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quarta-feira, 14 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 23:48

O fiasco brasileiro no Mundial de atletismo e a miopia dos críticos

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Fabiana Murer falha em mais uma das tentativas no Mundial de Moscou

Um grande amigo meu, o jornalista Rodrigo Borges, companheiro de outras redações e atualmente no site da “ESPN” e um dos editores do ótimo “Esporte Fino” – listado entre os favoritos deste blog do lado direito da página – tem uma expressão que eu considero definitiva para analisar o comportamento de uma parcela razoável do torcedor que acompanha esportes por aqui: “Brasileiro não gosta de esporte, brasileiro gosta de quem vence”, diz o sábio Rodrigo, do alto de sua habitual ranhetice.

Concordo 100% com ele e vou mais além, desenvolvendo a tese no que diz respeito a esportes olímpicos: brasileiro acompanha as modalidades poliesportivas com a mentalidade de um torcedor de futebol. A maioria absoluta mal entende as regras de determinados esportes, coisa que fica evidente em grandes eventos, como Olimpíadas, Pan-Americanos e mundiais.

Nesta última terça-feira, Fabiana Murer, uma das principais esperanças de medalha do Brasil no Mundial de atletismo de Moscou, falhou em sua tentativa de manter o título no salto com vara. Até começou bem sua participação na final, passando sem problemas nos dois primeiros saltos, mas não conseguiu aproveitar as três chances em 4m75, comentou alguns erros na técnica do salto (admitidos por ela mesma) e acabou eliminada, terminando em quinto lugar.

Decepção? De certo modo sim, tendo como base o fato de que defendia seu título e que tinha como melhor resultado 4m85, o mesmo salto que lhe deu o ouro em Daegu, dois anos atrás. Mas vamos combinar que ela foi superada por atletas que hoje estão num patamar acima dela, como a americana Jennifer Suhr, a cubana Yarisley Silva e, principalmente, a russa Yelena Isinbayeva, a rainha do salto com vara e que voltou à velha forma justamente diante de sua torcida.

Mas o que deveria ser encarado como um resultado normal diante das limitações da brasileira – é provável que seu auge tenha sido a temporada de 2011 – serviu como combustível para que nas redes sociais as velhas piadinhas e comentários debochados voltassem à tona. Como se a conta pela vexatória eliminação nas Olimpíadas de Londres 2012 ainda não tivesse sido paga.

>>> Veja também: Fabiana Murer e a intolerância dos pachecos

O problema é que o brasileiro, em sua grande maioria, observa o esporte olímpico sob a ótica do futebol, ignorando que não é possível fazer analogias ludopédicas em provas de atletismo, natação ou handebol, por exemplo.

A miopia é tanta que não percebem que Fabiana Murer vinha de um ano complicado. Além de ter se contundido no início da temporada indoor (pista coberta), ela não voltou bem e esteve instável em diversas competições importantes. Sua melhor marca em 2013 foi 4m73, no Troféu Brasil, em São Paulo – menos, portanto, da altura necessária para que ela tivesse prosseguido na prova nesta terça-feira, no lindo Estádio Luzhniki.

Essa miopia dos corneteiros, citada acima, os impede de perceber que o problema é muito maior. O atletismo brasileiro passa por uma crise sem precedentes, a despeito de ter mais de R$ 30 milhões anuais entre patrocínio e verbas das loterias. É muito dinheiro. A nova administração, a cargo de José Antonio Fernandes, que assumiu este ano após quase três décadas do “reinado” de Roberto Gesta de Melo, avisou que tinha pouca expectativa neste Mundial de Moscou. O plano era o de “chegar ao maior número de finais possíveis”, o que é lamentável. E para 2016, o cenário não será muito diferente. Enquanto isso, jogam-se todas as fichas e esperanças em um punhado de atletas,  que diante de tanta pressão e expectativa, muitas vezes acabam sucumbindo.

>>> E ainda: Após fiasco em Londres, Brasil traça meta modesta para Mundial de Moscou

Ainda faltam quatro dias para o encerramento do Mundial. Espero queimar a língua, mas dificilmente o Brasil sairá de Moscou com medalhas. Só que a conta não pode ser colocada apenas nas costas de atletas. Quem comandou e quem comanda a CBAt, quem dirige o esporte brasileiro (COB) e  quem mandou transformar o Célio de Barros em estacionamento, todos esses têm sua parcela de culpa também.

