Publicidade

Arquivo de agosto, 2013

sexta-feira, 30 de agosto de 2013 Ídolos, Mundiais, Seleção brasileira | 19:48

As meninas superpoderosas do judô do Brasil

Compartilhe: Twitter

Mayra Aguiar abre o sorriso para exibir a medalha de bronze na categoria até 78 kg, no Mundial do Rio

Tudo bem que ainda faltam as disputas deste sábado, e Luciano Corrêa (até 100 kg) e Rafael Silva, o Baby (mais de 100 kg) podem salvar a honra da equipe masculina do Brasil neste Mundial de judô. Mas é inegável que o saldo ao final da competição estará mais do que positivo para a seleção brasileira feminina. Uma campanha irretocável.

Nada menos do que quatro medalhas conquistadas, a última delas com Mayra Aguiar, nesta sexta-feira, a de bronze, na categoria até 78 kg, juntando-se à Rafaela Silva (ouro), Érika Miranda (prata) e Sarah Menezes (bronze). Trata-se da melhor participação do judô feminino na história dos Mundiais, superando até agora a campanha de Paris, em 2011, quando foram obtidas três medalhas.

E nada disso veio à toa, sempre é bom lembrar. Nos Jogos de Londres, a única medalha de ouro no judô veio da equipe feminina, com Sarah Menezes. O excelente trabalho desenvolvido pela técnico Rosicléa Campos (afastada em razão de licença-maternidade) vem finalmente sendo premiado com os resultados nas grandes competições.

Pelo menos no Mundial do Rio de Janeiro, foram as meninas superpoderosas que deram as cartas no judô brasileiro.

Autor: Tags: , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 29 de agosto de 2013 Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Política esportiva | 12:15

COI confia em liberação do Ladetec para 2016. Por enquanto…

Compartilhe: Twitter

Assim ficará o Ladetec ao final das obras de ampliação para os Jogos de 2016

A retirada da credencial do Ladetec, laboratório brasileiro que foi escolhido para realizar os exames de doping durante os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, anunciada na última terça-feira, foi um vexame para todos os envolvidos na organização dos mega-eventos.  Por mais que já se esperasse a rigorosa decisão da Wada por descredenciar o único laboratório do país em condições de fazer o controle de dopagem em grandes competições, trata-se de uma falha imperdoável. Mas mesmo com o futuro do Ladetec incerto, o COI (Comitê Olímpico Internacional) ainda diz confiar em contar com o Ladetec nas próximas Olimpíadas. Ao menos na versão oficial.

Em contato com o blog, o departamento de comunicação do COI divulgou a seguinte nota: “Os últimos acontecimentos em relação ao Ladetec não comprometem o programa anti-doping dos Jogos de 2016, da mesma forma que a integridade e a qualidade das análises das amostras não serão afetadas. Vamos trabalhar com o comitê Rio 2016, a universidade em questão [UFRJ, à qual pertence o Ladetec] e o governo brasileiro para que recredenciamento do laboratório ocorra antes do início das Olimpíadas de 2016”.

Mas, ao ser questionado sobre a possibilidade do recredenciamento demorar mais do que o previsto e não acontecer até o início dos Jogos, obrigando que os controles de dopagem tivessem que ocorrer fora do Brasil, as palavras do COI foram menos enfáticas. “Esta é uma questão hipotética. Neste momento, vamos concentrar nossos esforços para ajudar o laboratório do Rio a conseguir o seu recredenciamento na Wada”.

Se estes “esforços” irão envolver mais dinheiro público investido, não dá para saber. Mas é evidente que a punição da Wada causou um enorme desconforto nos corredores do COI.

Autor: Tags: , , , ,

quarta-feira, 28 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 17:45

De Cidade de Deus para o mundo

Compartilhe: Twitter

Rafaela Silva comemora a conquista da medalha de ouro no Mundial de judô

Nem o mais criativo dos roteiristas poderia prever uma reviravolta tão marcante no destino de alguém como o que aconteceu com a judoca brasileira Rafaela Silva, que nesta quarta-feira entrou para a história ao tornar-se a primeira mulher a conquistar uma medalha de ouro em Campeonatos Mundiais de judô, na categoria até 57 kg. Foi ainda a 31ª medalha brasileira na história da competição.

