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terça-feira, 24 de março de 2015 Olimpíadas, Paraolimpíadas | 09:20

Faltam 500 dias para o Rio 2016: ansiedade pelos Jogos não pode tirar de vista os problemas

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Mascote olímpico Vinícius sobe o bondinho do Pão de Açúcar para comemorar os 500 dias para o Rio 2016

Mascote olímpico Vinícius sobe o bondinho do Pão de Açúcar para comemorar os 500 dias para o Rio 2016

É mais do que evidente que para qualquer brasileiro que adora esportes, a data desta terça-feira tem um significado especial. A marca de 500 dias para a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio, prevista para 5 de agosto de 2016, é recebida com inegável ansiedade. Dê uma rápida busca com a hashtag #Rio2016 pelas redes sociais e poderá constatar o sentimento de alegria com o significado deste 24 de março no calendário olímpico. Quem já teve a oportunidade (e já tive esse privilégio três vezes) de ver uma edição das Olimpíadas de perto, sabe o quanto esse evento é fantástico. Não tenho a menor dúvida de que o Rio irá proporcionar um espetáculo inesquecível a quem estiver presente em algumas das diversas arenas espalhadas pelo Parque Olímpico da Barra, Deodoro, Copacabana, Engenhão etc, ou mesmo pela televisão.

Da mesma forma, é natural que se aguarde com grande expectativa a participação dos atletas brasileiros na competição. Será uma oportunidade única de torcedores poderem apoiar de perto seus ídolos em busca de vitórias que possam fazer com que o país cumpra a meta (ousada demais, em minha modesta opinião) de terminar os Jogos entre os dez primeiros na classificação final, pelo total de medalhas.

Mas (sempre tem um mas….)

A marca de 500 dias para o Rio 2016 não pode tirar o foco de que os organizadores trabalham em cima do laço para deixar tudo pronto a tempo. A ironia do presidente do COI, Thomas Bach, em visita ao Brasil no último mês de fevereiro, ao dizer que estará cumprimentando os funcionários responsáveis pelas obras no dia da abertura dos Jogos, não pode ser desprezada. O Rio perdeu tempo demais para conseguir colocar no eixo as obras das principais arenas, em parte pela desconexão entre os três poderes envolvidos na organização (Federal, Estadual e Municipal). Houve uma demora inconcebível para a definição da Matriz de Responsabilidade dos Jogos e o resultado de tudo isso foram atrasos e mais atrasos. A ponto de o próprio COI dar uma bronca monumental nos brasileiros em abril do ano passado, ameaçando até com uma espécie de intervenção. No final, as coisas acabaram entrando no ritmo.

Veja ainda: A 500 dias dos Jogos, Rio 2016 ganha elogios mas tem promessas não cumpridas

Também não pode ser ignorado, a despeito desta data festiva, o fracasso do governo do Rio na meta de despoluir 80% das águas da Baia de Guanabara, que fazia parte do dossiê da vitoriosa candidatura de 2009. Agora, o governador Luiz Fernando Pezão diz que no cenário mais otimista, este índice chegará a 49%, para desespero dos velejadores, que terão duas preocupações: os treinos normais e a sujeira que pode tirar a chance deles em conquistar uma medalha.

Outro fato que precisa ser lembrado neste marco dos 500 dias são os protestos de vários grupos sociais. A remoção de moradores da Vila do Autódromo, comunidade carente localizada ao lado do Parque Olímpico, o chamado coração dos Jogos, está longe de ser um processo tranquilo, muito pelo contrário. Muitos são obrigados a sair, mesmo sem ter qualquer indenização assegurada pelo poder público, para não correr risco de vida. Da mesma forma que não podem ser ignorada as manifestações do grupo que contesta a construção do campo de golfe, o Ocupa Golfe, na Reserva de Marapendi. O grupo contesta a forma com que o prefeito Eduardo Paes, ignorando relatórios ambientalistas e jurídicos, cedeu uma área avaliada em R$ 300 milhões e com restrições ambientais, para a construção de um campo teoricamente aberto ao público, embora faça parte de um futuro condomínio fechado.

Há todos os motivos do mundo para você festejar a marca de 500 dias para o Rio 2016, eu também não vejo a hora dos Jogos começarem. Mas não se deve perder o foco de que há um lado problemático que não pode ser ignorado na festa olímpica do ano que vem.

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