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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 Histórias do esporte, Ídolos, Olimpíadas, Pan-Americano, Seleção brasileira | 20:45

Ary Ventura Vidal…

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Ary Vidal, que morreu nesta segunda-feira, já vinha sofrendo com problemas de saúde há algum tempo

Ainda estava tentando assimilar o soco no estômago deste domingo, após a tragédia de Santa Maria que causou a morte de mais de 230 jovens, quando abro a internet e me deparo com a notícia da morte de Ary Vidal, um dos maiores treinadores que o basquete brasileiro já conheceu. Ele estava com 77 anos e já vinha doente há algum tempo, tendo sofrido um AVC  anos atrás e mais recentemente um infarto e insuficiência renal. Ele será sepultado nesta terça-feira, no Rio de Janeiro.

Seria até redundante tentar explicar em algumas linhas deste post a importância de Ary Vidal para o basquete brasileiro. Com uma precoce carreira de treinador, iniciada em 1959, comandou as principais equipes do país, sempre introduzindo nelas um traço que o perseguiu ao longo da carreira: o gosto pelo jogo ofensivo, intenso.

Característica essa que foi marcante na maior conquista de sua carreira e uma das principais do próprio basquete masculino nacional, com a medalha de ouro no Pan-Americano de Indianápolis, em 1987. Na ocasião, a seleção brasileira causou a primeira e única derrota de uma equipe dos EUA (que só tinha um tal de David Robinson no elenco) em seu próprio território, vencendo a final por 120 a 115. E o grande segredo desta vitória o próprio Ary se orgulhava em contar: estimular os chutes da linha de três pontos de Oscar e Marcel, os especialistas neste fundamento.

“Quando a Fiba introduziu a linha de três pontos, eu virei para o Oscar e o Marcel e disse que se conseguíssemos saber tirar proveito disso, teríamos uma arma imbatível. E estava certo”, disse Ary certa vez, em uma das várias oportunidades em que tive a honra de entrevistá-lo.

Críticos diziam que Ary Vidal era apenas um “bom motivador” de elencos repletos de craques e medalhões. Ouvi isso de alguns dirigentes. Pura inveja, na minha opinião. Ou como justificar que um mero “motivador” exiba um aproveitamento de mais de 74% de vitórias no comando da seleção (92 vitórias e 29 derrotas)? E como explicar aos invejosos o feito histórico de Ary Vidal, ao transformar um time sem estrelas, como o Corinthians de Santa Cruz do Sul (RS), em campeão brasileiro, na temporada de 1994?

E vale lembrar que com Ary Vidal, o Brasil subiu ao pódio pela última vez na história dos Mundiais de basquete, em 1978, nas Filipinas. E antes do argentino Rubén Magnano dirigir o Brasil em Londres 2012, foi Vidal quem estava à frente da seleção masculina em sua última participação em Olimpíadas, em Atlanta 1996, ao classificar a equipe durante o Pré-Olímpico de Neuquén (Arg), em 95.

Aliás, é deste torneio que guardo uma das lembranças mais marcantes de Ary Vidal, um homem que era extremamente inteligente, bom de papo, adorava falar com os jornalistas e, talvez por conta de tudo isso, bastante vaidoso. O Brasil fazia uma campanha irregular e chegou à última rodada da segunda fase ameaçado de eliminação. Para isso, bastava o Uruguai bater Cuba, na preliminar de Brasil x Porto Rico.

A turma de jornalistas brasileiros estava posicionada para acompanhar a partida, meio ressabiada, já prevendo o pior. Eis que vimos Ary na tribuna de imprensa, sentado ao nosso lado. Ele disse que não conseguiria esperar o resultado no hotel e decidiu chegar antes da delegação. Ainda assim, esbanjava confiança:  “Cuba vai vencer”, disse, mostrando um otimismo até um pouco excessivo, pela situação dramática do time. Mas ele não perdeu a pose, muito pelo contrário.

Só sei que durante o jogo, ele fumou pelo menos uns cinco cigarros, um atrás do outro, sem dizer uma palavra. No final, o inacreditável: Cuba, que até então era o saco de pancadas, venceu os uruguaios por 20 pontos de diferença, assegurando a passagem do Brasil para as semifinais. Aí, Ary Vidal se virou para o grupo de jornalistas, e todo pimpão, nos desafiou: “Eu não disse que Cuba iria ganhar?”, dando uma piscada marota.

Sim, Ary Ventura Vidal vai fazer muita falta…

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5 comentários | Comentar

  1. 55 luiz oliveira 30/01/2013 10:42

    SANTA A MARIA

    morri na juventude
    não vivi a velhice
    meus sonhos e planos dissipados na fumaça
    acordados na agonia
    aspirados , sem luz ou graça
    suspiros remetidos a lembrança
    meu destino enclassurado na festa
    meu manifesto trancado por segurança
    minha vida ceifada
    ingnorancia e cobiça
    chaves do meu desespero
    meu já n;ao h;a nada
    fica minha vontade de ficar
    compartilhada com a alegria da vida
    pulverizada pelos anos que não terei
    lagrimas: lamentos, luz…
    só o tempo ameniza a falta que farei
    aos amigos> parentes e principalmente pais
    a dor é recíproca
    de uma maria quase santa.

  2. Marcelo Laguna 29/01/2013 19:14

    Tem razão, Rodrigo, aquela foi a primeira. Obrigado pela correção. Abs

  3. 54 RODRIGO 29/01/2013 7:53

    Nao é vdd que foi a unica derrota até hj dos EUA em seu territorio. No mundial de 2002 eles perderam para a Argentina e pra na mesma Indianapolis!!

  4. 53 Braz Haro 29/01/2013 5:16

    Caro Marcelo Laguna
    Parabens pela sua materia, o Ary era tudo isto mais um pouco, um grande amigo, Amen
    Braz Haro

  5. 52 TED 29/01/2013 1:15

    Ary, autor da maior conquista do basquete brasileiro. Técnico que deixava jogar.

  6. 51 Antonio Sérgio 28/01/2013 23:22

    Ary Vidal foi um técnico espetacular que soube aproveitar o estilo ofensivo dos atletas brasileiros para encarar de frente as maiores seleções mundiais.
    A vitória do Pan/87 foi um marco histórico que abalou os EUA e resultou na pressão e posterior entrada dos jogadores da NBA nas Olimpíadas de Barcelona/92.
    Antes de Indianápolis, os EUA eram imbatíveis e só voltaram a ficar com o ouro em torneios internacionais exatamente em 1992.
    Ary merece todas as homenagens possíveis.

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