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quarta-feira, 2 de maio de 2012 Imprensa, Isso é Brasil | 17:57

É proibido ter oposição no COB?

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Carlos Arthur Nuzman completará 21 anos à frente da presidência do COB em 2016

Nesta última segunda-feira, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) emitiu um comunicado anunciando que somente uma chapa fora inscrita para concorrer às eleições da entidade, que ocorrerão em data a ser definida, no último trimestre deste ano. Por uma incrível coincidência, a chapa é encabeçada pelo atual presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman, e terá como vice André Richer, atual ocupante do cargo.

Como é chapa única, Nuzman vencerá o pleito e completará nada menos do que 21 anos no comando do COB em 2016, ano em que se encerrará o próximo mandato.

O que me deixa com um caminhão de pulgas atrás da orelha é o fato de não existir oposição no COB. Nunca. Sempre as eleições são por aclamação, lembrando que a unanimidade, parafraseando Nelson Rodrigues, nem sempre é sinônimo de inteligência.

Só que desta vez houve quem se colocasse contra à gestão Nuzman: segundo informou o advogado e blogueiro Alberto Murray Neto, ex-membro da Assembleia Geral do COB e eterno opositor do dirigente, o presidente da CBDG (Confederação Brasileira de Desportos de Gelo), Eric Maleson, registrou sua candidatura à presidência do COB, dentro do prazo legal, na própria segunda-feira (30/4). Candidatura essa que foi rejeitada, por não atender aos requisitos regimentais da entidade, como por exemplo, o de não contar com o apoio de pelo menos dez confederações.

Além dele, um outro presidente de confederação também não assinou o documento de apoio a Nuzman: Alaor Azevedo, da CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa), que em janeiro chegou a ser apontado como nome de consenso para diminuir o descontentamento de algumas confederações com a atual gestão do COB.

Só dois dirigentes manifestaram oposição aberta a Carlos Arthur Nuzman, contra 28 que apoiam declaradamente nova reeleição do dirigente.

Será que é proibido ter oposição lá no COB? Afinal, até em grêmio estudantil o continuísmo não é considerado como algo positivo. A alternância no poder é sempre saudável. A linha que separa o excessivo apego ao poder da ditadura é tênue demais.

Até compreendo que o atual grupo que comanda o COB queira continuar no poder. Faz parte do jogo político. E para ter apoio da maioria absoluta do colégio eleitoral, é provável que coisas positivas estejam sendo feitas. Ao menos na visão destes cartolas que apoiam este continuísmo.

O que não dá pra aceitar é que Nuzman queira empalar MAIS UM MANDATO. Vinte e um anos é tempo demais. Nem Roberto Gesta de Melo irá continuar na presidência da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) ao final deste ano, cargo que ocupava desde 1987. Coloque alguém de seu grupo, o que já significaria uma nova cabeça no comando da entidade. Mas ele não quer sair da cadeira de forma alguma. Sabe como é, tem os Jogos do Rio, em 2016 (onde ele também ocupa o cargo de presidente do comitê organziador, é bom lembrar).

O Brasil vem sendo considerado exemplo de evolução em vários setores, como melhor qualidade de vida, aumento no nível de emprego para as camadas mais baixas da população, melhoria nos índices sociais, Mas ainda tem muito a aprender a transformar a vida política de suas entidades esportivas numa autêntica democracia.

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5 comentários | Comentar

  1. 55 Nicolau 08/05/2012 16:38

    A situação começa mais embaixo, nas Confederações, que mamam nas tetas do COB. Parabéns pelo post. E, pelo que conheço do velho titio, vc não terá vida fácil em Londres após esse texto, meu amigo.

  2. 54 ronaldo 03/05/2012 10:05

    até a “cara de pau”, do CARA causa uma hipocresia, interesses sabe lá.
    fica sugestão: ser canditado a vereador na cidade maravilhosa

  3. 53 Daniel 02/05/2012 20:39

    Assim como na política, alguém tem alguma dúvida de que no Brasil a corrupção está instalada também no esporte ? Senão, porque então tantas federações de vários esportes que raramente mostram algum resultado e com os mesmos dirigentes de sempre ocupando cargos praticamente vitalícios. Esta país está infestado de parasitas.

  4. 52 Rafael fisher 02/05/2012 19:19

    Marcelo,
    Infelizmente essa é a realidade do nosso país o esporte é só mais um braço do que ocorre em varias áreas da nossa sociedade. Mas ficando apenas dentro da esfera esportiva…se isso acontece no COB imagina nas confederações de esportes que não tem mídia, os que tem gente cobrando o tempo todo já acontece isso. Se você der uma pesquisada bem rápida nos esportes olimpicos (nem todos é claro) verá as pessoas que comandam e há quanto tempo estão lá também. Talvez seja parte da resposta para a pergunta do seu post.

    Abraço.

  5. 51 Jânio Justo 02/05/2012 18:41

    Brasil da Copa, das Olimpíadas, do Trem bala e do povo sem educação, sem saúde, sem segurança, sem saneamento básico, sem………muitas coisas prioritárias.

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