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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas | 08:48

Eduardo Paes x Thomas Bach: quem fala a verdade?

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O prefeito do Rio, Eduardo Paes, conversa com Thomas Bach, presidente do COI. Ao lado, Carlos Arthur Nuzman, mandatário do Rio 2016

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, conversa com Thomas Bach, presidente do COI. Ao lado, Carlos Arthur Nuzman, mandatário do Rio 2016

“Eu odeio ter feito este campo de golfe. Para mim, não teria feito nunca”

Prefeito do Rio, Eduardo Paes, aos jornalistas nesta terça-feira, justificando a construção do campo de Marapendi, alvo de críticas de ambientalistas e ações na Justiça. Paes disse que por ele aproveitaria os campos do Gávea Golf ou Itanhangá para o torneio olímpico de golfe dos Jogos Olímpicos do Rio 2016

“Fico um pouco surpreso com isso, porque o prefeito estava realmente pressionando para a construção deste campo”

Thomas Bach, presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), durante sabatina de estudantes universitários do Rio nesta quarta-feira, ao saber das declarações de Paes

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas | 23:52

É esse o ministro do Esporte da sede dos Jogos de 2016?

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“Gostaria de tranquilizá-los para, muito humildemente, dizer que posso não entender profundamente de esportes, mas entendo de gente”

O novo ministro do Esporte, George Hilton, discursa em sua posse, nesta sexta-feira

O novo ministro do Esporte, George Hilton, discursa em sua posse, nesta sexta-feira

Seria pegadinha ou uma piada de péssimo gosto? O fato é que nesta sexta-feira, tomou posse no cargo de ministro do Esporte, teoricamente o representante direto da presidenta da República como o grande responsável pela coordenação do maior evento poliesportivo do mundo daqui a menos de dois anos, uma pessoa que assumidamente não entende da área a qual foi escolhido para trabalhar.

Não duvido, até prova em contrário, que seja uma pessoa honesta e bem intencionada. Mas definitivamente, não é do ramo.

A presença de George Hilton para assumir uma pasta que tem papel fundamental tanto na organização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio 2016 como na preparação da equipe brasileira que participará do mega evento foi só um dos absurdos reservados pela presidenta reeleita Dilma Rousseff na divulgação de seu novo ministério.

Vamos aqui, contudo, nos ater apenas ao tema ligado ao blog. Foi uma escolha, para dizer o mínimo, infeliz. Só mesmo a necessidade de fazer inúmeras alianças para garantir um mínimo de governabilidade neste início de novo governo pode justificar a temerosa escolha da presidenta em trocar algo que bem ou mal estava funcionando por um futuro extremamente duvidoso.

Não que com o PC do B a coisa estivesse correndo tudo às mil maravilhas. A gestão tinha problemas, basta apenas lembrar as tumultuadas saídas de Agnelo Queiroz e Orlando Silva, antecessores de Aldo Rebelo no cargo. A própria organização dos Jogos do Rio capengou até que o COI desse uma espécie de ultimato no começo de abril do ano passado para que todas as esferas envolvidas (municipal, estadual e federal) se entendessem.

Mas o fato é que as coisas estavam fluindo com a gestão anterior. A política de distribuição de verbas para a preparação dos atletas de alto rendimento, por exemplo, é bastante questionável – optou-se por privilegiar um grupo limitado de atletas por conta de uma meta de medalhas em 2016 que não representará a realidade do país. Ainda assim, estes atletas de ponta, que deverão brigar ou mesmo ganhar medalhas nas próximas Olimpíadas, não poderão dizer que não tiveram recursos financeiros em sua preparação, com os milhões de reais distribuídos pelos planos Bolsa Pódio e Bolsa Atleta, entre outros programas governamentais. Tudo para deixar o Brasil entre os 10 primeiros do quadro de medalhas, meta estabelecida pelo governo e também pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil)

George Hilton, portanto, chega em um cenário que aparentemente as coisas estão funcionando. A grande incógnita é saber se, consciente de seu desconhecimento quase total no esporte, deixará tudo funcionando como está, ou irá fazer uma mexida geral na casa.

