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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 Isso é Brasil, Olimpíadas, Seleção brasileira | 09:11

A estranha "meritocracia" do COB

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O boxeador brasileiro Everton Lopes (de vermelho) foi campeão mundial em 2011

Embora tenha sido anunciada na última quarta-feira, ainda vale comentar a divisão da verba das loterias  para as confederações esportivas olímpicas do Brasil, através da Lei Agnelo/Piva, em anúncio feito pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Trata-se de um dinheiro fundamental para a maioria das entidades por dois motivos: em primeiro lugar, por se tratar de um valor vital para a sobrevivência destas próprias confederações, especialmente daquelas menos badaladas no universo esportivo brasileiro. Em segundo lugar, este é um ano olímpico e qualquer dinheiro a mais ajuda demais na preparação para as Olimpíadas.

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Justamente por estarmos a pouco mais de seis meses da abertura dos Jogos de Londres 2012, confesso não entender (e aceitar) o critério adotado pelo COB na distribuição deste dinheiro, chamado por dirigentes da própria entidade de “meritocracia”. Acho injusto, por exemplo, a despeito de toda a competência, que confederações que já contam com milionários patrocínios estatais (vôlei, esportes aquáticos e atletismo, por exemplo) recebam uma parcela do bolo tão superior aos demais.

Para as próximas Olimpíadas, o COB justificou a divisão do bolo analisando os resultados obtidos em campeonatos mundiais e copas do mundo, além de classificação de atletas nos rankins das modalidades. Foi também usada uma fórmula “matemática” para dividir a verba das loterias: privilegiar quem tem mais atletas já classificados para os Jogos.

Por fim, o que me pareceu mais distorcido no critério de divisão da Lei Agnelo/Piva de 2012, foi que algumas confederações que integram o Projeto Petrobrás e que conseguiram brilhantes resultados em 2011, receberão menos dinheiro do que outras entidades sem o mesmo desempenho técnico. Foi o caso do boxe e do remo, que viram no ano passado títulos mundiais inéditos com Éverton Lopes e Fabiana Beltrame, respectivamente.

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Só como comparação, o ciclismo receberá em 2012 um total de R$ 2,5 milhões, contra R$ 2,1 milhões do remo e R$ 2 milhões do boxe. E justamente o ciclismo, envolvido em um escândalo de doping mal explicado pela CBC (Confederação Brasileira de Ciclismo) em 2011.

Vale lembrar que o taekwondo, esgrima e levantamento de peso, que também integram o Projeto Petrobrás, ganharão menos do que o já citado ciclismo. É importante citar que neste projeto, as confederações recebem o patrocínio diretamente, sem que o dinheiro passe por outras entidades, entre elas o COB.

Se isso foi levado em consideração na hora de fazer a distribuição das verbas da Lei Agnelo/Piva, não posso afirmar. Torço para que este absurdo não tenha sido nem cogitado.

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3 comentários | Comentar

  1. 53 COB aumenta repasse da Lei Agnelo/Piva, mas não modifica a distribuição da verba 20/12/2012 14:23

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  2. 52 COB aumenta repasse da Lei Agnelo/Piva, mas não modifica a distribuição da verba | CrystalTube 20/12/2012 14:07

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  3. 51 Folha Hoje | COB aumenta repasse da Lei Agnelo/Piva, mas não modifica a distribuição da verba 20/12/2012 14:05

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