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14 comentários | Comentar

  1. 64 Chico Sal 16/08/2013 16:08

    Esse de é apenas uma amostra do que vai ser Olimpíada 2016.
    Culpa desse medíocre miocre ministério dos esportes.

  2. 63 Elson 15/08/2013 18:37

    O povo brasileiro não conhece esporte, conhece futebol, afinal é a única coisa que conhece é futebol. O povo só entende do esporte que pratica, o povo só pratica futebol no Brasil. O problema, simples, implantar as modalidades olimpicas nas escolas desde os anos iniciais de alfabetização, de forma gradual. A realidade é que a maioria dos professores de educação física (das escolas particulares e públicas) são preguiçosos, jogam uma bolinha de queimada para as crianças ou ficam sendados assistindo uma série inútil de polichinelos.

  3. 62 ALBENES FRANCISCO SOUZA 15/08/2013 15:22

    Os fatos ou as fotos não se justificam os meios. Vou me apegar aos fatos de Brasilia, CAPITAL DA REPUBLICA,,,antes não tinhamos nenhuma infraesrutura, agora temos as tais VILA OLIMPICAS, que são destinadas aos jogos politicos, so trabalha nas ditas cujas quem pertençe ao grupo politico. Com isto ficamos a mercê daqueles oportunistas de ultima hora. Como fazer atletas de alto nivel se o Governo local não tem nenhum conhecimento. As pessoas que estão ali, simplesmente se preocupam com seus salários e nada mais. Nós temos é que agradecer alguns abnegados treinadores e atletas que se dedicam de maneira ardua e lutam para chegar aonde alguns chegam. Que todos os atletas Brasileiros sejam merecedores da mais alta medalha de luta de garra e coragem. Não é fácil chegar aonde alguns chegaram, eles são nossos verdadeiros herois.
    Estão todos de parabens.