Já se comenta nos bastidores de Brasília que que Dilma pretende deixar a organização das Olimpíadas sob responsabilidade do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o que desmoralizaria ainda mais o praticamente desconhecido Hilton. Não foi à toa que a ONG “Atletas pelo Brasil” soltou um manifesto no dia 29 de dezembro criticando duramente a escolha de uma pessoa com ligações praticamente inexistentes com o esporte, algo inconcebível num período como o que se avizinha. E não deixa de ser irônico que a única voz de apoio a George Hilton tenha vindo da CBF, que representa o que há de mais anacrônico e incompetente na estrutura esportiva do Brasil.

Este ano promete…

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quarta-feira, 30 de julho de 2014 Com a palavra, Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas | 21:01

Baia da Guanabara 2016: primeiras impressões…

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“Já fizemos dois treinos até agora, onde encontramos muitas garrafas e sacos plásticos. Ontem vimos um cachorro morto na água”

A declaração do velejador australiano Matthew Belcher, medalha de ouro na classe 470 nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, para a Folha de S. Paulo desta quarta-feira, é sintomática. Uma das estrelas do evento-teste da vela para as Olimpíadas do Rio 2016, que começa na próxima sexta-feira (2) e vai até o dia 9 de agosto, Belcher mostrou, sem meias palavras, o cartão de visitas que os atletas do iatismo mundial terão pela frente não apenas nesta competição, como provavelmente daqui a dois anos.

Iatistas da classe RS:X treinam para o evento-teste na Baia de Guanabara, o primeiro dos Jogos de 2016

Iatistas da classe RS:X treinam para o evento-teste na Baia de Guanabara, o primeiro dos Jogos de 2016

Não se deve encarar com traços de menosprezo, precoceito ou mesmo insulto à soberania nacional as palavras de Belcher. Elas são retrato absoluto da realidade, ironicamente, de um dos mais belos cartões postais da próxima sede dos Jogos Olímpicos. O australiano falou apenas verdades, que por sinal já tinham sido ratificadas anteriormente pelo próprio treinador da equipe brasileira, o bicampeão olímpico (Atlanta 1996 e Atenas 2004) Torben Grael, em entrevista ao site Esporte Essencial, em abril de 2011: “É um pecado nós termos uma água tão suja numa baia tão bonita como essa. Vamos sediar os jogos olímpicos e acho que vai ser um vexame apresentar uma água desse jeito”.

Se há uma coisa que o Brasil já perdeu, independentemente do sucesso na organização dos Jogos de 2016, foi a questão da Baia de Guanabara. Isso é definitivo. Por incompetência dos poderes públicos (em todas as esferas!), perdeu-se a chance de conquistar ao final dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos um dos principais legados para a população do Rio de Janeiro, que seria a despoluição de 80% das águas da sede das competições de vela. Isso constava do plano original da candidatura carioca, em 2009. Se chegar a 15% na época das Olimpíadas, será muito.

>>> VEJA TAMBÉM: Com data provisória, federação de tiro com arco confirma evento-teste no Sambódromo para setembro de 2015

As competições irão acontecer, de uma forma ou outra. Como aliás já aconteceram nos Jogos Pan-Americanos de 2007. O que não diminui o tamanho do vexame. Por isso, um dos principais pontos a serem aproveitados no primeiro evento-teste das Olimpíadas do Rio será testar a funcionabilidade da raia de competição, mesmo com tanto lixo boiando nas proximidades dos atletas. Simplesmente lamentável.

Ao todo, serão 324 atletas de 34 países participando da Regata Internacional do Rio, que abre o calendário oficial de eventos-testes das Olimpíadas. Estarão competindo 23 medalhistas olímpicos, entre eles o próprio australiano Matthew Belcher; a espanhola Marina Alabau, na 49er FX; o holandês Dorian van Rijsselberge, na RS:X; o também australiano Nathan Outteridge, na classe 49er; e o sueco Max Salminen, na Star, classe que não faz parte do programa olímpico de 2016. Entre os brasileiros, destaca-se o bicampeão olímpico (Atlanta 1996 e Atenas 2004) Robert Scheidt, pela Laser.

Tomara que nenhum deles deixe de vencer sua prova por causa das maltratadas águas da Baia de Guanabara.

