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Arquivo da Categoria Histórias do esporte

terça-feira, 12 de maio de 2015 Histórias do esporte, Ídolos, Isso é Brasil, Vídeos | 13:38

Salvem o GP Brasil de atletismo

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O Estádio Mangueirão, em Belém, não receberá a edição 2015 do Grande Prêmio Brasil de atletismo

O Estádio Mangueirão, em Belém, não receberá a edição 2015 do Grande Prêmio Brasil de atletismo

Os mais novos podem não saber, mas há quase 30 anos o Brasil entrou na rota dos eventos internacionais de atletismo. Foi em 1985, tendo como grande estrela o então campeão olímpico dos 800 m rasos Joaquim Cruz que realizou-se a na pista do Conjunto Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera, a primeira edição do Grande Prêmio Brasil de atletismo. Ao longo destes anos, o nome mudou de acordo com os patrocinadores, mas não foram poucos os astros da modalidade que desfilaram por aqui.

Sintam só o nível: além de grandes atletas brasileiros como Cruz, Zequinha Barbosa e Robson Caetano, os torcedores puderam apreciar de perto feras como Carl Lewis, Michael Johnson, Serguei Bubka, Said Aouita, Steve Ovett, Evelyn Ashford, Merlene Ottey, Calvin Smith, Dennis Mitchell e até Ben Johnson. Todos campeões olímpicos, muitos recordistas mundiais. Algo que hoje em dia é inimaginável pensar em se repetir, tal valor dos cachês de estrelas como Usain Bolt e Elena Isinbayeva.

Depois do Ibirapuera, o Grande Prêmio Brasil mudou de casa, foi disputado em algumas edições no Rio de Janeiro e por fim instalou-se em Belém desde 2002, no Estádio Mangueirão, sempre com arquibancadas lotadas. Houve um intervalo entre 2010 e 2012, quando retornou para o Rio, desta vez na pista do Engenhão.

Pois esta história de quase 30 anos corre sério risco de acabar…

Nesta segunda-feira, a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) soltou um comunicado confirmando que a SEEL (Secretaria de Esportes e Lazer) do Pará enviou carta à entidade, abrindo mão de organizar a edição 2015 do evento, por falta de verba. A competição está prevista para acontecer no próximo dia 21 de junho e para não perder a data e amargar um vexame justamente na data comemorativa de 30 anos, o presidente da CBAt, José Antonio Fernandes, o Toninho, corre atrás de algum patrocinador para bancar a competição. Entre passagens, hospedagem, premiação e outros custos de organização, o GP Brasil não sai por menos de R$ 2 milhões, verba que a Confederação não tem disponível.

Para quem gosta de atletismo, seria lamentável se um evento tão tradicional e que integra o circuito da Iaaf Challenge, o segundo em importância no mundo, atrás apenas da Liga de Diamante, fosse cancelado e, pior, tirasse o Brasil da rota do atletismo mundial, a pouco mais de um ano da realização dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Mate um pouco a saudade dos bons tempos do GP Brasil de atletismo nos vídeos abaixo, com as históricas transmissões da TV Bandeirantes e o seu “Show do Esporte”, narração de Jota Júnior e comentários de Álvaro José:

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 Histórias do esporte, Ídolos, Isso é Brasil | 19:05

E se o doping fosse do Bolt?

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Anderson Silva se prepara para enfrentar Nick Dias: doping do brasileiro é uma derrota feia do esporte

Anderson Silva se prepara para enfrentar Nick Dias: doping do brasileiro é uma derrota feia do esporte

A madrugada desta quarta-feira mal havia começado quando a notícia pipocou nas várias telas abertas do computador, obviamente com efeitos devastadores. A informação de que o lutador brasileiro Anderson Silva havia sido flagrado em um exame antidoping fora de competição – e com dois tipos diferentes de anabolizantes presentes -, antes do combate que marcou sua volta ao UFC no último sábado, quando venceu Nick Dias, ainda deixa muita gente chocada.

