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terça-feira, 29 de abril de 2014 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva | 23:25

Rio 2016 e as verdades que incomodam

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“Acho que a situação é pior do que em Atenas [em 2004]. Nós ficamos muito preocupados. Eles não estão prontos em muitas, muitas formas. Nós temos de fazer (esse evento) acontecer e essa é a decisão do COI. Não podemos simplesmente ignorar essa situação”



Vamos combinar uma coisa: ninguém pode dizer que está surpreso com o nível das críticas de integrantes do COI (Comitê Olímpico Internacional) em relação à organização das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Desde que a entidade internacional decretou que haveria a necessidade de colocar um homem de sua confiança no cangote dos integrantes do comitê organizador – e por tabela nos governos municipal e estadual do Rio de Janeiro, bem como no governo federal – já deveria ser encarada com naturalidade a saraivada de críticas que irão aparecer aqui e ali.

John Coates criticou de forma incisiva a organização do rio 2016. Disse alguma mentira?

John Coates criticou de forma incisiva a organização do rio 2016. Disse alguma mentira?

A frase que abre este post é do australiano John  Coates, vice-presidente do COI, presidente do comitê olímpico australiano (AOC, na sigla em inglês) e integrante da comissão de avaliação da organização do Rio 2016. Ele fez as declarações durante um fórum olímpico em Sydney, nesta terça-feira, e publicadas no site do AOC.

E antes que o sentimento patriótico/pacheco comece a aflorar nos dedos de algum internauta, já me adianto a dizer que Mr. Coates está longe de ser um aventureiro ou interessado em avacalhar com a imagem do Brasil perante a comunidade esportiva mundial. Primeiro, por ser um homem extramente experiente no esporte. pois há 40 anos participa da organização de Jogos Olímpicos. Além disso, ele foi o presidente do comitê organizador dos Jogos de Sydney 2000, um dos mais eficientes e elogiados da história.

E convenhamos, Coates disse alguma mentira?

Coates simplesmente repetiu o que o seu chefe, o alemão Thomaz Bach, presidente do COI, já havia dito há 20 dias: a situação para o Rio 2016 é crítica. Quando alguém da importância do dirigente australiano diz que está pior do que em Atenas 2004, é sinal de que a intervenção chegou até com atraso. “O COI formou uma força-tarefa especial para tentar acelerar os preparativos, mas a situação é crítica. O COI adotou uma postura de ‘mãos na massa’, o que é sem precedentes, mas não há plano B. Nós estamos indo para o Rio”, disse Coates.

O que me causa espanto, porém, é que certas verdades ainda incomodem o ego das pessoas ligadas à organização das Olimpíadas do Rio. No começo da tarde, o comitê organizador soltou uma nota oficial na qual, de maneira bem sutil, criticou a cornetada do dirigente australiano. Mas será que eles estão em condições de rebater alguma coisa? Mais trabalho e menos papo, minha gente!

Confira abaixo a íntegra do comunicado do Rio 2016

“Já passamos da hora em que discussões genéricas sobre o progresso da preparação possam contribuir com a evolução da jornada rumo aos Jogos. É tempo de focarmos mais no trabalho e no engajamento. Os anúncios recentes do orçamento para os projetos de infraestrutura e legado, além do lançamento da licitação para as obras do Parque Olímpico de Deodoro são iniciativas cruciais e inequívocos sinais de avanço. O trabalho em conjunto com as três esfera do governo, federal, estadual e municipal, está funcionando. O suporte do Comitê Olímpico Internacional também.

Temos uma missão histórica: organizar os primeiros Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Brasil e da América do Sul. Vamos cumpri-la. Em 2016 o Rio organizará Jogos excelentes que serão entregues absolutamente dentro do prazo e dos orçamentos já anunciados”.

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quarta-feira, 16 de abril de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Política esportiva | 18:41

Jogos de 2016 já estão R$ 5,4 bi mais caros que Londres 2012

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Imagem do projeto final do Parque Olímpico da Barra da Tijuca

Imagem do projeto final do Parque Olímpico da Barra da Tijuca para as Olimpíadas de 2016

Demorou, mas saiu! Depois de um atraso absurdo, que acabou culminando em uma intervenção do COI (Comitê Olímpico Internacional) na própria organização dos Jogos Olímpicos de 2016, finalmente nesta quarta-feira foram divulgados os custos totais das Olimpíadas do Rio de Janeiro. E a conta ficará salgada. Os governos Municipal, Estadual e Federal anunciaram o Plano de Políticas Públicas – Legado dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio 2016, que contém 27 projetos, dos quais 24 custarão R$ 24,1 bilhões.