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sexta-feira, 16 de maio de 2014 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva | 16:22

O ‘inesperado’ elogio da federação de hóquei ao Rio 2016

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“No geral, a mensagem que estamos passando é bastante positiva. Vimos um senso de urgência e uma dinâmica aqui, o que é bastante reconfortante. Acredito que nos foi demonstrado muito progresso e isso foi realmente positivo para nós”



Diante da enxurrada de críticas e cornetadas públicas que vários dirigentes de federações internacionais têm feito nas últimas semanas aos atrasos nas obras das Olimpíadas do Rio 2016 – a ponto de obrigar o COI a fazer uma espécie de intervenção no comitê organizador, colocando uma pessoa de sua confiança praticamente morando na capital carioca – causa espanto um comunicado emitido nesta sexta-feira pelo comitê Rio 2016 trazendo elogios dos representantes da IHF (sigla em inglês para Federação Internacional de Hóquei), elogiando os preparativos para as próximas Olimpíadas.

Projeção da arena de hóquei sobre grama que será construída em Deodoro para o Rio 2016

Projeção da arena de hóquei sobre grama que será construída em Deodoro para o Rio 2016

De acordo com o comunicado, o executivo-chefe da IHF, Kelly Fairweather, disse ter ficado bastante aliviado a respeito de uma atualização de informações a respeito das obras no Complexo de Deodoro, principal ponto de atraso nas obras para 2016 e que receberá as competições de hóquei durante os Jogos. “Tínhamos muitas perguntas, abordamos uma a uma e 95% delas foram respondidas, então eu considero que avançamos bem”, afirmou o dirigente.

É de fato espantoso que justamente o hóquei sobre grama, uma das modalidades que integra o complexo esportivo mais atraso para as Olimpíadas – a ponto de atrapalhar a programação de eventos-testes destes esportes – tenha feito tantos elogios a Deodoro. Mas justiça seja feita, após a definição das licitações no local, a tendência é que as obras comecem a correr de fato a partir de agora.

Só que dando uma pesquisada nos arquivos do blog, desconfio ter encontrado aqui uma das razões para que a IHF fizesse elogios às atrasadas obras olímpicas.

 

 

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terça-feira, 29 de abril de 2014 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas, Política esportiva | 23:25

Rio 2016 e as verdades que incomodam

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“Acho que a situação é pior do que em Atenas [em 2004]. Nós ficamos muito preocupados. Eles não estão prontos em muitas, muitas formas. Nós temos de fazer (esse evento) acontecer e essa é a decisão do COI. Não podemos simplesmente ignorar essa situação”



Vamos combinar uma coisa: ninguém pode dizer que está surpreso com o nível das críticas de integrantes do COI (Comitê Olímpico Internacional) em relação à organização das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Desde que a entidade internacional decretou que haveria a necessidade de colocar um homem de sua confiança no cangote dos integrantes do comitê organizador – e por tabela nos governos municipal e estadual do Rio de Janeiro, bem como no governo federal – já deveria ser encarada com naturalidade a saraivada de críticas que irão aparecer aqui e ali.

John Coates criticou de forma incisiva a organização do rio 2016. Disse alguma mentira?

John Coates criticou de forma incisiva a organização do rio 2016. Disse alguma mentira?

A frase que abre este post é do australiano John  Coates, vice-presidente do COI, presidente do comitê olímpico australiano (AOC, na sigla em inglês) e integrante da comissão de avaliação da organização do Rio 2016. Ele fez as declarações durante um fórum olímpico em Sydney, nesta terça-feira, e publicadas no site do AOC.

E antes que o sentimento patriótico/pacheco comece a aflorar nos dedos de algum internauta, já me adianto a dizer que Mr. Coates está longe de ser um aventureiro ou interessado em avacalhar com a imagem do Brasil perante a comunidade esportiva mundial. Primeiro, por ser um homem extramente experiente no esporte. pois há 40 anos participa da organização de Jogos Olímpicos. Além disso, ele foi o presidente do comitê organizador dos Jogos de Sydney 2000, um dos mais eficientes e elogiados da história.

E convenhamos, Coates disse alguma mentira?

Coates simplesmente repetiu o que o seu chefe, o alemão Thomaz Bach, presidente do COI, já havia dito há 20 dias: a situação para o Rio 2016 é crítica. Quando alguém da importância do dirigente australiano diz que está pior do que em Atenas 2004, é sinal de que a intervenção chegou até com atraso. “O COI formou uma força-tarefa especial para tentar acelerar os preparativos, mas a situação é crítica. O COI adotou uma postura de ‘mãos na massa’, o que é sem precedentes, mas não há plano B. Nós estamos indo para o Rio”, disse Coates.