Primeiro, pela forma inusitada com o qual ela entrou no esporte. Moradora da favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, ela foi revelada aos oito anos pelo Instituto Reação, do ex-judoca Flavio Canto, ao ser levada pelo pai, que não aguentava mais os problemas causados pela garota, extremamente brigona.

A escolha do pai mostrou-se prá lá de acertada e os resultados não demoraram para aparecer. Em 2008, foi campeã mundial junior e três anos depois, conquistou a prata no Mundial de Paris. Foi o bastante para credenciar-se como uma das candidatas a ganhar uma medalha nas Olimpíadas de Londres, no ano passado.

Rafaela só não contava que um erro bizarro (aplicação de um golpe irregular), logo em sua primeira luta, custasse a eliminação nos Jogos de Londres. E o que se seguiu foi ainda pior, com a judoca respondendo a ofensas de internautas, que a criticaram pela eliminação. Uma lamentável batalha virtual.

Veja também: A prata de Rafaela Silva e o blogueiro “Mãe Dinah”

E quis o destino que a volta por cima ocorresse pouco mais de um ano depois, em sua cidade, diante da torcida, e com seu mentor atuando como comentarista do “SporTV”, ficando sem palavras e engolindo o choro em plena transmissão.

Melhor roteiro, impossível.

Autor: Tags: , , , , , ,

terça-feira, 27 de agosto de 2013 Mundiais, Seleção brasileira | 10:45

Mundiais agitam o final de agosto do esporte olímpico

Compartilhe: Twitter

Seleção brasileira de ginástica rítmica disputará o Mundial de Kiev (Rússia)

Não é somente o judô que está vivendo sua semana de gala, com a realização do Campeonato Mundial do Rio de Janeiro, desde segunda-feira. Outras cinco modalidades olímpicas terão seus mundiais ocorrendo neste última semana de agosto, todos com participação de equipes brasileiras.

O Mundial de remo, por exemplo, já está em andamento. A competição, que se realiza na cidade de Chingiu, na Coreia do Sul, já teve inclusive a classificação de Fabiana Beltrame para as semifinais na prova do skiff simples peso leve, prova não olímpica e na qual Fabiana conquistou o título mundial de 2011.

Também está em andamento o Mundial de Vela na classe Finn, na cidade de Talinn, na Estônia, mesmo local que recebeu as regatas de iatismo nas Olimpíadas de Moscou 1980, na então União Soviética. Bruno Prada e Jorge Zarif representam o Brasil na competição.

Outro evento que já está em andamento é o Mundial de Ciclismo MTB, que está sendo realizado em Pietermaritzburg, na África do Sul, até o próximo domingo. Três brasileiros estão na disputa: Henrique Avancini, Rubens Donizete e Ricardo Poscheidt.

Nesta terça-feira, começa a disputa do Campeonato Mundial de canoagem velocidade, em Duisburg, na Alemanha, até domingo. O Brasil está representado com sete atletas, na canoa e no caiaque, com destaque para a dupla Ronilson Oliveira e Erlon Silva, no C2 1.000m, que participaram dos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

Veja também: O calendário do esporte olímpico em 2013

Por fim, começa nesta quinta-feira, na cidade de Kiev, na Rússia, o Campeonato Mundial de ginástica rítmica, que se encerra apenas na próxima segunda-feira (2/9). O Brasil tenta entrar nos trilhos no cenário mundial da modalidade, após ter ficado fora inclusive do pré-olímpico do ano passado (e consequentemente fora das Olimpíadas). Seis atletas integram a equipe de conjunto, enquanto que no individual participarão Angélica Kvieczynski e Natália Gáudio.

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

sábado, 24 de agosto de 2013 Ídolos, Mundiais, Seleção brasileira | 11:36

Nem tufão consegue parar Yane Marques

Compartilhe: Twitter

Um ano depois do bronze em Londres, Yane Marques faz história de novo, com a prata no Mundial

E o sábado começou muito bem, com a notícia da inédita medalha de prata conquistada por Yane Marques no Campeonato Mundial de pentatlo moderno, realizado na cidade de Kaoshiung, em Taiwan. Brilhante é pouco para definir a conquista da atleta pernambucana, natural da Afogados de Ingazeira. Mais uma vez ela entra para a história de uma modalidade praticamente desconhecida no Brasil.

O Mundial feminino encerrou-se nesta madrugada e a brasileira precisou literalmente driblar até o vento para assegurar o lugar no pódio. Não é figura de linguagem: um tufão vem atormentando a área de Taiwan desde o início da qualificatória da competição, na última quarta-feira. As eliminatórias, por exemplo, precisaram ser divididas em dois dias, assim como a final.

