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Arquivo da Categoria Isso é Brasil

domingo, 7 de setembro de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 16:40

Um tiro certeiro na monocultura esportiva

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O maior legado (diria até obrigação) da conquista do direito de organizar os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro é tentar por um fim na monocultura esportiva Brasil. Mas infelizmente não será em sete anos que isso se resolverá, não importa que queiram nos empurrar goela abaixo que somos ou estamos no caminho de nos tornar uma potência esportiva. Isso é trabalho para as próximas décadas, onde os resultados obtidos pelas equipes brasileiras nas próximas Olimpíadas poderão sim ter grande influência em uma mudança de postura – mas acima de tudo, é um trabalho de formiguinha, de longo prazo.

Com apenas 16 anos, Marcus Vinícius D'Almeida faturou de forma inédita a medalha de prata da  Copa do Mundo de tiro com arco

Com apenas 16 anos, Marcus Vinícius D’Almeida faturou de forma inédita a medalha de prata da Copa do Mundo de tiro com arco neste domingo

Enquanto isso, por culpa de décadas de atraso na implantação de uma política esportiva (que só nos últimos anos, na esteira da vitória na eleição do COI de 2009, vem mudando de forma gradativa), por ignorância de grande parte do público e por completo desinteresse dos principais veículos de mídia do país, o esporte do Brasil resume-se, em 90% dos casos, ao futebol. Vez ou outra fala-se do vitorioso voleibol de seleções, exaltam-se conquistas de ídolos consagrados como Cesar Cielo ou Guga, ou comemoram-se conquistas isoladas, como o emocionante título mundial feminino de handebol em 2013. Mas a verdade é que o Brasil só vira “olímpico” de fato a cada quatro anos.

Infelizmente essa é a dura realidade, doa a quem doer. Porém, isso está mudando aos poucos.

Uma pequena prova disso ocorreu na manhã deste domingo, 7 de setembro. Uma modalidade nanica no Brasil, praticamente ignorada pelo grande público, o tiro com arco viveu algumas horas de protagonismo, aos menos na timeline esportiva das redes sociais, graças a um garoto de 16 anos, nascido no Rio de Janeiro e que nem terminou ainda o ensino médio. De forma inédita, Marcus Vinícius D’Almeida chegou à final da Copa do Mundo de tiro com arco, em Lausanne (SUI), perdendo a medalha de ouro apenas no chamado “shoot-off” (flecha desempate), após a igualdade em cinco sets com o americano Brady Ellison. medalha de prata por equipes nos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

O pódio em Lausanne, com Marcus Vinícius, o americano Ellison e o holandês Van der Ven, que levou o bronze

O pódio da final da Copa do Mundo em Lausanne, com Marcus Vinícius, o americano Ellison e o holandês Van der Ven, que levou o bronze

O feito de Marcus Vinícius é espetacular, primeiro pela pouca idade (16 anos) e também pelo fato de ter chegado à final da Copa do Mundo como o mais novo arqueiro da história a atingir este feito e na condição de nono colocado no ranking mundial da Fita (Federação Internacional de Tiro com Arco). O leitor do iG Esporte pôde conhecer um pouco mais de história do jovem prodígio brasileiro no mês de agosto, pouco antes de iniciar sua participação nas Olimpíadas da Juventude, em Nanquim (CHN), onde também terminou com a medalha de prata.

Não irei cravar aqui que Marcus Vinícius D’Almeida será medalha em 2016. Jornalista não é vidente. Fica claro, porém, que o garoto é um atleta a ser colocado no radar para ser acompanhado detalhadamente nos próximos anos. Assim como outros grandes talentos de modalidades ignoradas pelo público e mídia, como é o caso de Isaquias Queiroz, bicampeão mundial da canoagem velocidade C1 500m (modalidade não olímpica).

Se por causa de atletas como eles o Brasil parar um pouco de viver essa irritante monocultura esportiva, esse será o grande legado que os Jogos Olímpicos de 2016 deixarão para este país.