O que me causa espanto, porém, é que certas verdades ainda incomodem o ego das pessoas ligadas à organização das Olimpíadas do Rio. No começo da tarde, o comitê organizador soltou uma nota oficial na qual, de maneira bem sutil, criticou a cornetada do dirigente australiano. Mas será que eles estão em condições de rebater alguma coisa? Mais trabalho e menos papo, minha gente!

Confira abaixo a íntegra do comunicado do Rio 2016

“Já passamos da hora em que discussões genéricas sobre o progresso da preparação possam contribuir com a evolução da jornada rumo aos Jogos. É tempo de focarmos mais no trabalho e no engajamento. Os anúncios recentes do orçamento para os projetos de infraestrutura e legado, além do lançamento da licitação para as obras do Parque Olímpico de Deodoro são iniciativas cruciais e inequívocos sinais de avanço. O trabalho em conjunto com as três esfera do governo, federal, estadual e municipal, está funcionando. O suporte do Comitê Olímpico Internacional também.

Temos uma missão histórica: organizar os primeiros Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Brasil e da América do Sul. Vamos cumpri-la. Em 2016 o Rio organizará Jogos excelentes que serão entregues absolutamente dentro do prazo e dos orçamentos já anunciados”.

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sexta-feira, 8 de novembro de 2013 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Seleção brasileira | 16:36

¿Por qué no te callas, Paes?

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“Vamos deixar Barcelona no chinelo”

Peguei emprestado um comentário feito pelo colega Fábio Aleixo, do Lance!, para dar título ao post que trata da (mais uma) pérola disparada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, durante cerimônia nesta sexta-feira, na inauguração do Mirante do Parque Olímpico. Talvez empolgado pela cerimônia ou pela data comemorativa deste sábado, quando irão faltar exatos 1.000 dias para a abertura dos Jogos Olímpicos de 2016, Paes mais uma vez atacou os que colocam em dúvida o sucesso do evento e ainda se superou, ao menosprezar simplesmente as Olimpíadas de Barcelona 1992.

O prefeito Eduardo Paes é só otimismo para os Jogos de 2016

Eduardo Paes é só otimismo para os Jogos de 2016

Ao dizer que o Rio de Janeiro irá “deixar Barcelona no chinelo”, Eduardo Paes primeiro comete uma indelicadeza imperdoável com uma cidade que foi sede olímpica; em segundo, demonstra ignorância total da própria história das Olimpíadas da Era Moderna. Sob todos os aspectos, os Jogos de Barcelona podem ser considerados insuperáveis e a partir desse paradigma, é preciso muito cuidado para não criar falsas esperanças ou erros crassos de análise.

Esportivamente falando, Barcelona 1992 foi um sucesso. Para início de conversa, foi a primeira edição olímpica, desde Moscou 1980, sem que ocorresse qualquer boicote por motivos políticos. Todas as nações convidadas pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) compareceram. Além disso, foi a edição olímpica em que o COI abriu suas portas ao profissionalismo. Assim, a maior equipe em esportes coletivos de todos os tempos, o time de basquete dos EUA, deu um show, com Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird & Cia.

Foi em Barcelona que vimos brilhar o fenômeno russo da natação Alexander Popov, ouro nos 100 e 200 m livre, bem como foi na capital da Catalunha que a primeira negra africana ganhou um ouro no atletismo, a etíope Deratu Tulu, nos 10.000 m. Também em Barcelona que o ginasta bielorusso Vitaly Scherbo, então competindo pela CEI (Comunidade dos Estados Independentes), ganhou nada menos do que seis medalhas de ouro, quatro no mesmo dia! Para o esporte brasileiro, foram os Jogos em que brilharam a seleção masculina de vôlei e o judoca Rogério Sampaio, ambos campeões olímpicos, e o nadador Gustavo Borges, com sua medalha de prata nos 100 m livre.

Em termos de legado, Barcelona 1992 foi um completo sucesso, pois contou com apoio maciço da população, não teve incidentes, construiu lindas instalações e serviu para revitalizar áreas da cidade que estavam degradadas e que se tornaram importantes pontos turísticos depois dos Jogos.