Somado aos valores já anunciados no início do ano de R$ 7 bilhões, por parte do comitê organizador Rio 2016, e mais R$ 5,6 bilhões provenientes da Matriz de Responsabilidades, com obras ligadas diretamente ao evento, como a construção do Parque Olímpico, por exemplo, o custo total dos das Olimpíadas do Rio de Janeiro está em R$ 36,7 bilhões, por enquanto – o orçamento na construção das arenas olímpicas ainda pode mudar, especialmente no Complexo de Deodoro, cuja licitação ainda não saiu.

Só a título de comparação, vale citar aqui o custo total dos Jogos Olímpicos de Londres 2012: R$ 31,3 bilhões. São R$ 5,4 bilhões a menos do que o que será gasto no Brasil.

>>> E mais: COI fará um plano de ação para salvar o Rio 2016

É claro que os políticos e dirigentes responsáveis pela organização dos Jogos poderão argumentar que a maior parte do custo diz respeito à obras que não têm ligação direta com as Olimpíadas e que poderiam ser feita a qualquer momento. O sistema de transporte público de Londres, um dos mais amplos do mundo, consumiu muito menos dinheiro do que o Rio está gastando para facilitar o acesso do público às instalações olímpicas, por exemplo. Isso é indiscutível.

Mas vale lembrar ainda que o custo apresentado no dossiê de candidatura brasileira, em 2009, era de R$28,8 bilhões, cerca de 28% a menos

Custos divulgados, os dirigentes brasileiros precisam agora é arregaçar as mangas e tentar descontar o atraso vergonhoso na finalização das obras olímpicas. Chegou o momento de falar menos e trabalhar mais.

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sexta-feira, 11 de abril de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva | 12:56

Ainda há tempo para salvar as Olimpíadas de 2016. Já a imagem do Brasil, não

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Canteiro de obras do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, em Jacarepagua: COI resolveu por a mão na massa de vez

Canteiro de obras do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, em imagem de abril: COI resolveu por a mão na massa de vez

Antes de mais nada, é importante esclarecer que este blogueiro não defende partido A, B ou C. Ou seja, as críticas deste post dizem respeito apenas à maneira desastrada como os governantes deste país lidam e maltratam o esporte brasileiro e com tudo o que o cerca.

A atitude tomada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) nesta quinta-feira, dia 10, quando decretou uma intervenção na organização das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, significa, em poucas e duras palavras, no maior vexame do Brasil desde que foi eleito para receber o mega evento, no já distante 2009.

Nunca, veja bem, nunca na história dos Jogos Olímpicos o COI precisou entrar em cena desta forma para assegurar que sua maior e mais badalada competição pudesse ser realizada. Nem Atenas e os conturbados Jogos de 2004 viveram algo semelhante.

>>> Relembre: Eduardo Paes diz que Rio 2016 deixará Barcelona “no chinelo”

O que o COI colocou perante à comunidade esportiva internacional foi a incompetência e falta de maturidade de dirigentes e políticos brasileiros para administrar e organizar um evento da magnitude dos Jogos Olímpicos.

Fique claro também que esta análise não está contaminadas pelo famoso “Complexo de Vira-Latas” – argumento frequente daqueles que estão sempre vendo uma teoria da conspiração atrás de tudo -, mas apenas constata o quanto ainda somos despreparados para encarar uma tarefa complexa, extremamente cara e que precisa ser tocada desprovida de vaidades.

Por tudo isso, é de causar espanto as palavras do diretor-geral do Rio 2016, Sidney Levy, em entrevista à Folha de S. Paulo desta última quinta, quando disse que as federações internacionais que reclamam dos atrasos às vezes exageram em suas solicitações. Como assim? É só dar uma rápida olhada no Complexo Esportivo de Deodoro, que receberá 11 modalidades esportivas e cuja licitação das obras nem foi aprovada? E o que dizer da não divulgação da Matriz de Responsabilidade, que estipula as obrigações de cada um dos seus signatários (leia-se poderes Federal, Estadual e Municipal) para com a organização e realização dos Jogos, a pouco mais de dois anos para a abertura do evento?

Embora com palavras amáveis, o recado passado nesta quinta-feira por Thomas Bach, presidente do COI,  a Carlos Arthur Nuzman, presidente do Rio 2016, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, e até mesmo à presidente Dilma Roussef foi simples e direto: estamos assumindo para evitar um fiasco!

