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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015 Mundiais, Olimpíadas | 16:04

O perigoso sucesso do Catar no Mundial de handebol

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Jogadores do Catar comemoram a inédita classificação para a final do Mundial masculino de handebol

Jogadores do Catar comemoram a inédita classificação para a final do Mundial masculino de handebol

Há poucos minutos, um resultado histórico aconteceu no Mundial masculino de handebol, que está sendo realizado no Catar. Diante de um ginásio lotado, a seleção catari alcançava um feito inédito, ao derrotar a Polônia por 31 a 29 e classificar-se para a final do torneio. Foi a primeira vez em 24 edições do Mundial que uma equipe de fora da Europa chegava à decisão. Até aí nada demais, se não fosse o fato de que essa é uma “falsa” seleção do Catar.

Dos 16 jogadores inscritos para a competição, nada menos do que nove são naturalizados. NOVE! Tem bósnio, cubano, sérvio, francês, espanhol, tunisiano. O próprio técnico, Valero Rivera, é espanhol. Com esta seleção multinacional, o Catar vem cumprindo uma campanha brilhante, tendo vencido sete das oito partidas que disputou até agora. Pelo andar da carruagem, pode até ganhar o Mundial, neste domingo, e classificar-se antecipadamente para os Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Trata-se de uma trapaça, uma espécie de doping técnico impulsionado pelos dólares que jorram do país árabe, polêmica sede da Copa do Mundo de futebol de 2022. É só ter um mínimo de conhecimento esportivo para saber que sem estes naturalizados, o Catar não passaria de um (péssimo) figurante no Mundial, dada a sua total falta de tradição no handebol.

O assunto é tão incômodo (para não dizer vergonhoso) que os próprios dirigentes da federação catari proibiram os jogadores e o treinador foram proibidos de responder a perguntas sobre o assunto de naturalização.

E nem se pode dizer que a culpa é apenas do Catar. A moda de naturalizações vem infestando o esporte mundial nos últimos anos, em todas as modalidades. Tênis de mesa, ginástica artística, polo aquático, vôlei, basquete, atletismo… em todos estes esportes têm sido possível encontrar atletas que nasceram em outras nações, mas que resolveram mudar sua pátria movidos pelos mais diferentes motivos. Poucos, muito poucos, o fizeram por ter uma identificação genuína com o novo país. Nas Olimpíadas de 2012, o excesso de naturalizações atingiu a delegação da Grã-Bretanha foi tão grande que despertou a ira de torcedores e jornalistas, chamando os naturalizados de “britânicos de plástico”.

Aliás, que ninguém pense que o Brasil está imune a isso, pois já tivemos dois casos (Larry Taylor, no basquete, e Gui Lin, no tênis de mesa) de naturalização na delegação do país em Londres, e com certeza teremos muitos mais até as Olimpíadas do Rio 2016, no Rio de Janeiro, especialmente em modalidades onde o Brasil não consegue desenvolver talentos de nível competitivo.

Relembre: Brasil terá “reforço externo” em Londres. Será que vale a pena?

Se ainda esta febre de naturalização mundial viesse acompanhada de um verdadeiro processo de massificação e descobrimento de novos talentos para estas modalidades, daria para aceitar, meio a contragosto. Mas o que está por trás, na maioria dos casos, é somente a busca pela glória efêmera, vitaminada por talentos que nasceram em lugares muito distantes das bandeiras pelas quais eles correm, saltam e jogam. O esporte só tem a perder com esta globalização fajuta.

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4 comentários | Comentar

  1. Marcelo Laguna 04/02/2015 17:21

    Oi Gabriel,

    Não coloquei o Larry no mesmo balaio dos cataris fajutos, mas como exemplo de atletas estrangeiros que o Brasil naturalizou para disputar as Olimpíadas de Londres.
    Abraços

  2. 54 Gabriel Lins Alves 04/02/2015 10:46

    Pô, calma ai também, colocar o Larry Taylor como farinha do mesmo saco não é certo, é discutível a inclusão dele naquela seleção por motivos técnicos, mas o cara mora no Brasil a 7 anos, é casado com brasileira e tem filho brasileiro, quando eu o conheci, me lembro que fiquei surpreso com sua dedicação para aprender bem o nosso idioma e muito mais sobre nossa cultura, e isso foi antes da naturalização dele para Londres. Para mim ele se encaixa exatamente no tipo de atleta identificado com o país. No próprio basquete pode ser citado o congolano Ibaka pela Espanha, mas não Larry pelo Brasil

  3. 53 Roberto 01/02/2015 19:17

    Eu não me sentiria confortavel assistir nas olimpiadas 2016 , um russo , chines ou qualquer outro estrangeiro naturalizado , sem a menor identificação com o país receber uma medalha competindo pelo Brasil . Tem ainda hasteamento de bandeira e se for ouro tem o Hino nacional . Este caminho que está sendo tomado no esporte é com o tempo acabarem as disputas entra países …vai virar competições individuais ou de clubes . Se o atleta migrou para outro país ainda jovem , tem uma vida , estudo e raizes …aí tudo bem , mas do jeito que a coisa anda eu não aprovo e nem assisto este tipo de maracutaia.

  4. 52 Mario Sérgio de Oliveira 30/01/2015 20:21

    As olímpiadas cresceram e se desenvolveram como uma disputa entre nações, fica portanto quebrada a essência que tem norteado os jogos, parecendo coisa falsa, país que não existe, prática de anticultura. Neste rumo daqui para a frente teremos, porque não, um país inventado de um continente perdido, a Atlântida com jogadores de NBA por exemplo, ou a Corrida da corrupção, onde os quenianos não seriam favoritos, ou a maratona disputada por automóveis Fórmula 1. Está quase valendo tudo. não sei quais seriam boas mudanças, mas que fica um ar de falsidade, fica. Será que eles falam a lingua nacional ou sabem cantar o hino do Catar. Acho estranho, mas não sou o dono da verdade, não sei o que as outras pessoas acham.

  5. 51 marcio gabriel 30/01/2015 18:36

    então pra que regras esportivas??? o Catar pode comprá-las e nenhuma federação faz nada. O esporte em geral está virando um leilão, “QUEM DÁ MAIS??? UM, DOIS, TRÊS!!! VENDIDO PARA AQUELE ELETRICISTA ( OU SERÁ ENCANADOR? OU AÇOUGUEIRO? OU PEDREIRO?) DA POLTRONA 171!!! QUE TAL UMA REGRA: NÃO HÁ REGRAS!!!

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