Mas o que a notícia de um doping de um lutador de MMA (artes marciais mistas, na sigla em inglês) tem a ver com um blog sobre esportes olímpicos? A despeito do total desinteresse do blogueiro sobre uma modalidade que conta com milhares de fãs e com uma tropa igualmente numerosa de opositores, tem tudo a ver.

Explica-se: quando um ídolo da gigantesca dimensão que Anderson Silva tem – e não apenas no Brasil – falha em um controle de doping, justamente às vésperas da luta que marcaria seu retorno ao esporte, após uma fratura chocante e transmitida ao vivo, é a prova viva da derrota do esporte.

Faz um certo tempo que comentei por aqui uma frase dita por uma das maiores autoridades no combate ao doping no Brasil, o médico gaúcho Eduardo de Rose. Em julho de 2013, duas das maiores estrelas do atletismo, o americano Tyson Gay e o jamaicano Asafa Powell, tiveram casos de doping revelados, às vésperas do Mundial de Moscou. E ao escrever o post, lembrei-me de uma frase do doutor De Rose, dita durante uma entrevista coletiva: “O doping sempre estará à frente da luta contra as entidades que combatem as substâncias proibidas”.

Por isso, não é exagero dizer que a credibilidade na lisura do esporte morre um pouco a cada caso explosivo de doping como esse de Anderson Silva. Como também ocorreu em 1988, quando após assombrar o mundo na vitória nos 100 m rasos nas Olimpíadas de Seul, o canadense Ben Johnson teve sua medalha cassada após ter sido flagrado pelo uso de anabolizantes. Da mesma forma como abalou a credibilidade a descoberta do terrível esquema de doping montado na Alemanha Oriental nos anos 60 e 70, certamente responsável por vários campeões dopados que jamais foram descobertos.

Ou para ficar em um exemplo mais recente, o inacreditável caso do ciclista Lance Armstrong, que em janeiro de 2013 admitiu que um complexo esquema de doping que o acompanhou em toda a sua carreira e o ajudou a ganhar sete vezes a tradicional Volta da França.

Faça um exercício de imaginação e tente pensar como seria sua fé em um esporte limpo e justo se amanhã surgisse a notícia de que todas as conquistas do jamaicano Usain Bolt ou do americano Michael Phelps só ocorreram por força de substâncias proibidas?

É melhor nem pensar neste pesadelo, certo?

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015 Histórias do esporte, Jogos de Inverno, Olimpíadas | 21:22

Um herói olímpico que sobreviveu aos horrores da guerra

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O fundista Louis Zamperini, que foi atleta olímpico e herói de guerra nos EUA

O fundista Louis Zamperini, que foi atleta olímpico e herói de guerra nos EUA

Já tornou-se corriqueiro dizer que o universo dos Jogos Olímpicos daria uma dezena de filmes, tal a quantidade incrível de histórias de triunfo e superação, mesmo entre aqueles que jamais chegaram perto de ganhar uma medalha. Uma das incríveis histórias destes heróis desconhecidos chegou às telas nesta semana, com o longa “Invencível”, dirigido por Angelina Jolie.

Descontados alguns exageros típicos de Hollywood e até uma omissão bastante pertinente para que o filme conquistasse ainda mais o coração dos espectadores, a história do ítalo-americano Louis Zamperini, corredor da prova dos 5.000 metros nos Jogos Olímpicos de Berlim 1936, é emocionante. O relato da incrível trajetória do atleta, que tornou-se segundo-tenente de um esquadrão aéreo dos EUA e após um acidente virou prisioneiro de guerra dos japoneses, é impressionante.

Depois de ter terminado em oitavo lugar na final olímpica de 1936 (fato que foi espertamente ignorado por Jolie e os irmãos Joel e Ethan Coen, que assinaram o roteiro), com direito a uma última volta espetacular, completada em menos de um minuto, Zamperini mostrava que poderia brilhar nos próximos Jogos, previstos para Tóquio, em 1940. Só que esta edição das Olimpíadas nunca aconteceu, por causa da Segunda Guerra Mundial. Convocado, o fundista passou a integrar um esquadrão de bombardeiros.