Não acredito em risco de mudança de sede. Os Jogos Olímpicos de 2016 acontecerão no Rio de Janeiro, sem dúvida. Mas ocorrerão com tudo feito às pressas e o sob vigilância constante do COI, com medo de novos atrasos. Se ainda há como salvar as Olimpíadas de um fracasso retumbante, o mesmo não se pode dizer da imagem do Brasil como organizador de um grande evento esportivo, irremediavelmente destruída depois deste 10 de abril.

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quarta-feira, 9 de abril de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva | 15:05

COI fará um plano de ação para salvar o Rio 2016

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A situação dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, marcados para 2016, atingiu um ponto crítico para a cúpula do COI (Comitê Olímpico Internacional). Depois de um dos integrantes da entidade, o italiano Francesco Ritti Bicci, ter declarado na terça-feira, em uma reunião de dirigentes esportivos na Turquia, que já seria o momento de pensar em um plano B para as próximas Olimpíadas, o próprio COI resolveu agir.

Carlos Nuzman, Nawal El Moutawakel, Gilbert Felli e Eduardo Paes visitam as obras do Parque Olímpico da Barra da Tijuca: na última visita de inspeção do COI, em março

Carlos Nuzman, Nawal El Moutawakel, Gilbert Felli e Eduardo Paes visitam as obras do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, na última visita de inspeção do COI, em março

De acordo com a assessoria de imprensa do COI, em contato com o blog, diversas reuniões foram feitas nesta quarta-feira para buscar soluções em relação aos incontáveis atrasos nas obras de arenas e de infraestrutura para o Rio 2016. Para piorar, desde a última quinta-feira (3), uma greve no canteiro de obras do Parque Olímpico paralisa o andamento daquilo que já está muito atrasado.

Segundo o COI, foi definido um plano de ação para ajudar na organização dos Jogos, cujos princípios gerais constam o monitoramento e geração de relatórios de todos os andamentos da organização do evento, entre outros detalhes. “O COI tem delineado a sua preocupação com os atrasos há algum tempo e declarou em várias ocasiões que o tempo está se esgotando. No entanto, acreditamos que o Rio 2016 ainda pode entregar uma boa edição dos Jogos, se ações apropriadas forem tomadas imediatamente”, disse o COI em contato com o blog.

Os dirigentes da entidade estão em contato com os integrantes do comitê organizador do Rio 2016, “para informa-los deste plano de ação”. Na prática, convenhamos, o que está acontecendo é uma intervenção do COI para salvar as Olimpíadas do Rio!

E o maior sinal de que a situação é grave está no fato de que o próprio presidente do COI, Thomas Bach, dar uma entrevista coletiva nesta quinta-feira, a partir das 11h (horário de Brasília), na sede da entidade, na Suíça, para dar mais detalhes sobre o tal “plano de ação”. E o próprio dirigente demonstrou mais uma vez sua preocupação com o sucesso dos próximos Jogos Olímpicos nesta quarta-feira. “É tempo de agir. Compartilho das mesmas preocupações que eles. Faremos de tudo para que estas Olimpíadas sejam um sucesso”, afirmou Bach.

Como diria um amigo meu, o gato está subindo no telhado do Rio 2016 sem a menor cerimônia.

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sexta-feira, 4 de abril de 2014 Ídolos, Isso é Brasil, Paraolimpíadas, Política esportiva | 18:10

Petrobras assume projeto olímpico que era tocado por Paula

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De forma surpreendente, até pelo sucesso que a iniciativa vinha proporcionando, a Petrobras tomou para si a gestão de seu projeto olímpico, lançado em 2011 e que vinha sendo administrado pelo Instituto Passe de Mágica, comandado pelo ex-armadora da seleção feminina de basquete Paula Gonçalves.

Everton Lopes foi campeão mundial de boxe em 2011

O brasileiro Everton Lopes conquistou um inédito título mundial de boxe em 2011, quando o Projeto Petrobras era administrado pelo Instituto Passe de Mágica

A surpresa pela decisão da estatal se dá pelo fato de que desde o seu lançamento, quando mostrou-se uma alternativa interessante para o esporte olímpico brasileiro, com sua proposta de apoio a cinco modalidades como poucos recursos financeiros (esgrima, taekwondo, levantamento de peso, boxe e remo) até os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Seria uma forma de não depender exclusivamente dos critérios às vezes discutíveis do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) para a distribuição das verbas da Lei Agnelo/Piva.

