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Arquivo da Categoria Histórias do esporte

terça-feira, 20 de agosto de 2013 Com a palavra, Histórias do esporte, Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 23:54

O arrependimento de Vanda e a fragilidade do atleta brasileiro

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“O que eu quis dizer quando falei comer mal e dormir mal é que quando você sai do conforto da sua casa, você está comendo mal e dormindo mal. Não me lembro de ter dito que a CBAt não nos deu comida ou pouso”

Vanda amenizou o tom das críticas no Brasil

A frase da velocista Vanda Gomes, menos de 48 horas depois de soltar o verbo, ao tentar justificar a eliminação da equipe brasileira na final do revezamento 4 x 100 feminino, durante o Mundial de atletismo de Moscou, não deve surpreender ninguém. Depois de acusar com todas as letras, aos microfones do canal Sportv, que a preparação foi deficitária, que as atletas tiveram problemas com alimentação, hospedagem etc, Vanda decidiu recuar.

Na verdade, naquele momento ela nada mais estava do que tentando encontrar uma explicação para aquela cena inacreditável: a queda do bastão na última passagem, em uma prova que tinha tudo para terminar com as brasileiras no pódio na Rússia.

Não é de hoje que atletas brasileiros acabam falando mais do que devem e depois, diante da pressão externa, acabam voltando atrás. O atletismo é mestre em ter situações como essa. Lembro-me bem de Joaquim Cruz, ao dar uma entrevista na qual deixava claro que suspeitava da condição da americana Florence Griffth-Joyner, já falecida, nas Olimpíadas de Seul 1988. Cruz acreditava que as incríveis marcas dela nos 100 e 200 m eram frutos de doping. A repercussão de suas palavras – o brasileiro foi campeão olímpico nos 800m em Los Angeles 1984 e prata na Coreia do Sul na mesma prova – foi tamanha que Cruz precisou se retratar, dizendo que fora mal interpretado.

Veja também: As lições do Mundial de Moscou ao atletismo do Brasil

É natural que Vanda Gomes esteja frustrada, irritada e até envergonhada com  o erro que pode ter custado uma medalha para o Brasil. Mas não se pode cravar que o erro foi apenas dela. Era uma prova em equipe, afinal. E nem ninguém pode eximir a comissão técnica da  CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) de algum tipo de culpa também.

E mais: O fiasco brasileiro no Mundial de atletismo e a miopia dos críticos

Acho que todos têm sua parcela de responsabilidade neste caso e na  fraca participação brasileira em Moscou, de modo geral. E a maior prova do equívoco da atleta foi que o discurso das outras integrantes da equipe não seguiu na mesma linha. Para piorar, a CBAt pretende puni-la de forma severa pelas declarações.

O que fica evidente é que falta preparo psicológico a muitos atletas em competições de alto nível. Mais do que simples “frescura”, um trabalho sério de psicologia esportiva mostra-se cada vez mais necessário, para qualquer equipe. No caso do esporte brasileiro, carente em tentas coisas, isso pode fazer a diferença entre um bastão no chão e uma medlaha no peito.

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sábado, 10 de agosto de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 17:19

A largada do Mundial de atletismo e as polêmicas lembranças do Estádio Luzhniki

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Público acompanha a cerimônia de abertura do Mundial de atletismo no Estádio Luzhnki

E começou na madrugada deste sábado o 14º Campeonato Mundial de atletismo, em Moscou. Adoro o atletismo. Poucos esportes (talvez só o boxe) permitem que você encontre tantas histórias humanas e de superação como ele. Sem contar que se trata a base de todas as demais modalidades e da própria existência dos Jogos Olímpicos.

E esse primeiro dia de disputa no Estádio Luzhniki (antigo Estádio Lênin, como era chamado na época da extinta União Soviética) já reservou uma boa notícia ao atletismo brasileiro, com a classificação de Augusto Dutra para a final do salto com vara masculino, ao ficar em terceiro lugar em sua série qualificatória, com 5m55.

Outros cinco atletas que competiram neste sábado, porém, já estão eliminados em suas respectivas provas. Alguns de forma pífia, como Fernanda Borges, que conseguiu a proeza de queimar os três arremessos necessários para passar pela qualificação do arremesso do disco.