E qual o contexto do Rio 2016 com tudo isso e a tola bravata de Paes?

Bem, seria loucura de minha parte dizer que o Rio de Janeiro não poderá superar Barcelona em termos de organização, até porque não tenho bola de cristal. Até mesmo os avanços de tecnologia que o mundo terá entre os 24 anos que irão separar as duas edições podem contribuir para isso. Sempre gosto de lembrar que em Barcelona houve um incrível erro na final dos 100 m de Gustavo Borges, que mesmo tendo tocado na placa ao completar a prova não teve o tempo registrado. Todo mundo no Parque Aquático Bernart Picornell tinha visto que o brasileiro havia sido o segundo colocado. Depois de muita tensão e discussão, a medalha de prata foi confirmada.

RELEMBRE: Três anos para o Rio 2016. Temos motivos para festejar?

Muita coisa joga a favor do Rio, como a própria experiência que será adquirida (para o bem e para o mal) na organização da Copa do Mundo de 2014. Porém, seria de bom tom que o nobre prefeito admitisse que existe ainda MUITA COISA a ser feita na cidade, tanto nas obras esportivas, de infraestrutura (Vila Olímpica) e também de mobilidade urbana, essa sim o grande perigo que pode ameaçar o sucesso dos Jogos de 2016. Sem contar outros “pequenos problemas”, como o descredenciamento do Ladetec, único laboratório do Brasil apto para realizar controle de dopagem pela Agência Mundial Antidoping ou o atraso preocupante nas obras do Complexo Esportivo de Deodoro, que já despertou inclusive relatórios secretos do próprio COI cheios de “pontos vermelhos” ao comitê organizador brasileiro.

Em resumo, uma boa dose de humildade não faria mal a ninguém, caro Eduardo Paes.

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013 Com a palavra, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 18:16

O tratamento que o esporte do Brasil dá a um campeão mundial

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Isaquias Queiroz exibe a medalha de ouro conquistada no Mundial de canoagem

Isaquias Queiroz exibe a medalha de ouro conquistada no Mundial de canoagem. Esforço em vão?

“Agora tenho que assinar uns documentos da Confederação, pedem para dizer que tenho 2 remos que na verdade nunca chegou em minhas mãos, dedico minha vida inteira a canoagem e a Confederação nada faz por mim, tenho um documento em mãos que quando ganhei o mundial em 2011 meu ex-treinador ganhou 10 mil por medalha e naquela ocasião ganhei duas, na soma são 20mil reais e para mim o presidente me levou para comer no Mc Donald’s”

Passa o tempo, mas alguns hábitos vergonhosos ainda insistem em sobreviver no esporte brasileiro. O último exemplo foi mostrado em oportuna reportagem do portal de esportes olímpicos Ahe!, parceiro do iG Esporte, trazendo o desabafo do baiano Isaquias Queiroz, que no início deste mês de setembro tornou-se o primeiro brasileiro campeão mundial de canoagem, na categoria C1 500 m (prova não olímpica), em Duisburg, na Alemanha. Ele também faturou o bronze na prova C1 1.000 m. Trata-se, portanto, de uma esperança de medalha para as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Na hora, foi aquela festa, a CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem) estampou a notícia com destaque em seu site, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e Ministério do Esporte também tiraram suas respectivas casquinhas, exaltando que o feito foi obtido com a ajuda de recursos financeiros e técnicos das duas entidades (o que é verdade, diga-se de passagem).

O problema é que passado quase um mês da histórica conquista, o que Isaquias Queiroz ganhou além do que tapinhas nas costas? Nada, absolutamente nada.

>>> Veja também: As boas novas do esporte brasileiro não vieram apenas do judô

Além de demonstrar uma profunda decepção por não ter recebido qualquer recompensa pelo resultado histórico, ainda desabafou ao recordar uma esdrúxula punição de R$ 1.000,00 por ter aparecido em uma fotografia sem estar usando o uniforme oficial da CBCa. E fez uma denúncia mais grave, ao revelar que um atleta baiano, prata no Pan do Rio 2007, nada recebeu por sua conquista, ao contrário de outros atletas, do Sul do país, que teriam sido recompensados financeiramente pelas medalhas.