  4. 61 Diego Telles 15/08/2013 14:46

    Sou atleta de alto rendimento, há 18 anos, tenho resultados de expressão e nível regional/estadual. Numa classificação poderia me encaixar como Elite II do atletismo gaúcho e catarinense, visto que transito nesses dois estados, Estou competindo em provas oficias pelo Município de Chapecó – SC, através do CAC Clube de Atletismo Chapecó, mesmo sendo de Erechim – RS. Nesse breve relato já observamos uma incoerência, tenho que representar outra entidade, cidade e outro estado em provas oficiais federadas, pelo fato de não haverem políticas públicas para o esporte de base e alto-rendimento no RS e haver completa inatividade da Federação no interior do Estado – FAERGS (Federação de Atletismo do RS). Além do mais nossa entidade socio esportiva registrada, CORRE – http://www.corre-erechim.webnode.com – Clube dos Corredores de Erechim, não consegue pagar a anuidade federativa do RS, por não receber quaisquer tipos de subvenções sociais ou verbas privadas de patrocínio. Então de que forma cobrar resultados e avaliar como medíocres os atletas brasileiros, como Fabiana Murer, que até então foi o que se pode produzir de alto nível, se na maioria do país a realidade é você treinar, competir, crescer e somente depois que cresceu em alto nível raramente obter alguns patrocínios, sejam privados ou públicos. Prova dessa falta de apoio na base é observada nos requisitos para o o bolsa atleta nacional. Como julgar atletas brasileiros de “sem vontade de treinar”, se tendo como o meu exemplo, chego a VOMITAR no final de muitos treinos de Qualidade, sejam tiros (intervalados), flutuantes, fartleks, circuitos, etc. Ou mesmo chegar ao ponto de algumas vezes EXCRETAR SANGUE nas fezes. E fiquem tranquilos, não sofro de nenhuma patologia digestória. Com certeza atletas de alto nível devem VOMITAR e EXCRETAR SANGUE, muito mais vezes que eu, durante o ano. Ainda conto os desconfortos generalizados que um treinamento de alta exigência gera: dores em pontos não imagináveis, frouxidão muscular, frouxidão intestinal, hipertermia, rebentação fibromuscular por ácido lático, etc, etc, etc. Medíocre é nossa alienação como atletas, isso sim. Deixar “cartolas” assumirem Federações que os servem por anos, ao invés de servirem à classe esportiva. Medíocre é nossa indiferença como espectadores do atletismo, natação, judô, etc, etc, sem buscar informações específicas para poder realmente avaliar resultados negativos em mundiais e olimpíadas, dependendo de uma imprensa tbm completamente alienada às informações técnicas dos demais esportes. Imprensa que produz opiniões sem ter conhecimento de como foi o ano do atleta, se esteve lesionado ou não, se teve problemas financeiros por não ter patrocínios, ou se o atleta teve que treinar de manhã e logo em seguida dar aulas, que continuam no turno da tarde e da noite, para poder sobreviver (meu caso). Medíocre é ter jornalistas que não capazes de pesquisar no Google para poder comentarem com coerência sobre a performance de atletas, sejam de quaisquer países ou modalidades. Medíocre é ter que nos compararmos com países de geração econômica muito abaixo do Brasil, como a Jamaica, Quênia, Etiópia, Eritreia, etc, que com muito menor poder financeiro possuem uma das melhores escolas de atletismo de base e alto rendimento do mundo, sem grandes tecnologias, somente na base da vontade política e investimento privado. Como cobrar de atletas que precisam comer “feijão e arroz” e competir com estadounidenses que desde o ensino fundamental são direcionados a um esporte de rendimento, recebendo estrutura logística, técnica e humana completa, visando chegar na universidade já competindo em alto nível, Alguém já chegou a ver a falta de qualidade na organização dos Jogos Universitários do RS? Que recebem Universidades com “atletas” muitas vezes “formados” nos 3 meses que antecedem a competição. Salvo exceções as quais atletas já formados, por sí mesmos, entram numa faculdade. Em resumo: Pistas ameaçadas de serem destruídas; Ausência de projetos/infraestrutura, proporcionalmente distribuída pelo país; Falta de cultura esportiva generalizada; Falta de investimento público/privado na base e principalmente no interior do Brasil; Massificação midiática unilateral para somente uma esporte; Educadores Físicos formados para Academias de Musculação, sem direcionamento para o alto-rendimento; Ausência de política pública para o esporte nos Municípios e nas regiões/comunidades, vocacionadas naturalmente para determinados esportes, etc etc etc! Ou seja, uma falta completa de planejamento e visão de futuro a longo prazo para o esporte, com presença excessiva de ações isoladas, pontuais, temporárias (públicas / privadas) de eventos ou Projetos Eleitoreiros Esportivos.

  5. 60 Maia 15/08/2013 10:32

    Caro Marcelo, concordo em partes com seu post. É correto sim afirmar que brasileiro acompanha todos os esportes com a mente do futebol e sempre exige mais do que os atletas podem “dar”. Mas temos que adimitir que tudo isso é fruto da iamgem que a midia passa desses atletas. A midia massacra tanto e coloca esses atletas comuns num patamar tão alto, que nas grandes competições é mais que natural termos expectativas elevadíssimas (e erradas) sobre eles. É o caso da Fabiana, da Mauren, do Thiago Pereira e muitos outros.

  6. 59 Luciano 15/08/2013 10:00

    Estranho, dei uma opinião contrário ao autor da matéria e não apareceu. hummmm muito estranho…

  7. 58 Bezerra 15/08/2013 9:53

    E mais do que sabido que nosso esporte de ponta é o futebol, com raras exceções o vôlei, e mesmo assim vemos equipe desta modalidade sendo desfeita por falta de patrocínio, então como formar atletas competitivos em outras modalidades se os nossos governantes querem colocar como estacionamento o Estádio Célio de Barros (RJ), o parque aquático Júlio Delamare(RJ), e depois vem dizer que nossos atletas não são competitivos.Cobra-se muito mas a verdadeira fonte dos problemas está em gestões que só pensam nos seis próprios BOLSOS. Vergonha nacional e hipocrisia, por favor olhem com atenção, nossos atletas de ponta sem patrocínio algum, alguns campeões mundias e medalhista olímpico, como é o caso do ZANETTI (nas argolas) e com ele faz para treinar, tira dinheiro do seu próprio bolso. Ano de 2016 fiasco e humilhação á vista. MEDALHAS SÓ DE LATA.