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 22:32

Rio 2016 não tem plano B para campo de golfe

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As obras do campo de golfe para os Jogos de 2016 correm o risco de não serem concluídas a tempo

As obras do campo de golfe para os Jogos de 2016 correm o risco de não serem concluídas a tempo

A organização dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 encarou com aparente tranquilidade a decisão do juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública do RJ, Eduardo Antonio Klausner, que na última quarta-feira determinou um prazo de 14 dias para que seja apresentada uma proposta que atenda aos desejos dos ambientalistas que questionam a instalação da sede olímpica do golfe na reserva de Marapendi, na Barra da Tijuca. Se isso não ocorrer, os organizadores precisarão refazer o projeto ou paralisar as obras, o que poderá atrasar bastante o cronograma da modalidade. Pela programação de eventos-testes divulgada pelo comitê, há uma competição de golfe prevista para ser realizada em agosto de 2015.

“Iremos apresentar nossas justificativas e analisar toda a documentação apresentada. Entendemos que está tudo certo na obra, mas se por acaso algo estiver fora dos padrões exigidos, iremos refazer.  As Olimpíadas de 2016 têm uma forte preocupação  ambiental”, afirmou ao blog nesta quinta-feira o diretor de comunicação do comitê Rio 2016,  Mário Andrada.

O Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com uma liminar pedindo a interrupção das obras, alegando diversos danos ambientais e contando com depoimentos de biólogos e engenheiros florestais. Até 17 de setembro, a prefeitura do Rio precisará se posicionar sobre o documento assinado na quarta-feira e que fala, entre outras coisa, no redimensionamento do campo.

>>> Veja também: Rio 2016 divulga calendário de eventos-testes

Com imbróglio, já há quem fale em possíveis mudanças na sede do golfe. Fontes ligadas à IGF (Federação Internacional de Golfe), consultadas pela agência de notícia “Associated Press” chegaram a admitir que “existem planos de contingência” caso as obras não sejam concluídas a tempo. Uma das opções poderia ser o campo do Itanhagá Golf Club, que ofereceu suas instalações para os Jogos.

A informação, porém, é negada pelo comitê organizador. “Não há plano B para uma nova arena olímpica de golfe e de qualquer outra modalidade, ao menos neste momento”, disse Mário Andrada.

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terça-feira, 2 de setembro de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas | 23:36

Governo do RJ agora promete despoluir mais de 80% da Baia de Guanabara até os Jogos. Vai dar tempo?

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Barco do México navega pela Baia de Guanabara, local das provas de vela nos Jogos de 2016

Barco do México navega pela Baia de Guanabara, local das provas de vela nos Jogos de 2016

Alvo constante de fortes críticas de atletas, dirigentes e entidades ambientalistas, inclusive durante o evento-teste realizado no início de agosto, as poluídas águas da Baia de Guanabara, sede das provas de vela dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, poderão estar menos sujas do que se espera daqui a dois anos. Esssa pelo menos foi a ousada promessa feita por integrantes do governo do Rio de Janeiro nesta terça-feira, na sede do comitê organizador. E a meta é superar os 80% de águas limpas e esgoto tratado, que havia sido estabelecida antes.

Para que isso deixe de ser apenas uma promessa vazia, a CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) assegura que irá construir um cinturão de captação de esgoto nos arredores da Marina da Glória, impedindo assim que ocorra o desague de esgotos nas águas da instalação olímpica. A nova obra está orçada em R$ 14 milhões, que elevou para mais de R$ 2,5 bilhões o custo total de limpeza da área.

>>> Veja também: As primeiras impressões sobre a Baia de Guanabara para 2016

“Ao longo dos últimos três anos, as raias de competição já estavam no padrão internacional, devido às várias iniciativas que vem sendo desenvolvidas na Baía de Guanabara. O único ponto que faltava era justamente a área de saída dos barcos, na Marina da Glória. Com esse projeto, 100% dos compromissos firmados em relação ao site onde serão realizadas as competições de vela estarão concluídos a um ano dos Jogos Olímpicos”, disse o presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE), Wagner Victer.

Mas a pergunta que não quer calar: será que vai dar tempo?  Faltam menos de dois anos para as Olimpíadas e se o controle de poluição falhar na Baia de Guanabara durante os Jogos, o vexame será histórico. Vamos aguardar…

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terça-feira, 19 de agosto de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 23:10

Taekwondo segue criando talentos, apesar de seus cartolas

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Wander Roberto/Inovafoto/COB

Edival Marques comemora a medalha de ouro no taekwondo, categoria até 63 kg, durante os Jogos Olímpicos da Juventude, em Nanquim (China)

O taekwondo é uma das modalidades esportivas do Brasil que mais se envolvem em polêmicas. Uma rápida busca no Google pode enfileirar diversos casos escabrosos – alguns que remetem ao ano 2000 -, com atletas reclamando de perseguição de dirigentes, federações desfiliadas por pura vingança e no final, tudo sempre acaba desembocando na CBTKD (Confederação Brasileira de Taekwondo). Não importa quem esteja no poder, há sempre uma confusão ou alguma acusação mais grave envolvendo a modalidade. Atualmente, a confederação é presidida por Carlos Fernandes.

