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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 20:48

Caso Simone Alves põe controle de doping do Brasil na berlinda mais uma vez

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Simone comemora a vitória no Troféu Brasil de 2011. Desde então, ela vive um inferno

Estou bastante curioso para saber qual será o desfecho de mais um polêmico caso de doping no esporte brasileiro, o da fundista Simone Alves, cujo exame antidoping realizado em agosto do ano passado no Troféu Brasil de atletismo deu positivo para EPO (Eritropoetina Recombinante). Por causa deste resultado, a atleta foi suspensa preventivamente do esporte, perdeu a marca conquistada na prova – o recorde sul-americano dos 10.000 m, que já durava desde 1993 -, foi cortada da equipe brasileira que disputou os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara e para piorar, foi mandada embora de seu clube, a BM&F.

O problema é que nesta segunda-feira, o caso de Simone foi analisado pelo STJD da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), que confirmou um veredicto anterior da CND (Comissão Nacional Disciplinar), optando por não punir a atleta. Os dois órgãos deram parecer positivo à defesa da atleta, que alegou várias irregularidades na coleta de seu exame, como erro na identificação da amostra B da urina de Simone, e autorização para que ela deixasse a sala do antidoping, atendendo a a insistentes pedidos para que ela desse entrevista a uma emissora de TV (sim, às vezes nós jornalistas somos malas mesmo!).

Simone não só deixou a sala de coleta como carregou consigo o frasco da amostra, deixado no chão enquanto ela dava a tal entrevista. Tudo isso, de acordo com os advogados, com anuência da fiscal que estava responsável pela coleta da atleta!

Todo este caso me parece surreal. Primeiro pelo fato de terem permitido que Simone Alves deixasse a área de doping para dar uma entrevista, antes que o procedimento da coleta tivesse sido concluído. Depois, o resultado de duas instâncias jurídicas da CBAt terem decidido absolver a atleta, mas ainda assim a entidade decidiu que irá recorrer da decisão à Iaaf (Associação Internacional das Federações de Atletismo) ou até mesmo à CAS (Corte Arbitral do Esporte). Os dirigentes da CBAt argumentam que a EPO que apareceu no exame de Simone é injetável e não poderia de forma alguma ter contaminado sua urina externamente.

Veja também: As mudanças que virão a partir da absolvição de Cesar Cielo

O problema é que nesta história toda, já se passaram mais de quatro meses desde que o caso foi anunciado oficialmente (em outubro, véspera do Pan de Guadalajara). Neste meio tempo, Simone Alves teve sua reputação jogada na lata do lixo, perdeu o emprego, viu uma quebra de recorde ir por água abaixo, ficou fora do Pan e não irá às Olimpíadas de Londres provavelmente. Por enquanto, até que se prove o contrário, ela é inocente.

Sem contar que o próprio controle de doping no Brasil passa por um momento delicado, após o vexame ocorrido com o único laboratório do país credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping), a Ladetc (Laboratório de Controle de Doping), do Rio, que apontou erroneamente um caso positivo no jogador de vôlei de praia Pedro Solberg. O erro foi tão grande que o laboratório foi suspenso pela Wada por seis meses.

Já disse aqui que há casos de doping que são tratados de forma diferente, conforme a importância do atleta. Cesar Cielo teve seu caso de doping por furosemida julgado em tempo recorde na CAS, menos de um mês de divulgado e às vésperas do Mundial de Xangai. Não há a menor dúvida que o peso do ouro olímpico e dos recordes mundiais de Cielo tenha tido uma influência para acelerar o julgamento.

Simone Alves, enquanto isso, passará por mais algum tempo (sabe-se lá quanto tempo) tentando comprovar sua inocência ou tendo que cumprir um gancho por uso de substância proibida. Quando isso será resolvido, ninguém sabe. E quem paga o prejuízo, no final, é a atleta, de um jeito ou de outro.

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sábado, 21 de janeiro de 2012 Ídolos, Olimpíadas | 09:16

Deu a louca na Etiópia!

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Kenenisa Bekele comemora a medalha de ouro nos 5.000 m em Pequim 2008

Imagine a seguinte cena: vamos supor que num belo dia, Cesar Cielo ou Fabiana Murer acordem com um mau humor daqueles e decidam que não atenderão a uma convocação de suas respectivas confederações para participarem de um período de treinamento em conjunto, ao lado de outros atletas. Como reação, as confederações resolvem simplesmente banir suas estrelas das competições futuras, incluindo neste balaio aí até mesmo Jogos Olímpicos, a menos que eles revejam a decisão de não participar do “camping” de treinamento.

Pois esta situação aparentemente surreal ocorreu de verdade, com algumas das estrelas da equipe de fundistas da Etiópia, uma das grandes forças das corridas de longa distância no atletismo mundial.  Por não atenderem a uma convocação de treinamento feita pela EAF (Federação Etíope de Atletismo), 35 atletas foram banidos por tempo indeterminado das competições. Até mesmo dos Jogos Olímpicos de Londres. E na lista dos punidos estão simplesmente Kenenisa Bekele, campeão olímpico dos 5.000 m e 10.000 m em Pequim 2008, e Tirunesh Dibaba, vencedora nas mesmas distâncias nas últimas Olimpíadas.

Os dirigentes da EFA estão irredutíveis da decisão, que só será revogada se estes atletas decidirem se juntar a outros 200 em um local determinado pela entidade, como forma de preparação para o Mundial indoor de atletismo, marcado para março, em Instambul, e também para Londres 2012. “Temos que avaliar a forma de todos os atletas. Esta atitude é falta de comprometimento”, disse Dube Jilo, diretor-técnico da EFA.

O empresário de Bekele, Jos Hermens, aposta que tudo não passa de pressão da EFA e que os dirigentes irão recuar. Mas não seria estranho imaginar que os dirigentes não voltem atrás nesta decisão aparentemente maluca. No Mundial de Daegu (Coreia do Sul), em 2011, Bekele – que também detém os recordes mundiais e olímpicos dos 5.000 m e 10.000 m – retornou às competições após ficar um ano e meio parado, devido a uma contusão, mas não aguentou o ritmo e abandonou a prova dos 10.000 m após dez voltas.

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