Mas a imagem que me veio à mente enquanto acompanhava algumas das provas deste primeiro dia de disputa – marcado pela fácil classificação de Usain Bolt para as semifinais dos 100 m rasos – remete há muitos anos. Trinta e três anos para ser mais preciso. Foi neste mesmo estádio que o falecido saltador João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, sofreu com o chamado “apito amigo olímpico”, durante as Olimpíadas de Moscou, em 1980.

Na final do salto triplo, João do Pulo tinha como principal adversário o soviético Viktor Saneyev, então campeão olímpico. Seria a despedida de Saneyev das pistas e já se esperava uma força dos árbitros com o grande ídolo do país. Só que o Saneyev não estava saltando bem. Em compensação, outro atleta soviético estava voando, Jaak Uudmae. Era ele quem João do Pulo tinha que superar. E dizem que superou mesmo.

>>> Veja também: As medalhas brasileiras nos mundiais de atletismo

Até morrer, o brasileiro sustentava que de seus três saltos que os árbitros anularam, pelo menos um deles seria para medalha de ouro. Há até quem diga que seria capaz de quebrar o próprio recorde de João do Pulo (17,89 m na época). Outros depoimentos, inclusive do próprio Viktor Saneyev anos depois, ao jornal “Lance!”, reforçam a tese de que o brasileiro foi premeditadamente prejudicado em Moscou.

Por isso, enquanto muitos que observam o belo e imponente Estádio Luzhniki e relembram das tocantes imagens do ursinho Misha se despedindo do público, na cerimônia de encerramento, eu só consigo pensar na garfada que João do Pulo sofreu nas Olimpíadas de 1980.

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quinta-feira, 20 de junho de 2013 Histórias do esporte, Isso é Brasil, Olimpíadas | 15:17

As lições que os protestos no Brasil deixam para 2016

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A "Plaza de las Tres Culturas", onde ocorreu o Massacre de Tlatelolco, na Cidade do México, em 68

Em primeiro lugar, uma explicação do blogueiro: a ausência de posts nos últimos dias tem como principal razão o intenso trabalho aqui na redação do iG na cobertura da Copa das Confederações. Por sinal, convido o leitor a acompanhar o ótimo material que tem sido produzido por nossos enviados especiais e pela turma aqui em São Paulo.

Mas a falta de atualizações também serviu para uma reflexão profunda sobre os momentos históricos que o Brasil viveu nos últimos 15 dias, com a série de protestos que levaram milhares de pessoas às ruas, reclamando primeiro sobre o aumento das passagens no transporte público e depois contra uma série de problemas e mazelas que atingem o País. Sobrou até (de forma absolutamente correta) para a explosão nos custos da organização da Copa do Mundo de 2014.

E justamente a parte mais tensa dos protestos, quando ocorreram os enfrentamentos entre manifestantes e polícia, merece um olhar mais atento. Não apenas para o que certamente continuará acontecendo no Mundial de futebol, mas também nas Olimpíadas do Rio, em 2016. E a história olímpica mostra que protestos podem terminar em tragédia quando há falta de bom senso.

O tema foi levantado pela psicóloga e pesquisadora esportiva Kátia Rubio no Facebook, logo após as cenas de violência protagonizadas pela polícia militar em uma das passeatas em São Paulo, que deixou inúmeros feridos. Em 1968, pouco antes do início das Olimpíadas da Cidade do México, centenas de pessoas (a maioria estudantes) morreram após confronto com policiais, naquele que ficou conhecido como o “Massacre de Thlatelolco”.

Na época, estudantes foram às ruas, inspirados por protestos semelhantes que ocorriam em outras partes do mundo. Os mexicanos reclamavam a respeito de denúncias de corrupção não apuradas, inclusive na organização dos Jogos, e pretendiam atrair a atenção do mundo por causa do megaevento.  No dia 2 de outubro, dez dias antes da abertura das Olimpíadas, mais de 15 mil pessoas estavam reunidas na “Plaza de las Tres Culturas”, em Tlatelolco, na Cidade do México, para uma manifestação pacífica. Mas policiais decidiram acabar com o protesto, abrindo fogo contra a multidão. Oficialmente, morreram quatro pessoas, mas estima-se que os mortos tenham ficado entre 200 e 300.