No final de julho, a Polícia Federal apreendeu documentos em endereços ligados à entidade, em uma investigação sobre possíveis irregularidades com gastos de recursos provenientes do Ministério do Esporte. Segundo reportagem do jornal “O Globo” da última sexta-feira, uma empresa de distribuição de bebidas e alimentos teria fornecido material esportivo à confederação, importando, por exemplo, placas de tatame por um preço muito superior ao produto similar encontrado no Brasil.

Ainda assim, mesmo com toda essa cartolagem incapaz, o taekwondo do Brasil, ainda longe de ser considerado um esporte de massa no país, consegue descobrir talentos e mostrar resultado. Tem sido assim desde Diogo Silva, ouro (até 68 kg) no Pan do Rio, em 2007, e especialmente com Natalia Falavigna, bronze (acima de 67 kg) nas Olimpíadas de Pequim 2008.

E a tradição de superar a incompetência dos cartolas e brilhar no tatame chegou também nas Olimpíadas da Juventude, que estão sendo realizadas em Nanquim (China), onde o paraibano Edival Marques, de 17 anos, com um golpe no último segundo, derrotou o mexicano José Nava Rodrigues, na final da categoria até 63 kg, nesta terça-feira. As palavras de Edival, agradecendo a quem realmente o ajudou em sua conquista, são sintomáticas. Não são pelos seus dirigentes que o taekwondo do Brasil consegue formar atletas de tanto talento.

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quinta-feira, 14 de agosto de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Pan-Americano | 16:27

Hóquei feminino do Brasil vira o primeiro mico para 2016

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Atualizado

A batalha para transformar os Jogos Olímpicos de 2016 em uma forma de aumentar a cultura esportiva do Brasil sofreu um duro golpe com a praticamente certa ausência da seleção feminina de hóquei sobre grama das Olimpíadas do Rio de Janeiro, daqui a dois anos. Só um milagre, ou um ótimo acordo político, fará com que a fraquíssima equipe brasileira possa participar da competição.

Jogadoras da seleção brasileira feminina de hóquei não deverão disputar as Olimpíadas de 2016

Jogadoras da seleção brasileira feminina de hóquei não deverão disputar as Olimpíadas de 2016

Esporte sem qualquer tradição no país, o hóquei sobre grama passou a contar com a atenção do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e do Ministério do Esporte na ocasião da disputa dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Como sede, o Brasil tinha direito de colocar equipes em todas as modalidades e foram montadas seleções masculina e feminina, que colecionaram vexames no Rio de Janeiro: os homens perderam todos os jogos e terminaram o torneio com 57 gols sofridos e apenas um a favor, enquanto as mulheres sofreram 53 gols e não marcaram nenhum.

Após o Rio de Janeiro ganhar o direito de receber as Olimpíadas de 2016, foi feito um planejamento para dar ao hóquei brasileiro condições mínimas de participar do evento sem causar tanta vergonha. Um acordo foi costurado entre COB e FIH (Federação Internacional de Hóquei) em 2011, para ajudar a inserir o país no cenário mundial da modalidade. A intenção era ajudar a CBHG (Confederação Brasileira de Hóquei sobre Grama) a fazer algo quase impossível: criar equipes minimamente competitivas da modalidade para as Olimpíadas.

O tempo foi suficiente para mostrar que era um objetivo inatingível.

Mesmo com apoio financeiro da Lei Agnelo/Piva, que destinou à modalidade R$ 1,7 milhão, além de convênios com o Ministério do Esporte, o hóquei não decolou. Se a seleção masculina ainda conseguiu mostrar uma evolução mínima – disputou, apenas como treinamento, o Pré-Olímpico de 2012 e com sorte tentará ratificar a vaga no Pan-Americano de Toronto, no ano que vem -, a equipe feminina acumulou um vexame atrás do outro.

