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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012 Imprensa, Isso é Brasil, Olimpíadas | 16:24

Como é bom ser dirigente esportivo no Brasil

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Nuzman deverá emplacar outro mandato na presidência do COB

Sabe, chega um determinado momento da sua vida em que todo mundo precisa fazer uma reflexão. E este momento surgiu para mim exatamente nesta quarta-feira, quando cheguei à conclusão que estou perdendo tempo nesta vida de jornalista especializado em esportes. Este negócio de plantões de final de semana, feriados, decisões de campeonatos, olimpíadas, tudo isso aí não está com nada. Eu deveria mesmo ter seguida a carreira de cartola esportivo. De preferência, presidente de alguma federação ou confederação.

Foram bastante prestativas na ajuda para eu chegar a esta conclusão duas notícias que repercutiram nesta quarta: uma, publicada no UOL, dando conta que Carlos Arthur Nuzman, em recente reunião com presidentes de confederações, garantiu o apoio necessário para permanecer no comando do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), pelo menos até 2016, quando serão realizados os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

A outra, que saiu na edição da Folha de S. Paulo, conta que o presidente da CBT (Confederação Brasileira de Tênis), Jorge Lacerda – cuja gestão está sendo alvo de investigação da Polícia Federal para apurar desvio de recursos públicos em suas contas, segundo a “Folha” – tentará alterar o estatuto da entidade para ficar à frente da entidade até depois dos Jogos de 2016.

Chega a ser tocante tamanho desprendimento e dedicação destas pessoas para ocupar cargos não remunerados e deixar de lado suas atividades profissionais. Além disso, sacrificar anos de convívio com amigos e familiares, tudo em prol do desenvolvimento do esporte, não é mesmo?

Com este nova reeleição, Nuzman completará mais de duas décadas, 21 anos para ser mais preciso, no comando do COB. Lacerda, caso seu pleito seja acatado pela Assembleia Geral da CBT, irá superar os dez anos à frente da entidade. Até mesmo o competente e vitorioso vôlei não tem no processo democrático um exemplo a ser destacado, pois Ary Graça preside a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) desde 1995.

Claro que os dois não se comparam a outros campeões de longevidade no esporte brasileiro: Coaracy Nunes comanda a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) desde 1988, um ano a menos do que Roberto Gesta de Melo, que ocupa a presidência da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) desde 1987. Sem falar em Renato Pera, presidente da FPV (Federação Paulista de Vôlei) desde os tempos das corridas de biga de Ben-Hur.

Justiça seja feita, Gesta de Melo já anunciou publicamente que 2012 será seu último ano no comando da CBAt.

Para esta turma, coisas como democracia, alternância salutar no poder etc não passam de bobagens criadas por jornalistas que gostam de procurar chifre em cabeça de cavalo.

Como se vê nos exemplos acima, não tem profissão no Brasil que seja melhor do que cartola esportivo. Afinal, ninguém brigaria tanto para se manter no poder se a boquinha não fosse boa, não é mesmo?

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6 comentários | Comentar

  1. 56 LUCIA NUZMAN 22/03/2013 21:07

    Estou tentando digerir algo de que minha família foi vítima do COB(atentem para meu sobrenome), no entanto ainda não me decidi. Mas gostaria de saber o contato do jornalista Juca kfouri.

  2. 55 Sergio Preto 02/03/2013 15:58

    JÁ FOI DITO EM OUTRAS OPORTUNIDADES,QUE DEVERIAMOS DEVOLVER O BRASIL AOS INDIOS,E IRMOS EMBORA,TUDO BEM EU ATÉ ACEITO,MAS,ANTES DEVERIAMOS ESTAG
    NAR POR INTERMEDIO DE BISTURI ELETRONICO ESSAS EMACEAS CANCERIGENAS QUE SÃO ESSES POLITICOS QUE OCUPAM ESSAS ENTIDADES E AQUELES QUE OCUPAM OS CARGOS PARA QUE FORAM ELEITOS,E AI SIM PODERIAMOS DEVOLVER AOS TUPINIQUINS
    ESTA TERRA QUE É TÃO BÔA E QUE OS GOVERNANTES NADA FIZERAM SOMENTE A VIO-
    LENTARAM COM NENHUM RESPEITO,E, QUE AINDA VEREMOS POR BONS ANOS ESSA VIO
    LENTAÇÃO SEM PRESCENDENTES DE MORAL POLITICA.

  3. 54 Dante Silveira 02/03/2013 0:55

    Prezados ,
    Este mal caráter chamado Coaracy Nunes reuniu-se com nós nadadores em um Troféu Julio Delamare em Curitiba se não me engano em 1985 , no Clube do Golfinho e em plena campanha para presidente da CBDA , disse na época que era um absurdo o Sr Ruben Dinard estar no segundo mandato como presidente da CBDA na época.
    Acho que não preciso falar mais nada ! ! !
    Sem dizer ainda que como num passe de mágica , este senhor constitui um patrimonio que já foi provado não condiz com a realidade de um funcionário aponsentado do INSS.
    Precisa falar mais ????

  4. 53 João Batista Carvalho e Silva 02/09/2012 19:05

    O exemplo a ser seguido e tb no esporte paralimpico. Fui o primeiro presidente de 1995 (ano em que Nuzmann assumiu o COB) ate 2001. Depois veio Vital de 2001 a 2009 e agora temos Andrew eleito em 2009 e que só pode ir ate 2017 ( no CPB só se admite uma reeleição)

  5. 52 Balelas sobre o desempenho do Brasil em Jogos Olímpicos que você acredita | O Enciclopedista 04/08/2012 11:09

    […] em Confederações que são verdadeiros feudos, comandadas muitas vezes há mais de 20 anos pelos mesmos dirigentes. Exemplo maior dessa dinâmica é o próprio Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, que está lá […]

  6. 51 Alan 01/02/2012 16:59

    Defendo e quase nunca sou ouvido (hahahhaha, como se eu tivesse alguma importância) uma reforma ampla no esporte brasileiro ordenada pelo governo federal. Ah são instituições privadas me dirão e eu respondo que as mesmas recebem dinheiro público e acho (não tenho certeza) tem alguns outros benefícios que uma empresa com fim lucrativo não tem.

    Sendo assim, já passou da hora do esporte brasileiro ser fiscalizado e ordenado de uma forma que deixe de ser um feudo com dirigentes eternos no poder. A limitação de reeleições seria extremamente benéfica para o nosso país.

    Mas, é mais fácil dizer “esse é o país da copa” e “SP não precisa de copa do mundo” em vez de mexer no vespeiro de verdade… rs

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