A história, como se percebe acima, pode trazer importantes ensinamentos. O principal deles é que o bom senso deve prevalecer sempre. Que as autoridades e os próprios manifestantes saibam lidar com maturidade, caso protestos apareçam em 2016.

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sábado, 1 de junho de 2013 Histórias do esporte, Imagens Olímpicas, Olimpíadas | 18:34

Aproveite o feriado em SP e e conheça um pouco das Olimpíadas

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Em abril, havia postado aqui sobre a abertura da exposição “Jogos Olímpicos: Esporte, Cultura e Arte”, na galeria do Sesi, em São Paulo, com peças que fazem parte do acervo do COI (Comitê Olímpico Internacional). Bem, desde então não havia encontrado uma brecha na agenda para ver a mostra. De folga neste feriado, aproveitei para pegar os filhos e me mandar para o Sesi e ver de perto sobre aquilo que tinha escrito. E não me arrependi.

Para quem gosta de acompanhar o movimento olímpico, é uma viagem no tempo. Confesso que não tinha muita expectativa em relação à exposição, mesmo com as fotos de divulgação. Porém, ao vivo a história é completamente diferente. Os que estão começando a aprender agora sobre as Olimpíadas, como era o caso dos meus filhos, ou aos que já acompanham os Jogos há anos , a exposição agrada do início ao fim.

Peças raras, como uma bengala usada pelo Barão de Coubertin, primeiro presidente do COI e criador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, fazem parte do acervo. Também estão lá todas as tochas olímpicas utilizadas desde Berlim 1936, chegando até a última edição das Olimpíadas, em Londres 2012.

Uniformes ou equipamentos usados por atletas consagrados e campeões olímpicos também estão na mostra, como uma das luvas (autografada) que o boxeador Sugar Ray Leonard utilizou para ganhar o ouro nos Jogos de Montreal, em 1976. A arma usada por Guilherme Paraense para ganhar a primeira medalha dourada do Brasil em Olimpíadas, em Antuérpia 1920, também está lá, assim como o quimono da brava Sarah Menezes, primeiro ouro no judô feminino, em Londres 2012. Há ainda um setor interativo, que faz a alegria das crianças, brincando com algumas marcas históricas nos Jogos.

A exposição vai até o próximo dia 30 de junho, no Centro Cultural FIESP Ruth Cardoso, na sede do Sesi, em São Paulo (Av. Paulista, 1313, São Paulo). Se puder, não perca. É uma pequena aula sobre Olimpíadas.

Os horários são os seguintes:

Segunda-feira, das 11h às 20h
Terça a sábado, das 10h às 20h
Domingo, das 10h às 19h
Entrada gratuita

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terça-feira, 28 de maio de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas, Seleção brasileira | 17:39

A mais dura batalha de Oscar Schmidt

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Oscar Schmidt, um dos maiores cestinhas do basquete mundial, luta contra um câncer

Chocante, para dizer o mínimo, a notícia que abalou os fãs do basquete e do esporte olímpico nesta terça-feira, com a divulgação de que ex-ala Oscar Schmidt, maior cestinha do basquete brasileiro e um dos maiores do mundo, está lutando contra um câncer no cérebro. Depois de ter sido operado em 2011, para a retirada de um tumor benigno na mesma região, a doença voltou de forma mais agressiva, obrigando a uma nova intervenção cirúrgica, em abril. A mulher do ex-cestinha, Cristina, disse a uma fonte ouvida pelo blog, que ele precisará fazer tratamento contra a doença a vida inteira.

É inegável a importância de Oscar Schmidt para a história do basquete brasileiro, gostando-se ou não do estilo demonstrado por ele em quadra nas equipes em que atuou, com abuso nos arremessos de longa distância. Alguns integrantes da velha guarda do basquete sempre criticaram essa preocupação excessiva de Oscar em pontuar sempre, esquecendo-se do jogo coletivo.