Além de não se classificar para o Pan 2015, pois perdeu o título dos Jogos Sul-Americanos de Santiago, neste ano, a equipe não conseguirá ficar entre os 40 primeiros colocados do ranking mundial ao final desta temporada (exigência da FIH para assegurar a vaga olímpica como país sede), por não ter condições financeiras de disputar a Liga Mundial, onde poderia pontuar para o ranking.

Apenas uma vez, nos Jogos de 2004, em Atenas, que o anfitrião não conseguiu se classificar para um evento de esportes coletivos. Na ocasião, a Grécia também não atendia aos requisitos da FIH e precisou apelar ao CAS (Corte Arbitral do Esporte) para disputar o Pré-Olímpico masculino, quando foi eliminado.

A menos que a FIH rasgue o seu próprio regulamento, o hóquei  feminino do Brasil não disputará as Olimpíadas do Rio, em 2016. Um belo mico, convenhamos.

Atualizado

Procurado pelo blog, o Ministério do Esporte se posicionou sobre o caso, através de sua assessoria de imprensa. Segue a resposta:

Desde 2011, todos os projetos apresentados ao Ministério visando a garantir a preparação das equipes olímpicas conseguiram receber recursos. A própria CBHG recebeu cerca de R$ 1,4 milhão em 2011 para diversas ações, incluindo preparação das seleções. Na recente chamada pública para novos projetos, aberta no final de 2013 pelo Ministério, a entidade teve um projeto selecionado, que deverá se transformar em convênio até o final deste ano. O montante, de até R$ 4,9 milhões, se destinará à preparação das equipes principais.

Além disso, desde 2007 a modalidade conta com o centro de treinamento construído pelo governo federal no Complexo Esportivo de Deodoro, no Rio, por ocasião dos Jogos Pan-americanos de 2007. Ali também estão os CTs do pentatlo moderno e do tiro esportivo. Essas duas modalidades vêm conseguindo evolução significativa nos últimos anos, não apenas pela infraestrutura mas também por conta dos outros apoios que recebem. As mesmas condições sempre estiveram disponíveis ao hóquei sobre grama.

Outro apoio do governo federal à modalidade é a Bolsa Atleta. Em 2014, são 123 bolsistas, totalizando investimento de R$ 1,5 milhão ao ano.

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sábado, 9 de agosto de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas | 10:00

Na luta contra o doping no Brasil, uma boa e uma má notícia

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Equipamentos começam a ser instalados no novo prédio do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem

Equipamentos começam a ser instalados no novo prédio do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem

Bom, vamos começar pela boa notícia: devem terminar em setembro as obras de construção do novo prédio do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD), que está sendo erguido no Instituto de Química da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Será o primeiro passo para o Brasil ter de volta as credenciais da Wada (Associação Mundial de Controle de Dopagem), após perder o direito de realizar exames de controle antidoping no ano passado, graças a diversos erros de procedimento e diagnósticos equivocados.

Ter um laboratório credenciado pela Wada é uma das exigências do COI (Comitê Olímpico Internacional) para a organização das Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016. Por isso, para evitar o risco de não ter o laboratório pronto a tempo, o governo vem correndo contra o tempo para entregar a obra em setembro.

Desde o último mês de julho, parte dos equipamentos e mobiliários  já estão sendo instalados em uma das alas do prédio, para que a partir de setembro a Wada inicie o processo de recredenciamento. Desta forma, o laboratório estará operacional, embora impedido para realizar controles de dopagem, justamente para que tenha seu trabalho avaliado pela Wada. A previsão da liberação da credencial é para o final de 2015.

Agora, a má notícia…

Na última quarta-feira (6), comunicado em conjunto da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) divulgaram um resultado positivo para o exame antidoping do atleta Nelson Henrique Fernandes, durante a prova de arremesso do peso válida plo Grande Prêmio Caixa Sesi de atletismo, realizado no dia 7 de maio. O exame, realizado no laboratório de Montreal (afinal, o Brasil não tem no momento nenhum local aprovado pela Wada), confirmou a presença do estimulante Metilfenidato-S6, um estimulante.