E Yane, depois de ficar em 10º lugar na qualificação, conseguiu manter-se constante nas cinco modalidades que compõe o pentatlo moderno (esgrima, natação, hipismo e o evento combinado tiro e corrida) e ao final somou 5.292 pontos, ficando atrás apenas da lituana Laura Asaduskaite, atual campeã olímpica.

Em pouco mais de um ano, este é o segundo grande resultado obtido por Yane Marques no pentatlo moderno. O primeiro, e mais importante, foi a medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres, em 2012, a última obtida pelo Brasil nos Jogos. E para quem achou que tinha sido obra do acaso, eis que agora ela emplaca o vice-campeonato mundial.

Graças a Yane Marques, o pentatlo moderno vai deixando aos poucos a condição de primo pobre no esporte olímpico brasileiro.

Autor: Tags: , , , , ,

quinta-feira, 22 de agosto de 2013 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas, Paraolimpíadas, Política esportiva | 22:33

Situação do Ladetec é mais grave do que se imagina

Compartilhe: Twitter

Marco Aurélio Klein, diretor-executivo da ABCD

Bastante esclarecedora a entrevista de Marco Aurélio Klein, diretor-executivo da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem) ao iG Esporte nesta quinta-feira, a respeito a situação do Ladetec, único laboratório brasileiro credenciado pela Wada (sigla em inglês para agência mundial antidoping) para atuar nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Mas embora tenha tido cuidado ao escolher as palavras durante a conversa que tivemos, Klein não escondeu que está extremamente preocupado com a suspensão aplicada pela Wada, aplicada no último dia 8, e que corre o risco de se prolongar ainda mais.

O grande temor dele é que na reunião do conselho executivo da Wada, que será em setembro, na cidade de Buenos Aires, durante a reunião do COI (Comitê Olímpico Internacional), seja revogada a licença de funcionamento do Ladetec. Se isso acontecer, todo o processo de credenciamento do terá que ser feito novamente, comprometendo o trabalho na Copa do Mundo do ano que vem, e toda a preparação para atuação nas Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016.

Veja também: Suspensão do Ladetec é uma desmoralização para o combate ao doping no Brasil

Klein tenta manter o otimimo, mas ao longo da entrevista citou diversas vezes que o governo brasileiro está fazendo todos os esfoços para evitar uma punição mais rigorosa. Ou seja, há o temor de que a Wada seja rigorosa na reunião de seu conselho executivo.

A sucessão de problemas que o Ladetec enfrentou nos últimos tempos – com destaque para os exames com erros feitos em Pedro Solberg, do vôlei de praia, e Natália, da seleção feminina de vôlei, deram ainda mais subsídios para os técnicos da Wada suspenderem o laboratório brasileiro. Uma revogação de sua credencial seria a cereja no bolo e um belo golpe no problemático combate ao doping no país que receberá as próximas Olimpíadas. Em outras palavras, um completo vexame.

Autor: Tags: , , , , , , ,

terça-feira, 20 de agosto de 2013 Com a palavra, Histórias do esporte, Ídolos, Imprensa, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 23:54

O arrependimento de Vanda e a fragilidade do atleta brasileiro

Compartilhe: Twitter

“O que eu quis dizer quando falei comer mal e dormir mal é que quando você sai do conforto da sua casa, você está comendo mal e dormindo mal. Não me lembro de ter dito que a CBAt não nos deu comida ou pouso”

Vanda amenizou o tom das críticas no Brasil

A frase da velocista Vanda Gomes, menos de 48 horas depois de soltar o verbo, ao tentar justificar a eliminação da equipe brasileira na final do revezamento 4 x 100 feminino, durante o Mundial de atletismo de Moscou, não deve surpreender ninguém. Depois de acusar com todas as letras, aos microfones do canal Sportv, que a preparação foi deficitária, que as atletas tiveram problemas com alimentação, hospedagem etc, Vanda decidiu recuar.

Na verdade, naquele momento ela nada mais estava do que tentando encontrar uma explicação para aquela cena inacreditável: a queda do bastão na última passagem, em uma prova que tinha tudo para terminar com as brasileiras no pódio na Rússia.