A decisão surpreende porque os resultados apareceram, mesmo em somente três anos de implantação. Seja pelos títulos mundiais de Everton Lopes, no boxe, ou de Fabiana Beltrame, no remo, seja pelos ótimos resultados de Fernando Reis no Mundial de levantamento de peso no ano passado. Ou seja, não se pode acusar o instituto comandado por Magic Paula de incompetência.

O problema é que a própria Paula não quer se manifestar sobre o assunto. Por email, ela me confirmou que a gestão do projeto será tocada agora pela Petrobras, restando a seu instituto apenas prestar “uma assessoria técnica.”

Já a estatal, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que “a companhia passou a patrocinar diretamente as Confederações, tendo em vista o objetivo principal do Programa Petrobras Esporte e Cidadania, que é oferecer aos atletas as melhores condições de treinamento para a melhoria do desempenho técnico, conforme a melhor utilização possível dos recursos disponíveis”. Ainda de acordo com a Petrobras, “não houve qualquer problema contratual ou de relacionamento com o Instituto Passe de Mágica, que continua dando assessoria técnica-desportiva no que diz respeito às cinco modalidades que fazem parte do programa.”

>>> RELEMBRE: Crise põe em risco projeto olímpico da Petrobras

A assessoria da estatal lembrou, por fim, que os valores repassados às cinco modalidades em 2014 são os seguintes: boxe = R$ 3,42 milhões; esgrima = R$ 2,41 milhões; levantamento de peso = R$ 1,78 milhão; remo = R$ 2,10 milhões; e taekwondo = R$ 2,69 milhões.

Independentemente da competência que a Petrobras – que cá entre nós, está às voltas com problemas bem mais complicados atualmente – terá para tocar seu projeto olímpico, acho que o esporte brasileiro, mais uma vez, sairá perdendo com essa decisão.

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quarta-feira, 2 de abril de 2014 Imprensa, Isso é Brasil | 17:35

Por favor, sigam o exemplo de Bebeto de Freitas!

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Bebeto de Freitas vem sendo um crítico feroz da estrutura do esporte brasileiro

Bebeto de Freitas vem sendo um crítico feroz da estrutura do esporte brasileiro

Comecei a semana no blog exaltando a surpreendente veemência e firmeza com que vários ídolos do esporte brasileiro se posicionaram em relação ao caso dramático da ex-ginasta Laís Souza, cobrando no iG Esporte uma ampla discussão a respeito até da profissionalização do atleta olímpico do Brasil. Mas cá entre nós, eles ainda têm muito a aprender em combatividade com o ex-técnico da seleção masculina de vôlei, Bebeto de Freitas, que ocupou também a presidência do Botafogo

Há algumas semanas, Bebeto vem mostrando toda a sua indignação contra a frágil estrutura do esporte brasileiro, que beneficia poucos em detrimento da maioria. Primeiro, em entrevista ao jornal “O Globo”, colocando o dedo na ferida a respeito da vergonhosa crise no vôlei do Brasil, que culminou com a queda do presidente licenciado Ary Graça, após o mal-explicado caso das comissões a diretores da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei).

Bebeto de Freitas demonstra a mesma coragem ao criticar, sem papas na língua, o chamado legado do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), classificado por ele como “um caos”, em entrevista ao site “Esporte Essencial”, para a jornalista Fabiana Bentes. Em um dos trechos, ao comentar o habitual discurso de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, que adora exaltar as medalhas conquistadas pelo Brasil em sua gestão, ele foi cirúrgico.

“Mas qual é o legado dessas medalhas? Nenhum. Construímos um velódromo e depois destruímos. Construímos uma piscina que não serve para a Olimpíada. O Pan-Americano foi o maior engodo que se vendeu no Brasil. Do ponto de vista esportivo, o Pan-Americano não representa mais nada, porque pouquíssimos esportes se classificam nessa competição para a Olimpíada.”

O esporte brasileiro precisa de mais pessoas com coragem e personalidade como Bebeto de Freitas.

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segunda-feira, 31 de março de 2014 Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Jogos de Inverno | 18:48

Lucidez dos atletas brasileiros no caso Laís Souza

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Laís Souza, ao lado dos médicos e fisioterapeutas, no hospítal da Universidade de Miami

Laís e os médicos e fisioterapeutas, na Universidade de Miami, onde faz seu tratamento

Mesmo com um certo atraso, ainda vale registrar por aqui a exemplar e madura posição demonstrada por alguns dos integrantes da comissão de atletas do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que procurados pelo iG Esporte na semana passada, opinaram a respeito da lamentável situação da ex-ginasta e esquiadora Laís Souza, que sofreu grave acidente em sua preparação para as Olimpíadas de inverno de Sochi e que não consegue movimentar os membros superiores e inferiores.  Na prática, a comissão, cujo mandato dura quatro anos, representa o principal canal de comunicação entre os atletas e os dirigentes que comandam o esporte do Brasil.

