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terça-feira, 10 de setembro de 2013 Ídolos, Olimpíadas, Política esportiva | 23:15

A polêmica escolha do novo membro do Brasil no COI

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Bernard posa ao lado de Jacques Rogge, após ser aprovado como membro do COI

Bom, pra início de conversa, a escolha do novo presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), o alemão Thomas Bach, ocorrida nesta terça-feira, no encerramento da 125ª Assembleia Geral da entidade, seguiu um roteiro absolutamente óbvio e lógico.

Como já era previsto (inclusive pelo blogueiro Mãe Dinah), o advogado de 59 anos, campeão olímpico de esgrima por equipes nos Jogos de Montreal 1976, levou o pleito com extrema facilidade. Venceu as duas rodadas de votação no colégio eleitoral do COI com tranquilidade (43 na primeira e 49 na segunda), com 20 votos de vantagem sobre o segundo colocado, o porto-riquenho Richard Carrión. Assim como foi a escolha de Tóquio para sede dos Jogos de 2020, o COI optou por não inventar na sucessão do belga Jacques Rogge.

Mas uma outra eleição também movimentou os bastidores do Hotel Hilton, em Buenos Aires, nesta terça-feira. Foram escolhidos os nove novos membros do COI, entre eles o brasileiro Bernard Rajzman, chefe de missão do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Desde o ano passado, com a passagem de Carlos Arthur Nuzman para membro honorário (por ter atingido o limite de 70 anos de idade), o país que será a sede das próximas Olimpíadas não tinha um representante com direito a voto na entidade que comanda o esporte olímpico mundial.

Tratava-se, portanto, de uma eleição muito importante para o esporte brasileiro. Mas não acredito que tenha sido a melhor escolha.

Explico: a despeito de seu brilhante passado como atleta, tendo sido um dos ícones da seleção masculina medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles 1984, Bernard jamais foi um nome representativo do esporte olímpico brasileiro. Não há registros de declarações de Bernard saindo em defesa do atleta brasileiro, criticando a estrutura arcaica que comanda o esporte do país, onde o continuísmo da cartolagem impera (até agora, pois nesta terça a Câmara dos Deputados aprovou projeto que limita os mandatos dos dirigentes, mas isso será tema de outro post).

Além disso, para aqueles de memória curta, Bernard Rajzman integrou, como secretário nacional de Esportes (cargo que antecedeu o Ministério do Esporte) o malfadado governo de Fernando Collor, aquele mesmo que atolado por inúmeras denúncias de corrupção, foi defenestrado pelo Congresso Nacional.

E quando se imagina que no lugar de Bernard, poderiam ter sido indicados atletas do quilate de um Lars Grael, Magic Paula ou Ana Moser, todos com um histórico de luta por um esporte para todos no Brasil, aí mesmo que se tem a certeza de que não foi uma boa escolha do COI.

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4 comentários | Comentar

  1. 54 Eric Walther Maleson 11/09/2013 14:03

    Nada contra o Bernard, pois ele é uma referência no esporte brasileiro, mas a maneira pelo qual o Presidente do COB conduziu a escolha do representante brasileiro no COI é inaceitavel. Nenhuma das 30 Confederações Brasileiras filiadas foi sequer consultada. Isso precisa mudar.

  2. 53 paulo de moraes 11/09/2013 10:46

    À exceção do Lars, que está engajado até o pescoço na organização da Olimpíada 2016, não vejo, francamente, nada demais nas outras indicadas.Bernard é um ex-atleta atuante na causa esportiva nacional e o fato de ter sido do governo Collor, me parece, diante daquilo que presenciamos hoje em dia, ser até um elogio.

  3. 52 Victor Campani 11/09/2013 10:13

    Concordo com o artigo acima, verdadeiramente o tal Bernard não é o melhor nome para representar o Brasil no COI!! Há outros grandes ex-atletas que poderiam dar maior contribuição neste organismo do que Bernard. Só não podemos esquecer que Bernard é o favorecido do Arthur Nusman e portanto indicado por ele.

  4. 51 Mauricio 11/09/2013 1:54

    Eu acho que fez todo o sentido: a cartolagem que domina o COB elegeu um representante pro COI que vai dar continuidade ao status quo. Já imaginou a Magic Paula representando o COI como ela ia azucrinar a vida dos cartolas responsáveis pelas condições de treinamento de atletas de altíssimo nível (vide o caso do Zanetti), as arbitrariedades das confederações (vide 21 pontos no vôlei por causa da TV!!),etc, etc,?

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