É aí que o filme ganha de vez o coração de quemestá na plateia, ao mostrar o drama de Zamperini  preso exército japonês, após ter ficado à deriva no mar por 45 dias, tomando apenas água da chuva e comendo peixe cru. No campo de prisioneiros de soldados aliados, as cenas de tortura ao atleta olímpico, e a forma com a qual ele conseguiu mostrar uma incrível força interna e de superação, são impressionantes.

Zamperini nunca mais competiu em uma Olimpíada, mas conseguiu cumprir uma promessa pessoal e correu sim no Japão, carregando a tocha olímpica durante a cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Nagano 1998. O ex-atleta olímpico e aviador morreu em julho do ano passado, aos 97 anos.

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Fico imaginando quantas histórias incríveis e emocionantes entre tantos atletas olímpicos que já disputaram os Jogos não existem perdidas por aí, mesmo entre aqueles que jamais tiveram a sorte de ganhar uma medalha. Isso só torna ainda mais especial este evento incrível e que daqui a pouco mais de 500 dias irá acontecer tão perto de nós, no Rio de Janeiro.

E me dá um pouco mais de fé que a semente olímpica poderá dar frutos por aqui quando vejo meus filhos animadíssimos com o início do cadastramento para a compra de ingressos para os Jogos de 2016 e vê-los fazendo planos de quais modalidades eles gostariam de ver ao vivo.

Isso sim é legado olímpico!

Obs: O blog está de férias até o início de fevereiro, podendo voltar em alguma edição extraordinária. Como sugestão, fica a dica para ir ao cinema e conhecer a incrível história de um herói olímpico, Louis Zamperini.

Até a volta.

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domingo, 26 de outubro de 2014 Almanaque, Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas, Vídeos | 17:00

A medalha de ouro de uma máquina de triturar adversários

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George Foreman comemora a conquista da medalha de ouro nos pesos pesados nos Jogos do México, em 1968

George Foreman comemora a conquista da medalha de ouro nos pesos pesados nos Jogos do México, em 1968

O boxe olímpico sempre foi uma espécie de rito de passagem dos lutadores antes de tentar a sorte como profissional. Funciona assim até hoje, como ocorreu com os brasileiros irmãos Falcão, Esquiva e Yamaguchi, medalhistas nas Olimpíadas de Londres 2012. E já tinha sido assim com Muhammad Ali (então Cassius Clay), Joe Frazier, Sugar Ray Leonard, Oscar De La Hoya, Lennox Lewis e tantos outros.

E foi assim também com George Foreman. Para os mais novos, trata-se daquele senhor bonachão que tem seu nome e fotos estampados em um grill elétrico para fazer sanduíches e carnes mais saudáveis e com pouca gordura (?!?!). Ele é muito mais do que uma marca de eletrodoméstico. George Foreman foi um dos maiores pesos pesados da história do boxe, protagonizou aquela que muitos especialistas definem como a maior luta de todos os tempos, o duelo pelo título mundial no Zaire com Muhammad Ali, que impôs a ele sua primeira derrota como profissional com um nocaute inacreditável, no oitavo assalto, há quase 40 anos. Depois de anos longe dos ringues, quando virou pastor protestante, retomou a carreira, nocauteou o brasileiro Adilson Maguila Rodrigues de forma impiedosa e tornou-se novamente campeão mundial por duas entidades irrelevantes. Nada que diminuísse a importância de Foreman para a história do boxe.

Mas o assunto aqui é esporte olímpico, certo? Pois se você não sabe, Foreman também tem uma brilhante participação no boxe das Olimpíadas. Ele disputou os Jogos da Cidade do México, em 1968, na categoria peso pesado. Tinha apenas 19 anos e pouquíssima (porém vitoriosa) experiência como boxeador: disputou e venceu o campeonato da AAU (Associação Atlética Universitária), que serviu como seletiva para a equipe americana.

