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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013 Olimpíadas | 17:28

Decisão para manter a luta nas Olimpíadas será apenas política, avisa presidente da Confederação Brasileira de lutas

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Imagem que ilustra página no Facebook, criado pelo comitê americano de lutas, em defesa da permanência da modalidade no programa dos Jogos Olímpicos

Ainda se refazendo do baque com a decisão anunciada pelo comitê executivo do COI (Comitê Olímpico Internacional) nesta terça-feira, recomendando a exclusão das lutas do programa olímpico a partir dos Jogos de 2020, Pedro Gama Filho, presidente da CBLA (Confederação Brasileira de Lutas Associadas) já começa a se articular para ajudar a FILA (Federação Internacional de Lutas Associadas) a tentar convencer os membros do COI, na assembleia geral marcada para setembro, em Buenos Aires.

“Espero que tenhamos chance de reverter essa decisão em setembro, mas até lá teremos muito trabalho pela frente”, disse o dirigente, que entende que a decisão será exclusivamente política e não técnica, em entrevista ao blog. Confira abaixo:

Como vocês ficaram sabendo da decisão do COI? Desconfiavam que algo pudesse ocorrer na reunião desta terça-feira?

Pedro Gama Filho: Fiquei sabendo logo pela manhã, pela internet. Depois, recebemos os comunicados da FILA e do COI. Na véspera, fiquei sabendo que haveria essa votação, mas achava que as outras modalidades que seriam analisadas teriam mais chance de serem retiradas do programa olímpico do que uma modalidade fundadora, como é a luta olímpica.

Qual teria sido a motivação para esta recomendação?

Analisando friamente, creio que a razão seja política. Vejo a luta olímpica como um esporte democrático e universal, com audiência e tradição praticamente em todo mundo. Vi o sucesso do wrestling em Londres refletido em estádio lotado e público participativo. Acho que o grande erro da FILA foi acreditar que isto jamais aconteceria, enquanto outras modalidades que se sentiam ameaçadas certamente estavam trabalhando. No final de janeiro, o presidente da FILA, Raph Martinetti, esteve no Rio para inaugurar o CT da internacional na cidade, o primeiro das Américas, e sequer comentou sobre esta possibilidade. Ironia ou não, ele me falou para guardar a data de 12 de fevereiro, pois seria a provável data da entrada das três categorias femininas que faltavam no programa olímpico. Coube ao destino nos pregar esta peça, com uma decisão ao meu ver completamente equivocada do COI, apagando a sua própria história. Espero que tenhamos chances de reverter esta decisão em setembro, mas até lá, temos muito trabalho pela frente.

Houve algum problema com a luta olímpica nos Jogos de Londres, que pudesse motivar essa decisão?

Fora o mal relacionamento entre a Confederação da Grã-Bretanha com a FILA, tudo correu às mil maravilhas. Casa cheia, grande espetáculo nos tapetes, transmissões para o mundo todo, inclusive para o Brasil. Não vi nada em Londres que pudesse justificar essa retirada do programa.

Quais são os critérios usados para se excluir um esporte do programa olímpico?

Apesar da falta de clareza na nota emitida pelo COI, falaram em relatórios referentes a audiência (em Londres) ratings do broadcasting (dos Jogos de Londres) controle de doping, e universalidade da modalidade. Na minha opinião, o wrestling se saiu muito bem em todos os quesitos, e não acredito que nenhum destes tenha sido determinante para a decisão do COI. De qualquer forma, você medir uma modalidade pela audiência é bastante subjetivo, pois a popularidade na Grã-Bretanha é uma, a popularidade em Tóquio, para citar o exemplo de uma das possíveis futuras sedes para 2020, ou mesmo em Istambul, cidades (países) que tem o wrestling enraizado em suas culturas, seriam dados completamente distintos.

O taekwondo, que também é um esporte de luta, fez parte da análise do comitê executivo do COI, mas foi poupado. Qual o motivo do taekwondo ter sido mantido e as lutas não?

Acredito que tenha sido o trabalho político da Federação Internacional de Taekwondo. Como disse anteriormente, senti os dirigentes da FILA extremamente confiantes, no sentido de que o esporte sequer estivesse ameaçado de sair do programa, e isto realmente pode ter pesado.

Vocês imaginam que será possível reverter esse quadro até a assembleia geral do COI, em setembro? Atitudes como a criação de uma página no Facebook, tentando sensibilizar o COI, podem ter resultado, ou será uma decisão política?

Acho que temos que trabalhar com as ferramentas que temos em mãos. Redes sociais são mecanismos importantes para informar e conscientizar a opinião pública, e se a voz do povo é a voz de Deus, temos que gritar aos quatro cantos do mundo o grande erro que o COI está cometendo, apagando a sua própria história. Imagino o que o Barão de Coubertin acharia disso tudo, certamente estaria muito infeliz! A decisão será política sim, temos que procurar os membros executivos do COI com mensagens positivas, mostrando que o wrestling e Jogos Olímpicos são uma coisa só, e um não existe sem o outro, com sucesso. O trabalho deve ocorrer em todas as frentes visando reverter esta infeliz decisão.

Em caso negativo, qual será o futuro das lutas como modalidade esportiva? É possível que os atletas passem a migrar para outros esportes, como o MMA, por exemplo?

A luta faz parte da história da humanidade, foi o primeiro esporte praticado e passado de geração em geração. Não creio que a modalidade irá acabar por causa de uma decisão infeliz de um grupo. Eles podem enfraquecer a modalidade, que certamente terá no profissionalismo do MMA uma forma de sobreviver, mas o wrestling é maior do que qualquer decisão política, é um esporte universal, que une os povos, e está enraizado nas culturas pelo mundo todo. Se o pior acontecer, o que eu espero que não se concretize, o wrestling achará uma forma de sobreviver. Estamos falando dos homens e mulheres, mais preparados do mundo, certamente eles não irão sucumbir a uma derrota. cair e levantar faz parte do nosso jogo. Seguiremos lutando!

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