Não é de hoje que atletas brasileiros acabam falando mais do que devem e depois, diante da pressão externa, acabam voltando atrás. O atletismo é mestre em ter situações como essa. Lembro-me bem de Joaquim Cruz, ao dar uma entrevista na qual deixava claro que suspeitava da condição da americana Florence Griffth-Joyner, já falecida, nas Olimpíadas de Seul 1988. Cruz acreditava que as incríveis marcas dela nos 100 e 200 m eram frutos de doping. A repercussão de suas palavras – o brasileiro foi campeão olímpico nos 800m em Los Angeles 1984 e prata na Coreia do Sul na mesma prova – foi tamanha que Cruz precisou se retratar, dizendo que fora mal interpretado.

Veja também: As lições do Mundial de Moscou ao atletismo do Brasil

É natural que Vanda Gomes esteja frustrada, irritada e até envergonhada com  o erro que pode ter custado uma medalha para o Brasil. Mas não se pode cravar que o erro foi apenas dela. Era uma prova em equipe, afinal. E nem ninguém pode eximir a comissão técnica da  CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) de algum tipo de culpa também.

E mais: O fiasco brasileiro no Mundial de atletismo e a miopia dos críticos

Acho que todos têm sua parcela de responsabilidade neste caso e na  fraca participação brasileira em Moscou, de modo geral. E a maior prova do equívoco da atleta foi que o discurso das outras integrantes da equipe não seguiu na mesma linha. Para piorar, a CBAt pretende puni-la de forma severa pelas declarações.

O que fica evidente é que falta preparo psicológico a muitos atletas em competições de alto nível. Mais do que simples “frescura”, um trabalho sério de psicologia esportiva mostra-se cada vez mais necessário, para qualquer equipe. No caso do esporte brasileiro, carente em tentas coisas, isso pode fazer a diferença entre um bastão no chão e uma medlaha no peito.

Autor: Tags: , , , , , , , , ,

domingo, 18 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Seleção brasileira | 16:04

As lições que o Mundial de Moscou deixa ao atletismo do Brasil

Compartilhe: Twitter

Vanda Gomes se desespera ao deixar cair o bastão passado por Franciela Krasucki

A foto que abre este post ilustra, de forma lamentável, a participação brasileira no 14º Campeonato Mundial de atletismo, encerrado neste domingo em Moscou. O erro patético na última passagem do bastão do revezamento 4 x 100 m feminino, que custou uma quase certa medalha (a única) ao Brasil neste Mundial, foi apenas a cereja no bolo. Há muito mais o que se lamentar no saldo final destes últimos dez dias na Rússia.

Em primeiro lugar, ninguém pode alegar surpresa com o fraco desempenho dos atletas brasileiros. Muito menos os dirigentes da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo). No final de julho, a entidade reuniu os jornalistas em sua sede em São Paulo, para uma entrevista coletiva, e foi bem sincera ao falar sobre os objetivos neste Mundial: alcançar o maior número de finais possíveis.

Pois bem, o Brasil chegou a seis finais em Moscou: salto com vara masculino (Augusto Dutra, em 11º); salto com vara feminino (Fabiana Murer, em 5º); 400m masculino (Anderson Henriques, em 8º); salto em distância masculino (Mauro Vinícius da Silva, em 5º); revezamento 4 x 400m masculino (7º lugar); e revezamento 4 x 100m feminino (não terminou a prova). Decatlo e maratona masculina, que não têm finais, não chegaram ao pódio mas tiveram bons resultados individuais.

A questão é que nem mesmo o objetivo inicial a CBAt alcançou. Isso porque a campanha em Moscou, em termos de presença em finais, foi ABSOLUTAMENTE IDÊNTICA a dos dois Mundiais anteriores, em Daegu/2011 e Berlim/2009, quando os brasileiros também alcançaram seis finais. Pior é saber que na Coreia do Sul, há dois anos, o Brasil ainda conseguiu um ouro (com Fabiana Murer). Muito pior ainda é que em 2007, no Mundial de Osaka, o Brasil marcou presença em sete finais e ainda voltou com uma medalha de prata – Jadel Gregório, no salto triplo.

A verdade, nua e crua, é uma só: o atletismo brasileiro “involuiu”.