No último dia 16, o COB anunciou o lançamento de uma campanha de arrecadação de fundos, para ajudar a atleta a reorganizar sua vida assim que deixar o hospital de Miami (EUA), onde faz seu tratamento. Na prática, o que foi lançado não passou de uma vaquinha virtual, muito pouco, em minha opinião, para uma entidade que arrecada tanto em verbas públicas, via lei Agnelo/Piva.

Em linhas gerais, chamou-me a atenção, ao menos entre os integrantes que aceitaram se posicionar sobre o caso, a opinião unânime de que já passou da hora de se discutir a real condição do atleta olímpico brasileiro. Em relação ao caso de Laís Souza, por exemplo, todos defendem que se estude uma forma de exigir seguros de vida que cubram morte e invalidez permanente, não apenas no período em que eles estejam defendendo o Brasil em competições internacionais.

O que me deixou surpreso positivamente foi a forma com que alguns destes integrantes se manifestaram. Por ser uma comissão formada pelo COB, seria até natural que alguns preferissem o silêncio ou mesmo posições neutras diante de um tema tão polêmico. Não foi, contudo, a posição tanto do presidente Emanuel Rego, do vôlei de praia, quanto da ex-cestinha Hortência, da seleção feminina de basquete, vic-presidente do órgão, ou de ídolos como o ginasta Arthur Zanetti ou o velejador Robert Sheidt.

Opiniões lúcidas, ponderadas, mas firmes. Como por exemplo, a demonstrada por Hortência, dizendo que já psssou da hora dos atletas olímpicos brigarem para que sua atividade seja reconhecida como uma profissão, assim com já ocorre com os jogadores de futebol. Ou então da ex-jogadora de vôlei Ana Moser, presidente da ONG “Atletas pelo Brasil”, ao dizer, sem meias palvras, que “o atleta é um ser solitário e o sistema só se preocupa em usá-lo, sem dar qualquer tipo de suporte”.

Para ver com mais detalhes o que os atletas brasileiros pensam a respeito do caso Laís Souza e da própria condição do esporte olímpico brasileiro, basta clicar aqui, aqui e aqui.

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sexta-feira, 21 de março de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas | 18:37

Após visita, COI dá novo puxão de orelhas no Rio 2016

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Carlos Nuzman, Nawal El Moutawakel, Gilbert Felli e Eduardo Paes visitam as obras do Parque Olímpico da Barra da Tijuca: dias de novas broncas

Carlos Nuzman, Nawal El Moutawakel, Gilbert Felli  (da comissão do COI) e o prefeito Eduardo Paes visitam as obras no Parque Olímpico da Barra: novas broncas

Nesta sexta-feira, a Comissão de Coordenação do COI (Comitê Olímpico Internacional) encerrou sua sexta visita de avaliação ao Rio de Janeiro, sede dos Jogos Olímpicos de 2016. E como tem se tornado rotina toda vez que a entidade encerra sua passagem por estas bandas, mais uma vez sobraram puxões de orelha aos organizadores. A diferença é que agora a bronca foi mais explícita, exibida no próprio release oficial, a começar pelo próprio título: “COI diz ao Rio 2016 que não há um minuto mais a perder”.

No longo texto distribuído à imprensa, são vários os exemplos mostrando que a paciência dos dirigentes do COI anda cada vez mais reduzida. “A comissão de coordenação do COI encerrou sua sexta visita à cidade-sede do Brasil (10-21 de março) com uma mensagem clara aos organizadores que cada segundo conta”, dizia o texto do COI.

RELEMBRE OUTRAS BRONCAS DO COI EM 2016

>>> Nova bronca do COI liga sinal amarelo no Rio 2016
>>> Primeiro puxão de orelhas na organização do Rio 2016
>>> COI não desmente documentos secretos, mas nega ‘sinal vermelho’ para 2016

Mais adiante, novas cobranças. “A Comissão reconheceu os progressos realizados em várias áreas , desde a sua última visita, em setembro de 2013, e a visita do presidente do COI, Tomas Bach , em fevereiro de 2014, como a finalização do plano diretor geral local , a validação do orçamento vida do Comitê Rio 2016 (…) Uma série de decisões importantes , todavia, precisam ser tomadas. Em 27 de março , ocorrerá um encontro crucial entre as autoridades federais e do comitê organizador terá lugar em Brasília, onde espera-se que as responsabilidades para cada projeto sejam esclarecidas, bem como o respectivo financiamento, a fim de evitar mais atrasos significativos no entrega do projeto”.