Nelson Henrique Fernades (o terceiro a partir da esqueda) foi pego com uso de um estimulante

Nelson Henrique Fernades (o terceiro a partir da esqueda) foi pego por uso de um estimulante

Fernandes, atleta do Clube BM&F, ficou em quinto lugar na prova, foi comunicado do resultado no dia 18 de junho, tendo apresentado suas explicações à CBAt no dia 28. Após saber que as justificativas não foram aceitas, ele abriu mão da contraprova e está suspenso provisoriamente a partir de 4 de agosto. O atleta tem 14 dias para solicitar seu julgamento pelo STJD da entidade.

O mais triste de toda a história é que Nelson Henrique Fernandes, mineiro de Caxambu, mal acabou de completar 20 anos! Ou seja, o doping anda vencendo a guerra contra o esporte limpo de lavada, fazendo com que atletas cada vez mais jovens, talvez pressionados pela busca de resultados ou por pura falta de informação, optem por tomar substâncias ilícitas. Difícil acreditar que essa situação irá mudar um dia.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014 Com a palavra, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas | 21:01

Baia da Guanabara 2016: primeiras impressões…

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“Já fizemos dois treinos até agora, onde encontramos muitas garrafas e sacos plásticos. Ontem vimos um cachorro morto na água”

A declaração do velejador australiano Matthew Belcher, medalha de ouro na classe 470 nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, para a Folha de S. Paulo desta quarta-feira, é sintomática. Uma das estrelas do evento-teste da vela para as Olimpíadas do Rio 2016, que começa na próxima sexta-feira (2) e vai até o dia 9 de agosto, Belcher mostrou, sem meias palavras, o cartão de visitas que os atletas do iatismo mundial terão pela frente não apenas nesta competição, como provavelmente daqui a dois anos.

Iatistas da classe RS:X treinam para o evento-teste na Baia de Guanabara, o primeiro dos Jogos de 2016

Iatistas da classe RS:X treinam para o evento-teste na Baia de Guanabara, o primeiro dos Jogos de 2016

Não se deve encarar com traços de menosprezo, precoceito ou mesmo insulto à soberania nacional as palavras de Belcher. Elas são retrato absoluto da realidade, ironicamente, de um dos mais belos cartões postais da próxima sede dos Jogos Olímpicos. O australiano falou apenas verdades, que por sinal já tinham sido ratificadas anteriormente pelo próprio treinador da equipe brasileira, o bicampeão olímpico (Atlanta 1996 e Atenas 2004) Torben Grael, em entrevista ao site Esporte Essencial, em abril de 2011: “É um pecado nós termos uma água tão suja numa baia tão bonita como essa. Vamos sediar os jogos olímpicos e acho que vai ser um vexame apresentar uma água desse jeito”.

Se há uma coisa que o Brasil já perdeu, independentemente do sucesso na organização dos Jogos de 2016, foi a questão da Baia de Guanabara. Isso é definitivo. Por incompetência dos poderes públicos (em todas as esferas!), perdeu-se a chance de conquistar ao final dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos um dos principais legados para a população do Rio de Janeiro, que seria a despoluição de 80% das águas da sede das competições de vela. Isso constava do plano original da candidatura carioca, em 2009. Se chegar a 15% na época das Olimpíadas, será muito.

>>> VEJA TAMBÉM: Com data provisória, federação de tiro com arco confirma evento-teste no Sambódromo para setembro de 2015

As competições irão acontecer, de uma forma ou outra. Como aliás já aconteceram nos Jogos Pan-Americanos de 2007. O que não diminui o tamanho do vexame. Por isso, um dos principais pontos a serem aproveitados no primeiro evento-teste das Olimpíadas do Rio será testar a funcionabilidade da raia de competição, mesmo com tanto lixo boiando nas proximidades dos atletas. Simplesmente lamentável.

Ao todo, serão 324 atletas de 34 países participando da Regata Internacional do Rio, que abre o calendário oficial de eventos-testes das Olimpíadas. Estarão competindo 23 medalhistas olímpicos, entre eles o próprio australiano Matthew Belcher; a espanhola Marina Alabau, na 49er FX; o holandês Dorian van Rijsselberge, na RS:X; o também australiano Nathan Outteridge, na classe 49er; e o sueco Max Salminen, na Star, classe que não faz parte do programa olímpico de 2016. Entre os brasileiros, destaca-se o bicampeão olímpico (Atlanta 1996 e Atenas 2004) Robert Scheidt, pela Laser.