Não tenho a menor dúvida que boa parte desta decadência precisa ser creditada aos quase 30 anos em que Roberto Gesta de Melo esteve à frente da CBAt. Alguns mais apressados poderão sair em defesa do cartola e dizer que medalhas foram conquistadas neste período, inclusive uma de ouro nas Olimpíadas de Pequim 2008, com Maurren Maggi no salto em distância. Óbvio, se você fica tanto tempo no cargo, aumenta as suas chances de conseguir resultados.

Nunca o atletismo teve tanto dinheiro como agora. Somados patrocínio da Caixa Econômica Federal, Lei Agnelo/Piva e outras fontes de renda, são quase R$ 31 milhões/ano. É muito dinheiro, convenhamos. Não se pode falar em falta de recursos. Prefiro falar em recursos mal aplicados, extremamente mal aplicados.

O atletismo do Brasil, por incrível que pareça, consegue grandes resultados nas categorias de base, inclusive títulos mundiais. Mas na hora de colocar estes novos talentos para competir na categoria adulta, os resultados simplesmente desaparecem. Estamos vivendo hoje de uma geração envelhecida, que está chegando ao final da carreira, com outra que não consegue mostrar seu potencial na hora da verdade, seja por falta de suporte psicológico ou limitação técnica mesmo.

Por fim, há que se cobrar também de quem comanda. A comissão técnica do Brasil tem muito que explicar ao final deste Mundial. O país já vinha de uma participação anêmica nas Olimpíadas de Londres 2012, quando passou sem medalhas pela primeira vez em 20 anos, e repete a dose exatamente um ano depois.

E como a última impressão é a que fica, é necessário que alguém dê uma boa justificativa para a escalação do time na final do revezamento, quando não correu Rosângela Santos, mais entrosada, e em seu lugar apareceu Vanda Gomes, justamente a que derrubou o bastão na passagem final.

O novo presidente da CBAt, José Antonio Fernandes, que assumiu este ano, terá muito trabalho para colocar o atletismo nos trilhos. E é bom avisar: para 2016, nas Olimpíadas do Rio, a realidade não será muito diferente dessa aí que vimos em Moscou.

Autor: Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

sexta-feira, 16 de agosto de 2013 Com a palavra, Ídolos, Mundiais, Musas, Olimpíadas | 12:22

Isinbayeva perdeu uma grande chance de ficar calada

Compartilhe: Twitter

Elena Isinbayeva se emociona ao receber sua medalha de ouro. Depois, declarações polêmicas

Muita atenção para as duas frases que serão destacadas abaixo:

“Se permitirmos promover e fazer esas coisas [apoio ao movimento gay] nas nossas ruas, ficaremos com medo de nosso próprio país. Nós nos consideramos pessoas normais, homens com mulheres e mulheres com homens”

“Quero deixar claro que respeito o ponto de vista de meus companheiros atletas e quero ressaltar de maneira contundente que sou contra a qualquer discriminação contra os gays por causa de sua sexualidade”

A russa Elena Ysinbayeva pertence a uma classe especial de atletas, aqueles que estão fora do padrão normal, são gênios em suas especialidades. A conquista da medalha de ouro (a terceira) no Mundial de Moscou na última terça-feira é uma prova disso. Ainda por cima, trata-se da única mulher a ter saltado acima dos cinco metros no salto com vara. Não duvido que após a pausa para ter um filho ela possa voltar à velha forma e conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Mas Isinbayeva também mostra uma faceta muito comum aos atletas, independentemente do seu país de origem: uma posição extremamente conservadora diante de determinadas situações e uma absurda falta de habilidade com as palavras. As duas declarações, dadas em um intervalo de apenas 24 horas, demonstram isso. E  nem mesmo a desculpa esfarrapada da falta de habilidade com o inglês dá para levar a sério.

Por mais que se fale na questão da soberania de um país, Isinbayeva defende abertamente uma lei retrógrada e discriminatória como a que foi aprovada pelo governo da Rússia. Uma lei que se levada ao pé da letra, pode levar até mesmo à prisão de atletas estrangeiros que irão competir nas Olimpíadas de inverno de 2014, na cidade russa de Sochi. E por se tratar de um ícone do esporte mundial, o mínimo que poderia se esperar dela neste caso seria o bom senso.

Nessa, Isinbayeva demonstrou ter a mesma agilidade de um elefante numa loja de cristais.