O pior ainda estava por vir. “Os prazos de entrega de alguns dos locais para eventos-teste dos Jogos têm enfrentado atrasos e agora não deixam margem para quaisquer novas derrapagens”, afirmou o COI, em sua nota oficial, referindo-se às obras nas regiões da Barra da Tijuca (onde estará instalado o Parque Olímpico e a maior parte das arenas) e Complexo de Deodoro, o principal ponto de críticas e que está com suas obras mais atrasadas.

VEJA AINDA: Relembre outros vexames do Brasil a caminho do Rio 2016

Mas não sobraram apenas broncas por parte da comissão de avaliação. Sob o comando da marroquina  Nawal El Moutawakel, os representantes do COI elogiaram a mudança de atitude justamente em relação a Deodoro, desde que as “autoridades da cidade assumiram a responsabilidade pela entrega”. Coincidentemente, o período corresponde ao que tomou posse o general Fernando Azevedo e Silva, presidente da APO (Autoridade Pública Olímpica), órgão criado para coordenar as ações das três esferas públicas (federal, estadual e municipal) na organização dos Jogos.

A comissão do COI também elogiou a preocupação do Rio 2016 em deixar um legado sustentável após as Olimpíadas e Paraolimpíadas, com  o futuro aumento no uso do transporte público na cidade (60%), melhoria no tratamento de esgoto na Baia da Guanabara, criação de 75 novos hotéis e cerca de 11 mil novos postos de trabalho em razão dos Jogos. “Embora os progressos estejam aparecendo, cada decisão que foi adiada e cada atraso subseqüente terão um impacto negativo sobre a entrega . Portanto, é necessário o foco total”, avisou a marroquina El Moutawakel.

Nem na hora de ser elogiado, o Rio 2016 deixa de levar um puxão de orelhas.

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segunda-feira, 17 de março de 2014 Ídolos, Isso é Brasil, Jogos de Inverno, Olimpíadas, Política esportiva, Seleção brasileira | 21:56

Laís Souza merecia mais do que uma ‘vaquinha virtual’

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Laís Souza se preparava para competir pelo Brasil quando sofreu o acidente

Laís Souza se preparava para competir pelo Brasil quando sofreu o acidente antes dos Jogos de Sochi

Neste último domingo, tão logo foi exibida no programa Esporte Espetacular, da TV Globo, uma reportagem sobre o lançamento de uma campanha de arrecadação de recursos pela internet para a atleta Laís Souza – que se recupera de grave acidente de esqui enquanto se preparava para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi – enviei um email para a assessoria de imprensa do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Afinal, segundo a reportagem, a entidade era a responsável pela criação da campanha.

À tarde, a assessoria do COB respondeu todas as perguntas, com bastante agilidade, diga-se de passagem. Mas como eu ainda tinha algumas dúvidas, fiz novos questionamentos nesta segunda-feira, que foram devidamente esclarecidos.

Tudo bem que no início da noite de hoje, a entidade soltou uma nota oficial contendo exatamente todos os pontos que eu havia levantado, mas isso é outra história…

Para conhecer o conteúdo completo da nota oficial do COB, clique aqui.

Em relação a todo este caso, que tem como pano de fundo a dramática batalha de uma jovem atleta de 25 anos para voltar a recuperar os movimentos das pernas e braços, creio que algumas considerações merecem ser feitas.

Louve-se que o COB esteja pagando todas as despesas do tratamento de Laís Souza no Jackson Memorial Hospital, em Miami, embora, segundo a entidade, não fosse sua obrigação, pois a então esquiadora ainda não fazia parte de uma delegação olímpica brasileira de fato; compreende-se a intenção do COB em arrecadar fundos para ajudar Laís a se autofinanciar em um futuro próximo, para que possa estudar e trabalhar; por fim, nada mais natural a preocupação da entidade em adquirir equipamentos que a atleta precisará para sua nova rotina, como cadeira de rodas especial, equipamento para comunicação sem digitação e adaptação de sua residência.