Outros irão criticar seus posicionamentos fora da quadra, como uma aliança com o ex-prefeito Paulo Maluf em 1998, quando concorreu (e perdeu) a eleição ao Senado. Alguns também irão lembrar das vaias totalmente fora de hora que Oscar comandava nas arquibancadas durante o Pan do Rio, em 2007, sempre que havia algum rival de atleta brasileiro em ação.

Críticas à parte, Oscar foi um gênio nas quadras. Comandou a maior conquista brasileira desde os Mundiais de basquete, com a conquista do ouro no Pan de 1987, em Indianápolis, quando o Brasil impôs a maior derrota já sofrida por uma equipe dos EUA dentro de casa.

Já consagrado e no final da carreira, voltou a atuar no Brasil em 1995, ano em que ajudou uma seleção brasileira limitada a se classificar para as Olimpíadas de Atlanta 1996. Por fim, assumiu o risco de montar uma própria equipe, em 1997, o Bandeirantes, projeto que levou adiante até 2003, quando encerrou a carreira, no Flamengo.

No começo deste ano, recebeu um presente especial, justamente no dia de seu aniversário, ao ser indicado para entrar no Hall da Fama de Springfield (EUA), o mais tradicional do basquete mundial.

Força ao Mão Santa!

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sábado, 25 de maio de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Seleção brasileira | 09:10

Quando éramos reis

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Wlamir Marques, capitão da seleção brasileira masculina, recebe de Antonio Reis Carneiro, presidente da Fiba, o troféu do bicampeonato mundial de basquete, em 1963

Pego emprestado o título do excepcional documentário ganhador do Oscar de 1997, sobre a inesquecível disputa do título dos pesos pesados entre Muhammad Ali e George Foreman para reverenciar heróis de um outro esporte. Uma modalidade que andou meio maltratada por aqui, mas que começa a dar sinais de recuperação.

Os mais novos podem não acreditar, mas houve um tempo em que o basquete masculino do Brasil esteve entre os melhores do mundo e no coração do torcedor brasileiro, só perdia para o futebol em termos de popularidade. Os que atualmente vibram e aplaudem os feitos excepcionais das equipes masculina e feminina de vôlei comandadas por Bernardinho e José Roberto Guimarães não têm ideia da força que já teve a seleção brasileira de basquete.

Justamente neste sábado, completam-se 50 anos de uma conquista inesquecível. Foi num 25 de maio de 1963 que a equipe comandada pelo técnico Togo Renan Soares, o Kanela, tendo em quadra verdadeiros gênios como Wlamir Marques, Amaury Pasos, Rosa Branca, entre outros, derrotou os EUA no Ginásio do Maracanãzinho e faturou o bicampeonato mundial. Para lembrar esta data histórica, o iG conversou com alguns dos remanescentes desta seleção e preparou um infográfico com detalhes da campanha no Mundial.

O Brasil vivia em 1963 o auge de uma “geração de ouro”, que começou a colecionar conquistas em 1959, com o título do primeiro Mundial, no Chile. Outros feitos brilhantes viriam, como as duas medalhas de bronze olímpicas, em Roma 1960 e Tóquio 1964, além do terceiro lugar no Mundial de 1967, no Uruguai, e o vice-campeonato mundial de 1970, na extinta Iugoslávia.

Se levarmos em conta que houve ainda um vice-campeonato mundial em 1954, no Rio de Janeiro, chega-se a uma marca assombrosa: o Brasil esteve entre os quatro primeiros do ranking mundial do basquete masculino durante nada menos do que 16 anos. São quase duas décadas brigando de igual para igual com EUA, União Soviética e Iugoslávia, as maiores forças da modalidade. Definitivamente, isso não é para qualquer um.

Toda homenagem ainda será pouca para estes grandes heróis do esporte nacional. O legado desta brilhante equipe ficou apenas na memória de quem pôde vê-la em ação. Dentro de quadra, nunca mais o Brasil contou com uma geração tão talentosa. Nem mesmo a seleção de Oscar, Marcel e Cia, que apesar de talentosa, teve como ponto alto o ouro no Pan de Indianápolis, em 1987, e só.