>>> Leia também: Relembre como o gênio Muhhamad Ali ganhou o ouro olímpico

No México, Foreman atropelou seus adversários. Com exceção da primeira luta, diante do polonês Lucjan Trela, vencida por pontos, Foreman triturou todos os demais rivais, com um nocaute, sobre o italiano Giorgio Bambini, na semifinal, e duas interrompidas pelo árbitro: contra o romeno Ion Alexe, nas quartas de final, no terceiro assalto; e na grande final, sobre o soviético Jonas Cepulis, que foi poupado pelo juiz no segundo assalto, após ser extremamente castigado pelo americano. Isso ocorreu em 26 de outubro de 1968, há exatos 46 anos.

>>> Veja ainda: A incrível campanha de Sugar Ray Leonard em Montreal 1976

O detalhe mais inusitado foi que, na hora de comemorar a vitória, Foreman sacou do calção uma pequena bandeira americana e ficou agitando-a pelos quatro cantos do ringue. Ironicamente, isso ocorreu dias depois do protesto feito por dois atletas negros dos EUA, Tommie Smith e John Carlos, que no pódio da prova dos 200 m rasos do atletismo, repetiram o gesto do grupo “Panteras Negras”, em apoio à luta pelos direitos dos negros americanos.

Abaixo, um vídeo (com a data errada) da final dos pesos pesados, mostra um pouco do talento e força de George Foreman no boxe olímpico.

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terça-feira, 21 de outubro de 2014 Almanaque, Histórias do esporte, Ídolos, Imagens Olímpicas, Olimpíadas, Vídeos | 14:46

Os 50 anos do bi inédito de Bikila na maratona

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O etíope Abebe Bikila cruza a linha de chegada da maratona nas Olimpíadas de Tóquio, em 64

O etíope Abebe Bikila cruza a linha de chegada da maratona nas Olimpíadas de Tóquio, em 64

O mês de outubro tem sido rico em efemérides olímpicas. E o mais bacana de revirar o baú é poder contar para uma geração mais nova parte da história de alguns dos maiores ídolos do esporte em todos os tempos. É o caso do fundista etíope Abebe Bikila, que no dia 21 de outubro de 1964 faturou o bicampeonato olímpico da maratona, feito inédito até então.

Bikila, para quem não sabe, entrou para a história do esporte olímpico ao conquistar de forma surpreendente a maratona nos Jogos de Roma 1960. E o mais surpreendente ainda, correndo descalço! Depois do ouro inesperado, Bikila, que era um cabo da guarda do imperador Haile Selassie, venceu três maratonas consecutivas em 1961, mas ficou mais de um ano parado e só voltou a competir em 1963. Seis meses antes das Olimpíadas de Tóquio, teve uma crise de apendicite e precisou ser operado. Ainda assim, confirmou que lutaria pelo bicampeonato.

E eis que naquele 21 de outubro, ele novamente largou sem estar entre os favoritos, desta vez usando tênis, por exigência dos organizadores. O calor infernal que fazia em Tóquio naquele dia, somado ao fato de a largada ter ocorrido às 13h, tornou a prova ainda mais difícil. Os competidores, um a um, iam sucumbindo ao longo dos 42,195 km do percurso.

Menos Abebe Bikila, que chegou com passadas firmes e estabelecendo a melhor marca do mundo para a maratona (2h12min11seg). O mais surreal para os japoneses que lotavam o Estádio Nacional de Tóquio foi vê-lo saltando e fazendo exercícios de alongamento, mostrando que teria condições de correr mais dez quilômetros se precisasse.

As imagens abaixo da maratona dos Jogos de 1964 mostram que Abebe Bikila, morto em 1973, foi um gênio do esporte olímpico.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014 Almanaque, Histórias do esporte, Imagens Olímpicas, Olimpíadas, Vídeos | 17:36

Um salto para a história do atletismo

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Dick Fosbury executa um de seus saltos na final do salto em altura das Olimpíadas de 1968

Dick Fosbury executa um de seus saltos na final do salto em altura das Olimpíadas de 68

Bela dica do amigo e jornalista Luís Augusto Simon, o popular Menon, colega de tantas outras redações esportivas por aí: neste 20 de outubro, completam-se exatos 46 anos de um salto que mudou a história do atletismo mundial.