O problema é que pega mal, muito mal, uma entidade com os recursos que possuí o COB apelar para uma campanha de arrecadação pela internet para cobrir todas estas despesas. Muito mal mesmo. Ainda mais em um período de escândalos no esporte olímpico brasileiro.

Não levanto aqui a bandeira do assistencialismo populista. Mas é que não dá para aceitar que com os recursos que estão à disposição atualmente, especialmente oriundos da Lei Agnelo/Piva, o COB não consiga destinar uma parte para custear não apenas o caro tratamento, mas esta importante fase de adaptação que Laís terá pela frente nos próximos anos. E que mais breve que do que possamos imaginar, ela esteja de volta à rotina, independentemente de sua condição física.

O fato é que Laís Souza merecia dos dirigentes brasileiros muito mais de uma ‘vaquinha virtual’.

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quinta-feira, 13 de março de 2014 Imprensa, Isso é Brasil, Listas, Olimpíadas, Política esportiva | 14:45

Relembre outros vexames do Brasil a caminho do Rio 2016

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Os pagamentos de comissões a empresas ligadas a diretores da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), por intermediar contratos de patrocínio do Banco do Brasil, revelados em ótima série de reportagens do jornalista Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, abalou não só o vôlei como o próprio universo olímpico brasileiro. O superintendente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Marcus Vinícius Freire, disse à Folha de S. Paulo temer que o escândalo abale o desempenho da modalidade na preparação para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira, o próprio presidente do COB, Carlos Nuzman, deu entrevista na qual declarou estar “preocupado com a situação da CBV“.

Mas para quem tem boa memória – e se há uma qualidade que modestamente reconheço ter é justamente essa – a bomba que caiu no colo do vôlei é só mais um dos vários vexames protagonizados por organizadores, políticos e cartolas de confederações, entre outros, na preparação do Brasil para a primeira edição dos Jogos Olímpicos na América do Sul. Relembre abaixo outros dez casos emblemáticos:

1) Roubo de dados secretos de Londres 2012 por integrantes do Rio 2016

Sebastian Coe discursa em seminário no Rio e minimiza caso de espionagem

Sebastian Coe discursa em seminário no Rio e minimiza caso de espionagem

Em setembro de 2012, um mês depois do encerramento das Olimpíadas de Londres, dirigentes britânicos divulgaram que integrantes do comitê do Rio 2016, que trabalhavam em conjunto para conhecer o funcionamento da organização dos Jogos, fizeram sem autorização cópias de documentos secretos. O fato culminou com a demissão de dez funcionários do órgão brasileiro.  Em novembro, durante um seminário no Rio, o ex-presidente do comitê de Londres, Sebastian Coe, mininizou o ocorrido. “Não demos muita importância ao tema

2) Descredenciamento do Ladetec

O Brasil tinha um único laboratório credenciado pela Wada (Agência Mundial Antidoping), o Ladetec, no Rio de Janeiro. Só que desde agosto do ano passado não tem mais. Por causa de inúmeros erros em procedimentos e resultados controversos, a Wada retirou as credenciais do Ladetec. Foi uma esculhambação sem proporções para o país, que criou até uma agência própria para ampliar o combate ao doping no país. A Wada diz esperar recredenciar o Ladetec novamente até o segundo semestre de 2015.

3) Demolição do Célio de Barros e do Júlio Delamare

O que restou do Célio de Barros, antes de ser poupado da destuição total pelo governador Sergio Cabral

O que restou do Célio de Barros, antes de ser poupado da destruição total

Um dos maiores crimes cometidos ao esporte olímpico brasileiro foi protagonizado pela prefeitura e governo do estado do Rio de Janeiro, quando por conta do acordo com o consórcio que administra o estádio do Maracanã, decidiu-se pela demolição do Estádio Célio de Barros (atletismo) e do Parque Aquático Júlio Delamare. Além de receberem competições nacionais, os dois equipamentos também atendiam à população da cidade e poderiam perfeitamente ser utilizados nas Olimpíadas de 2016, até para treinamento das equipes. E foi por enorme pressão popular, com direito a uma carta do campeão olímpico Joaquim Cruz, tanto o governador Sérgio Cabral quanto o prefeito Eduardo Paes recuaram e decidiram não derrubar definitivamente os dois estádios. O problema é que o Célio de Barros encontra-se sem condições de uso e não se sabe quando isso irá ocorrer.