Sem falar na surreal história do McDonald’s…

O pior de tudo é que provavelmente Isaquias Queiroz será punido pela sua confederação, pelo desabafo feito via Facebook (situação que, por sinal, ele mesmo previu no próprio texto).

Um fato que precisa ficar muito claro é que a CBCa, assim como todas as confederações olímpicas, recebem verbas da lei Agnelo/Piva, que destina 2% do que é arrecado nas loterias brasileiras. Ou seja, elas têm a OBRIGAÇÃO de prestar contas de forma clara à população. Só a título de curiosidade, o presidente da Confederação, João Tomasini Schwertner, está no cargo desde 1989! Ele é um dos cartolas que terá vida curta no esporte nacional, com a aprovação da MP 620, que limita o mandato de dirigentes de entidades esportivas, aprovada tanto na Câmara Federal quanto no Senado, e que aguarda sanção da presidenta Dilma Rousseff.

>>> Leia também: A maior vitória do esporte brasileiro. Só falta Dilma assinar

Ainda há um longo caminho a ser percorrido para mudar a estrutura podre do esporte brasileiro, que em muitos casos continua tratando muito mal seus campões.

Com a palavra, COB e Ministério do Esporte.

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terça-feira, 20 de agosto de 2013 Com a palavra, Histórias do esporte, Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 23:54

O arrependimento de Vanda e a fragilidade do atleta brasileiro

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“O que eu quis dizer quando falei comer mal e dormir mal é que quando você sai do conforto da sua casa, você está comendo mal e dormindo mal. Não me lembro de ter dito que a CBAt não nos deu comida ou pouso”

Vanda amenizou o tom das críticas no Brasil

A frase da velocista Vanda Gomes, menos de 48 horas depois de soltar o verbo, ao tentar justificar a eliminação da equipe brasileira na final do revezamento 4 x 100 feminino, durante o Mundial de atletismo de Moscou, não deve surpreender ninguém. Depois de acusar com todas as letras, aos microfones do canal Sportv, que a preparação foi deficitária, que as atletas tiveram problemas com alimentação, hospedagem etc, Vanda decidiu recuar.

Na verdade, naquele momento ela nada mais estava do que tentando encontrar uma explicação para aquela cena inacreditável: a queda do bastão na última passagem, em uma prova que tinha tudo para terminar com as brasileiras no pódio na Rússia.

Não é de hoje que atletas brasileiros acabam falando mais do que devem e depois, diante da pressão externa, acabam voltando atrás. O atletismo é mestre em ter situações como essa. Lembro-me bem de Joaquim Cruz, ao dar uma entrevista na qual deixava claro que suspeitava da condição da americana Florence Griffth-Joyner, já falecida, nas Olimpíadas de Seul 1988. Cruz acreditava que as incríveis marcas dela nos 100 e 200 m eram frutos de doping. A repercussão de suas palavras – o brasileiro foi campeão olímpico nos 800m em Los Angeles 1984 e prata na Coreia do Sul na mesma prova – foi tamanha que Cruz precisou se retratar, dizendo que fora mal interpretado.

Veja também: As lições do Mundial de Moscou ao atletismo do Brasil

É natural que Vanda Gomes esteja frustrada, irritada e até envergonhada com  o erro que pode ter custado uma medalha para o Brasil. Mas não se pode cravar que o erro foi apenas dela. Era uma prova em equipe, afinal. E nem ninguém pode eximir a comissão técnica da  CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) de algum tipo de culpa também.

E mais: O fiasco brasileiro no Mundial de atletismo e a miopia dos críticos

Acho que todos têm sua parcela de responsabilidade neste caso e na  fraca participação brasileira em Moscou, de modo geral. E a maior prova do equívoco da atleta foi que o discurso das outras integrantes da equipe não seguiu na mesma linha. Para piorar, a CBAt pretende puni-la de forma severa pelas declarações.

O que fica evidente é que falta preparo psicológico a muitos atletas em competições de alto nível. Mais do que simples “frescura”, um trabalho sério de psicologia esportiva mostra-se cada vez mais necessário, para qualquer equipe. No caso do esporte brasileiro, carente em tentas coisas, isso pode fazer a diferença entre um bastão no chão e uma medlaha no peito.