Por isso, se você gosta de basquete, hoje é dia de reverenciar Amauy Pasos, Wlamir Marques, Ubiratan Maciel (morto em 2002), Mosquito, Paulista, Rosa Branca (morto em 2008), Jathyr, Menon, Sucar, Victor, Blatskauskas (morto em 1964) e Fritz, todos comandados por Kanela (morto em 1984). O basquete brasileiro deve muito a todos eles.

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sexta-feira, 22 de março de 2013 Almanaque, Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas, Vídeos | 15:55

Antes de Bolt, havia Pietro Mennea…

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Pietro Mennea se prepara para a largada nas eliminatórias dos 200 m em Seul 1988, ano de sua despedida

Para quem acha que competições de velocidade em atletismo só combinam com atletas negros dos Estados Unidos e da Jamaica, atenção: houve uma época em que ninguém foi mais rápido nos 200 metros do que o italiano Pietro Mennea, dono do recorde mundial durante 17 anos, e que morreu nesta última quinta-feira, aos 61 anos, de causas não reveladas.

Mennea foi uma verdadeira lenda para o atletismo mundial. Primeiro, por se tratar de um italiano, país que não tem tradição nas provas rápidas de pista. Além disso, o recorde cravado na Cidade do México, em 1º de setembro de 1979, 19s72, demorou quase duas décadas para ser superado. O feito coube a outro extraordinário atleta, Michael Johnson, em 1996, às vésperas das Olimpíadas de Atlanta (quando, por sinal, quebraria o recorde novamente).

Outro ponto que comprova a importância de Pietro Mennea na história dos 200 m é que seu antigo recorde permanece entre as dez melhores marcas nesta prova em todos os tempos, quase 34 anos depois.

Nos Jogos de Moscou 1980, Pietro Mennea alcançou seu maior feito na carreira, ao ganhar a medalha de ouro nos 200 m, em uma chegada emocionante, superando o britânico Allan Wells nos metros finais. Mennea ainda conquistou outras duas medalhas de bronze olímpicas, no revezamento 4 x 400 m (em 80) e nos 200 m (em Munique 1972). Disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos, tendo participando ainda de Montreal 1976, Los Angeles 1984 e despedindo-se em Seul 1988, aos 36 anos.

Após a aposentadoria, tornou-se político ligado aos partidos de centro-esquerda e professor universitário de direito. Sua morte comoveu a Itália, tanto que no amistoso entre Brasil e a seleção italiana, na última quinta-feira, foi prestado um minuto de silencio em sua homenagem.

Ao falar de Pietro Mennea, imediatamente me lembro do ótimo filme “Homens Brancos Não Sabem Enterrar” (1992), do cineasta americano Spike Lee, que contava a história de dois jogadores de basquete de rua (Woody Harrelson e Wesley Snipes) e brincava com a ideia de que somente os negros conseguiriam fazer aquelas incríveis enterradas durante o jogo. Pois bem, se visse o filme, Mennea poderia perfeitamente bater no peito e dizer: “Homens brancos também sabem correr”.

Reveja a incrível vitória de Pietro Mennea na final olímpica dos 200 metros em Moscou 80:

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 20:45

Ary Ventura Vidal…

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Ary Vidal, que morreu nesta segunda-feira, já vinha sofrendo com problemas de saúde há algum tempo

Ainda estava tentando assimilar o soco no estômago deste domingo, após a tragédia de Santa Maria que causou a morte de mais de 230 jovens, quando abro a internet e me deparo com a notícia da morte de Ary Vidal, um dos maiores treinadores que o basquete brasileiro já conheceu. Ele estava com 77 anos e já vinha doente há algum tempo, tendo sofrido um AVC  anos atrás e mais recentemente um infarto e insuficiência renal. Ele será sepultado nesta terça-feira, no Rio de Janeiro.

Seria até redundante tentar explicar em algumas linhas deste post a importância de Ary Vidal para o basquete brasileiro. Com uma precoce carreira de treinador, iniciada em 1959, comandou as principais equipes do país, sempre introduzindo nelas um traço que o perseguiu ao longo da carreira: o gosto pelo jogo ofensivo, intenso.

