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quinta-feira, 24 de julho de 2014 Ciência do esporte, Olimpíadas, Seleção brasileira | 19:44

Trabalho psicológico do COB para 2016 precisa ser competente

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Nesta última quarta-feira, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) chamou os jornalistas para uma entrevista coletiva, onde o tema principal foi falar sobre o planejamento da equipe brasileira que irá competir, na condição de anfitriã, nos Jogos Olímpicos de 2016,  no Rio.

O COB ficou preocupado com o efeito psicológico da Copa do Mundo em alguns jogadores da seleção,como Thiago Silva

O COB ficou preocupado com o efeito psicológico da Copa do Mundo em alguns jogadores da seleção brasileira, como Thiago Silva

Mas não irei, ao menos por enquanto, falar do tema que deu o chamado “lead” (expressão jornalística que define o assunto principal de um texto) da maioria absoluta das reportagens de sites e jornais que acompanhei, a respeito da (ousada, mas não impossível) meta de terminar na 10ª  colocação no quadro final de medalhas, com um total variando entre 27 e 30 pódios. Simplesmente porque é notícia velha, já anunciada pelo próprio COB durante as Olimpíadas de Londres, em 2012. Voltaremos, porém, a tratar disso em breve.

Por enquanto, prefiro me ater a outro assunto, igualmente comentado pelos dirigentes do COB na coletiva desta quarta: o apoio psicológico aos atletas brasileiros antese durante a competição.

Talvez as imagens ainda bastante vivas nas memórias de todos nós, da completa destruição  psicológica dos jogadores da seleção brasileira em várias partidas da última Copa do Mundo, especialmente a crise de choro do capitão da equipe Thiago Silva, antes da disputa de penaltis diante do Chile, tenha ligado o sinal de alerta na cartolagem e responsáveis pela área técnica do COB. Para um país que está a anos-luz de ter uma tradição multiesportiva, qualquer lágrima derramada fora de hora ou crise de ansiedade inesperada pode ser fatal para quem sonha ficar no top 10 do quadro de medalhas.

“Estamos trabalhando essa parte de preparação mental e emocional. Esse trabalho já vem ao longo de alguns anos. Em Londres 2012, trabalhamos com sete psicólogos dentro da equipe. Nesse momento, temos a área de psicologia e a área de coaching trabalhando com os atletas”, assegura Jorge Bichara, gerente geral de performance esportiva do COB, admitindo que os nervos em frangalhos do time de Felipão podem trazer ensinamentos aos atletas olímpicos brasileiros.

“A Copa do Mundo de futebol foi rica em experiências para todos nós. Estamos fazendo um estudo grande sobre como essa influência  aconteceu junto aos atletas, junto aos nosso treinadores, procurando potencializar o que aconteceu de positivo e neutralizar o que aconteceu de negativo”, teoriza Bichara.

De minha parte, só espero que o trabalho psicológico para 2016 seja muito melhor do que o de Londres 2012. Em várias oportunidades, ao conversar com atletas brasileiros eliminados de suas provas há dois anos, o que eu mais escutava eram as frases “senti a pressão”, “faltou preparo psicológico” ou “estava treinado, mas na hora não consegui fazer o combinado com o treinador”.

Pode até parecer desculpa de atleta para justificar a própria impossibilidade de superar alguém que é melhor tecnicamente, mas a verdade é que muitos atletas brasileiros simplesmente sucumbem diante de uma quadro de pressão excessiva. São raros aqueles que conseguem absorver toda aquela situação adversa e competir como se estivesse treinando. Foi o que fez Arthur Zanetti, ouro na ginástica artística, na prova das  argolas, com a tranquildade de um veterano.

E para comprovar que o peso do emocional não atinge somente os inexperientes, recordo aqui as palavras de Ana Luiza Ferrão, do tiro esportivo e com 38 anos em 2012, ao ficar na 38ª e última colocação da prova de pistola 25 metros. “É uma realidade totalmente diferente da qual eu estou acostumada. Aqui estão competindo medalhistas olímpicas, atletas que venceram competições internacionais importantes, isso tudo acaba pesando no final da sua prova”, disse para mim a major do exército.

Imagine cenas semelhantes ocorrendo daqui a dois anos, no Rio, com dezenas de atletas brasileiros que não estão acostumados aos holofotes da mídia, competindo em sua casa e sentindo-se obrigados a ajudar a “bater a meta”do COB e também do governo federal, porque não dizer, pois trata-se do grande caixa forte do esporte olímpico brasileiro nos últimos anos, com leis de incentivo e financiamento de projetos diversos.

Por isso, pense duas vezes antes de classificar como bobagem a história de apoio psicológico no esporte. O assunto é mais sério do que você imagina.

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terça-feira, 19 de novembro de 2013 Ciência do esporte, Seleção brasileira | 14:18

Atletismo brasileiro fará mapeamento genético de 500 atletas

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José Antônio Fernandes, presidente da CBAt (esq.) e Antonio Carlos Gomes, superintendente de Alto Rendimento

José Antônio Fernandes, presidente da CBAt (esq.) e Antonio Carlos Gomes, superintendente de Alto Rendimento da entidade

Entre as diversas decisões tomadas no Fórum Técnico de Alto Rendimento de atletismo, realizado no último final de semana, em São Paulo, uma está voltada para a área de ciência esportiva, campo ainda pouco explorado no esporte do Brasil: a CBAT (Confederação Brasileira de Atletismo), em parceria com o Incor (SP), irá realizar um mapeamento genético de 500 atletas do país, tanto da elite quanto da base da modalidade. Segundo a entidade, nunca foi feita uma análise como essa reunindo tantos atletas de uma mesma modalidade.

“Nossa intenção é saber qual é o modelo biológico do nosso atleta. Precisamos saber quem são estes caras”, diz Antonio Carlos Gomes, superintendente de Alto Rendimento da CBAt. A idéia é começar as análises a partir de fevereiro de 2014.

“Poderemos, a partir deste estudo, saber as características específicas de nossos velocistas, fundistas, arremessadores e saltadores, fazendo comparações entre os atletas de primeira linha com os que estão na nossa base”, afirmou Gomes.

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