Tomara que nenhum deles deixe de vencer sua prova por causa das maltratadas águas da Baia de Guanabara.

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quinta-feira, 10 de julho de 2014 Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva | 23:38

Estacionamento “padrão Fifa” enterra um pouco da história do atletismo brasileiro

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Você aí que está se preparando para acompanhar a final da Copa do Mundo neste domingo, no Maracanã, entre Alemanha e Argentina, saiba que se for de carro e estacioná-lo na área ao lado do estádio, estará deixando seu veículo sobre parte da história do atletismo brasileiro. Um absurdo feito com a conivência dos governantes da cidade do Rio de Janeiro, simplesmente a sede das Olimpíadas de 2016.

Visão do estacionamento criado na pista do Célio de Barros

Visão geral do estacionamento criado na pista do Célio de Barros para atender o Maracanã

 

Por outro ângulo, veja o que se tornou o Célio de Barros

Por outro ângulo, veja o que se tornou o Célio de Barros. Ao fundo, a velha arquibancada, ainda de pé

As fotos acima, feitas pelo companheiro Levi Guimarães, do iG Esporte, no dia da partida válida pelas quartas de final entre Alemanha e França, mostram o “estacionamento padrão Fifa” que foi criado para receber os caminhões de transmissão de tevê e  atender aos torcedores Vips e autoridades ligadas à organização do evento dentro do estádio que viu alguns dos grandes nomes do atletismo nacional. Até a inauguração do Estádio João Havelange, o Engenhão, era no Célio de Barros que ocorriam as principais competições estaduais e mesmo nacionais de atletismo. Adhemar Ferreira da Silva, Aída dos Santos, Nélson Prudêncio e João do Pulo foram só algumas das estrelas brasileiras que competiram nesta pista.

A decretada morte do equipamento, no processo de privatização e reforma do Maracanã para a Copa, só não foi completado 100% graças em parte às manifestações populares do ano passado, que deixaram o prefeito Eduardo Paes e o ex-governador Sérgio Cabral em uma encruzilhada sem fim. E a demolição tanto do estádio de atletismo quanto do Parque Aquático Júlio Delamare, também localizado no complexo do maracanã, foi cancelada.

>>> Leia mais posts sobre a situação do Estádio Célio de Barros 

O Júlio Delamare sofreu menos com as intervenções, mas o Célio de Barros praticamente foi posto abaixo. Só sobrou mesmo a antiga arquibancada, que ainda resiste. Em um de meus últimos encontros com o presidente da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), José Antonio Martins Fernandes, no início deste ano, ele preferia não fazer qualquer previsão de quando o estádio voltará a ser utilizado. Em novembro do ano passado, o governo do Rio ainda dependia de uma aprovação de um projeto de recuperação do Célio de Barros por parte do Ministério do Esporte.

Enquanto isso, para permitir o conforto de convidados vips, o esporte brasileiro vê parte de sua história asfaltada e recebendo apenas a borracha dos pneus de carros de luxo.

É isto que querem que seja considerado um país olímpico?

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domingo, 8 de junho de 2014 Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais | 00:07

Falta pouco para o mundo (e o blog) ver a bola rolar no Brasil

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Escultura em areia, na praia de Copacabana, no Rio, representando os craques Neymar (Brasil) e Messi (Argentina)

Escultura em areia, na praia de Copacabana, no Rio, representando os craques Neymar (Brasil) e Messi (Argentina)

Era um mês de junho, só que naquela oportunidade, a festa começou num dia 13. Lembro-me que rolava um feriado qualquer, pois estava de carro com meus pais fazendo um passeio e a Avenida Santo Amaro, uma das principais da Zona Sul de São Paulo, estava praticamente às moscas. Lembro-me também que meu pai já sintonizava o rádio do carro, em busca de preciosas informações e acelerava um pouco acima do normal, pois queria chegar logo em casa. O motivo: ver o jogo de abertura da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha  Ocidental, entre Brasil e Iugoslávia.

Para um moleque de 10 anos e que não fazia outra coisa na vida que não fosse pensar em futebol, aquele foi um período inesquecível. Era a primeira Copa que eu iria acompanhar tendo a consciência plena da grandeza do evento. E vivi aquela Copa com uma intensidade que só um moleque de 10 anos apaixonado por futebol consegue fazer.