4)  Atraso para a licitação do Complexo de Deodoro

Um dos pontos mais complicados na organização dos Jogos de 2016 tem sido o Complexo de Deodoro, que receberá uma quantidade considerável de modalidades olímpicas (esgrima, pentatlo moderno, hipismo, ciclismo BMX, ciclismo mountain bike, tiro esportivo e canoagem slalom). Eis que até agora não foi feita a licitação para as obras do local, o que motivou um relatório preocupante do TCU (Tribunal de Contas da União) e a expectativa é que as obras comecem obrigatoriamente este ano. O próprio Eduardo Paes admite que o complexo será entregue apenas em 2016.

5) As “broncas” do COI e os relatórios sigilosos

Outro mico que os organizadores de 2016 tiveram que enfrentar foi o vazamento de um relatório sigiloso feito pelo COI, após uma reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, mostrando que a entidade estava extremamente preocupada em razão de atrasos nas obras das arenas, problemas na infraestrutura de transporte da cidade, déficit no número de quartos de hotel, falta de recursos de patrocinadores, entre vários pontos abordados. Ao iG, o COI não desmentiu a existência do documento, mas negou que houvesse alguma preocupação exagerada com os Jogos. Mas o novo presidente da entidade, Thomas Bach, já declarou: “O Rio de Janeiro não term mais tempo a perder”

6) Demora para o início de construção de diversas arenas

Além do já citado problema em Deodoro, também preocupa a situação das obras em estádios no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, como a arena de handebol, que deverá ficar pronta apenas no segundo semestre de 2015, o novo centro aquático, que ainda não foi licitado e precisa estar pronto até o primeiro trimestre de 2016, e o novo velódromo, cujas obras começaram apenas neste ano.

7) Irregularidades em obras apontadas pelo TCU

Projeto final do Ladetec, laboratório que fará os exames antidoping nas Olimpíadas 2016

Projeto do Ladetec, laboratório que fará o antidoping nas Olimpíadas 2016

Em julho de 2013, o TCU publicou dois comunicados expressando extrema preocupação com a organização das Olimpíadas do Rio. Primeiro, detectando irregularidades irregularidades no orçamento e contrato das obras na reforma do Ladetec, que fará os exames antidoping durante os Jogos. A análise do TCU mostrou “quantitativos subestimados na planilha orçamentária em comparação com o projeto executivo, além de execução da obra em dois turnos ao invés de três, como previsto em contrato”. A outra reclamação era referente aos atrasos em Deodoro (mais uma vez!)

8) O velódromo de R$ 14 milhões que foi demolido

Um dos maiores exemplos de falta de planejamento e desorganização (para ficar apenas nisso) foi o caso do velódromo de R$ 14 milhões construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007.  Erguido com madeira siberiana, tratada na Holanda, o equipamento teve sua “morte” decretada por diversos motivos, entre eles capacidade de público abaixo da exigida, quantidade inferior de boxes e vestiários e, o mais grave de tudo, inclinação inadequada da pista. Especialistas em arenas esportivas, porém, declaram em várias reportagens que seria possível adequar o velódromo às exigências. O novo tem orçamento previsto de R$ 118,8 milhões.

9) O campeão olímpico que não tinha condição decente para treinar

Único brasileiro campeão olímpico e mundial de ginástica artística, Arthur Zanetti fez parte de sua preparação para as duas competições em um ginásio indecente, para dizer o mínimo. Depois de falar até em deixar a seleção brasileira e se naturalizar por outro país, caso as condições de preparação não melhorassem, Zanetti foi recebido no Ministério do Esporte e teve a promessa de que a situação iria melhorar, inclusive a respeito da falta de estrutura na CBG (Confederação Brasileira de Ginástica)

10) A falta de solução para a Baia da Guanabara e Lagoa Rodrigo de Freitas

Peixes mortos atrapalharam seletiva de remo na Lagoa Rodrigo de Freitas

Peixes mortos atrapalharam seletiva de remo na Lagoa Rodrigo de Freitas

O campeão olímpico de vela  Torben Grael já cansou de declarar sobre sua preocupação com a situação da Baia da Guanabara, que será palco das provas da modalidade em 2016. Para Gral, o risco de um vexame é enorme. Recentemente, em uma etapa do Campeonato Brasileiro, a filha dele, Martine Grael, encontrou uma televisão boiando na água. Já na Lagoa Rodrigo de Freitas, futura sede das competições de remo, não é muito diferente. Em março de 2013, durante uma seletiva da seleção brasileira, milhares de peixes mortos ficaram próximos à área de competição, causando problemas para os competidores, entre eles a remadora Fabiana Beltrame, campeã mundial de 2011.

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