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segunda-feira, 5 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 14:10

Mundial de Barcelona consagra Cielo, Thiago e Poliana, mas também merece uma reflexão

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Com um pequeno atraso – em razão de problemas técnicos enfrentados nos blogs do iG Esporte neste final de semana – , é necessário que se faça uma breve análise a respeito da belíssima participação do Brasil no Mundial de esportes aquáticos, encerrado neste domingo em Barcelona. Se por um lado foi uma campanha para se tirar o chapéu, embalada pelos ouros de Cesar Cielo nos 50 m livre e borboleta e o de Poliana Okimoto na maratona aquática, por outro é preciso que se faça uma ponderação equilibrada e sem arroubos patrióticos sobre os resultados alcançados.

Cielo comemora a medalha de ouro nos 50 m livre, garantindo o tricampeonato mundial

Primeiro, os pontos positivos que se podem extrair de Barcelona 2013. O Mundial espanhol serviu para consagrar a figura de Cesar Cielo como o maior nadador brasileiro de todos os tempos. Dificilmente haverá um outro velocista como ele nos próximos 20 anos, imagino. Sua superação ao se tornar o primeiro tricampeão mundial da história nos 50 m livre e bi mundial nos 50 m borboleta, depois da frustração com o bronze nas Olimpíadas de Londres, é coisa de outro mundo.  Sem esquecer que precisou também encarar cirurgia nos dois joelhos e uma mudança radical em sua preparação, abandonando o projeto P.R.O. 16 e voltando a treinar nos EUA com um técnico desconhecido, Scott Goodrich, seu ex-companheiro de treinos em Auburn.

O feito de Poliana Okimoto também foi notável. Depois do drama que viveu em Londres, quando passou mal em plena disputa da prova dos 10 km da maratona aquática, ela superou os seus fantasmas e deu a volta por cima ao conquistar o ouro em Barcelona de forma emocionante. Assim como foram as medalhas de bronze de Thiago Pereira, nos 200 e 400 m medley (prova que por sinal ele disse que não nadaria). Até Londres 2012, Thiago tinha que conviver com o estigma de só brilhar em Jogos Pan-Americanos (que lhe rendeu o incômodo apelido de “Mr. Pan, por sinal). Após a prata olímpica e as duas medalhas no Mundial, o nadador de Volta Redonda zerou esta fase de piadinhas maldosas em sua carreira.

Em termos de resultados, a participação brasileira em Barcelona foi exemplar. Até este Mundial, o país havia faturado 12 medalhas desde a primeira edição, em 1973. Só neste ano, foram dez, incluindo nesta conta a maratona aquática, a grata surpresa desta campanha. Houve também uma evolução em relação ao Mundial anterior, realizado em Xangai, na China: desta vez, o Brasil conseguiu marcar presença em 12 finais, o dobro de provas de 2011 (6).

>>> Leia também: Cesar Cielo e a arte de se reinventar

É neste ponto que uma ponderação precisa ser feita. A boa campanha da natação do Brasil nesta primeira grande competição do próximo ciclo olímpico mostrou que se houve evolução em comparação com o Mundial anterior, é preciso lembrar que no Mundial de 2009, em Roma, os brasileiros chegaram a 18 finais. Além disso, ganhou menos ouros do que na China: em 2011, foram quatro medalhas douradas, com duas de Cielo nas mesmas provas, Ana Marcela Cunha ganhando os 25 km da maratona aquática e Felipe França ganhando os 50 m peito.

>>> Veja ainda: Confira as medalhas do Brasil nos Mundiais de esportes aquáticos

Outro ponto preocupante é a falta de renovação. Mais uma vez, os bons resultados vieram com nomes já consagrados e conhecidos, dos quais já se esperava um bom resultado. A nova geração ainda ficou devendo, o que não deixa de ser preocupante tendo como objetivo as Olimpíadas de 2016, daqui a exatos três anos.

Da mesma forma, é necessário ligar o sinal amarelo quando se analisa as demais modalidades que disputaram o Mundial (polo aquático, saltos ornamentais e nado sincronizado), todas com resultados pífios ou pouco representativos. Para estes, o relógio começa a correr rápido demais em direção às Olimpíadas do Rio de Janeiro, sem perspectivas de grandes resultados.

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5 comentários | Comentar

  1. 55 Carlos Eduardo 06/08/2013 0:18

    A verdade nua e crua é que a olimpíada, que poderia ser algo fantástico para o Brasil, só vai servir para complicar mais nossa situação. O grande objetivo era político, fazer de Lula e os seus aqueles que trouxeram as olimpíadas e a copa do mundo para o Brasil.

    Não há preparação decente ou investimento do estado nenhum em qualquer esporte, o que evou é fruto de heroísmo e esforço próprio de atletas. Nossos mega medalhistas do atletismo estão desempregados 3 anos antes das Olimpíadas, existe algo mais lamentável que isso?

    As obras são apenas motivos para desvio de verbas ou tentativa de campanha, destroem o que já está pronto só para fazer denovo.

    Sinto muito dizer isso, mas o Brasil de hoje, não é sério. E sério mesmo, gostaria que copa e olimpíadas fossem cancelados.

  2. 54 paulo 05/08/2013 19:35

    Muito legal o comentário de vocês a respeito do pessoal da natação; eu gostaria que o repórter fizesse uma matéria sobre o desenvolvimento do basquete nos centros esportivos municipais da capital paulista. Eu quero adiantar que a situação é esta: a grande maioria das pessoas nestes centros esportivos usam as quadras para jogar futebol de salão porque na realidade elas são alugadas: são raríssimas as quadras que dispõem de tabelas completas para basquete!

  3. 53 Francisco 05/08/2013 17:40

    A renovação vai continuar sendo pifia enquanto o esporte não for massivo na sociedade ou pelo menos massivo na escola.

    Qual o último ganhador dos Jogos Escolares Brasileiros? Essa competição ainda ocorre?

    E o mistério maior: como chegar ao vigèsimo andar se um prédio que só tem dez andares?

    De 190 milhões daria para tirar mais medalhas sim…

  4. Marcelo Laguna 05/08/2013 15:51

    Corrigido, Danilo, obrigado pelo comentário

  5. 52 Danilo 05/08/2013 15:28

    Favor corrigir o texto aonde está “primeiro tricampeão olímpico da história nos 50 m livre”, pois o Cielo só ganhou uma Olimpiada nos 50m livre. Ele é tricampeao mundial nos 50m livre.

  6. Marcelo Laguna 05/08/2013 15:52

    Arrumei lá, Weverton. Pensei numa coisa e escrevi outra (rs)… Obrigado pelo toque

  7. 51 Weverton 05/08/2013 14:28

    Laguna, no texto tem que Cielo é tricampeão olímpico dos 50m livre e na realidade ele é tricampeão mundial dos 50m livre.
    Gostei muito do texto e dos pontos negativos do Brasil que precisam ser melhorados para 2016 como o pólo aquático, nado sincronizado e saltos ornamentais.

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