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013 Com a palavra, Ídolos, Mundiais, Musas, Olimpíadas | 12:22

Isinbayeva perdeu uma grande chance de ficar calada

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Elena Isinbayeva se emociona ao receber sua medalha de ouro. Depois, declarações polêmicas

Muita atenção para as duas frases que serão destacadas abaixo:

“Se permitirmos promover e fazer esas coisas [apoio ao movimento gay] nas nossas ruas, ficaremos com medo de nosso próprio país. Nós nos consideramos pessoas normais, homens com mulheres e mulheres com homens”

“Quero deixar claro que respeito o ponto de vista de meus companheiros atletas e quero ressaltar de maneira contundente que sou contra a qualquer discriminação contra os gays por causa de sua sexualidade”

A russa Elena Ysinbayeva pertence a uma classe especial de atletas, aqueles que estão fora do padrão normal, são gênios em suas especialidades. A conquista da medalha de ouro (a terceira) no Mundial de Moscou na última terça-feira é uma prova disso. Ainda por cima, trata-se da única mulher a ter saltado acima dos cinco metros no salto com vara. Não duvido que após a pausa para ter um filho ela possa voltar à velha forma e conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Mas Isinbayeva também mostra uma faceta muito comum aos atletas, independentemente do seu país de origem: uma posição extremamente conservadora diante de determinadas situações e uma absurda falta de habilidade com as palavras. As duas declarações, dadas em um intervalo de apenas 24 horas, demonstram isso. E  nem mesmo a desculpa esfarrapada da falta de habilidade com o inglês dá para levar a sério.

Por mais que se fale na questão da soberania de um país, Isinbayeva defende abertamente uma lei retrógrada e discriminatória como a que foi aprovada pelo governo da Rússia. Uma lei que se levada ao pé da letra, pode levar até mesmo à prisão de atletas estrangeiros que irão competir nas Olimpíadas de inverno de 2014, na cidade russa de Sochi. E por se tratar de um ícone do esporte mundial, o mínimo que poderia se esperar dela neste caso seria o bom senso.

Nessa, Isinbayeva demonstrou ter a mesma agilidade de um elefante numa loja de cristais.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 Com a palavra, Isso é Brasil, Olimpíadas | 17:53

Nova bronca do COI liga sinal amarelo no Rio 2016

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Presidente do Rio 2016, Nuzman diz que a organização dos Jogos está dentro do cronograma

“Nossa mensagem continua sendo que há tempo, porém o tempo está passando. Eles (organizadores do Rio) precisam continuar trabalhando nisto com todo o vigor”

A frase do porta-voz do COI (Comitê Olímpico Internacional), Mark Adams, dita após uma reunião de trabalho com os integrantes do comitê organizador do Rio 2016 nesta terça-feira, na Suíça, dá o exato tom de preocupação da entidade que comanda o esporte olímpico mundial sobre a forma com que as coisas estão sendo conduzidas por aqui. O COI, definitivamente, já começa a coçar a cabeça, preocupado se o Rio de Janeiro conseguirá cumprir as metas. O sinal amarelo já está ligado em Lausanne.

Agora, a preocupação do COI diz respeito à indefinição sobre o local onde será realizado o torneio de rúgbi seven, que a princípio estava marcado para acontecer em São Januário, mas como o Vasco da Gama, dono do estádio, não conseguiu as garantias financeiras para fazer as reformas necessárias, a disputa deverá acontecer no Engenhão mesmo. O hóquei de grama também segue sem local definido.

Também incomoda os dirigentes do COI o fato do orçamento para os Jogos não ter sido fechado ainda. E faltam menos de três anos para as próximas Olimpíadas.

Vale ressalta que não foi o primeiro pito público que o pessoal do Rio 2016 leva do COI. Em junho, a marroquina Nawal El Moutawakel, presidente da Comissão de Coordenação, disse com todas as letras, após uma visita ao Brasil:  “Está ficando aparente que os prazos de entrega estão apertados e que o volume de trabalho a ser completado é considerável”.

Carlos Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e também do Rio 2016, o comitê que organiza os Jogos, aparenta tranquilidade. Ele diz que todos os prazos serão cumpridos normalmente e que a preparação está no caminho certo. Mas ele sabe, no fundo, que as reclamações do COI não são gratuitas e já está preocupado para que tudo saia conforme a expectativa.

Não será nada fácil nos próximos três anos e meio para os integrantes do Rio 2016 conviver com a sombra do sucesso de Londres 2012.

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