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sábado, 26 de março de 2011 Isso é Brasil, Seleção brasileira | 07:38

Dois pesos e duas medidas

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Lourival do Nascimento Libaneo disputou em 15 de agosto de 2010 a prova “10 Milhas Garoto”, na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo. Só que ele não competiu “limpo’, ou seja, estava dopado, tanto que foi flagrado pelo exame antidoping, pelo uso da substância Menfertamina.

Suspenso preventivamente pela CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), Libaneo apresentou suas justificativas, que não foram aceitas pela entidade.  O atleta abriu mão do direito de fazer a análise da contraprova (Amostra B). Na última quinta-feira, foi julgado pela Comissão Disciplinar Nacional da CBAt e pegou dois anos de suspensão.

Geisa Arcanjo, no Mundial Juvenil de 2010, quando foi pega no doping

Agora, vejamos o caso de Geisa Arcanjo. A arremessadora de peso paulista, de apenas 18 anos, ganhou as manchetes duas vezes em 2010: a primeira, por ter conquistado uma inédita medalha ouro feminina para o Brasil no Mundial juvenil, realizado no Canadá; a segunda, por ter sido flagrada no exame antidoping, feito no dia da prova, pelo uso da substância Hidroclorotiazida.

Geisa perdeu a medalha de ouro e foi suspensa preventivamente. Só que ao contrário de Lourival Libaneo, teve um final feliz. Seu caso foi julgado dois dias antes pelo tribunal da CBAt e a atleta levou a pena mínima e recebeu apenas uma advertência. Sim, levou uma bela bronca e está liberada para competir, possivelmente até mesmo nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro.

O atletismo brasileiro vem sofrendo com os inúmeros casos de doping há anos. O seu pior momento foi em 2009, às vésperas do Mundial de Berlim, quando um escândalo envolvendo a equipe de velocistas da equipe Rede, de Bragança Paulista, que culminou com a suspensão de cinco atletas e a eliminação dos técnicos Jayme Netto e Inaldo Sena do esporte. Outros vários casos vem ocorrendo, boa parte em provas de rua, o que mostra que a entidade está muito longe de vencer a guerra contra o doping.

Aí, eis que surgem dois casos como os de Geisa e Lourival Libaneo, com decisões opostas. A CBAt usou critérios diferentes e fez uma grande lambança. Doping é doping! Não importa que a atleta utilizou uma substância para emagrecer e garantiu que não tinha a intenção de melhorar sua performance.

Como diz o advogado e blogueiro Alberto Murray, ex-integrante da assembleia geral do COB e do CAS (Corte Arbitral do Esporte), os dirigentes da CBAt preferiram passar a mão na cabeça de Geisa Arcanjo, ao invés de aplicar a punição devida (dois anos de gancho), e assim poupar um dos raros talentos que surgiram nos últimos anos.

Neste caso, a CBAt pisou na bola. E feio.

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1 comentário | Comentar

  1. 51 sonia 30/03/2011 17:11

    Caro amigo vc sabe por que ela teve uma punição leve ?
    Simples …vc sabe quem é o tecnico dela ?
    E se ele é membro da cbat ?
    rsrsrr .Bela materia parabéns bjus .

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