Publicidade

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 20:23

Após a festa, o handebol precisa olhar para o futuro

Compartilhe: Twitter
O técnico dinamarquês Morten Soubak está bem preocupado com o futuro do handebol brasileiro

O dinamarquês Morten Soubak (esq.) está bem preocupado com o futuro do handebol brasileiro

Passada a emoção da conquista histórica e a primeira leva de homenagens (mais do que merecidas, diga-se de passagem), é necessário que o handebol brasileiro tenha a tranquilidade necessária para avaliar o resultado efetivo da conquista do título mundial feminino neste domingo, na Sérvia. E nada melhor do que iniciar essa reflexão tomando como base uma declaração do competente e consciente dinamarquês Morten Soubak, treinador da equipe brasileira, publicada pelo portal AHE! nesta segunda-feira.

“Do jeito que está, não vai mudar nada. Estamos totalmente dependentes das meninas que estão na Europa. Não é por causa do que é feito no Brasil que estamos aqui. Nem um pouco. Se o Brasil daqui a três anos produzir cinco, oito jogadoras, beleza. Mas eu quero ver o Brasil produzir um time inteiro que vá para a seleção adulta”

Fala com muita propriedade o dinamarquês, que dirige a seleção feminina desde 2009, mas que chegou para trabalhar no Brasil em 2001. Ou seja, com 12 anos “de casa”, ele sabe muito bem como a banda toca por aqui. Se hoje exaltamos (com justiça) os feitos das heroínas do handebol, é bom não esquecer que boa parte deles devem-se ao importante intercâmbio que quase a totalidade das jogadoras (13 das 16 convocadas) adquiriram atuando na Europa. A própria presença de Soubak é fruto deste intercâmbio vitorioso.

Por aqui, os jogos das ligas nacionais (masculina e feminina) são vistos por uma minoria (familiares e amigos), com pouquíssima exposição nos canais de esporte e nos jornais e sites esportivos. Será que isso vai mudar com este título mundial?

A outra parte da declaração de Soubak também merece ser analisada com cuidado. A média de idade da seleção campeã mundial não é elevada demais, 26,3 anos. Mas as principais jogadoras da seleção estão longe de serem consideradas novatas: a capitã Fabiana, a Dara, tem 32 anos; Alexandra, a melhor do mundo em 2012, também tem 32; Dani Piedade está com 34 anos; a goleira Mayssa Pessoa está com 29; Deonise completou 30 anos. A melhor do Mundial, a armadora Duda Amorim, tem 27, mesma idade da central Mayara.

Ou seja, se não fizer um trabalho urgente de renovação, essa geração vitoriosa que emocionou o Brasil no último domingo certamente viverá seu canto do cisne nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Que as pessoas que comandam o handebol brasileiro estejam cientes de que a hora de olhar para o futuro da modalidade, é agora.

Autor: Tags: , , , , , , , , , , ,

2 comentários | Comentar

  1. 52 Ronaldo Mercadante 24/12/2013 9:25

    Entre todos os fatores que levam uma categoria esportiva ao patamar que o handebol feminino acabou de conquistar, receio que a divulgação através da mídia, principalmente televisiva, ainda é o nosso calcanhar de Aquiles.
    Apesar de estar em constante busca de informações sobre o que estava acontecendo, não vi maiores referências sobre o andamento de nosso handebol feminino, a não ser quando se consumou a vitória final.
    Se os chamados programas de TV que se intitulam como “esportivos” somente abordarem e transmitirem o futebol, os demais esportes, mesmo que tenham representatividade mundial, sofrerão para alcançar e/ou manter resultados de expressão, quer seja pela falta de renovação das atletas, quer seja pelo interesse dos patrocinadores e consequente fortalecimento dos campeonatos no Brasil.
    Também, temos uma pequena idéia do que passaram essas atletas obstinadas para chegar onde chegaram.
    Felizmente o Brasil possue um bando de atletas “que não desistem nunca”.
    Parabéns ao Handebol feminino por reavivar o sentimento de “orgulho” por ser brasileiro.

  2. 51 Lucas Figueiredo 23/12/2013 21:23

    Parabéns por pontuar algo que nós, envolvidos com o handebol já vínhamos observando há alguns anos… Nossa seleção já estava preparada para este título talvez há 4 anos… Mas há de ser observado que o trabalho é fruto do intercâmbio europeu acima de tudo.

    Temos no Brasil material humano de excelente qualidade, especialmente nas escolas… Um número absurdo de jogadoras, em bom nível técnico. Temos alguns profissionais extremamente competentes para colaborar com a formação dessas atletas…

    No entanto, quando essas atletas saem do nível escolar não possuem apoio de clubes ou universidades para seguirem treinando e alcançarem o devido potencial, salvo raríssimas exceções em alguns polos do handebol como São Paulo ou o Sul do país.

    Isso, infelizmente, não basta. Precisamos ter espaços para que estas jovens futuras atletas treinem, se desenvolvam, recebam apoio, e dêem continuidade ao maravilhoso trabalho que foi feito na seleção brasileira adulta.

    Parabéns por evidenciar esta questão tão relevante para o handebol brasileiro.

  1. ver todos os comentários

Os comentários do texto estão encerrados.