A imagem acima registra o americano Dick Fosbury na prova do salto em altura, em que ele levou a medalha de ouro nas Olimpíadas da Cidade do México 1968. O detalhe importante é justamente a forma com que ele executou seu salto. O que parece natural aos olhos de hoje foi revolucionário em 20/10/1968. Ele foi o primeiro atleta a ganhar um ouro olímpico saltando de costas para o sarrafo, em um estilo que foi batizado com seu nome.

O normal, até então, era que o atleta projetasse o corpo de frente para o sarrafo, o que já era uma evolução dos primeiros saltos, no início do século 20, o chamado estilo “tesoura”.

A final do salto em altura dos Jogos de 1968 não foi especial somente pelo revolucionário salto de Fosbury. A disputa entre ele, seu compatriota Ed Caruthers e o soviético Valentin Gavrilov (justamente os três que dividiram o pódio) foi extremamente apertada, sendo que Fosbury só assegurou o ouro com a marca de 2,24 m na última tentativa, após Caruthers ter queimado seus três saltos. E pensar que o inventor do salto que é adotadop por todos os atuais atletas na atualidade nem era considerado o favorito, após ter ficado em terceiro lugar na seletiva americana.

Abaixo, um breve filme que mostra a evolução do estilo do salto em altura na história dos Jogos Olímpicos.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014 Histórias do esporte, Imprensa, Pan-Americano, Seleção brasileira | 22:21

“Você não quer assumir a Confederação, não?”

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Gustavo casado é campeão mundial de patinação, mas não tem nem Bolsa Atleta para competir no exterior

Gustavo Casado é campeão mundial de patinação, mas tem que pagar do bolso para poder competir

Vez ou outra amigos jornalistas que lecionam em faculdades de jornalismo me convidam para dar uma palestra, seja sobre a profissão, seja para falar de uma cobertura de um mega-evento. Vou a todas que posso com enorme prazer, pois adoro a oportunidade de compartilhar com a moçada mais nova a experiência de tantos anos de estrada. E sempre que o tema permite, eu comento com a plateia que uma das coisas mais gratificantes de se fazer como jornalista esportivo são aquelas matérias com o chamado “mundo alternativo” do esporte, atletas ou modalidades nanicas, que passam longe do glamour de títulos e medalhas. É uma aula ao vivo de reportagem, vale por um curso inteiro de jornalismo.

Mesmo para alguém da velha guarda (os detratores irão dizer da velhíssima guarda), sempre há o que aprender. Esse foi o sentimento que eu tive ao escrever as reportagens publicadas nesta quinta-feira no iG Esporte, retratando as dificuldades que os chamados “primos pobres” do esporte do Brasil enfrentam em sua preparação para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, que serão realizados em julho do ano que vem.

Em uma série de três matérias (a principal está aqui, onde você poderá acessar as demais), é possível perceber quão dura é a vida de modalidades como boliche, beisebol, squash, esqui aquático, caratê e patinação artística, que por não integrarem o programa olímpico, não recebem verbas da Lei Agnelo/Piva, que destina 2% das verbas das loterias federais ao esporte nacional. Sem dinheiro, sobram problemas, sofrem com ausência de patrocinadores e nem apoio do COB (Comitê Olímpico do Brasil) eles têm. Apenas no ano que vem, na reta final para o Pan, poderão ter alguma ajuda, dependendo dos valores disponíveis.

É claro que não há santo nesta história. A maioria absoluta destas confederações sofre não apenas por causa da falta de grana, mas pela própria incompetência administrativa e ausência de novas pessoas que possam dar um novo rumo a estas modalidades. Casos de atletas que, em plena época de Bolsa-Atleta e Bolsa-Pódio – só para citar dois programas de ajuda patrocinados pelo Ministério do Esporte atualmente em vigor-, ainda precisam enfiar a mão no próprio bolso para poder representar o Brasil em competições internacionais, são rotineiros.

Mas voltando ao início deste texto, eu dizia o quanto reportagens como essa são educativas, mesmo para alguém com 30 anos de profissão, e deliciosamente engraçadas também. No universo dos “primos pobres”, falar com o presidente de uma confederação ou com algum atleta é infinitamente mais simples, sem a necessidade de assessores, pedidos formais de entrevista, aquele blábláblá de sempre. O papo flui com naturalidade e muita sinceridade, às vezes até demais. E  no meio daquela entrevista, pode sempre surgir uma situação inesperada.