  8. 57 MILAGREIRO 15/08/2013 9:43

    ORA, ORA, A CULPA É DA IMPRENSA E MIDIA EM GERAL. QUE PASSAM SÓ FUTEBOL NA TV. FORA A CORRUPÇÃO NAS ENTIDAES.

  9. 56 moises 15/08/2013 9:42

    Tudo isso é louvável, se não bastasse um detalhe. O psicológico, qualquer atleta brasileiro que se torna vencedor se acha estrela, um fenômeno, ou seja já sou campeão e não preciso mais treinar, ate mesmo no futebol. O brasil só tem uma estrela e se chama Cesar Cielo, os demais são coadjuvantes….

  10. 55 Raimundo 15/08/2013 8:46

    O que falta ao Brasil , atualmente, são grandes atletas. Os responsáveis pela Direção do esporte brasileiro deveriam enviar para as competições, sòmente atletas com chances efetivas de, na pior da hipóteses, classificarem-se para as finais das competições.
    Aqui tudo é culpa do governo!! Com atletas medíocres não se vai a lugar algum, apesar de estarmos gastando com técnicos estrageiros, etc , etc…

  11. 54 geraldo 15/08/2013 8:18

    Não nos limitemos a entender o raciocínio esportivo do brasileiro por aqueles que insistem em apenas criticar sem saber do que estão falando. Aliás, criticar sem saber o que se está criticando me parece ser o esporte nacional do brasileiro. Vemos gente que nunca chutou uma bola falar de táticas, de esse ser melhor que aquele outro, que o goleiro falhou e coisas do tipo. Na natação, acho que tem gente que nunca caiu numa piscina. Que se tentar atravessar uma piscina morre infartado. No atletismo então, pelo amor de Deus. São tantos esportes com particularidades distintas, com técnicas diferentes para a sua prática, e lá ficam por horas e horas falando coisas de que nem sequer sonharam em fazer, mesmo porque, num país onde o esporte se resume ao futebol, como fazer para praticar e treinar, arremesso de dardo, de disco ou de peso, como fazer para superar os 400 com barreiras…..enfim…conversas de babacas metidos a piadistas nas redes sociais….vou prestar atenção a isso?????

  12. Marcelo Laguna 15/08/2013 11:33

    Caro Luciano, ainda bem que você respeita minhas opiniões, apesar de achar que eu tenho uma “visão limitada preconceituosoa”, né? E não é preconceito também você chamar a participação da Fabiana de patética, em Londres? Você é especialista em salto com vara por acaso, amigo?

    Ah, não tem nada estranho naõ na demora do seu comentário aparecer, sou eu mesmo quem os aprovo, só que eu não tenho só o blog pra cuidar na minha vida.

    Obrigado pelo comentário

  13. 53 Luciano 15/08/2013 7:18

    Marcelo, respeito suas opiniões, mas discordo totalmente. As críticas a desportista em questão, são resultado de sua patética participação nas Olimpíadas 2012. Meu caro, chegar ao privilégio de disputar uma competição destas realmente não é pra qualquer um e representar uma nação inteira, também não. O brasileiro gosta de esportes sim e entende muito mais que sua visão limitada ou pré conceito acredita, a diferença é que gostamos de quem luta com garra e determinação, independente das dificuldades, assim como a maioria do povo que acorda as 4:00 da matina pra encarar um transporte lotado e um salário covarde. Chega deste complexo de inferioridade, olhe um pouquinho mais os “países desenvolvidos” e veja se eles gostam de perder também. Abraço.

  14. 52 Alan 15/08/2013 6:12

    Brasileiro é um povo babaca. Está mais preocupado em ser pacheco ou ser vira lata do que simplesmente torcer para um atleta de uma forma normal.

    Eu estava vendo a competição, torci pela Fabiana, perdeu e não me irritei. Sabia que as chances eram poucas e não, não entendo de atletismo, apenas evito a babaquice.

  15. 51 GILSON 15/08/2013 1:10

    Marcelo: concordo com todas as suas colocações. Fico imaginando na quantidade de grana que rolou para que o míope Brasil fosse escolhido sede dos jogos olímpicos.

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