Característica essa que foi marcante na maior conquista de sua carreira e uma das principais do próprio basquete masculino nacional, com a medalha de ouro no Pan-Americano de Indianápolis, em 1987. Na ocasião, a seleção brasileira causou a primeira e única derrota de uma equipe dos EUA (que só tinha um tal de David Robinson no elenco) em seu próprio território, vencendo a final por 120 a 115. E o grande segredo desta vitória o próprio Ary se orgulhava em contar: estimular os chutes da linha de três pontos de Oscar e Marcel, os especialistas neste fundamento.

“Quando a Fiba introduziu a linha de três pontos, eu virei para o Oscar e o Marcel e disse que se conseguíssemos saber tirar proveito disso, teríamos uma arma imbatível. E estava certo”, disse Ary certa vez, em uma das várias oportunidades em que tive a honra de entrevistá-lo.

Críticos diziam que Ary Vidal era apenas um “bom motivador” de elencos repletos de craques e medalhões. Ouvi isso de alguns dirigentes. Pura inveja, na minha opinião. Ou como justificar que um mero “motivador” exiba um aproveitamento de mais de 74% de vitórias no comando da seleção (92 vitórias e 29 derrotas)? E como explicar aos invejosos o feito histórico de Ary Vidal, ao transformar um time sem estrelas, como o Corinthians de Santa Cruz do Sul (RS), em campeão brasileiro, na temporada de 1994?

E vale lembrar que com Ary Vidal, o Brasil subiu ao pódio pela última vez na história dos Mundiais de basquete, em 1978, nas Filipinas. E antes do argentino Rubén Magnano dirigir o Brasil em Londres 2012, foi Vidal quem estava à frente da seleção masculina em sua última participação em Olimpíadas, em Atlanta 1996, ao classificar a equipe durante o Pré-Olímpico de Neuquén (Arg), em 95.

Aliás, é deste torneio que guardo uma das lembranças mais marcantes de Ary Vidal, um homem que era extremamente inteligente, bom de papo, adorava falar com os jornalistas e, talvez por conta de tudo isso, bastante vaidoso. O Brasil fazia uma campanha irregular e chegou à última rodada da segunda fase ameaçado de eliminação. Para isso, bastava o Uruguai bater Cuba, na preliminar de Brasil x Porto Rico.

A turma de jornalistas brasileiros estava posicionada para acompanhar a partida, meio ressabiada, já prevendo o pior. Eis que vimos Ary na tribuna de imprensa, sentado ao nosso lado. Ele disse que não conseguiria esperar o resultado no hotel e decidiu chegar antes da delegação. Ainda assim, esbanjava confiança:  “Cuba vai vencer”, disse, mostrando um otimismo até um pouco excessivo, pela situação dramática do time. Mas ele não perdeu a pose, muito pelo contrário.

Só sei que durante o jogo, ele fumou pelo menos uns cinco cigarros, um atrás do outro, sem dizer uma palavra. No final, o inacreditável: Cuba, que até então era o saco de pancadas, venceu os uruguaios por 20 pontos de diferença, assegurando a passagem do Brasil para as semifinais. Aí, Ary Vidal se virou para o grupo de jornalistas, e todo pimpão, nos desafiou: “Eu não disse que Cuba iria ganhar?”, dando uma piscada marota.

Sim, Ary Ventura Vidal vai fazer muita falta…

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Imprensa, Olimpíadas, Vídeos | 07:19

As mentiras de Armstrong e o ciclismo sob suspeita

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Lance Armstrong, durante a entrevista histórica para a apresentadora Oprah Winfrey

Bem, havia dito que passaria por aqui no caso de algo extraordinário. E dá para falar algo diferente após a entrevista concedida pelo ciclista americano Lance Armstrong à apresentadora Oprah Winfrey, exibida no Brasil pelo canal Discovery, no começo da madrugada desta sexta?

Ninguém pode dizer que ficou surpreendido com a confissão do ciclista americano Lance Armstrong de ter usado doping ao longo de sua vitoriosa carreira, especialmente nas conquistas de seus sete títulos da Volta da França, durante a sensacional entrevista à Oprah Winfrey – que deu um show de jornalismo, vale ressaltar. A segunda parte da conversa, inclusive, será exibida nesta sexta-feira, novamente pelo Discovery.