Lia todas as reportagens nas quais os enviados especiais do já extinto “Jornal da Tarde”, que meu pai comprava todos os dias, contavam as histórias lá da Alemanha; assistia a todas as partidas possíveis que a tevê transmitia (e que o horário da escola permitia); e preenchia, cuidadosamente, a tabela do Mundial, anotando resultados e pontos, além de bater ponto semanalmente na banca de jornais ao lado de casa, para comprar a “Placar”, com aquelas lindas fotos coloridas e seu precioso “Tabelão”, que me abastecia de informações para montar meus próprios campeonatos de futebol de botão.

Se todo este clima já bastaria para me fazer ficar apaixonado pela Copa do Mundo, o que dizer da sensação de ver aquela incrível Holanda e suas camisas laranjas (quem é que usava camisa laranja naquela época para jogar futebol?) derrubando quem tivesse pela frente, inclusive a própria seleção brasileira? Ou a Alemanha, dona da casa e que me impressionou logo em sua estreia, com um golaço de um barbudo bom de bola, autor de um golaço no Chile, Paul Breitner? E ver times exóticos que jamais imaginei que jogassem bola, como Hait, Austrália e Zaire (que deu uma bela força para o time do Zagallo avançar para a segunda fase)?

Costumo dizer que nenhum evento do mundo se compara em grandeza e beleza esportiva aos Jogos Olímpicos. Nenhum. Mas da mesma forma, não existe uma competição neste planeta que supere a Copa do Mundo em emoção e paixão. Por isso, será muito bacana, a despeito de todos os problemas nos atrasos das obras dos estádios e de infraestrutura em todas as sedes, ver uma Copa aqui em nosso país. Não se confunda, por favor, o senso crítico contra todos os problemas que envolveram esta confusa (des)organização brasileira com o espírito da Copa.

Por isso, para entrar de vez no clima do Mundial, o blog entra em ritmo de “férias forçadas”, voltando em edições extraordinárias sempre que necessário. Enquanto isso, aquele moleque que há muito deixou de ter 10 anos, realizará um sonho de infância: cobrir uma Copa do Mundo ao vivo e a cores. E em seu próprio país.

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sexta-feira, 16 de maio de 2014 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva | 16:22

O ‘inesperado’ elogio da federação de hóquei ao Rio 2016

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“No geral, a mensagem que estamos passando é bastante positiva. Vimos um senso de urgência e uma dinâmica aqui, o que é bastante reconfortante. Acredito que nos foi demonstrado muito progresso e isso foi realmente positivo para nós”



Diante da enxurrada de críticas e cornetadas públicas que vários dirigentes de federações internacionais têm feito nas últimas semanas aos atrasos nas obras das Olimpíadas do Rio 2016 – a ponto de obrigar o COI a fazer uma espécie de intervenção no comitê organizador, colocando uma pessoa de sua confiança praticamente morando na capital carioca – causa espanto um comunicado emitido nesta sexta-feira pelo comitê Rio 2016 trazendo elogios dos representantes da IHF (sigla em inglês para Federação Internacional de Hóquei), elogiando os preparativos para as próximas Olimpíadas.

Projeção da arena de hóquei sobre grama que será construída em Deodoro para o Rio 2016

Projeção da arena de hóquei sobre grama que será construída em Deodoro para o Rio 2016

De acordo com o comunicado, o executivo-chefe da IHF, Kelly Fairweather, disse ter ficado bastante aliviado a respeito de uma atualização de informações a respeito das obras no Complexo de Deodoro, principal ponto de atraso nas obras para 2016 e que receberá as competições de hóquei durante os Jogos. “Tínhamos muitas perguntas, abordamos uma a uma e 95% delas foram respondidas, então eu considero que avançamos bem”, afirmou o dirigente.

É de fato espantoso que justamente o hóquei sobre grama, uma das modalidades que integra o complexo esportivo mais atraso para as Olimpíadas – a ponto de atrapalhar a programação de eventos-testes destes esportes – tenha feito tantos elogios a Deodoro. Mas justiça seja feita, após a definição das licitações no local, a tendência é que as obras comecem a correr de fato a partir de agora.

Só que dando uma pesquisada nos arquivos do blog, desconfio ter encontrado aqui uma das razões para que a IHF fizesse elogios às atrasadas obras olímpicas.

 

 

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