Autor: Tags: , , , , , ,

quarta-feira, 14 de agosto de 2013 Ídolos, Isso é Brasil, Mundiais, Olimpíadas, Seleção brasileira | 23:48

O fiasco brasileiro no Mundial de atletismo e a miopia dos críticos

Compartilhe: Twitter

Fabiana Murer falha em mais uma das tentativas no Mundial de Moscou

Um grande amigo meu, o jornalista Rodrigo Borges, companheiro de outras redações e atualmente no site da “ESPN” e um dos editores do ótimo “Esporte Fino” – listado entre os favoritos deste blog do lado direito da página – tem uma expressão que eu considero definitiva para analisar o comportamento de uma parcela razoável do torcedor que acompanha esportes por aqui: “Brasileiro não gosta de esporte, brasileiro gosta de quem vence”, diz o sábio Rodrigo, do alto de sua habitual ranhetice.

Concordo 100% com ele e vou mais além, desenvolvendo a tese no que diz respeito a esportes olímpicos: brasileiro acompanha as modalidades poliesportivas com a mentalidade de um torcedor de futebol. A maioria absoluta mal entende as regras de determinados esportes, coisa que fica evidente em grandes eventos, como Olimpíadas, Pan-Americanos e mundiais.

Nesta última terça-feira, Fabiana Murer, uma das principais esperanças de medalha do Brasil no Mundial de atletismo de Moscou, falhou em sua tentativa de manter o título no salto com vara. Até começou bem sua participação na final, passando sem problemas nos dois primeiros saltos, mas não conseguiu aproveitar as três chances em 4m75, comentou alguns erros na técnica do salto (admitidos por ela mesma) e acabou eliminada, terminando em quinto lugar.

Decepção? De certo modo sim, tendo como base o fato de que defendia seu título e que tinha como melhor resultado 4m85, o mesmo salto que lhe deu o ouro em Daegu, dois anos atrás. Mas vamos combinar que ela foi superada por atletas que hoje estão num patamar acima dela, como a americana Jennifer Suhr, a cubana Yarisley Silva e, principalmente, a russa Yelena Isinbayeva, a rainha do salto com vara e que voltou à velha forma justamente diante de sua torcida.

Mas o que deveria ser encarado como um resultado normal diante das limitações da brasileira – é provável que seu auge tenha sido a temporada de 2011 – serviu como combustível para que nas redes sociais as velhas piadinhas e comentários debochados voltassem à tona. Como se a conta pela vexatória eliminação nas Olimpíadas de Londres 2012 ainda não tivesse sido paga.

>>> Veja também: Fabiana Murer e a intolerância dos pachecos

O problema é que o brasileiro, em sua grande maioria, observa o esporte olímpico sob a ótica do futebol, ignorando que não é possível fazer analogias ludopédicas em provas de atletismo, natação ou handebol, por exemplo.

A miopia é tanta que não percebem que Fabiana Murer vinha de um ano complicado. Além de ter se contundido no início da temporada indoor (pista coberta), ela não voltou bem e esteve instável em diversas competições importantes. Sua melhor marca em 2013 foi 4m73, no Troféu Brasil, em São Paulo – menos, portanto, da altura necessária para que ela tivesse prosseguido na prova nesta terça-feira, no lindo Estádio Luzhniki.

Essa miopia dos corneteiros, citada acima, os impede de perceber que o problema é muito maior. O atletismo brasileiro passa por uma crise sem precedentes, a despeito de ter mais de R$ 30 milhões anuais entre patrocínio e verbas das loterias. É muito dinheiro. A nova administração, a cargo de José Antonio Fernandes, que assumiu este ano após quase três décadas do “reinado” de Roberto Gesta de Melo, avisou que tinha pouca expectativa neste Mundial de Moscou. O plano era o de “chegar ao maior número de finais possíveis”, o que é lamentável. E para 2016, o cenário não será muito diferente. Enquanto isso, jogam-se todas as fichas e esperanças em um punhado de atletas,  que diante de tanta pressão e expectativa, muitas vezes acabam sucumbindo.

>>> E ainda: Após fiasco em Londres, Brasil traça meta modesta para Mundial de Moscou

Ainda faltam quatro dias para o encerramento do Mundial. Espero queimar a língua, mas dificilmente o Brasil sairá de Moscou com medalhas. Só que a conta não pode ser colocada apenas nas costas de atletas. Quem comandou e quem comanda a CBAt, quem dirige o esporte brasileiro (COB) e  quem mandou transformar o Célio de Barros em estacionamento, todos esses têm sua parcela de culpa também.

Autor: Tags: , , , , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última