Foi o que aconteceu quando conversava por telefone com Jorge Otsuka, presidente da CBBS (Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol) desde sua fundação, em 1990. Já havia entrevistado Otsuka em outras ocasiões ao longo destes anos, mas há muito que não conversava com ele. Aí, para quebrar o gelo, logo no começo da entrevista, mostrei meu espanto por ele ainda continuar no cargo. Até que veio a resposta que quase acabou com a entrevista, por causa de um acesso de risos.

“Sim, eu ainda estou por aqui. Ainda. Você não quer assumir a confederação, não?”

Após me recuperar do susto pela resposta do dirigente, eu agradeci e recusei educadamente a nada tentadora oferta.

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quarta-feira, 15 de outubro de 2014 Almanaque, Histórias do esporte, Ídolos, Imagens Olímpicas, Olimpíadas, Seleção brasileira, Vídeos | 09:00

Aída dos Santos, a heroína sem medalha

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Aída dos Santos completa mais um de seus saltos na final do salto em altura

Aída dos Santos completa mais um de seus saltos na final do salto em altura em Tóquio 1964

Nesta quarta-feira completam-se 50 anos de uma das passagens mais emocionantes e também emblemáticas do esporte brasileiro. Foi num mesmo 15 de outubro que Aída dos Santos, uma atleta de origem pobre, nascida em um favela de Niterói (RJ), negra e dona de um talento impressionante, entrou para a história do olimpismo do Brasil ao conseguir nos Jogos de Tóquio 1964 um feito que nenhuma mulher do país jamais havia chegado perto, ao terminar em quarto lugar a prova final do salto em altura, e por muito pouco não ficou com uma medalha. Sob a ótica de hoje, na qual o esporte feminino brasileiro é cada vez mais forte, parece algo banal. Mas há 50 anos, o resultado de Aída foi gigantesco.

Um dos capítulos do livro “100 anos de Olimpíadas – de Atenas a Atlanta”, do jornalista Maurício Cardoso (editora Scritta), retrata bem como foi extremamente complicada a heróica participação de Aída do Santos nos Jogos de Tóquio. Única mulher na delegação, única representante no atletismo, ela não tinha técnico, médico, massagista, nada. Nem mesmo uniforme de competição recebeu dos dirigentes, tendo que utilizar um antigo de sua participação no Campeonato Sul-Americano. Para os treinos, usava um de seu clube, o Botafogo. Também não tinha sapatilha e treinava com um tênis comum. Em Tóquio, ficou sabendo que em um estande na Adidas na Vila Olímpica conseguia uma sapatilha de graça, mas só conseguiu um calçado para correr a prova dos 100 metros.

O desprezo e pouco caso com Aída dos Santos dentro da delegação brasileira era tanto que na manhã daquele 15 de outubro, quando deixava a Vila para se dirigir ao Estádio Nacional, onde seriam realizadas as eliminatórias do salto em altura, foi saudada desta maneira por um cartola [segundo a descrição do livro de Cardoso]: “Te esperamos para o almoço, Aída”, disse o dirigente, contando que a atleta não passaria para as 12 finalistas entre as 27 concorrentes.. Só que ele se enganou redondamente.

Aída não apenas se classificou como na final esteve na disputa por medalhas até o último momento. Salto a salto, a brasileira sem técnico, sem apoio e que competia machucada (ela havia se contundido nas eliminatórias) resistia bravamente. Quando alcançou a marca de 1,74 m, chegou a liderar a prova. Até que quando o sarrafo chegou a 1,76 m, ela queimou as três tentativas e foi eliminada. Iolanda Balas, da Romênia, acabou levando o ouro.

A linda história de Aída dos Santos está retratada em um belíssimo documentário lançado ás vésperas dos Jogos de Londres 2012, pelo projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro. “Aída dos Santos – Uma Mulher de Garra”, levou a atleta de volta ao Estádio Nacional, quase cinco décadas depois daquele 15 de outubro. Para quem não viu, vale muito a pena.