Mas embora sem surpresas, diante das evidências que o caso tomou desde setembro do ano passado, quando a Usada (sigla em inglês para agência antidoping dos EUA) declarou a culpa do ciclista, as palavras de Armstrong surpreenderam, sim, pela dura sinceridade. Sem pensar duas vezes, o ciclista admitiu ter participado (e sido o grande mentor) de um esquema de doping que o acompanhou ao longo de sua carreira.

Aquele cara que conquistou a admiração do mundo inteiro, por ter vencido um câncer e chegado à glória do esporte, era na verdade um grande charlatão, um embuste, uma mentira!

E nesse ponto é que se concentra o grande prejuízo que Lance Armstrong trouxe ao esporte, mas principalmente a si próprio: a imagem de não passar de um grande mentiroso. As imagens que Oprah e sua equipe de produção resgataram de entrevistas antigas do ciclista, defendendo o médico Michele Ferrari, que foi banido do ciclismo, isentando-o de qualquer culpa em esquemas envolvendo doping, chocam pelo cinismo.

Mas se a reputação de Armstrong sai irremediavelmente arrasada deste episódio – parece-me quase impossível que ele consiga reconstruir sua imagem depois de tudo o que aconteceu -, também não é nada confortável a situação do ciclismo de modo geral. O próprio Lance deixou claro que existe uma “cultura” que estimula o uso de doping no ciclismo e que outros integrantes de sua equipe confessaram o uso de substâncias proibidas.

O caso é tão sério que um membro do COI (Comitê Olímpico Internacional), Dick Pound, ex-presidente da agência mundial antidoping, chegou a dizer que o ciclismo pode ficar ameaçado de permanecer no programa das Olimpíadas, após a confissão de Armstrong. E mesmo no Brasil a situação não é muito confortável para a modalidade. Em 2011, a ESPN Brasil, em seu programa “Histórias do Esporte”, mostrou uma reportagem relatando diversos casos de doping que estranhamente não foram divulgados pela CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo).

No ciclismo, pelo jeito, é mais fácil você encontrar os vilões do que os mocinhos.

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 Histórias do esporte, Isso é Brasil | 14:30

Gari-atleta supera jornada dupla para brilhar nas provas de rua

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Mesmo trabalhando como gari, Ivanildo Dias foi o 15º melhor brasileiro na São Silvestre

Correr 23 km atrás de um caminhão de lixo todas as noites, e ainda encontrar disposição para treinar outros tantos pela manhã, não assustam o baiano Ivanildo Dias. O gari, que começou a correr apenas em 2005, durante uma seletiva para a São Silvestre na empresa pela qual trabalhava, já coleciona vitórias em várias corridas de rua em São Paulo.

E olha que ele precisa encarar uma rotina nada fácil, tendo que conciliar o trabalho na limpeza das ruas e com os treinos. “Eu descanso muito pouco, afinal corro pelo trabalho à noite e de manhã corro pelo treino. E nos dias de prova, cumpro a minha jornada na empresa e vou direto para a corrida, sem dormir”, explica o gari-atleta, que compete representando o Clube Espéria.

Mas mesmo com dificuldades, Ivanildo Dias vem fazendo bonito. Na última Corrida de São Silvestre, Dias não ficou muito longe do vencedor da prova, o queniano Edwin Kipsang, que cumpriu os 15 km em 44min05s. O gari-atleta, de 33 anos e nascido em Monte Santo (BA) completou o percurso em 48min21s, ficando na 25ª posição. Mesmo sendo praticamente um atleta amador, foi o 15º melhor brasileiro classificado na prova.

Foi a terceira vez seguida que Ivanildo Dias terminou entre os 30 primeiros da São Silvestre. Em 2011 ele ficou também em 25º e em 2010 ocupou a 29ª posição. No ano passado, ele também venceu cinco importantes provas de rua em São Paulo.

E fez tudo isso trabalhando como gari. E você aí reclamando da vida…

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