relógio anda correndo rápido demais para os organizadores. Só que uma sensação incômoda de que muita coisa ainda está para ser feita é permanente. Será que temos momentos para festejar?

>>> Veja também: TCU aponta irregularidades em obras para os Jogos de 2016

Se duvida disso, acompanhe:

1) Como festejar os três anos para 2016 se simplesmente o orçamento final do evento ainda não foi anunciado pelo comitê Rio 2016? Inicialmente, previa-se um custo de R$ 7 bilhões, mas essa conta é da época do dossiê de candidatura. O que devemos esperar até o final deste ano?

2) Como festejar se  o TCU (Tribunal de Contas da União) aponta indícios de sobrepreço (no popular, superfaturamento) nas planilhas orçamentárias da reforma do Ladetec, o laboratório que será responsável por todos os exames antidoping dos Jogos de 2016?

3) Como festejar se o mesmo TCU divulgou relatório demonstrando extrema preocupação com os atrasos “injustificáveis”, nas palavras do órgão fiscalizador, do início das obras do Complexo de Deodoro e que nem foram licitadas ainda? Lá serão realizadas competições de tiro, canoagem, hóquei sobre grama, ciclismo e pentatlo moderno. Os atrasos, segundo o TCU, podem afetar até mesmo a realização de eventos-testes para 2016.

4) Como encontrar motivos para fazer festa se o Ginásio do Maracanãzinho está ameaçado de não receber os jogos de vôlei, por conta da suspensão da demolição do estádio de atletismo Célio de Barros e do Parque Aquático Júlio Delamare, segundo revelou o jornal Lance! nesta terça-feira? A suspensão, extremamente positiva para o esporte brasileiro, irá atrapalhar exigências do COI (Comitê Olímpico Internacional), que pede a instalação de quadras de aquecimento ao lado ginásio.

E para que ninguém pense que se tratam apenas de críticas vazias. O ex-nadador russo Alexander Popov, membro do COI, disse em Barcelona, durante a disputa do último Mundial de esportes aquáticos, em entrevista ao Lance!, que o sinal vermelho está ligado para o Rio. “A principal preocupação é sobre quando as pessoas começarão a fazer alguma coisa”.

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