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sexta-feira, 10 de outubro de 2014 Almanaque, Histórias do esporte, Imagens Olímpicas, Olimpíadas, Vídeos | 15:28

O dia em que o Japão renasceu para o esporte mundial

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O jovem Yoshinori Sakai, que nasceu no dia em que a bomba nuclear destruiu Hiroshima, sobe a arquibancada para acender a pira olímpica em 1964

Yoshinori Sakai, que nasceu no dia em que a bomba nuclear destruiu Hiroshima, sobe para acender a pira olímpica

O dia 10 de outubro tem uma importância especial para o povo japonês. Há exatos 50 anos, menos de duas décadas após ter sido praticamente destruído por duas bombas atômicas que definiram o final da Segunda Guerra Mundial, a cidade de Tóquio celebrava em festa a cerimônia de abertura da 18ª edição dos Jogos Olímpicos. Se existe uma Olimpíada que merece  ser lembrada para sempre, a de Tóquio 1964 sem dúvida é a minha preferida. Simplesmente pelo fato de um país que havia sido efetivamente reconstruído ter conseguido fazer os Jogos de forma irretocável.

O renascimento do Japão para o esporte mundial também trouxe fatos marcantes na história olímpica. Foi nos Jogos de Tóquio que o judô e o vôlei passaram a integrar o programa esportivo; Tóquio recebeu a primeira edição das Olimpíadas na Ásia; as ruas da capital japonesa viram também o primeiro bicampeão olímpico da maratona, o etíope Abebe Bikila; e a ginasta soviética Larysa Latynina tornou-se a maior ganhadora individual de medalhas, 12 no total (incluindo as que havia conquistado em Roma 1960).

Mas talvez nada tenha sido mais marcante nos Jogos de 1964 do que a cerimônia de abertura e o momento em que a pira olímpica foi acesa. Diante de um Estádio Nacional lotado e com muitos torcedores chorando, o jovem Yoshinori Sakai, nascido exatamente no dia em que a bomba destruiu a cidade de Hiroshima, entrou correndo na pista de atletismo, carregando a tocha olímpica. Com aquele gesto, ele homenageava às vítimas do holocausto nuclear e um apelo à paz mundial.

A foto que abre o post e o vídeo abaixo ajudam a explicar porque aquele 10 de outubro de 1964 foi tão especial:

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014 Histórias do esporte, Rola pelo mundo, Vídeos | 14:08

Boxeadora indiana recusa medalha após resultado polêmico

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A indiana Sarita Devi recebe a solidariadade das demais lutadoras, enquanto a coreana Jina Park apenas observa a cena

A indiana Sarita Devi recebe a solidariedade das demais lutadoras, enquanto a coreana Jina Park apenas observa a cena

Uma cena marcou hoje os Jogos Asiáticos, competição poliesportiva que está sendo realizada na cidade de Incheon, na Coreia do Sul. Revoltada com o polêmico resultado de sua luta semifinal, a boxeadora indiana Sarita Devi recusou-se a receber a medalha de bronze na cerimônia desta quarta-feira.

Devi alegou que ela teria sido a vencedora diante do combate na categoria até 60 kg contra a sul-coreana Jina Park, que ocorreu nesta última terça-feira (30). A expressão de espanto de Devi o final do combate, após a decisão dos jurados, quando o juiz levantou o braço de sua adversária foi evidente – e por algumas imagens é possível perceber que a indiana teve um desempenho superior ao da sul-coreana.

Em pleno pódio, sob muitos aplausos dos torcedores, Devi pegou sua medalha e deu-a para Park, que por sinal ficou com a prata após perder a final para a chinesa Yin Junhua. Embora tenha contado com a solidariedade de Junhua e da vietamita Luu Thi Duyen (que levou o outro bronze), a indiana terá que enfrentar um processo disciplinar aberto pelos dirigentes da Aiba (Associação Internacional de Boxe), que ficaram irritados com a atitude de Sarita Devi.

Veja o momento em que a lutadora indiana se recusa a receber sua medalha de bronze.

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